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6.11.25

Assim vai o SNS

 


«Não é possível convocar serviços mínimos para responder ao protesto dos médicos tarefeiros ao trabalho na urgência. Caso avance a paralisação, os hospitais ficam de mãos e pés atados e o impacto será “enorme”, antecipa o bastonário dos médicos. Governo é criticado por sindicatos, pela Ordem e pelos administradores hospitalares.»


28.12.24

A fábrica de percepções

 


«Olhando para os números disponíveis, o “peso” dos migrantes é, na pior das hipóteses, negligenciável. É natural que assim seja, a população migrante é, na sua maioria, jovem e saudável.

O governo garante que não comprometerá o atendimento destas pessoas em serviço de urgência, que a proibição será só na atividade programada. Esquece-se que é na atividade programada que se tratam as doenças crónicas e que estas, quando não são tratadas, descompensam em doença aguda, que por sua vez é tratada... na urgência. Portanto, a medida vai agravar o congestionamento nas urgências!

Se estas pessoas não vão ter acesso a um médico de família, seguramente não terão acesso a medicina preventiva, ou seja, vacinas, programas de vigilância de gravidezes, entre outras coisas. Só que estas pessoas, sobretudo estas grávidas e estas crianças, circulam nas nossas cidades e aldeias e convivem connosco. Vão, por exemplo, à escola onde estão os nossos filhos e netos. A pergunta que importa fazer é: quererá alguém que na escola do seu filho estejam meninos e meninas não vacinados para a difteria e a tosse convulsa?»

Vale muito a pena ler o texto de Bruno Maia na íntegra, que está disponível AQUI.

26.8.23

Políticas que metem medo

 

«Mete medo sabermos que, nas praças de jorna que contratam médicos à tarefa, é atribuído um valor remuneratório mais elevado às horas trabalhadas por aqueles que mais altas passam aos doentes. A ganância e a impunidade dos interesses privados sobrepõem-se ao direito à vida. Uma engrenagem perversa, com cada vez mais tentáculos, vem sugando e atrofiando o Serviço Nacional de Saúde (SNS). E todos os governantes sabem que as políticas se desenham e efetivam por ação ou por inação.»

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29.5.23

Que se lixe o circo

 


«Apesar do crescimento económico, os portugueses vivem um momento extraordinariamente difícil. Os salários não acompanham a inflação e os aumentos das taxas de juro sobrecarregam os orçamentos das famílias endividadas. Os excedentes orçamentais não escondem a degradação dos serviços públicos e a sangria de profissionais qualificados do Estado. Jovens e menos jovens são expulsos de cidades transformadas em activos financeiros, numa crise da habitação sem precedentes. Há uma década, Luís Montenegro dizia, em defesa do Governo de Pedro Passos Coelho, que a vida das pessoas não estava melhor, mas o país estava muito melhor. Esse parece ter voltado a ser o discurso oficial.

O Serviço Nacional de Saúde, que já foi um dos maiores orgulhos da nossa democracia, tem sido uma das principais vítimas do desinvestimento nos profissionais do Estado e nos serviços públicos. No início do mês de Maio, abriu um concurso para 978 vagas para medicina geral e familiar. Apenas 393 médicos foram admitidos, todos os que concorreram. Num país onde quase 1,7 milhões de utentes não têm médico de família, este brutal falhanço não teve grande impacto mediático. A comunicação social estava concentrada noutros temas.

É com estupefacção que os subscritores deste texto observam o divórcio entre o debate político e mediático e a vida concreta das pessoas. Não desprezamos episódios que põem em causa a dignidade das instituições, mas nada corrói mais os alicerces da democracia do que a ausência de resposta às necessidades mais básicas da população. É incompreensível que as duas principais figuras do Estado se entretenham a medir forças entre si enquanto o país lida com dificuldades quotidianas.

É com estupefacção que acompanhamos as intermináveis novelas mediáticas. Entre o que é simbólico ou circunstancial e os crescentes problemas concretos das pessoas, existe uma absurda desproporção de atenção. Esta secundarização da crise social acompanha a tentativa de alimentar uma crise política artificial, instalando a ideia de que é preciso é mudar de governo sem que se discutam as grandes opções orçamentais.

Fora da bolha mediática onde Presidente da República e primeiro-ministro jogam o seu jogo cínico, o país tem tentado fazer-se ouvir. Nos protestos dos profissionais do Estado, abandonados no foguetório dos excedentes orçamentais. Nas manifestações de jovens pelo direito à habitação. E agora, em mais uma manifestação em defesa do SNS – depois da que se realizou no dia 20 de maio –, marcada para 3 de junho no Largo Camões, em Lisboa.

Defender a dignidade das instituições é, antes de tudo, travar a degradação dos pilares do Estado Social. A democracia portuguesa assenta na Escola Pública, no Serviço Nacional de Saúde e na conquista de direitos sociais e económicos para grande parte da população. A redução da política a episódios mais ou menos caricatos, para não discutir a vida concreta das pessoas, dirige o descontentamento para o populismo de extrema-direita, que se naturaliza perante comportamentos indignos de governantes sem ter de revelar as suas propostas.

Como democratas, desejamos condições políticas para que, à esquerda ou à direita, se confrontem alternativas que respondam aos problemas das pessoas. Temos problemas mais graves do que o paradeiro de um computador, tema que ocupou três semanas do tempo mediático. É urgente recentrar o debate político. O nosso lado é a defesa do poder de compra do povo e da dignidade do Estado Social.

É para dar voz a um país que não se contenta com o entretenimento informativo e quer a vida das pessoas no centro do debate político que, no próximo dia 3, exigimos que a salvação do SNS se transforme numa verdadeira emergência nacional. Há uma década gritámos: "Que se lixe a troika, queremos a nossas vidas". Hoje, é tempo de gritar: "Que se lixe o circo, queremos as nossas vidas".

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27.12.19

SNS?



Agora que acabaram as consoadas. Ao ouvir a mensagem de Natal do nosso PM, este «boneco» não me saía da cabeça.

Enquanto os portugueses mordiam uma rabanada, António Costa vestiu o fato de vendedor curandeiro, deixou a rena à porta de um Centro de Saúde e passou cinco minutos a falar de doenças e das suas milagrosas medidas para delas cuidar – nada mais apropriado para ser ouvido num jantar de Natal. Quanto a tudo o resto e que estratégia tem para o país? Zero. Who cares?!
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15.9.19

40º aniversário do SNS



No dia em que comemoram 40 anos do SNS, a RTP3 convida Gentil Martins como comentador da efeméride. Estamos conversados, não?
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3.1.18

Salvar o SNS




«António Arnaut e João Semedo uniram-se para apresentar uma nova proposta de Lei de Bases da Saúde, debate que deverá ganhar forma nos próximos meses. Acreditam que ainda é possível salvar o SNS.»

Uma entrevista a ambos, a ler com atenção. O que está em jogo é mais do que fundamental.
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8.1.12

Meios complementares de defesa do SNS

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Por Sandra Monteiro, no último número de Le Monde Diplomatique (edição portuguesa):

O estado de saúde dos portugueses e a saúde do Estado português são duas das maiores preocupações que assaltam os cidadãos neste início de 2012, um ano em que os efeitos da crise atingirão novos patamares, sobretudo ao nível do emprego e do rendimento disponível das famílias, e em que só a acção colectiva poderá forçar os governos, nacionais e europeu, a inverter o desastre que se anuncia com este rumo austeritário e com esta arquitectura europeia.

É verdade que existem fortes ligações entre a saúde dos portugueses e a do Estado, como ainda recentemente veio lembrar um estudo comparativo da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), intitulado «Health at a Glance 2011». Analisando os sistemas de saúde de 34 países, o relatório mostra o excelente desempenho que durante três décadas o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem tido na generalidade dos indicadores, com excepções como a despesa com medicamentos. Apesar de Portugal ser o terceiro país em que a despesa pública menos cresceu entre 2000 e 2009, o SNS ainda é capaz de assegurar elevados índices de saúde à população, sinalizando a eficácia do serviço público na utilização de meios e na adequação aos fins.

Quando se fala na qualidade do desempenho do SNS fala-se das provas dadas, inscritas nos nossos corpos e no corpo da democracia, por um serviço público assente no acesso universal e gratuito e cujo financiamento é assegurado através de impostos progressivos (e não pelo co-pagamento pelo utilizador, como agora tenderá a ser com os brutais aumentos das taxas moderadoras — ver nesta edição o artigo de Isabel do Carmo). Em Portugal e noutros países assiste-se há muito tempo à corrosão destes princípios por interesses privados, como os que estão plasmados nas tão lesivas parcerias público-privadas. Essa corrosão assume várias formas: cortes orçamentais; bloqueios ao acesso que atingem várias camadas da população; imposição de experiências de degradação da qualidade dos serviços; transformação de utentes em clientes de um negócio que, globalmente, tende a garantir piores índices de saúde… O processo corrosivo irá acentuar-se com a presente crise, mas não é novo. Tal como não é novo que as lógicas neoliberais contem com o desconhecimento dos seus efeitos negativos e com o manto de silêncio (desde logo mediático) com que conseguem encobrir os bons desempenhos dos serviços públicos. Tanto os já verificados como os que poderiam verificar-se.

Continuar a ler aqui.
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