19.8.18

8 Dias, 8 Viagens (7)



Marraquexe, Marrocos, 2017.
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Dica (797)




«Tirando alguma informação sobre Angola e o Brasil (normalmente noticiário ideologicamente motivado, setorialmente influenciado ou lusocêntrico, o que não tem mal nenhum, mas é limitativo para nos dar um retrato sério e completo desses países) sabemos muito pouco sobre o dia-a-dia social e político dos povos que gostamos de apelidar de "irmãos". (…)
Estas notícias dizem mais ao coração de centenas de milhares (milhões?) de imigrantes desses países que residem em Portugal, potenciais leitores de órgãos de comunicação social portugueses, do que qualquer manifestação contra imigrantes num país do centro da Europa.»
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Les beaux esprits se rencontrent




A ministra dos Negócios Estrangeiros da Áustria casa-se e dança com o convidado e amigo Putin.

(Mais aqui.)
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Lorca e os ciganos


Federico García Lorca conta-se entre as primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola. Foi fuzilado, com apenas 38 anos, em Agosto de 1936, entre os dias 17 e 19, pelo seu alinhamento político com os Republicanos e por ser declaradamente homossexual.

Todos os anos nesta data, em Viznar, perto de Granada, ciganos cantam, dançam e dizem poesia em honra de Lorca e de cerca de 3.000 fuzilados pelos franquistas, cujas ossadas se encontram por perto. De madrugada, à luz de velas e das estrelas, sem nada programado, sem nenhuma convocação formal.







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18.8.18

8 Dias, 8 Viagens (6)



Baía de Ha Long, Vietname, 2009.
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Zé, 71 anos



O funcionário público do futuro.
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As bodas de sangue dos rohingya



Ricardo Garcia Vilanova no Expresso de 18.08.2018:

«Os casamentos de menores não são nenhuma novidade entre os rohingya, que por tradição sempre casaram as meninas desde muito novas. No entanto, os casos multiplicaram-se de forma exponencial desde a última expulsão de mais de 700 mil pessoas desta comunidade de Myanmar (antiga Birmânia), em setembro.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM) tal facto também tem muito que ver com as condições deploráveis em que os refugiados se encontram nos campos do Bangladesh, com um racionamento dos bens alimentares que não chega para saciar a fome de todos os membros dessas famílias numerosas.

A OIM documentou matrimónios desta minoria muçulmana em que as noivas não tinham mais de 11 anos, e confirmou que muitos progenitores alegavam que o faziam forçados, a fim de disporem de mais comida para o resto da família.

O Expresso assistiu à boda de uma menor de 15 anos nos campos da área de Cox’s Bazar, a qual foi entregue pelos seus pais em casamento precisamente porque não recebiam uma ração de comida suficiente para sustentar toda a família.

A casa da noiva

Chegou o dia dela, é hoje o casamento, mas não parece que vá ser o dia mais feliz para Nur Fatema. A rapariga está sentada a um canto daquela que irá ser pela última vez a sua casa, a tenda que os pais ocupam no campo de refugiados de Kutupalong, Bangladesh.

Cabisbaixa e com um olhar perdido, quase melancólico, não consegue dissimular o desgosto. É muito jovem. Uns brincos dourados pendem-lhe das orelhas e do nariz, e repousa as mãos adornadas com henna em cima dos joelhos. Embora os adultos assegurem que tem entre 17 e 19 anos, ela corrige que não tem mais do que 15.

O pai, Abdur Rahman, conta que acertaram o matrimónio há dois meses com outra família conhecida da mesma aldeia onde viviam, em Myanmar. Explica que o fazem mais por necessidade do que por gosto.

“Dão-nos 30 quilos de comida duas vezes por mês (arroz, óleo, lentilhas), mas lá em casa somos sete e não chega para todos. Vamos casá-la porque temos problemas e ainda tenho outras duas filhas à espera de se casarem.”

A menina olha para ele com uma expressão de desprezo enquanto ajusta melhor o pano amarelo que lhe cobre a cabeça.

“Estás contente por te casares?”, pergunta-lhe alguém de repente. Num ato reflexo, ela morde os lábios por uns segundos de modo a não dizer o que realmente pensa. “Se a minha mãe está contente, eu também estou”, acaba por responder, satisfeita por ter encontrado palavras politicamente corretas.

Uma vintena de mulheres da família fazem companhia a Nur até que o noivo a venha buscar. Amontoam-se com as suas respetivas proles nos escassos metros ocupados pela tenda. Uma das tias dela, Hamida Begun, explica com orgulho que demorou mais de duas horas a desenhar-lhe o henna que traz tatuado nos braços e nas pernas. A maioria delas não dispõe de outra roupa senão a que trazem vestida, e por isso pintaram a cara com pigmentos amarelados para a ocasião.



Santana Lopes e a «Aliança»



Mas quem é a noiva, quem é a noiva?
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Costa quer descalçar a geringonça e não consegue



Daniel Oliveira no Expresso diário de 17.08.2018:

«Há um pormenor revelador na última entrevista de António Costa ao “Expresso”: o momento em que, com um ar trocista, o primeiro-ministro fala de Ricardo Robles para dizer que se espantava por alguém tão vocalmente moralista ter pecadilhos. Não interessa aqui o caso em concreto, que já tratei várias vezes e a que só voltarei quando um caso similar não merecer o mesmo tratamento. Está em causa a resposta. Se há coisa em que Costa é especialista é em relativizar “pecadilhos”, sejam os de Rocha Andrade, de Mário Centeno, de Siza Vieira ou dos seus. Mas o que Costa criticou em Robles não foi o “pecadilho”, mas o seu vocal moralismo. Acontece que esse é anterior ao nosso conhecimento do negócio em Alfama. O que quer dizer que já era essa a avaliação que Costa fazia do vereador. O que é estranho, já que Robles foi o primeiro dirigente do Bloco a aceitar participar num Executivo do Partido Socialista. Logo na Câmara que Costa dirigiu e através de um acordo com o seu delfim. É estranho que se mantenha em silêncio sobre quase todos os pecadilhos do mundo e decida falar para atacar o pecadilho de um aliado. Ainda por cima, não para criticar um erro (coisa que seria normal se o costumasse fazer com os seus), mas para lhe atribuir um padrão de comportamento político estruturalmente desagradável.

Teria sido fácil para o BE ou para o PCP cavalgarem o escândalo em torno dos bilhetes de Rocha Andrade e Mário Centeno, só para pegar nos “pecadilhos” mais mediáticos. Não o fizeram. Por uma razão simples: entre os aliados da “geringonça” tem havido muitas acusações políticas, porque elas correspondem a divergências programáticas, mas não tem havido aproveitamento de casos, porque isso está no domínio da guerrilha partidária. E muito menos esses casos têm sido utilizados para caracterizar os outros partidos. A única exceção de que me lembro, e ainda assim de forma suave, foi a reação do Bloco às incompatibilidades de Pedro Siza Vieira.

Critiquei aqui o PCP quando, para defender uma posição correta, usou uma música do “Padrinho” exibindo a cara de António Costa. Porque há uma diferença entre a crítica a uma determinada escolha política, admissível a quem suporta um Governo, e uma caracterização moral insultuosa, que torna incompreensível esse apoio. Caracterizaria da mesma forma esta declaração de Costa se ela não correspondesse a um comportamento cada vez mais recorrente, sobretudo dirigido ao BE (mas não só).

Quase todas as semanas fontes do Governo, que já todos perceberam estarem muito próximas de Costa, têm colocado na imprensa muitas provocações aos parceiros de maioria parlamentar. No que toca ao Bloco, são acusações de falta de credibilidade e confiança; no que toca ao PCP, são exibições de condescendência. Em qualquer um dos casos, mas sobretudo no que toca ao partido que mais eleitorado partilha com o PS, estamos perante tentativas de provocar uma reação que permita a Costa responsabilizar os partidos à sua esquerda pela insustentabilidade futura da geringonça para ter um ambiente mais propício para ressuscitar o voto útil e pedir a maioria absoluta. Como o BE não tem caído na esparrela, é o próprio António Costa que vai levando cada vez mais longe a provocação.

A falta de empenho de António Costa na geringonça é natural. Mais vale governar sozinho do que acompanhado. Ou acompanhado por um PSD em estado letárgico do que por partidos com programas políticos e ideológicos que exigem mais capacidade negocial. Só que Costa terá de se confrontar com uma evidência: a grande diferença entre este Governo e Governos anteriores do PS foi que dependia de partidos à sua esquerda. E isso sentiu-se bastante nos dois primeiros anos de geringonça, enquanto houve acordos para cumprir.

Aos eleitores de esquerda, bastará responder a uma pergunta: acham que haverá mais investimento do Estado, maior proteção dos serviços púbicos, mais ponderação entre as necessidades sociais e as contas públicas e melhores leis laborais com o PS sozinho (ou dependente do PSD) ou com o PS a ter de negociar com BE e PCP? E quanto mais Costa se afastar da geringonça, quanto mais provocar os seus parceiros, quanto mais desesperado se mostrar por ver a maioria absoluta fugir-lhe, mais evidente será que a continuação desta solução depende da votação no BE e no PCP. Todos conhecem a arrogância do PS e do PSD quando se apanham sozinhos no poder. Quanto mais Costa exibir essa arrogância para provocar uma reação dos parceiros mais força lhes dará. Funciona como um lembrete.»
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17.8.18

8 Dias, 8 Viagens (5)



Andar de Metro em Tóquio, Japão, 2006.
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Aretha, ainda ela



Esta fotografia de Aretha Franfklin, na tomada de posse de Obama em Janeiro de 2009, é extraordinária!
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O amigo português de Marine Le Pen



João Teixeira Lopes no Público de 17-08.2018:

«Estamos em agosto, estou em férias e a minha filhota dorme sestas de três horas. Conjuntura ideal, por isso, para dialogar com (mais) um truculento texto do meu homónimo João Miguel Tavares. O colunista, é sabido, tem o verbo fácil e dispara bem a pistola semiótica. Tiro-lhe o chapéu aos títulos magníficos que tantas leituras lhe devem valer e à desenvoltura com que mistura o diletantismo mundano com o disparate bárbaro.

Desta feita, insiste numa das pérolas da “direita liberal” de que é no momento o mais histriónico epígono (o Observador não estará a precisar dos seus serviços?): a redução do mundo à simetria perfeita entre “liberais” (tolerantes) e “iliberais” (intolerantes, onde se mistura, de uma assentada, Marine Le Pen, Boaventura de Sousa Santos e o PCP). É claro que, com esse cliché, faz um servicinho jeitoso à senhora Le Pen: já não é uma fascista, racista ou nazi. Como o próprio diz, com candura, ela não o admite. Pois se é ela quem o diz… É como Trump. Não é racista. Nem machista. Alguma vez ele disse que o era? Sigamos o cherne! Os textos de João Miguel Tavares lavam mais branco. Mete-se lá um racista imundo e sai um nacionalista a cheirar a sabonete.

Aliás, Le Pen subscreveria a delicadeza de João Miguel. Não foi ela quem, em 2012, dirigindo-se a um jornalista, se afirmou “extremamente tolerante e hospitaleira”, embora questionando-o, caso ele recebesse um grupo de clandestinos em casa, “se aceitaria que eles mudassem o papel de parede, roubassem a carteira ou brutalizassem a sua esposa”… Ou quando, ainda nas últimas eleições, vituperou: “De cada vez que tipos gritam «Viva Mélenchon [candidato presidencial de esquerda]» são franceses de origem magrebina!”. Não faltam exemplos…

Não se trata, pois, de mandar calar a Senhora Le Pen ou de dizer que não tem o direito de se candidatar a eleições livres e justas. A questão é outra: devemos ou não exigir do nosso governo que eventos organizados com dinheiro público promovam os discursos e as práticas de ódio? Nos compromissos editoriais do Público, que nem sequer tem dinheiros públicos, por exemplo, diz-se com clareza que neste jornal não haverá espaço para as opiniões que promovam o racismo, a xenofobia, a homofobia ou a apologia da violência. Na verdade, é um debate sobre a qualidade da esfera pública e sobre o papel da intermediação cultural o que está em causa.

Triste sina a de João Miguel Tavares, passar as suas tardes a desancar no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra como alforge de extrema-esquerda totalitária, uma espécie de guerrilha urbana dos tempos modernos, tal como Marine le Pen afirma que a França se tornou “uma Universidade de jihadistas”.

Como a tarde está de Sol, deixo-lhe, meu caro João Miguel, um verso de Gertrude Stein: “Uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa”. Apesar dos seus textos, “Um racista é um racista é um racista é um racista”. Ou não?»
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Já nem os correctores de erros ortográficos usam!



Quando um jornalista mais do que encartado escreve, num texto do seu jornal, «DESFAZERIA o convite», algo vai pior do que talvez pensamos. 

(Daqui)
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Low cost e luta de classes



«Quem, nestes dias, nestas últimas semanas, ou até nos últimos meses, viajou de avião, de uma cidade qualquer para outra cidade qualquer, passou muito provavelmente pela experiência de viver o caos na terra e o inferno nos céus. O acidente, escreveu uma vez um urbanista, é a face escondida do progresso. Não há hoje nenhum lugar onde o acidente seja tão visível como nos aeroportos, que são plataformas logísticas que funcionam como os centros das cidades.

O acidente consiste desde logo na indistinção entre quem chega e quem parte. Dantes as duas categorias eram bem distintas, não só porque cumpriam rituais diferentes, mas também porque os que partiam não tinham a mesma cara, a mesma deixis corporal, daqueles que chegavam. Ora, hoje são todos iguais porque, em rigor, os aeroportos são o lugar da chegada generalizada. Toda a gente, independentemente de estar à espera de partir pelos ares ou de ser posto finalmente em terra, tem aquela mesma cara de quem chega ao aeroporto, isto é, ao lugar do grande fechamento, como foram – ou são – as prisões e os asilos. Mas esse é apenas o primeiro estádio do acidente. O acidente numa fase mais avançada é quando, uma vez transpostos todos os obstáculos e barreiras, começa a espera. Pode durar horas e nós nunca sabermos porquê. Mesmo quando tudo decorre normalmente, acedemos sem atribulações ao lugar reservado e são cumpridos os horários, a sensação de que atravessámos um campo de batalha e de que ali se trava a mais actual forma de guerra deixa-nos antecipadamente com medo da próxima chegada ao aeroporto. Há aeroportos por essa Europa fora que por estes dias foram considerados lugares de perigo, a evitar. Não é apenas o aeroporto de Lisboa que está superlotado, o céu está superlotado de aviões e o mundo está superlotado de viagens. Tal como no final do século passado se falou muito do fim da história, é agora o tempo de perceber que chegou o fim da geografia. Andávamos todos nós tão contentes com os voos low cost, e antes disso com a velocidade que modificou as condições da viagem e do percurso. Sabemos agora que alguém, ou alguma coisa, desatou a rir-se de nós, fazendo-nos experimentar a situação paradoxal de ficarmos imobilizados por causa do excesso de mobilidade. A situação já era nossa conhecida nas entradas e saídas das grandes cidades. Mas agora todas as ligações aéreas de umas cidades às outras conhecem esse regime do trânsito parado. Este mundo que tende para a sua perda, isto é, para a entropia, é um mundo irónico que transforma toda a promessa de felicidade (temporária, é certo) num inferno e deixa toda a gente parada – por muito mais tempo do que aquele que conseguimos suportar – exactamente porque foi prometida a toda a gente a fácil mobilidade e a velocidade. Nunca o fenómeno da entropia foi tão espectacular como é hoje nos aeroportos e no tráfego aéreo. Talvez seja necessário ter em conta que há uma economia política da velocidade e não apenas da riqueza produzida. E quando somos submetidos nos aeroportos e nos aviões à condição de plebe desprezível, pensamos que ali pode estar a renascer uma nova modalidade de luta de classes: por onde circulam os ricos nos aeroportos? Em que aviões viajam para não correrem o risco de perder tempo? Porque é que a velha máxima do “tempo é dinheiro” continua a ser tão actual que ou se tem as duas coisas – tempo e dinheiro - ou não se tem nenhuma. Tempo low cost? Bela promessa. A situação de “desastre” nos aeroportos diz-nos que, neste domínio, são muito frágeis as conquistas e poderosos os retrocessos.»

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16.8.18

8 Dias, 8 Viagens (4)



Lago Inle, Birmânia, 2009.
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Aretha Franklin calou-se hoje



Aretha (Louise) Franklin nasceu em Memphis, em 25 de Março de 1942. Já houve quem a considerasse a maior cantora de todos os tempos, é certamente uma das muito grandes.

O seu último álbum (o trigésimo) – Aretha Franklin Sings the Great Diva Classics –foi publicado em Outubro de 2014.

A recordar:





Em 2014, na Casa Branca:


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Os nossos queridos comentadores



No Público de hoje, João Miguel Tavares compara Marine Le Pen com Boaventura Sousa Santos: «Dentro daquilo que são os meus valores fundamentais, Boaventura Sousa Santos e Marine Le Pen são apenas irmãos desavindos».

Diz muito mais, mas nem vou continuar a citá-lo. Preocupante é ver os que desceram logo à arena das redes sociais para o defender, em nome da sacrossanta liberdade de expressão. Alguns diriam com certeza o mesmo se JMT tivesse escrito que os ativistas do ISIS e o papa Francisco são apenas irmãos desavindos.

Assim vamos.
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A delícia turca de Trump



«Em 1889, o Expresso do Oriente partiu da Gare de l'Est em Paris e chegou, finalmente, a Istambul. Os europeus puderam, finalmente, ir de comboio até aos limites do continente e vislumbrar o Oriente. Istambul, já desde os tempos da Rota da Seda, era uma ponte geográfica entre o Ocidente e o Oriente. Foi a jóia de impérios e centro de poder político e espiritual. Do Império Romano do Oriente, Bizâncio, e do Império Otomano, até 1923. Ataturk modernizou-a. E a Turquia, na sua grandeza, tornou-se a porta por onde dois mundos se espreitavam e conheciam. Erdogan, rechaçado pela União Europeia, procurou um novo rumo, mais musculado, para a Turquia, tentando torná-la um exemplo para o Médio Oriente e para a Ásia Central. E foi aí que este importante país da NATO (com o seu segundo maior exército) entrou em choque com os Estados Unidos. Ancara está contra o apoio dos EUA aos curdos, está ao lado do Irão e do Qatar contra a Arábia Saudita e é a voz mais sólida para confrontar Israel na região. Nada disso agrada a Donald Trump. O caso do pastor americano preso na Turquia é um disfarce para as suas reais intenções: domar Erdogan.

A táctica é a mesma: a asfixia económica, transformada na arma política por excelência da era Trump. Cuidem-se pois todos os países que desafiem os "tweets" do CEO da Casa Branca. Só que esta pressão sobre Erdogan e sobre a economia da Turquia é inaceitável. Mesmo que a Europa não goste de Erdogan e das suas políticas, uma crise profunda da sociedade turca é tudo o que menos interessa à Europa. Porque seria uma vitória de um Trump que quer destruir a União Europeia. Mas também porque a Europa não pode esperar que um país com uma economia arruinada seja uma barreira contra terroristas ao mesmo tempo que acolhe milhões de refugiados de África. Isto para já não falar da necessidade que a Europa terá do segundo maior exército da NATO. Desestabilizar a Turquia é correr um risco equivalente a brincar com a chegada de um tsunami imprevisível. A Europa não pode esquecer isto.»

Fernando Sobral
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