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23.10.18

23.10.1956 - A «Revolução Húngara»



A chamada «Revolução Húngara» começou numa terça-feira, 23 de Outubro de 1956, no centro de Budapeste, com uma manifestação de milhares de estudantes que tentaram ocupar a rádio para transmitirem as suas exigências: fim da ocupação soviética e a implantação de um «verdadeiro socialismo». Foram detidos e quem do lado de fora exigia a sua libertação foi alvejado pela polícia a partir do interior do prédio.

Espalhada a notícia, a revolta alastrou primeiro a toda a cidade de Budapeste e depois ao resto do país, provocou a queda do governo e a sua substituição. Mas em 4 de Novembro deu-se a invasão pelas tropas do Pacto de Varsóvia e a resistência não durou mais de seis dias.

Pouco mais de duas semanas, portanto, que se saldaram por duas dezenas de milhares de mortos e por um verdadeiro êxodo de cerca de 200.000 húngaros, sobretudo jovens, que fugiram do país e pediram asilo um pouco por toda a Europa e também na América, do Norte ao Sul. Conheci uns tantos na Universidade de Lovaina, uns anos mais tarde.

Hoje a Hungria tem um dos governos mais sinistros da União Europeia, sem que esta pareça importar-se suficientemente com o facto, líder de uma política militante de rejeição de refugiados e não só. Os estudantes de 56 são agora velhos ou já morreram. Gostava bem de saber o que pensam disto tudo os meus amigos Eva, Nicholas e Elisabete, mas perdi-lhes o rasto… 
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18.9.18

Homenagem póstuma a Kolontár e Devecser



«Nunca esquecerei a imagem de um rio vermelho que rasgava a planície branca. Foi em junho de 2011, quase nove meses depois da tragédia que atingiu Devecser e Kolontár, duas localidades deixadas ao esquecimento na Hungria.

Em outubro de 2010, já no mandato de Viktor Orbán como primeiro-ministro de novo, Devecser partiu-se ao meio cerca de 40 minutos depois de ter rebentado o reservatório que armazenava os detritos tóxicos de uma fábrica de alumínio das redondezas. Uma parte da localidade foi literalmente varrida por ondas tóxicas de dois metros de altura. As mesmas que, já com menos força, haviam de chegar a Kolontár e tingir as suas terras de vermelho. Na altura chegaram-nos algumas, poucas, imagens da tragédia das lamas vermelhas. Orbán presidia também à União Europeia nesse momento e nada podia manchar esse exercício, nem mesmo as mortes, as pessoas hospitalizadas ou as vidas destruídas pela tragédia.

No Parlamento Europeu tentámos várias vezes agendar o debate, mas de todas as vezes fomos silenciados pelo acordo de cavalheiros. Foi assim que decidi ir à Hungria e visitar as populações afectadas. (…)

O voto desta semana para sancionar o governo húngaro foi um voto pela defesa dos direitos humanos mais básicos e fundamentais. Aplicar sanções à Hungria não tem que ver com sermos mais ou menos críticos da actual norma vigente na União Europeia. Tem a ver com dignidade e o respeito pelos valores universais. Quando já nem isso tivermos, não nos resta nada. Também assim espero ter homenageado as famílias de Devecser e Kolontár.» 

Marisa Matias
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12.9.18

O Parlamento Europeu sanciona a Hungria




«O relatório da comissão parlamentar das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos do PE, que considerava existir um risco manifesto de violação grave, pela Hungria, dos valores europeus, recebeu 448 votos a favor, 197 contra e 48 abstenções durante a votação realizada no PE, em Estrasburgo, França.»

Os eurodeputados portugueses votaram a favor, com excepção dos do PCP, que votaram contra, e de Marinho Pinto que se absteve.Algum espanto?

P.S. – A justificação oficial do PCP pode ser lida AQUI.

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23.10.16

«Revolução Húngara»: foi há 60 anos



A chamada «Revolução Húngara» começou numa terça-feira, 23 de Outubro de 1956, no centro de Budapeste, com uma manifestação de milhares de estudantes que tentaram ocupar a rádio para transmitirem as suas exigências: fim da ocupação soviética e a implantação de um «verdadeiro socialismo». Foram detidos e quem do lado de fora exigia a sua libertação foi alvejado pela polícia a partir do interior do prédio.

Espalhada a notícia, a revolta alastrou primeiro a toda a cidade de Budapeste e depois ao resto do país, provocou a queda do governo e a sua substituição. Mas em 4 de Novembro deu-se a invasão pelas tropas do Pacto de Varsóvia e a resistência não durou mais de seis dias.

Pouco mais de duas semanas, portanto, que se saldaram por duas dezenas de milhares de mortos e por um verdadeiro êxodo de cerca de 200.000 húngaros, sobretudo jovens, que fugiram do país e pediram asilo um pouco por toda a Europa e também na América, do Norte ao Sul. Conheci uns tantos na Universidade de Lovaina, uns anos mais tarde, e já falei dessa experiência neste blogue.

Hoje a Hungria tem um governo que é talvez o mais sinistro de toda a União Europeia, sem que esta pareça importar-se suficientemente com o facto, líder de uma política militante de rejeição de refugiados e de construção de muros que os deixem à porta. Os estudantes de 56 são agora velhos ou já morreram. Gostava bem de saber o que pensam disto tudo os meus amigos Eva, Nicholas e Elisabete, mas perdi-lhes o rasto… 
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24.9.16

A Hungria soma e segue



Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, propõe como solução para a crise dos refugiados a criação de uma megacidade, fora do espaço europeu (na Líbia, por exemplo), onde seriam todos «encerrados»

Já eu proponho que alguém obrigue Orbána ser o primeiro habitante da dita cidade. 
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6.7.16

Refugiados – A vergonhosa posição da Hungria



Sabe-se agora que a Hungria vai referendar o direito de a UE decretar a instalação obrigatória de cidadãos não húngaros na Hungria. Trata-se de um país de 10 milhões de habitantes, ao qual caberia o astronómico acolhimento de 1294 pessoas!

É o momento de recordar que, exactamente há 60 anos, 200.000 húngaros, sobretudo jovens, fugiram  e receberam o estatuto de refugiados em muitos países europeus e americanos. Sem Uniões Europeias, sem quotas, por simples solidariedade. Conheci uns tantos desses refugiados, que encontrei em Lovaina quando mais tarde lá cheguei como estudante, fiquei amiga de alguns e gostava bem de saber o que pensam hoje disto tudo.

A Revolução Húngara de 1956, contra as políticas impostas pelo governo do país e pela União Soviética, teve início em 23 de Outubro e durou até 10 de Novembro do referido ano. Tudo começou numa terça-feira, no centro de Budapeste, com uma manifestação de milhares de estudantes que tentaram ocupar a rádio e foram reprimidos. A revolta alastrou depois ao resto do país, provocou a queda do governo e a sua substituição. Em 4 de Novembro deu-se a invasão pelas tropas do Pacto de Varsóvia e a resistência acabou daí a seis dias.

É verdade que esses 200.000 húngaros fugiam do «comunismo» e talvez o actual governo húngaro considere que o daesh é mais benigno e que as guerras de que fogem hoje milhões de seres humanos não passam de jogos de computador.

O mínimo que se poderia esperar de quem já lutou pela liberdade de procurar destinos, que considerou melhores, era que não impedisse outros de fazerem o mesmo. Infelizmente, a História nem sempre deixa lições. 
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4.9.15

Quando os meus amigos refugiados eram húngaros



O recente comportamento dos dirigentes da Hungria para como os refugiados que tentam atravessar o país para atingir o centro da Europa faz soar campainhas muito antigas que nunca se apagaram na minha memória e que já referi, em tempos, neste blogue.

Como é sabido, a Revolução Húngara de 1956, contra as políticas impostas pelo governo do país e pela União Soviética, teve início em 23 de Outubro e durou até 10 de Novembro do referido anos. Tudo começou numa terça-feira, no centro de Budapeste, com uma manifestação de milhares de estudantes que tentaram ocupar a rádio e foram reprimidos. A revolta alastrou depois ao resto do país, provocou a queda do governo e a sua substituição. Em 4 de Novembro deu-se a invasão pelas tropas do Pacto de Varsóvia e a resistência acabou daí a seis dias.

A operação saldou-se por alguns milhares de mortos e por um verdadeiro êxodo de cerca de 200.000 húngaros, sobretudo jovens, que fugiram do país e pediram asilo um pouco por toda a Europa e também na América, do Norte ao Sul.

E é aqui que entra a minha história. Entre os muitos países procurados por jovens estudantes que foram saindo da Hungria assim que puderam, a Bélgica foi um deles e eu cheguei à Universidade de Lovaina um ano mais tarde. Já encontrei muitas dezenas e vi chegar outros, ainda com olhar inquieto depois de longas peregrinações por diferentes paragens. Partilhei residências universitárias com alguns e fiquei amiga de muitos.

Poderia contar dezenas de episódios, como o da minha amiga Eva que, embora apavorada, teve «a sorte» de poder fugir dentro de um armário onde um diplomata em mudanças de regresso a Bruxelas a escondeu, porque a mãe era secretária na embaixada belga em Budapeste. Mas limito-me ao mais trágico: um surto de loucura (latente, certamente, mas que só se revelou alguns anos depois da fuga), numa rapariga impecável e inteligentíssima que um dia se barricou no quarto da residência universitária durante várias horas, ameaçando suicidar-se, porque via caras de soldados russos reflectidos no lavatório e tinha outras alucinações do mesmo tipo. Só cedeu a um polícia, também inteligente, que do outro lado da porta a convenceu de que vinha prender os russos e a levou para um hospital psiquiátrico.

Em 1956 fugia-se de uma Hungria «fechada», em 2015 a Hungria fecha-se, com muros, para não deixar passar quem tenta escapar à guerra, à morte e à fome. Estou a comparar 1956 com 2015? Não e sim. Não porque estamos a falar hoje de realidades com dimensões humanitárias e quantitativas diferentes; sim porque era bom que quem já lutou pela liberdade de procurar destinos que considerou melhores não impedisse outros de fazer o mesmo. Infelizmente, a História não deixa lições.


[Republicado no Esquerda.net]
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23.10.13

Hungria: há 57 anos, a «Revolução»



Retomo em parte um texto que publiquei a propósito da «Revolução Húngara» que teve início em 23 de Outubro de 1956.

Tudo começou numa terça-feira, no centro de Budapeste, com uma manifestação de milhares de estudantes que tentaram ocupar a rádio e foram reprimidos. A revolta alastrou depois ao resto do país, provocou a queda do governo e a sua substituição. Em 4 de Novembro deu-se a invasão pelas tropas do Pacto de Varsóvia e a resistência acabou daí a seis dias.

A operação saldou-se por alguns milhares de mortos e por um verdadeiro êxodo de cerca de 200.000 húngaros, sobretudo jovens, que fugiram do país e pediram asilo um pouco por toda a Europa e também na América, do Norte ao Sul.

E é aqui que entra a minha história. Entre os muitos países procurados por jovens estudantes que foram saindo da Hungria assim que puderam, a Bélgica foi um deles e eu cheguei à Universidade de Lovaina um ano mais tarde. Já encontrei muitas dezenas e vi chegar outros, ainda com olhar inquieto depois de longas peregrinações por diferentes paragens. Partilhei residências universitárias com alguns e, curiosamente, houve imediatamente uma grande empatia ente húngaros e os pouquíssimos portugueses que por lá andavam.

Tudo era ainda muito recente, as histórias multiplicavam-se e estarreciam-me pela total novidade que eram para quem chegava do Portugal de Salazar e nunca tinha conhecido qualquer cidadão de Leste. Durante muito tempo, estudei, li e interpretei muitas realidades, não só mas também com «olhos húngaros». E, quando aconteceu Praga 68, foi Budapeste 56 que imaginei permanentemente.

Poderia contar dezenas de episódios, mas limito-me ao mais trágico: um surto de loucura (latente, certamente, mas que só se revelou alguns anos depois da fuga), numa rapariga impecável e inteligentíssima, que vivia na mesma residência que eu e com quem lidei durante anos, e que um dia se barricou no quarto durante várias horas, ameaçando suicidar-se, porque via caras de soldados russos reflectidos no lavatório e tinha outras alucinações do mesmo tipo. Só cedeu a um polícia, também inteligente, que do outro lado da porta a convenceu de que vinha prender os russos e a levou para um hospital psiquiátrico.

No dia seguinte, defendi a minha tese de doutoramento e dois dias depois regressei a Portugal. O fim da minha longa estadia belga ficaria para sempre ligado a uma terrível recordação de Budapeste 56. 
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23.10.12

Hungria, 23/10/1956 – O que não esqueço



Retomo parte de um post, publicado em tempos a propósito da «Revolução Húngara» de 1956, que teve início há 56 anos.

Tudo começou no dia 23, no centro de Budapeste, com uma manifestação de milhares de estudantes que tentaram ocupar a rádio e foram reprimidos. A revolta alastrou depois ao resto do país, provocou a queda do governo e a sua substituição. Em 4 de Novembro deu-se a invasão pelas tropas do Pacto de Varsóvia e a resistência acabou daí a seis dias. 

A operação saldou-se por alguns milhares de mortos e por um verdadeiro êxodo de cerca de 200.000 húngaros, sobretudo jovens, que fugiram do país e pediram asilo um pouco por toda a Europa e também na América, do Norte ao Sul.

E é aqui que entra a minha história. Entre os muitos países procurados por jovens estudantes que foram saindo da Hungria assim que puderam, a Bélgica foi um deles e eu cheguei à Universidade de Lovaina um ano mais tarde. Já encontrei muitas dezenas e vi chegar outros, ainda com olhar inquieto depois de longas peregrinações por diferentes paragens. Partilhei residências universitárias com alguns e, curiosamente, houve imediatamente uma grande empatia ente húngaros e os pouquíssimos portugueses que por lá andavam. Fiquei amiga de muitos.

Tudo era ainda muito recente, as histórias multiplicavam-se e estarreciam-me pela total novidade que eram para quem nunca tinha conhecido qualquer cidadão de Leste. Durante muito tempo, estudei, li e interpretei muitas realidades, não só mas também com «olhos húngaros». E, quando aconteceu Praga 68, foi Budapeste 56 que imaginei permanentemente.

Poderia contar dezenas de episódios, mas limito-me ao mais trágico: um surto de loucura (latente, certamente, mas que só se revelou alguns anos depois da fuga), numa rapariga impecável e inteligentíssima que um dia se barricou no quarto durante várias horas, ameaçando suicidar-se, porque via caras de soldados russos reflectidos no lavatório e tinha outras alucinações do mesmo tipo. Só cedeu a um polícia, também inteligente, que do outro lado da porta a convenceu de que vinha prender os russos e a levou para um hospital psiquiátrico. 

Isto passou-se na residência onde ambas morávamos, a alguns metros de distância. No dia seguinte defendi a minha tese de doutoramento e dois dias depois regressei a Portugal. O fim da minha longa estadia belga ficaria para sempre ligado a uma terrível recordação de Budapeste 56.
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19.1.12

Sobre a Hungria

Hungria.
Uma grande intervenção de Daniel Cohn-Bendit, ontem, no Parlamento Europeu.

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4.1.12

A Hungria - de novo autoritária


As notícias que nos chegam da Hungria não são más, são péssimas. Dezenas de milhares de pessoas desfilaram anteontem nas ruas de Budapeste, em protesto contra a nova Constituição que entrou agora em vigor e que é acusada de condicionar liberdades fundamentais e de pôr em causa a independência de instituições como o Banco Central e o Tribunal Constitucional.

O diploma tem como subtítulo do preâmbulo a frase «Deus abençoe os húngaros», reconhece o papel do cristianismo na preservação da identidade nacional, defende que o feto deve ser protegido desde a concepção e não admite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Além disso, assiste-se, um pouco por toda a parte, ao crescimento de um culto generalizado de nacionalismo que vai, por exemplo, até ao ponto de estarem previstos impostos municipais para quem tenha cães de raça não húngara!




Entretanto, sublinhe-se a importância de uma iniciativa notável de treze antigos dissidentes do regime comunista, alguns deles ironicamente compagnons de route de Viktor Orbán, que acabam de lançar um longo apelo que merece ser lido.

The decline of democracy – the rise of dictatorship
New Year’s message sent by former Hungarian political dissidents
2 January 2012, Budapest

The undersigned, participants of the erstwhile human rights and democracy movement that opposed the one-party communist regime in the 1970s and 1980s, believe that the Hungarian society is not only the victim of the current economic crisis, but also the victim of its own government. The present government has snatched the democratic political tools from the hands of those who could use these tools to ameliorate their predicament. While chanting empty patriotic slogans, the government behaves in a most unpatriotic way by reducing its citizens to inactivity and impotence.

The constitutional system of Hungary has also sunk into a critical situation. As of the 1st of January 2012, the new constitution of Hungary along with several fundamental laws came into force. Viktor Orbán’s government is intent on destroying the democratic rule of law, removing checks and balances, and pursuing a systematic policy of closing autonomous institutions, including those of civil society, with the potential to criticise its omnipotence. Never since the regime change of 1989 when communist dictatorship was crushed has there been such an intense concentration of power in the region as in present-day Hungary. (…)

Europe is at a crossroads too. Hungary is a sad example of what may happen wherever there is a concentration of crisis tendencies, aggravated by attempts to resolve problems caused by an economic and social crisis with authoritarian means and a policy of nationalistic isolation. Instead of prosperity and stability, such a policy can only lead to suppression, conflict and turmoil. The desperate situation of present-day Hungary should be a warning for all of us: if Europe is prepared to help Hungary, it will also help itself.

Na íntegra aqui.

- Dérive autoritaire en Hongrie : que peut faire l'Europe?
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27.10.10

Um outro Outubro


Foi um post do Miguel Serras Pereira que me recordou que passa esta semana mais um aniversário sobre a «Revolução Húngara» de 1956.

Não entro em detalhes, mas é sabido que tudo começou no dia 23, no centro de Budapeste, com uma manifestação de milhares de estudantes que tentaram ocupar a rádio e foram reprimidos, que a revolta alastrou ao resto do país, provocou a queda do governo e a sua substituição. Que em 4 de Novembro se deu a invasão pelas tropas do Pacto de Varsóvia e que a resistência acabou daí a seis dias. A operação saldou-se por alguns milhares de mortos e por um verdadeiro êxodo de cerca de 200.000 húngaros, sobretudo jovens, que fugiram do país e pediram asilo um pouco por toda a Europa e também na América, do Norte ao Sul.

E é aqui que entra a minha história. Entre os muitos países procurados por jovens estudantes que foram saindo da Hungria assim que puderam, a Bélgica foi um deles e eu cheguei à Universidade de Lovaina um ano mais tarde. Já encontrei muitas dezenas e vi chegar outros, ainda com olhar inquieto depois de longas peregrinações por diferentes paragens. Partilhei residências universitárias com alguns e, curiosamente, houve imediatamente uma grande empatia ente húngaros e os pouquíssimos portugueses que por lá andavam.

Tudo era ainda muito recente, as histórias multiplicavam-se e estarreciam-me pela total novidade que eram para quem nunca na vida tinha conhecido qualquer cidadão de Leste. Durante muito tempo, estudei, li e interpretei muitas realidades, não só mas também com olhos húngaros, e quando vi Praga 68 foi Budapeste 56 que imaginei permanentemente.

Poderia contar dezenas de episódios, mas limito-me ao mais trágico: um surto de loucura, (latente, certamente, mas que só se revelou seis anos depois da fuga) numa rapariga impecável e inteligentíssima que um dia se barricou no quarto durante várias horas, ameaçando suicidar-se, porque via caras de soldados russos reflectidos no lavatório e tinha outras alucinações do mesmo tipo. Só cedeu a um polícia, também inteligente, que do outro lado da porta a convenceu de que vinha prender os russos e a levou para um hospital psiquiátrico.

Isto passou-se na residência onde ambas morávamos, a alguns metros de distância. No dia seguinte defendi a minha tese de doutoramento e dois dias depois regressei a Portugal. O fim da minha longa estadia belga ficaria para sempre ligado a uma terrível recordação de Budapeste 56.
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As Cidades e as Praças (27)



Praça dos Heróis, Budapeste (1986)
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