26.9.21

Querido Certificado de Vacinação

 


Ufa, lá cumpriu a sua função! No último dia em que é necessário mostrá-lo para comer dentro de um restaurante, controlaram o meu pela primeira vez (que podia / devia ter sido exigido em todos os últimos fins de semana). Portugueses somos e lá nos vamos safando – enfim, mais ou menos.
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Em dia de eleições

 


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Extenuado

 


Já reflecti tudo, estou extenuado.
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Podem os homens que têm tanto medo das mulheres governar o Afeganistão?



 

«Na década de sessenta do século passado, quando os países do Médio Oriente se levantaram contra as potências coloniais, o Islão foi incorporado como elemento constitutivo do movimento de libertação nacional na maioria dos países árabes, com exceção da Arábia Saudita que sempre esteve fechada no seu mundo absolutista da dinastia da casa Saud.

O movimento do chamado renascimento árabe Al Bath na Síria e no Iraque, a FLN na Argélia com Houari Boumediene, no Egito de Nasser, no Iémen do Sul são exemplos vibrantes de sociedades renascidas da ocupação em que o papel das mulheres assumiu relevo.

Era perfeitamente possível ver nas ruas do Cairo, Aden, Argel, Damasco ou Bagdad jovens namorados e casais de braço dado e era muito raro encontrar mulheres nos centros urbanos de cara tapada com hijab ou nicab e muito menos com burqa.

Na OLP era perfeitamente visível o extraordinário papel das mulheres na luta mais geral do povo palestiniano pelo direito a edificar o seu Estado livre e soberano da ocupação israelita.

Estes países tinham uma conceção do islão que permitiu aos movimentos de libertação nacional integrá-lo de forma positiva nesse quadro político e sociológico.

O Afeganistão dos anos 60/70 era nesta matéria um país ainda mais avançado nos grandes centros urbanos onde as mulheres tinham o seu papel nos mais variados setores da vida económica, social e cultural.

A partir dos anos oitenta, a Arábia Saudita com todo o seu poderio financeiro e económico foi investindo um pouco por todos os países árabes e muçulmanos grandes somas para difundir a sua conceção fundamentalista e retrógrada do islão. Financiavam a construção de mesquitas, enviavam religiosos e acenavam com novos investimentos.

A Arábia Saudita espalhou por todo o mundo muçulmano os seus pregadores e as suas escolas de difusão do wahabismo sunita, a versão mais fundamentalista e retrógrada do islão.

Com a invasão do Afeganistão pela URSS, a Arábia Saudita investiu com os EUA somas incalculáveis de dólares no apoio aos autodesignados mujahedin

A implosão da URSS também contribuiu para uma viragem do nacionalismo árabe para uma visão fundamentalista que a Arábia Saudita impulsionou. Fez medrar uma nova guinada no sentido do mais recalcitrante conservadorismo que foi da Al-Qaeda ao Daesh, ao Hamas, e aos taliban apoiados pelo Paquistão e saídos das entranhas da guerra contra a URSS e que os EUA e a Arábia Saudita apoiaram.

Como sempre seguindo as peugadas da História as criaturas foram nos seus desígnios muito para além dos seus criadores.

A desastrosa invasão do Iraque criou em todo o mundo muçulmano um desespero e uma revolta que muito contribuiu para esta viragem nos valores do Islão dada a ausência de alternativas no plano das políticas dos países árabes. O Islão apareceu aos muçulmanos como a sua única identidade.

Esta nova visão misógina e retrógrada, própria das sociedades tribais de mentalidade atrasada, foi promovida pela Arábia Saudita.

O papel da mulher na Arábia Saudita serviu também de inspiração aos taliban. Foi daquele país que se transpôs a sharia para ser a lei fundamental, ou seja, a Constituição do país, a qual não tem normas e resulta do que se diz do que o Profeta disse e de umas tantas citações do Corão.

Na Arábia Saudita as mulheres para estudarem precisam do parecer favorável de um familiar masculino, as escolas não são mistas; uma mulher que precise de uma intervenção cirúrgica tem de ter o parecer favorável do familiar masculino mais próximo e têm obrigatoriamente de ser vistas por médicas. Não podem andar na rua sós. Nas mesquitas em que podem entrar, ficam atrás dos homens. O seu depoimento como testemunhas vale metade do dos homens e no direito sucessório recebem metade do que recebem os herdeiros homens. Já podem tirar carta de condução, mas não é fácil.

Os jihadistas sunitas beberam até a última gota este fel/inferno que impõem às mulheres onde tomam o poder desconsiderando e perseguindo-as como seres inferiores. 

Os taliban acabam de criar o Ministério da Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, encarregado de promover a pureza da sharia.

Num mundo em que o tempo acelera, os talibans vão tentar impor o regresso ao passado com todo o cortejo de horrores. Não querem que as mulheres calcem sapatos para não ouvirem o barulho que fazem as suas pernas a andar na rua porque os perturba.

Podem os homens que têm tanto medo das mulheres governar um país? Vamos ver.»

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25.9.21

Se já estiverem fartos de reflectir

 


Entretenham-se assim.
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Entretanto no Afeganistão

 



Reflectir sobre isto, e sobre o que aí vem, é que é importante. Não ter quase dois dias de reflexão para decidir como votar na freguesia de Rebimba o Malho. (Espero que não exista nenhuma terra com este nome…)
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Dia de Reflexão

 

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E os votos chegaram a cavalo



 

Já descrevi esta aventura em tempos, mas aqui fica de novo. Para os mais novos parecerá surrealismo, os menos novos sorrirão.

Por razões profissionais, estive durante alguns anos ligada ao processamento dos resultados eleitorais, então efectuado no Centro de Informática do Ministério da Justiça. Viviam-se semanas épicas na preparação de todos os processos, noites ainda mais épicas quando a data chegava, e é difícil imaginar hoje a dificuldade, o pioneirismo e o stress com que tudo se passava.

O apuramento era especialmente longo no caso das eleições autárquicas pelo número de candidatos e lugares envolvidos e, em 1979, estive mais de 24 horas sem abandonar o meu posto. Muito tempo depois do fecho das urnas ainda faltavam os dados de quatro freguesias e, às 16:00 do dia seguinte, nada se conseguia saber de uma delas, localizada bem a Norte do país, salvo erro em Trás-os-Montes. Primeiro faxes, depois telefonemas para o respectivo Governo Civil... tudo inútil, ninguém encontrava o rasto do presidente da única mesa onde se tinha votado. Até que, bem mais tarde, o inesperado aconteceu: o homem acabou por chegar, em pessoa, ao Ministério da Justiça em Lisboa. Tinham-lhe dito que era ali que os dados eram processados e ele pôs-se a caminho. Trazia a urna ainda fechada e tinha deixado à porta… o cavalo que o transportara desde casa!

Julgo que, amanhã, não vamos ter de esperar por votos transportados a cavalo.
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24.9.21

Marquês de Pombal



 
Já foi assim...
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Brilhantes Dias, ainda

 


Costa «desvaloriza»? Como assim? Bazuca sempre, demissões nunca mais?

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Mente pouco brilhante



 

«Passamos a vida a correr e a dizer que o tempo voa, coisa que faz muito sentido quando abordamos a pandemia, cujas restrições, de tão castradoras, parecem enraizadas há séculos na vida de todos.

Mesmo assim, frases há que ficam gravadas, por mais dias que contemos, como a de Graça Freitas: "Não temos que estar alarmados", dizia a diretora-geral da Saúde, em janeiro de 2020. Ontem, o primeiro-ministro anunciou o arranque da etapa final do processo de reabertura. Enfim, chegou a hora de voltarmos a encarar o futuro com otimismo, mesmo a tempo das umas eleições locais em que se discutiu quase tudo menos política de proximidade, porque as batalhas futuras, no Parlamento e na liderança dos partidos, parecem sobrepor-se a tudo.

Se as considerações de Graça Freitas podem ser entendidas, à luz do desconhecimento, numa fase precoce da evolução da doença, mais de um ano e meio depois, as palavras de Eurico Brilhante Dias são inexplicáveis e não têm perdão, quando garante que "nós ganhámos com a covid", por causa do "êxito" que tivemos no combate à doença. Se é assim, não precisamos de um secretário de Estado da Internacionalização. Basta esperar que nova peste nos leve, outra vez, mais de 17 mil almas para proclamarmos de um polo ao outro que somos os melhores do Mundo, um país moderno, servido por um sistema de saúde tão eficaz, que na fase mais aguda da pandemia os profissionais do setor nem precisavam de dormir.

Nunca testei positivo à covid-19, nenhum familiar meu teve problemas graves com a doença, mantive o posto de trabalho. Mesmo assim, não me incluo no "nós" do secretário de Estado. Acredito até que poucos consideram encaixar-se naquele pronome. Subsiste, portanto, uma dúvida: o governante referia-se a quem? Aos portugueses, enquanto povo, pelo que vejo, leio e ouço, não me parece. Não os representa.»

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23.9.21

Se vota em Lisboa...

 


Um ano sem Gréco

 


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Conselho sábio

 

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Uma incompreensível suscetibilidade



 

«É claro que boa parte dos cidadãos não se dá conta. Até porque sempre conheceu esta maneira de funcionar. Mas há também quem frequente rádios e televisões de outros países europeus. Ou que tenha vivido longos anos longe, sem contactos durante muito tempo com as estações portuguesas. E que, por isso mesmo, saiba comparar com outras maneiras de produzir entretenimento como informação. O que leva naturalmente a uma atitude crítica para com o que rádios e televisões propõem em Portugal.

Tal atitude manifesta-se sobretudo em relação à televisão. Até porque ela é, há longos anos, o ator dominante da paisagem mediática. E, claro está, a crítica endereça-se a maior parte das vezes à RTP. Porque é ela que faz parte há mais tempo do património cultural português. Porque é considerada como “serviço público” e, por isso mesmo, paga naturalmente por todos nós. Quando as privadas existem sobretudo como negócio ou como instrumentos de pressão social, cultural e política. E quando estas mesmas televisões podem mudar de proprietários, como aliás se tem visto. Mas imagina-se dificilmente que a pública possa mudar de proprietário(s) e daquilo que é teoricamente o seu projeto cultural.

Porém, os responsáveis da RTP não gostam nada que os cidadãos-pagadores-da-contribuição-audiovisual façam uso do sentido crítico. Recorrem assim ao velho adágio que estipula que a melhor defesa é o ataque, desencadeando a “bomba atómica” que consiste em acusá-los de “censura”. Mesmo quando críticos há que viveram e foram vítimas da censura, no que consumiam como no que produziam, quando a maior parte dos ditos responsáveis (se não todos) nunca souberam o que isso era.

Ora, não será salutar em democracia que, livremente, serenamente e sem demagogia, haja espectadores que se interroguem sobre a “sua” televisão? Sobre a duração dos telejornais (duas a três vezes superior à da maior parte dos colegas europeus)? Sobre o facto de que, no início dos jornais, quando há títulos, sejam sempre três e que um deles seja obrigatoriamente sobre futebol? Sobre a seleção dos factos de atualidade praticada geralmente; dando demasiada atenção a crimes, acidentes e curiosidades sem relevância social, e ao futebol (quotidianamente cuidado); esquecendo boa parte das vezes a atualidade internacional, societal, económica e cultural, o estrangeiro sendo amiúde tratado apenas a partir de faits-divers; transformando a “cobertura” da vida política em simples seguidismo diário (ou quase) de líderes partidários e ao que foi “cozinhado” previamente pelas assessorias destes, não fazendo o jornalista um elementar relato de síntese?

Não será de facto saudável que haja espectadores que se interroguem sobre a hierarquização e o alinhamento dos temas tratados? Sobre a formulação dos textos, em termos sintáxicos como lexicográficos (e até sobre os erros gramaticais regularmente cometidos na escrita como na pronúncia)? Sobre a raridade das reportagens (no sentido forte do termo) e dos documentos, devidamente gravados, montados e acompanhados pela indispensável voz “off”? Sobre a presença exagerada de jornalistas que mais nada fazem do que mostrar-se e estender o microfone a quase sempre o mesmo tipo de testemunhas, transformando até bastantes vezes a dita presença do/da jornalista numa entrada pela esquerda (ou direita) do ecrã e uma saída pela direita (ou esquerda), com ares por vezes de risível passagem de modelos?

E não será ainda normal que haja espectadores que se interroguem sobre a notória ausência de especialistas da redação nas principais áreas do conhecimento, capazes de pôr em perspetiva e analisar factos importantes da atualidade? E que achem pouco desejável que se recorra a “comentadores” que já fazem isso mesmo noutros jornais (impressos, radiofónicos, televisivos ou digitais), provocando uma lamentável concentração da “opinião” muito pouco pluralista?

Países há nesta nossa Europa em que a crítica dos media é uma atividade permanente de sítios em linha, rubricas regulares na imprensa diária e publicações periódicas especializadas. Por vezes mesmo com críticas ferozes aos programas de entretimento como de informação. Sem que isso provoque a suscetibilidade e muito menos a agressividade a que a direção da informação da RTP Televisão nos tem habituado nestes últimos tempos. Até porque as congéneres europeias têm consciência que os cidadãos mais não fazem do que usufruir de um elementar direito constitucional em democracia. E porque tais críticas os levam a reconsiderar o seu próprio trabalho e a procurar tomá-las em consideração em realizações ulteriores.

Habituada a imperar num panorama mediático nacional demasiado reduzido, a direção da informação da RTP Televisão não suporta reparos e muito menos críticas, estimando-se detentora de práticas profissionais inquestionáveis. Um pouco de autocrítica e de modéstia não lhe faria nada mal. Para bem de todos nós…»

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22.9.21

Ele vem aí

 


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Colóquio – Socialistas, Republicanos, Analistas, Radicais…

 


Pode ser seguido por zoom AQUI.
O evento terá lugar no auditório Auditório José Gomes Motta (Rua de S. Bento, 160), com lotação limitada e sujeita a inscrição: geral@fmsoares.pt. 

No dia 24, farei uma intervenção pelas 11:30.






E se, de repente, alguém lhe oferece milhões?

 


«António Costa decidiu correr um risco matreiro ao tentar transformar as eleições num plebiscito acerca da beleza dos milhões dos dinheiros europeus. Não vai parar até ao último dia da campanha. Ele sabe que a repetição exaustiva do refrão do PRR mobiliza a crítica dos seus adversários e cria mesmo incómodo entre alguns dos seus apoiantes mas, no entanto, despreza esse efeito, por estar convencido de que o benefício ganho na credulidade dos eleitores é maior do que o prejuízo pelo enfado de quem acha que o Estado não se deveria confundir com o PS. Manchar as eleições com a convocação de clientelismo e com a transformação do seu próprio partido num partido-regime é, nestas contas de deve e haver, menos problemático do que um resultado no domingo que, como diz Costa com condescendência, ainda poderia significar que o PS não chega a ganhar todos os municípios de Portugal.

Há nisto dois cálculos ganhadores. O primeiro é o efeito imediato, que é a evidente sedução do patronato, que se desbarreta perante o portador dos cheques, e desse modo permite ao PS secar a base social das direitas, enfraquecer o PSD e favorecer o Chega, para assim encurralar a direita tradicional no canto das alianças tóxicas e prolongar o seu predomínio. Por outro lado, também há nisto uma sabida gestão de calendário: o primeiro-ministro percebe que é melhor ter agora um pássaro na mão, a promessa apressada mas tonitruante, pois depois o tempo desgastará os anúncios. Dentro de dois anos o truque não pode ser repetido, nessas eleições nem haverá pontes, nem novas casas, nem metro, nem qualquer das maravilhas que agora ficam tão bem quando apregoadas de um tribuna de comício. É agora ou nunca, enquanto os milhões são sonantes e antes que alguém pergunte pela obra.

Isto não vai parar. Durante toda a campanha o bulldozer de Costa continuará a acelerar sob a bandeira do PRR. O primeiro-ministro mostra assim que sentiu um chamamento, que determinou que a chuva de milhões será a sua herança política. E os autarcas socialistas, que são das primeiras vítimas do estratagema, estão entusiasmados e repetem a mensagem como podem, uma ponte aqui, uma maternidade ali, olhos a brilhar com os milhões que dão para tudo. Nem sentem que as eleições autárquicas estão a ser sepultadas por este vendaval, mirrou o espaço para apresentarem o trabalho feito, nem sobra para as suas propostas, nem para discutirem a vida do seu município. Transformaram-se em paus mandados destes anúncios deslumbrantes e deixaram de ter personalidade, ideias e campanha, limitam-se agora a serem arautos da boa nova milionária. Deste modo, o PS orgulha-se agora de se apresentar como partido-Estado, como a união nacional dos poderes político e económico.

Isto já existiu no Portugal contemporâneo, chamou-se cavaquismo e voltou agora. Talvez alguém se lembre de como acabou, porque acaba sempre por acabar.»

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