26.9.22

26.09.1945 – Gal Costa

 


Nasceu em Salvador e ainda canta, 58 anos depois de se ter estreado ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia, no espectáculo Nós, Por Exemplo... Foi submetida a uma intervenção cirúrgica recentemente, mas espera regressar aos palcos depois de Outubro.

Quem não se lembra da sua «Modinha para Gabriela», de Dorival Caymmi?




E mais, muito mais:






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Agora na Daguestão

 


No Daguestão (uma divisão federal da Rússia situada no Sudoeste do país), mulheres lembram que a Rússia atacou a Ucrânia e gritam «Não para a guerra!».

Também em Yakutsk (a cidade mais fria do mundo), na Sibéria oriental:

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Novo aeroporto: sobre a arte de não decidir com todo o rigor e método

 


«Quando António Costa disse que uma decisão com o impacto da localização do novo aeroporto não podia ser tomada sem o acordo do PSD muita gente parece tê-lo levado a sério. Uma credulidade estranha, quando uma das imagens de marca desta maioria absoluta é não aceitar qualquer contributo dos partidos da oposição.

Mais estranho é haver quem acredite que o ralhete do primeiro-ministro ao seu ministro das Infraestruturas teve a ver com o respeito escrupuloso pela metodologia de decisão. É preciso ter andado muito distraído nos últimos anos. O único tema que interessa a Costa no aeroporto tem três nomes: Pedro Nuno Santos.

Basta comparar o triste episódio de junho com o silêncio do primeiro-ministro quando o ministro da Economia decide anunciar, por sua conta e risco, uma decisão que cabe ao Ministro das Finanças. E basta ver como o primeiro-ministro resolveu garantir, numa entrevista, que o ministro das Infraestruturas não participaria nas negociações e apenas executaria o que fosse acordado com Luís Montenegro. Uma impossibilidade prática rapidamente desmentida. Como é evidente, o gabinete do primeiro-ministro não tem preparação para um tema que é quase exclusivamente técnico. Esteve lá, aliás, só para mostrar que o ministro não manda.

Portugal adora pactos de regime sobre o que é natural e saudável que haja alternativas para o regime. Não debate escolhas ideológicas e políticas porque todas elas, sobretudo desde que aderimos à moeda única, são apresentadas como inevitabilidades técnicas. Prefere alimentar divergências técnicas que resultam, geralmente, de pressões de grupos, lóbis e egos - e não de qualquer clivagem política relevante.

A única escolha política essencial em torno do aeroporto é se ele deve ser feito. Há quem ache que devemos abandonar, em nome do ambiente, a aposta no transporte aéreo. Há quem ache que isso, num país periférico como Portugal, seria um suicídio. Seja como for, essa escolha dependeria, em parte, de outra, que já foi (mal) feita: a nossa ligação à alta velocidade ferroviária europeia. E como desistimos nós dessa ligação? Da mesma forma que desistimos, há anos, de fazer um novo aeroporto: prolongando até à náusea o processo de debate que acabou em nada. Há países onde se fazem estudos para tomar decisões. Aqui, eles são feitos para as evitar.

Quando se demora 50 anos a tomar uma decisão é natural que, a dada altura, ninguém aceite ser derrotado nesse debate. No caso do aeroporto, há uma parte técnica, que terá a ver com o impacto ambiental, com o planeamento territorial e com a viabilidade económica. E há outra parte mais rasteira, que tem a ver com os interesses (sobretudo os especulativos) que se vão mexendo em torno de cada localização. Se o poder político mostra sinais de indecisão permanente – e se ainda por cima o primeiro-ministro fragiliza politicamente o ministro que tem esta pasta –, esses interesses vão pressionando cada vez mais, alimentando, eles mesmos, a indecisão.

Depois dos encontros com Luís Montenegro, que não terá pensado na localização do novo aeroporto mais do que a semana anterior a ter de dizer qualquer coisa sobre o assunto, o resultado foi recuarmos 15 anos. Vamos estudar tudo outra vez, com todas as localizações de novo, como se nada tivesse sido discutido até hoje. Voltámos à estaca zero. Na realidade, voltámos à estaca menos um, porque às localizações que já tinham sido propostas – Alcochete e Montijo –, juntou-se Santarém. E abre-se a porta para o regresso de Alverca ou, quem sabe, da Ota.

É o processo de decisão mais absurdo que alguma vez se viu e o Presidente, que adora estes momentos lúdicos da política, aplaude. Tão absurdo que até há espaço para levar a sério a proposta de Santarém, defendida pelo grupo Barraqueiro, que se dedica a transportar pessoas por terra.

De Santarém ao Marquês de Pombal, no centro de Lisboa, são 82 quilómetro de distância. Dirão: Londres tem um aeroporto a 60 quilómetros. Sim, mas é um de quatro aeroportos, não o principal. Heathrow é a 22,5, Luton a 54, Gatwik a 44 e Stansted a 62. E a atratividade de Londres é um nadinha superior à de Lisboa. Se falarmos de aeroportos comparáveis com o de Lisboa, que teve cerca de 30 milhões de passageiros em 2019, vemos que o de Copenhaga a 13 quilómetros, Bruxelas a 14, Manchester a 14, Zurique a 14, Viena a 22, Milão a 40, Oslo a 45. Ou seja, os piores são a quase metade da distância. Nada existe que seja semelhante ao que é proposto.

A uma distância destas existiriam comboios expresso, como em Oslo ou Gatwik, cujos preços andam na casa dos 20 euros por pessoa. E é o meio mais caro para chegar ao centro. Há outros, como comboio regular ou autocarros. A 80 quilómetros, numa cidade onde a estadia média é de apenas 3 dias, só esse seria viável. Ninguém, numa viagem de 3 dias, quer perder horas para sair e depois para chegar ao aeroporto. Serviço expresso que, para ser competitivo, tem de ter uma regularidade bastante elevada e um preço baixo. Não deixa de ser curioso ver sectores que se insurgiram contra a taxa turística em Lisboa, na altura de um euro por noite, porque iria matar a “galinha dos ovos de ouro” do turismo, agora defenderem um aeroporto a uma distância tal que só será compatível com comboios expresso a 20 ou 30 euros. A não ser, claro, que a ANA pague o prejuízo operacional da linha de comboio dedicada. Quem acredite que compre.

No cenário mais otimista, Portugal vai perder, até 2027, 9 mil milhões de euros sem um novo aeroporto em Lisboa. É verdade que a Vinci podia estar a ganhar dinheiro com o novo aeroporto. Mas enquanto o pau vai e volta folgam as costas e continua dispensada de cumprir uma parte do contrato de privatização (ruinosa para o país): ter de pagar a construção de um novo aeroporto para Lisboa.

Aparentemente, o dinheiro não nos faz falta. A sucessão no PS vale isto tudo. Não sei o que o primeiro-ministro sabia ou não sabia sobre o que Pedro Nuno Santos anunciou há uns meses. Podemos todos fazer um esforço para acreditar que o presidente da Vinci sabia, que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa sabia, que quase todos os jornalistas que cobrem este tema sabiam e que o primeiro-ministro era o único que estava a leste. Ou podemos perceber que a incapacidade de tomar decisões que tenham um horizonte superior ao de cada crise associada às suas mesquinhas vinganças palacianas determinou esta ridícula situação, em que se prolonga a agonia de uma escolha que, sendo técnica, não precisa de pactos constitucionais.»

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25.9.22

Relaxar num serão de domingo


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Ouvir «Bella Ciao» no Irão

 


… enquanto se vota em Itália.
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As lágrimas inteligentes

 


«Não basta ver fotografias de Roger Federer e Rafael Nadal a chorar por ocasião do último jogo de ténis de Federer. É preciso ver o filme. Ou um excerto dele.

Chorar faz parte da inteligência destes dois homens tão diferentes, tão rivais, tão parecidos. Desencadeiam-se um ao outro, estes dois grandes desportistas que nunca mais veremos a jogar um com o outro.

Durante anos desencadearam-se a jogar ainda melhor do que já jogam. Na sexta-feira, desencadearam-se a chorar, como dois meninos, como também se poderiam ter desencadeado a rir, ou a bocejar.

Choram a passagem do tempo, o envelhecimento, a queda que todas as coisas têm para acabar, por muito boas que sejam, aliás, particularmente quando são muito boas e - o que é raro - quando acabam muito bem.

Não há excepções para os desportistas perfeitos, para os que se mantêm mais em forma, para os que foram considerados os melhores de sempre.

A tristeza é a mesma. Mal chegam aos 22 anos, já há jogadores mais novos a emergir como papoilas na Primavera, desejosos de derrotar os velhadas, cuja virtude principal passa a ser, de um dia para o outro, a maldita “experiência”, a experiência dessa outra palavra maldita, dos “veteranos”.

Federer e Nadal (cujas idades somam só 71 anos) foram derrotados por Jack Sock e Frances Tiafoe (54 anos de soma). É uma diferença de 17 anos, que é praticamente a idade do número 1 do ténis, Carlos Alcazar, que fez 19 anos em Maio.

O tempo é que é a tartaruga da fábula da lebre e da tartaruga: o tempo ganha sempre. A lebre começa bem mas, a certa altura, começa a perder velocidade e começa, cada vez mais, a precisar de dormir e descansar.

A lebre vive 4 anos, a tartaruga vive dez vezes mais. Quem é que fica a ganhar? É a tartaruga, por 36 anos. Ora, 36 anos é precisamente a idade de Nadal. E Federer só tem mais cinco aninhos.

Choram porque sempre souberam que a corrida contra o tempo estava perdida.

Mas só agora chegou o tempo de perdê-la.»



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O «Optimista irritante» afinal é este!

 

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24.9.22

Casas de banho

 


Casa de banho da Casa Navas, Reus, Espanha, 1901-1908.
Arquitectos: Domenech e Montaner.
Vitrais feitos por Jerroni Feran Grandell e Manresa.


Daqui.
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Efemérides

 


Eduardo Galeano, Los hijos de los días
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Roger Ferderer



 

A grande despedida de um grande tenista.
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Quando é que o PCP convoca uma manifestação pela paz contra Putin?

 


«O facto de esta ser uma pergunta retórica mostra a absoluta fragilidade da posição do PCP e das organizações a ele ligadas, como o Conselho Português para a Paz e Cooperação, sobre a guerra da Ucrânia em matéria de paz. O que aconteceu nesta semana com o discurso de Putin, a sua intenção de fazer referendos-fantoches e a clara ameaça de uma guerra nuclear colocam o mundo mais perto de um conflito catastrófico do que alguma vez esteve desde a crise dos mísseis em Cuba em 1962.

Se isto não é um ataque à paz, não sei o que possa ser. E neste caso não adianta vir com duplicidades e falsas equivalências: não foram a Ucrânia, nem a NATO, nem os EUA que fizeram esta escalada, mas apenas o Presidente da Federação Russa, que não se limitou a ameaçar com um conflito nuclear, insistindo que o que estava a dizer não era um bluff, era para tomar a sério. Aliás, quem, desde o primeiro dia deste conflito, resultado de uma agressão militar da Rússia à Ucrânia, fez ameaças nucleares foram Putin, Lavrov e aquele belicista sem paralelo no lado de “cá”, Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança russo. Sim, a guerra nuclear, aquela guerra que mata milhões, destrói as grandes cidades do mundo e não tem vencedores, a coisa mais próxima de nos mandar para a ficção científica catastrófica, e para a Idade da Pedra. Senhores que enchem a boca pela paz, há alguma coisa que se compare em dimensão com estas ameaças, do lado da NATO, dos EUA, da UE? Claro que não há, e não há hipócritas comparações nem duplicidades que possam ocultar este facto: se não saírem para a rua claramente contra quem faz esta escalada, pondo o nome às coisas, e Putin e a Federação Russa são os nomes, na verdade não é a paz que desejam, mas uma vitória militar russa.

A sequência perigosa está toda no discurso de Putin. Os referendos-fantoches — e uso a palavra fantoches porque é isso mesmo que são; mesmo que admita que uma parte dos habitantes do Donbass prefere ser russa a ucraniana, não é em guerra e numa ocupação militar que o seu voto tem qualquer valor — vão justificar a anexação de territórios ucranianos à Federação Russa.

Só um parêntesis: se o mesmo tipo de referendos fosse feito em certas zonas geográficas da Federação Russa, como o Cáucaso, também os habitantes votariam ou pela independência ou pela anexação, por exemplo, pela Turquia. A Tchetchénia foi mantida na Federação pela guerra, pela violência e pela repressão.

Os referendos têm apenas o papel de pseudolegitimar conquistas territoriais de um Estado sobre outro, o mais clássico motivo para uma guerra imperialista. E a reivindicação de uma espécie de “droit de regard” armado para “proteger os ‘russos’” é, neste contexto, exactamente o que Hitler fez nos Sudetas. Aliás, onde está Putin coloquem Hitler e as frases são idênticas no verbo e na substância. Logo a seguir à anexação, Putin passa a considerar esses territórios russos, que hoje vão muito para além do Donbass e se estendem a zonas onde se fala ucraniano e onde não há sentimentos pró-russos, mas que Putin quer anexar à Federação porque tem uma posição estratégica relativa à Crimeia e ao acesso da Ucrânia ao mar. E, depois, um ataque a Lugansk é um ataque à Rússia, logo a possibilidade de uma resposta nuclear é possível. “Não é um bluff.”

Repito: quando é que o PCP sai para a rua para condenar Putin por colocar o mundo perto de um conflito nuclear? Silêncio. Nem pensar. Seria “fazer o jogo da NATO”. Eu percebo-os. Não tenho dúvidas de que a última coisa que desejavam era esta guerra, porque o PCP e os seus companheiros de estrada sabem que ela teve o efeito contrário ao pretendido, não vai acabar bem para Putin e a probabilidade de ter sido o balão de oxigénio de que a NATO precisava verifica-se todos os dias. Por outro lado, neste contexto, não querem que Putin perca de forma muito evidente e clamorosa. Duvido que apoiem a escalada belicista de Putin, mas também os incomoda muito a eficaz ofensiva ucraniana. É um mecanismo não só político, mas também psicológico, daquilo que tanto pode ser interpretado como comportamento dos indivíduos quando se metem numa argumentação sem saída e, em vez de a corrigirem, sobem de tom e caminham ainda mais para o abismo. O mesmo para aquilo a que antes se chamava “psicologia de massas”. Ou seja, estão metidos num imbróglio que não tem saída feliz, mas que tem um ponto forte: não querem que a Ucrânia ganhe. Não o podem dizer, mas é exactamente isso que desejam, de desejo forte, inominável, feio.

Por isso, estão bloqueados no plano político. Já os comparei aos enfeitiçados pela Bruxa de Blair, paralisados contra uma parede numa cave em ruínas.»

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23.9.22

Sempre ao serviço do povo

 

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Não parece, mas já chegou

 


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Respect, Christiane Amanpour

 



«"Estamos em Nova Iorque, onde não há lei ou tradição sobre lenços na cabeça. Nenhum outro presidente iraniano exigiu isso quando realizei entrevistas fora do Irão", disse Amanpour.
A também Embaixadora da Boa Vontade da Unesco afirmou que o assessor "deixou claro que a entrevista não aconteceria se não usasse um lenço na cabeça".»
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Mahsa Amini

 


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