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9.3.19

Bloco de Esquerda



Fui esta tarde ao comício comemorativo dos «20 ANOS DO BLOCO DE ESQUERDA». Que venham mais 20: há por ali muta força e uma grande lufada de ar fresco, de gente de todas as idades.

A sessão pode ser vista na íntegra AQUI.
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24.2.19

Alô, PS?



Eu não li o artigo todo porque é reservado a assinantes, e não sei se o vídeo está transcrito na íntegra, mas o título exprime o que me pergunto desde que os PS existe.
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25.1.19

O que eles andaram para aqui chegar



Mas não estão sozinhos. Bastou-me ouvir alguns excertos da debate quinzenal desta manhã para ficar mais esclarecida. Está mais do que aberta a caça ao Bloco, por uns que rezam por uma maioria absoluta em cima de uma azinheira, por outros simplesmente porque sim. Ou porque não.



«Dirigentes e deputados bloquistas têm recebido nos últimos dias dezenas de mensagens com ameaças de violência física ou mesmo ameaças de morte, insultos, críticas com pendor racista, xenófobo e homofóbico. Receber este tipo de mensagens é habitual para os políticos, mas dirigentes do BE asseguram que a quantidade aumentou significativamente nos últimos meses, e, em especial, para alguns dirigentes como Joana Mortágua, Catarina Martins ou Mamadou Ba. (…)

Esta sexta-feira de manhã, por exemplo, o assessor bloquista Mamadou Ba foi seguido durante largos minutos por dois militantes do PNR que o esperavam à porta de um evento em que ia participar, em Lisboa. Mamadou conseguiu dizer que estava a sofrer "bullying" por parte dos dois homens, mas estes continuaram a segui-lo e a confrontá-lo, numa conversa em tom agressivo, de intimidação, mas sem ameaças concretas. O vídeo deste momento foi mais tarde partilhado nas redes sociais pelos próprios elementos que perseguiram o bloquista.»

O vídeo é este:

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1.12.18

Maio de 68, ainda



Há alguns meses, participei no Fórum Socialismo organizado pelo Bloco de Esquerda e, depois de uma sessão que partilhei com Mário Tomé, fui entrevistada.

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20.11.18

Mr. Centeno, I presume




«Eu devo confessar-lhe que, por isso mesmo, foi para mim tão desconcertante vê-lo gravar um vídeo em que celebrou a devastação económica que foi imposta à Grécia, uma devastação, aliás, que a maioria parlamentar que o apoia recusou. E é por isso também que para mim é desconcertante vê-lo encabeçar as ameaças a um Governo, que por muito pouco que gostemos dele, foi eleito pelos italianos. E que, com essas ameaças, como estamos a ver, só vai saindo cada vez mais reforçado.»
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5.9.18

Não foi Centeno que entrou no Eurogrupo, foi o Eurogrupo que entrou em Centeno



Marisa Matias na abertura do Fórum Socialismo 2018, no debate “A Europa da xenofobia e da austeridade tem futuro?”, que teve lugar a 31 de agosto de 2018:

«“A Europa da xenofobia e da austeridade tem futuro?”
Tem. A questão é como evitá-lo.
Não só tem futuro, como tem muitos aliados e cúmplices. Cúmplices nas políticas racistas e xenófobas, que não precisaram de ver a extrema-direita chegar ao poder para se começarem a instalar na União Europeia, na narrativa de descredibilização do sistema político e no esvaziamento democrático da União. Quando a extrema-direita começou a chegar ao poder já lá encontrou as suas políticas. Quem irresponsavelmente acusa os extremos políticos de serem iguais, legitima e naturaliza a extrema-direita como uma alternativa democrática. A tentativa de descredibilizar as forças de esquerda não é mais do que uma preciosa ajuda à extrema-direita.»

Continuar a ler AQUI.
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31.8.18

Foram diferentes os Maios



Amanhã andarei por Leiria, no Fórum Socialista 2018 do Bloco de Esquerda, onde partilharei uma sessão com Mário Tomé sobre «O Maio de 68 e as consequências em Portugal». O que direi encontra-se resumido neste texto escrito para o efeito. 

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O 50º aniversário dos acontecimentos de Maio de 1968 em França foi amplamente assinalado em Portugal, num notável número de seminários, debates, documentários, entrevistas e textos. Informação disponível não falta, portanto, e não retomarei relatos mais do que conhecidos de factos, relações entre o que teve início no meio estudantil e se estendeu depois ao operariado, nem as eternas discussões sobre sucessos e razões para fracassos.

Se regresso hoje ao tema, faço-o exclusivamente porque este texto servirá de base a uma intervenção minha numa das sessões do Forum Socialismo deste ano, organizado pelo Bloco de Esquerda.

Que o 68 francês «chegou» a Portugal não parece oferecer dúvidas, embora nem todas as leituras coincidam. De um modo geral, no entanto, parecem congregar-se na opinião de que foi no ano seguinte que as influências mais se fizeram sentir, nomeadamente no meio estudantil com as lutas académicas em Coimbra e em Lisboa. Oiça-se, por exemplo, uma boa síntese feita por Fernando Rosas em As lutas de 68, por Fernando Rosas e Mamadou Ba (a partir do minuto 48).

Prefiro chamar a atenção para um «outro mundo», pouco ou nunca abordado e no qual então me movia: o de uma esquerda que não estava à época enquadrada em partidos ou movimentos marxistas-leninistas, PC e outros, e para a qual 1968 teve uma influência decisiva que não esperou por 69 e que veio para ficar com consistência.

Mais concretamente, estou a falar, não só mas sobretudo, do universo dos chamados «católicos progressistas», então no início de um processo de ruptura com a Igreja, moribundas que estavam as esperanças depositadas no Concílio Vaticano II e num qualquer posicionamento dos bispos portugueses contra o fascismo. Note-se que a esta mancha da esquerda se juntava, em muitas acções, um grupo razoável de activistas não católicos, sobretudo herdeiros da crise académica de 1962 e não enquadrados em estruturas partidárias ou movimentos afins.

Este conjunto de pessoas, maior do que se pensa embora de difícil quantificação, já se encontrava há alguns anos activo em várias plataformas interligadas, umas mais culturais como a revista O Tempo e o Modo, outras de intervenção social e política, como as cooperativas Pragma e Confronto, ou clandestinas como O Direito à Informação que divulgava informações verdadeiras sobre a guerra colonial.

Agia-se como se podia contra essa guerra e protestava-se contra a do Vietname, era-se a favor de todos os Luhter King do universo, com uma maior abertura a latinidades (sul-americanas ou francesas) do que a bater de asas em Moscovo, Pequim ou Tirana. Seguia-se a Primavera de Praga com entusiasmo, mas sem grandes surpresas com a invasão soviética do mês de Agosto e sem o traumatismo que outros experimentaram por causa da mesma. Cuba e os seus heróis, sim, estavam bem presentes no horizonte de todas as utopias.

100% francófona, foi uma população que viveu os acontecimentos de Paris com um entusiasmo certamente um tanto pueril mas garantidamente genuíno, não só no plano cultural, mas também na intensificação das relações com organizações francesas já anteriormente apoiantes da luta antifascista portuguesa.

Também a nível dos comportamentos se acelerou uma já iminente libertação. Os tabus ligados à família e à sexualidade vinham a ser especialmente reprimidos desde há algum tempo, sendo um exemplo típico a apreensão pela PIDE, em Março de 1968, de um número especial da revista O Tempo e o Modo sobre «Casamento». Os acontecimentos parisienses de Maio encontraram terreno fértil neste plano, para que saltassem tampas de repressões várias. E se estas não eram apanágio dos meios católicos, tomavam nestes maiores proporções pelo peso da educação, pelas poucas ou nenhumas aberturas da Igreja nesta área, pela inexistência de divórcio para quem se tivesse casado pela Igreja. Vacilaram casamentos, caíram alguns, multiplicaram-se «uniões de facto» mais do que condenadas pelas autoridades religiosas, foram-se casando os primeiros padres. (Nunca esquecerei o relato que um amigo me fez há poucos anos: desterrado na Guerra Colonial quando tudo isto aconteceu, e embora fosse seguindo de longe os acontecimentos e mantendo os contactos, encontrou no regresso o seu mundo de sempre «de pernas para o ar», incluindo o próprio casamento que acabou por colapsar.)

Também se iam agravando os conflitos com os bispos portugueses, nomeadamente com o cardeal Cerejeira, que não perspectivavam qualquer distância em relação ao fascismo em geral e à guerra colonial em particular e que geriam com mãos de ferro os conflitos crescentes, não só com leigos mas também com uma camada de padres e seminaristas jovens e progressistas, que, a pouco e pouco, foram deixando a Igreja. Quando, em Julho de 68, Paulo VI publicou a encíclica Humanae Vitae sobre sobre a regulação da natalidade, onde eram condenados todos os métodos anticoncepcionais, pílula incluída, esperar que a mesma fosse acatada, mesmo por alguns católicos com responsabilidades especiais nas estruturas da Igreja, era pedir que se voltasse a acreditar no Pai Natal. A Humanae Vitae funcionou como a gota de água que faltava a muitos para a desilusão definitiva e mesmo para o corte com qualquer prática religiosa. (O padre Anselmo Borges publicou, muito recentemente, um interessante texto sobre o tema.)

Em resumo, a claustrofobia em que se vivia em Portugal, sem as liberdades mínimas e com sete anos de guerra colonial, escancarou as portas para que a contestação de todos os poderes se instalasse, a nível da oposição ao regime – e à Igreja – e no plano dos costumes. Luta pela liberdade e luta por todas as liberdades passaram a fazer parte de uma mesma batalha. Claro que tudo acontecia apenas a nível de elites em (poucos) centros urbanos. Mas eram elites francófonas e francófilas, para quem Paris já era, e passou a ser ainda mais, o que de mais parecido havia com o paraíso na terra... Por outras palavras, estou a dizer que foi provavelmente a faceta contestatária e libertária do Maio de 68, que mais influenciou esta esquerda não muito «ideológica», longe de grandes ortodoxias e ansiosa por passar à prática, e que marcou a sua maneira de agir em todo o período marcelista. Não foi certamente por acaso que um número significativo de ex-padres, seminaristas, católicos e ex-católicos aderiu a organizações como a LUAR e o PRP/BR, e só excepcionalmente ao PCP ou às então novíssimas organizações maoistas, nos últimos anos da década de 60 e nos primeiros da que teve início em 1970.

Com o 25 de Abril e o PREC foram vários os caminhos seguidos, mas arrisco dizer que o ano de 68 e os que se lhe seguiram deixaram uma marca que continua a reflectir-se, para muitos, num certo modo de estar na vida e na política.
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1.8.18

30.7.18

Robles




Foi uma decisão que só pecou por ser tardia. Ontem à tarde, publiquei no Facebook o texto que abaixo transcrevo. Embora mais apropriado para aquela plataforma, fica aqui também.

«Nada escrevi até agora, à espera de ver se a poeira assentava. Segui todas as notícias dos últimos dias e muito do que se escreveu aqui pelo Facebook, o que me provocou por vezes verdadeiras náuseas, nem tanto pelo conteúdo, mas pelo frenesim, para mim misterioso, que levou algumas pessoas a publicarem dezenas de «posts» e centenas de comentários sobre o tema.

1 – Do Bloco sou, e continuarei a ser, eleitora e apoiante.

2 – Não tenho qualquer opinião pessoal sobre Ricardo Robles, não o conheço e nem sequer sabia da sua existência até à campanha para as últimas autárquicas.

3 – Nada tenho a acrescentar a tudo o que foi escrito, dito ou ouvido, nem estou disposta a discutir detalhes, e apenas me apetece dizer que, sem pôr em causa a legitimidade do que quer que seja ou a honestidade de alguém, considero que a situação é complexa e tem dados que geram conflitos de interesses passados e futuros.

4 – Assim sendo, se eu estivesse na posição do vereador do Bloco renunciaria ao cargo por julgar que tinha deixado de ter condições para o exercer, por mais que considerasse ter a razão do meu lado e qualquer que fosse a decisão da direcção do partido. E se pertencesse à dita direcção, já tinha substituído o Ricardo Robles na CML. Era só.»
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17.7.18

Aquele em quem confiávamos



José Manuel Pureza no Expresso diário de 17.07.2018;

«Há essa coisa meio misteriosa de, dos nossos mortos, recordarmos o sorriso. O João morreu-me. E o que eu mais recordo dele é o sorriso. Aquele sorriso de olhos semicerrados que exibia um gosto imenso pela vida. “Tive a vida que escolhi – disse ele - a vida que quis, não tenho nada de que me arrependa no que foi importante. Sim, fui muito feliz (…)”. É isso: lembro o sorriso do João porque esse era o sorriso de um homem feliz.

Conheci o João Semedo pela mão do Miguel Portas (tinha que ser…). E rapidamente ele se tornou num camarada, depois num amigo, e depois no meu irmão mais velho. Fiz todos os diálogos com o João, pedi-lhe todos os conselhos, todas as opiniões. O João esteve sempre lá, nunca me faltou.

O meu vazio com a morte do João é, pois, pessoal antes de ser político. Um irmão não se substitui. Mas é também um imenso vazio político. Falta-me o camarada com quem fiz tantos e tão cúmplices anos de caminho. O João ensinou-me que um partido não se faz de frações que se fecham em ser frações. E que as mudanças que contam não se fazem de partidos que se fecham em ser partidos. O João tinha essa qualidade sábia de ser um homem de partido como conheci poucos e de, sem nunca perder essa lealdade sem sombra, ser um artífice de maiorias para mudar o que tinha que ser mudado. Foi como homem de partido, totalmente livre e totalmente comprometido, que o João construiu plataformas, conversas, redes, movimentos, maiorias. E foi isso que fez do João um nome certo de tantas mudanças essenciais.

Os homens e as mulheres das diversas esquerdas confiavam no João. Sabiam que ele não amolecia na defesa da firmeza de princípios e que ele não se escusava a nenhum esforço para juntar gente, vontades e saberes para dar força às causas da democracia avançada em Portugal. Foi por isso que foi com ele que António Arnaut quis trabalhar uma proposta para salvar o Serviço Nacional de Saúde.

Foi por isso que Laura Ferreira dos Santos e João Ribeiro Santos contaram com ele para a consagração em lei do direito a morrer com dignidade.

Mas havia uma outra razão para o João ser um tipo de toda a confiança. É que o João conhecia a realidade, estudava-a meticulosamente. Por isso as suas propostas de mudança nunca eram panfletárias e tinham sempre uma autoridade irrecusável. O João foi sempre um ativista da mudança das estruturas e das vidas. Sempre pelos de baixo. Juntando conhecimento, elegância e ambição de radicalidade da transformação.

Quando se fizer a História das conquistas de uma democracia avançada em Portugal, o nome do João Semedo estará lá, como referência maior. Sei disso. Mas a mim fica o vazio de ter perdido o meu maior amigo.»
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29.6.18

Migrações: o «acordo possível»?




Foi o «acordo possível», leio e oiço muito por aí, aparentemente com alívio. «Sensato», afirma o PR.
Eu digo «tristeza». E acrescento «vergonha».

José Manuel Pureza no Facebook, em comentário ao vídeo:

«O que tinha sido anunciado como cimeira Merkel/Macron para salvamento do Euro, foi, na realidade, a cimeira Salvini/Orban, para aprovação da política da extrema-direita para os migrantes.
O Conselho Europeu decidiu:
1)aprofundamento do acordo com a Turquia;
2)criação de campos de detenção no norte de África;
3)criação de campos de detenção nos Estados-membros que se ofereçam para o efeito.
Fica assim provado que sob o pretexto de travar a extrema-direita, os governos europeus aplicam a política da extrema-direita.»
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