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18.7.16

Ainda virá Durão Barroso evocar um dos segredos de Fátima

13.7.16

A grande mentira da guerra



«A "ameaça" das "armas de destruição maciça" revelou-se uma ilusão. Saddam era o alvo. O petróleo, a jóia desejada. E o resto serviu apenas como menu para uma guerra devastadora.

O Iraque continua a ser uma terra de ninguém. Em poucos dias, dois acontecimentos recordaram o apocalipse que se abateu sobre um dos berços da civilização: o atentado do Daesh junto a uma geladaria na zona de Karrada, no centro de Bagdade, que fulminou cerca de 250 vidas inocentes, mostrando que a violência dos terroristas já não respeita qualquer fé ou limite moral; e a divulgação do relatório Chilcot, onde muitos políticos envolvidos na invasão do Iraque (e no derrube de Saddam Hussein) saem chamuscados, a começar por Tony Blair. Do relatório percebe-se a conexão entre as causas e os efeitos. E, sobretudo, a montanha de mentiras que forjou uma invasão cujos efeitos (nomeadamente o terrorismo do Daesh) estamos a sentir agora na máxima força. E que sentiremos nos próximos anos.

O relatório é claro: o Governo britânico de Blair exagerou os dados e manipulou-os e decidiu-se pela acção militar ao lado de George W. Bush. Não estava claramente para a invasão e para a ocupação e gestão do Iraque pós-Saddam. Treze anos de caos e violência foram o resultado. Basta olhar para o Iraque de hoje: é um país dividido religiosamente, com um Governo incapaz de gerir o país, com um exército deficiente e uma administração ineficiente (que os ocupantes americanos e ingleses ceifaram, julgando que todos os funcionários eram adeptos de Saddam), com uma violência mortal diária e parte do país ocupado pelo Daesh ou sob controlo curdo. A "ameaça" das "armas de destruição maciça" revelou-se uma ilusão. Saddam era o alvo. O petróleo, a jóia desejada. E o resto serviu apenas como menu para uma guerra devastadora e para um encontro nas Lajes sob os auspícios de Durão Barroso.

A montanha de mentiras, encenada por Blair e pelos seus aliados, alimentou a criação de uma violência sem limites. Há um exemplo claro: um bandido secundário, al-Zarqawi, foi declarado por Colin Powell, no seu discurso pré-guerra na ONU, como um terrorista aliado de Saddam. Era falso. Só que isso levou a que fosse promovido rapidamente dentro da Al-Qaeda e se tornasse o líder da insurgência sunita no Iraque. Ele acabaria por estar no núcleo inicial do Daesh, pelos seus requintes violentos, inspirando matanças em diversos países. O relatório Chilcot (que serve agora apenas para acalmar as consciências face às trágicas decisões de então) não fala muito das consequências: o sofrimento do povo iraquiano surge apenas em notas de rodapé. E é disso que muitos se continuam a esquecer no grande jogo do poder, da energia e da guerra.»

Fernando Sobral

7.5.16

Durão, Sampaio e a cimeira nas Lajes



Quando Durão Barroso se escuda em Jorge Sampaio a propósito da cimeira noa Açores, e as TV o repetem 100 vezes/dia, é importante ler esta reacção do ex-Presidente da República.


«Sobre a Cimeira em si, e o processo que levou à sua realização nas Lajes – e não em Washington, Londres, Barbados e Bermudas, como terá sido ventilado –, a verdade é que a literatura internacional lhe dá pouca ou nenhuma importância e não tendo eu tido conhecimento dos preparativos, pouco posso dizer. No entanto, quero recordar aqui o telefonema que, pelas 7 da manhã de 14 de Março, recebi do primeiro-ministro, solicitando-me uma reunião de urgência. Para minha estupefacção, tratava-se de me informar que havia sido consultado sobre a realização de uma cimeira nos Açores, essa mesma que, nesse mesmo dia, a Casa Branca viria a anunciar para 16 de Março, daí a pouco mais de 48 horas… Não é preciso ser-se perito em relações internacionais para se perceber que eventos deste tipo não se organizam num abrir e fechar de olhos; e também não é necessário ser-se constitucionalista, para se perceber que não cabe ao Presidente autorizar ou deixar de autorizar actos de política externa. (…)

À laia de conclusão, quero sublinhar três pontos: o presidente tem o direito constitucional a mostrar a sua discordância perante a condução da política externa e não está obrigado a acatar, sem intervenção e passivamente, decisões assumidas pelo Governo; no caso que aqui nos ocupa, entendo ter conseguido uma posição equilibrada pois, por um lado, evitei de facto abrir um conflito institucional que em nada serviria o país, mas, por outro, ao me opor ao envio de tropas para o Iraque, afirmei decisivamente o papel efectivo do presidente como comandante supremo das Forças Armadas» 
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7.9.14

Marionetas



Daniel Oliveira publicou este excelente texto no Expresso de ontem. 
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24.2.11

Não esquecer o Iraque


Amanhã é o «dia da cólera» no Iraque, onde nos últimos dias se têm realizado grandes manifestações, fortemente reprimidas e de que pouco se tem falado, talvez porque há muito nos habituámos à «normalidade» quotidiana da violência naquele país. E, no entanto, os iraquianos também enchem as ruas, em luta pela democracia.

«Depuis que deux avions se sont écrasés à New York, permettant de justifier deux guerres initiées par l'Occident, on nous dépeint les peuples arabes comme islamistes, sanguinaires et fratricides… Nous les découvrons pacifiques et unis contre les pouvoirs qui les oppressent grâce à la complicité de nos dirigeants. N'attendons pas que les manifestants irakiens soient massacrés pour comprendre la nature de leur mouvement.

Le régime irakien actuel est illégitime et ne tire son pouvoir que de l'organisation planifiée de la violence. Les Irakiens sont depuis plus de vingt ans les victimes collatérales d'un vaste engrenage géostratégique dont l'enjeu central est leur division, nécessaire à chacune des parties en place, et qui a produit des centaines de milliers de morts et 5 millions de réfugiés à l'extérieur et à l'intérieur du pays.

Sauf par sa résistance armée, ce peuple, trop occupé à survivre, n'a pas eu l'occasion de faire valoir son unité contre les discours qui l'atomisent ; aujourd'hui qu'il descend dans la rue, c'est cette unité qu'il nous faut entendre. Il existe bel et bien un peuple irakien auquel un régime criminel et ses alliés puissants continuent de faire la guerre.»

(Daqui)

(A foto foi tirada ontem.)
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