2.2.23

O preço dos baixos salários

 


«O Banco Central Europeu (BCE) vai aumentar hoje a taxa de juro diretora, mimetizando uma decisão tomada ontem pela Reserva Federal norte-americana. O dinheiro vai ficar mais caro. Na realidade, já está. O tema infiltrou-se quer na mais privada conversa de café sobre o preço dos bens alimentares quer na discussão pública sobre a despesa decorrente da visita papal à Jornada Mundial da Juventude, em agosto.

Quando discorremos sobre o custo de vida, convém não perder a noção da realidade. O BCE tem o objetivo louvável de fazer regressar, a prazo, a inflação aos 2%, mas ninguém sustenta a família com esse fim em mente. É necessário agora ter 1091 euros para comprar os mesmos bens e serviços que custavam 1000 euros em 2019.

E será que 91 euros representam um gasto significativo? Os salários perderam valor ao longo do tempo, quer devido à inflação quer à ausência de atualizações em muitos setores de atividade. Em segundo lugar, mesmo que tenha ocorrido um aumento na remuneração, esse acréscimo é facilmente absorvido pela subida dos custos com telecomunicações ou com combustíveis.

Dando o salto do lado dos problemas para o lado das soluções, ninguém desdenharia que o Governo português eliminasse o IVA nos alimentos essenciais, à imagem do que sucedeu em Espanha. No entanto, verificou-se no país vizinho que muitos comerciantes aproveitaram a medida para manter ou até aumentar as suas margens, anulando assim o impacto pretendido.

A liquidez dada pela menor retenção de IRS, medida tomada em Portugal, pode revelar-se eficaz, embora muitos temam que seja insuficiente. O mesmo se poderá dizer das ajudas diretas às famílias. Portugal era e continua a ser um país de baixos salários. O paradigma tem de mudar. Fixar os melhores é um objetivo viável se as vistas não forem curtas. A inflação até pode "ir embora" mais cedo do que se espera, como diz o Governo, mas os nossos jovens qualificados vão esperar?»

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1.2.23

Hoje an AR

 



Apresentação da proposta de comissão de inquérito sobre a TAP.
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Naquela semana de Agosto

 


Vou tentar não sair de S. Domingos de Benfica, onde creio que não haverá papa, nem palcos, nem confessionários, nem peregrinos.

Quando muito, alguns jovens transviados vão mostrar-me um mapa para perguntarem se o papa vai passar por aqui, como fazem quando procuram o Museu do Benfica ou o Jardim Zoológico.
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Chega: quem anda a alimentar a besta

 


«O que deveria ser mais um congresso do Chega para corrigir mais uma trapalhada estatutária de um partido unipessoal não se limitou a merecer uma cobertura mediática absurda, tendo em conta a regularidade das convenções e o facto de ser um formalismo imposto pelo Tribunal Constitucional, que Ventura aproveitou para mais uma eleição norte-coreana. Teve direito à presença do vice-presidente do PSD que, em 2020,quando foi candidato à liderança, defendeu que as alianças com extrema-direita eram possíveis e da ministra dos Assuntos Parlamentares, umas das figuras mais importantes do PS. E isso chegou para que o congresso, onde nem uma solução para seja que assunto fosse foi mencionada, ganhasse centralidade política. O que nunca precisa de muito, porque os jornalistas, sendo viciados em novidades, tendem a alimentá-las até as suas profecias se tornarem realidade.

A presença de Miguel Pinto Luz no encerramento da convenção é a confirmação do que qualquer pessoa atenta às várias declarações de Luís Montenegro já percebeu há muito tempo: se o PSD precisar do Chega, e é provável que venha a precisar, haverá acordo sem qualquer hesitação. E quanto mais sinais der disso aos eleitores mais votos perderá para o Chega, à direita, porque dá utilidade a esse voto, e mais precisará dele. Percebendo a centralidade que lhe dão, André Ventura subiu a parada: quer ministros. E a sede de poder da direita será tal que, se for essa a sua exigência, os terá.

O teste do algodão será a Madeira. Não tenho dúvidas que a organização que governa a região há meio século, com todos os abusos e impunidades que tanto tempo garante ao poder, não hesitará em dar lugares ao Chega. Nem me parece que este debate diga qualquer coisa ao PRI madeirense. E não acho que o efeito venha a ser aquele a que assistimos nos Açores. Muita coisa mudou desde então: o PS encarregou-se de institucionalizar que o Chega é quem lhe faz oposição, valorizando-o; a comunicação social encarregou-se de transformar o confronto político em nada mais do que casos (com a ajuda do governo); e o PSD tratou de normalizar a extrema-direita como apenas mais uma potencial parceira. Natural, quando foi o passismo que criou a besta.

De tal forma que a nova direção IL, saída de um congresso onde ficou claro que quase metade do partido poderia ser do Chega, até está apostada, mais pela nova versão "social" de Ventura do que por causa das liberdades de quem não tem dinheiro, em distinguir-se de Montenegro nesta opção.

O Chega terá apenas um problema e não será aqueles que muitos pensam – deixar de ser um partido de protesto. Por essa Europa fora a extrema-direita tem mostrado uma enorme adaptabilidade. Consegue estar dentro mantendo-se aparentemente fora e impor a agenda populista na violação dos direitos das minorias enquanto aceita o “status quo” económico e social. Por isso querem a Administração Interna ou a Justiça e deixam as pastas económicas para aqueles de quem, quando não estão a caçar votos, não discordam assim tanto.

O problema do Chega é o seu maior trunfo: André Ventura. Não sei se por insegurança, autoritarismo (inevitável num partido de natureza autoritária) ou as duas coisas, o líder do Chega não deixa que nada brilhe à sua volta, tornando o partido pouco atrativo para quem não seja destituído. Não há naquele grupo parlamentar ninguém que pudesse ser ministro para além do próprio Ventura. E no dia que houver será rapidamente despachado. Só resistem à limpeza, bem evidente neste congresso devidamente enxuto de discordâncias, velhos fascistas ou intelectuais há muito à procura de abrigo que ambicionam uma coisa que não tem interesse para Ventura: o poder das suas convicções.

Quanto à presença de Ana Catarina Mendes, em representação do governo, é ainda mais significativa. Claro que o PS, ao contrário dos futuros aliados do Chega, não esteve presente. Mas ao decidir que o governo está presente e ao escolher uma das suas principais ministras e uma das principais dirigentes do partido, e não uma figura de quarta linha, Costa quis valorizar o Chega. E é o que continuará a fazer, passando a ideia que qualquer alternativa tem de passar pelo Chega, para assustar moderados: ou eu, ou o caos. O que Macron tem feito, destruindo todo o sistema partidário francês.

Só há um problema: as coisas estão a chegar a um ponto em que até o PS parece estar a perder votos para a extrema-direita. Costa está a alimentar um monstro que lhe garantirá a sobrevivência a curto prazo, mas põe a democracia em perigo no médio e longo prazo. O problema não são os inimigos da democracia. São os que estão demasiado ocupados consigo mesmos para a defender.»

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31.1.23

Colares

 


Colar «Princesa Distante» em esmalte opaco sobre ouro, diamantes e ametistas, 1898-1899.
Rene Lalique.

Daqui.
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31 de Janeiro rima com Revolta do Porto

 




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JMJ: Quando eu julgava que já sabia tudo…

 


E afinal…Os 150 confessionários estarão na «Cidade da Alegria», situada em Belém. Ou seja: peca-se na Trancão e tem-se transportes gratuitos para obter perdão a uns quilómetros? Complicado.
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