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5.7.11

Poupanças na frota do Estado

Para Passos Coelho

Para Cavaco (com acessório para chegar à cabana no Algarve).

Para aquela senhora que preside à AR e que foi aplaudida de pé por todas as bancadas,
por um qualquer motivo que hei-de perceber numa outra encarnação.
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4.7.11

Triste figura – mais pobre do que nobre


Lá se foi para outros mares. Pelo menos para já, porque já dizia o O’Neill qua há ir e que há voltar e nunca se sabe se a «alguma tristeza» com que o ex-candidato às duas mais altas funções do Estado se afasta das «funções de recém-eleito deputado» não o fará regressar, mais cedo ou mais tarde.

Extraordinários são os termos com que elogia Passos Coelho, na carta de despedida: não a um Domingo mas numa 2ªfeira de Julho, ficámos a saber que o nosso novo PM ganhou grau académico e passou a «doutor» por extenso! Nem mais…

Nós somos sofredores e aguentamos muito. Mas esta figura rocambolesca que nos coube em sorte excedeu os limites! Assino por baixo o que Vasco Barreto escreveu esta tarde no Facebook: «Churchill disse que a democracia era a pior forma de governo, exceptuando todas as outras, mas Churchill não conheceu Fernando Nobre.»



(Foto Inimigo Público)
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17.6.11

Gente que acerta


«Um dos casos mais evidentes foi o radicalismo inconsciente de "correr o Sócrates o mais depressa possível", a que no PSD se deu ouvidos e cujo resultado ameaça ser mantê-lo no poder, contra todas as evidências, ou dar-lhe o melhor cenário possível para um retorno ao poder a curto prazo. E o melhor cenário possível, não custa perceber, é um PSD ganhador por uma pequena margem sobre um PS que sai do seu annus horribilis sem grandes estragos.»

José Pacheco Pereira, Público (23 de Abril de 2011)

(Roubado ao Pedro Correia)
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14.6.11

Sem direito de opção


Neste período pós-eleitoral, o Zé Neves tem estado especialmente inspirado nalguns textos publicados no «Vias de Facto». Isto significa, obviamente, que, de um modo geral, estou de acordo com as linhas de reflexão que tem apontado, como é o caso de mais um post de ontem à noite: Saber por onde não ir.

Se a esquerda está em tempo de «repensar, rediscutir, reunir, reduvidar, até auto-flagerar», isto implica que deve estar aberta à eventualidade de assumir rupturas, sem por isso cair na tentação de «partir do nada».

Até aqui nada de especialmente novo, mas é na formulação de dois pressupostos, ou dois «limites», como lhes chama, que ZN é claro e certeiro: «O primeiro limite é o que nos distancia de quem prefere combater o capitalismo e só depois valoriza a luta pela democracia», «o segundo limite (…) é o que nos separa dos que entendem que a luta pela democracia é questão prioritária em relação à luta contra o capitalismo».

Ou seja: «qualquer hierarquização que afirme que o tema da democracia é mais relevante que o do capitalismo ou vice-versa deve ser rejeitada porque abriga um equívoco: o de que é possível dissociar política e economia. A esquerda que interessa não escolhe entre liberdade e igualdade. Como fazer política com base nesta "não-escolha", isto é, saber por onde ir, é a tarefa que nos cabe. Sem termos medo de não ter resposta para a questão "onde está a vossa sociedade alternativa?"».

Antes de mais, registe-se que é importante falar de «anti-capitalimo», e não pura e simplesmente de «socialismo», termo com patente registada por muitas e não necessariamente consentâneas paragens.

Por outro e sobretudo, se nas actuais discussões em curso, que parecem estar longe do fim (e ainda bem…), não se perder de vista esta linha de horizonte, a travessia do deserto não se fará à toa e dará certamente bons frutos - mesmo que não se encontrem muitos oásis pelo caminho e se continue sem saber responder à pergunta final de ZN: «onde está a sociedade alternativa?». É que nada leva a crer que o mundo acabe amanhã, nem antes de  o FMI sair de Portugal.

(Foto @Paulete Matos) 
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13.6.11

Aprender sempre

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No último número da edição portuguesa de Le Monde Diplomatique, uma boa análise dos resultados eleitorais, por Sandra Monteiro.

«Com os resultados das eleições legislativas de 5 de Junho tornou-se ainda mais difícil romper com as políticas de austeridade impostas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). É uma má notícia para Portugal, mas também para os defensores de uma Europa coesa e social. É um bilhete simples, numa viagem que ameaça ser sem regresso, para uma crise ainda mais prolongada e profunda. Com mais regressão social e mais recessão económica.

O líder do Partido Social Democrata (PSD) discursou quando se tornou claro que podia formar um governo de maioria com o Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP). Garantiu que a substituição de José Sócrates, o rosto até agora protagonista das políticas de austeridade (ironicamente, só possíveis com o aval do PSD), marcava o início de uma nova fase de estabilidade e a abertura de «uma janela de esperança e de confiança no futuro». Infelizmente, por essa janela só vai entrar uma realidade cada vez mais dramática para a grande maioria dos cidadãos.

Será a realidade ditada pelas condições (inquestionadas) da intervenção externa. Mas não só: os representantes do neoliberalismo português vão aproveitar para dar um salto em frente no seu programa, sem resolverem nada do que causou a dívida soberana e sem a pagarem − como eles bem sabem, a reestruturação é inevitável. A crise da dívida vai ser usada para destruir serviços públicos e funções sociais do Estado, para privatizar as partes lucrativas de muitas empresas (algumas totalmente), para tornar a fiscalidade mais cega e regressiva, para cortar prestações sociais, para flexibilizar as relações laborais e os despedimentos, para diminuir salários e pensões.»

(Ler o resto.)
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9.6.11

Não havia outra saída? Tentaram?


Portugal continua todos os dias presente em tudo o que é imprensa estrangeira e sem que tal aconteça, obviamente, pelas melhores razões. Este texto não é longo e fica aqui na íntegra.

«Parece que los portugueses, como otros europeos antes, prefieren el original a la copia: puesto que la salida a la crisis está irremediablemente al fondo a la derecha, nadie mejor que la derecha auténtica para conducir por ese camino.

En Portugal la salida está a la derecha, pero no sólo porque así lo imponga el rescate europeo: sobre todo porque el Partido Socialista no presentó alternativa, no propuso otra salida; y porque antes de llegar al rescate tampoco probó otros caminos, sino que aplicó la misma política que ahora continuará la derecha patanegra: recortes, reformas, sometimiento al poder financiero.

En Portugal, como en el resto de países que también viraron a la derecha, se culpa a la crisis. Pero no es cierto. La culpa es de esos partidos que se dicen de izquierda pero que, a la hora de buscar salida, sólo han llamado a una puerta: la de la derecha, y ni siquiera han mirado si había más puertas.

Si en momentos de crisis total, cuando además el capitalismo flaquea y queda probado que lleva la crisis en sus genes, la socialdemocracia no tiene nada mejor que ofrecer, entonces apaga y vámonos, que pase la derecha. Partidos que, como el PSOE, no sólo renuncian a intentar otra política económica (digo yo que entre la “monserga marxista” y el actual sometimiento a los mercados habrá algo entre medias, ¿no?), sino que además malvende todo aquello que en términos sociales aún podía diferenciarle de la derecha.

Sólo les queda una disculpa: no podían hacer otra cosa, fueron rehenes de la crisis, de los mercados, de una Europa que señala una única puerta posible. Pero para que creamos que no podían, al menos deberían haberlo intentado, incluso a riesgo de fracasar; pero no ha sido así. Y si no lo intentaron por miedo, coacción, incapacidad u otro motivo, deberían habérnoslo explicado, contarnos cuál era la alternativa y cuáles los riesgos. Pienso en todo esto leyendo la última novela de Belén Gopegui, muy útil para reflexionar sobre esa dramática renuncia y sus consecuencias; y para denunciar que no, no lo intentaron.»
(Os realces são meus.)

(Daqui.)
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5.6.11

Página virada

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Maratonas em noites de eleições



Enquanto esperamos por mais uma noite eleitoral, retomo o conteúdo de um texto que já publiquei em tempos, porque nem a panóplia tecnológica com que tudo hoje acontece consegue fazer-me esquecer os bastidores das primeiras eleições em democracia, na década de 70. Por motivos profissionais, estive envolvida no apuramento e na divulgação dos resultados das votações e é certamente difícil para as novas gerações imaginarem a dificuldade, o pioneirismo e o stress com que tudo se passava.

Depois da contagem dos votos, os resultados eram introduzidos manualmente duas vezes: primeiro, descentralizadamente (julgo que nas capitais de distrito), em aparelhos de telex, que os faziam chegar a Lisboa. Eram depois reintroduzidos numas outras máquinas que os transmitiam para o computador central do Ministério da Justiça. Tudo isto demorava horas, como é óbvio! 

Nem entro na descrição da complexidade que era programar antecipadamente, de raiz, sem software «pré-fabricado», todas as validações e cálculos necessários para o apuramento. Na noite das eleições, todos os dados eram processados no centro de informática do Ministério da Justiça, de onde os resultados iam sendo transmitidos, exclusivamente, para a RTP e para a Gulbenkian, onde se concentravam VIP’s e jornalistas. Aí eram visionados em sinistros terminais a verde e verde (ainda nem existiam PC’s…) e depois, pelo menos nos primeiros anos, passava-se de novo ao tratamento manual ou à pura oralidade.

Nem sei quantas directas terei feito nestes três locais, mas era na RTP que se viviam as maiores emoções. Parecerá hoje impossível, mas a emissão da noite eleitoral de 25 de Abril de 1975, coordenada por Carlos Cruz, teve início às 19 horas e terminou… às 24 do dia seguinte – durou trinta horas. Não sei exactamente em que ano, Joaquim Letria dirigiu as operações, a partir do Estúdio 2 no Lumiar. Tinha atrás dele, preso a uma cortina, um gráfico de cartão, onde ia deslocando manualmente um ponteiro, à medida que os resultados «iam caindo». O drama que vivi, durante toda essa noite, foi ser obrigada a passar dezenas de vezes por trás da dita cortina, sem tropeçar num colossal emaranhado de cabos espalhados pelo chão, nem tocar na cortina, o que nem sempre era possível. Quando isso acontecia, o gráfico abanava e… os espectadores viam em casa!

Poderia contar dezenas de histórias, mas resumo só mais uma. Por ocasião de umas eleições autárquicas, talvez as primeiras, no dia seguinte à tarde ainda faltavam os votos de uma freguesia do Norte. Localmente, ninguém conseguia encontrar o presidente da respectiva mesa, mas o inesperado veio a acontecer: ele acabou por chegar, em pessoa, ao Ministério da Justiça em Lisboa. Trazia a urna ainda fechada e tinha deixado à porta… o cavalo!

Factos como este são hoje puramente anedóticos, mas podem ser úteis para nos apercebermos de que o início desta etapa da nossa história democrática ainda está «à vista» e que trinta e sete são, afinal, bem poucos anos…

(Na foto: Carlos Cruz, RTP, 25 de Abril de 1975)
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E se depois dos resultados desta noite

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… acontecer uma coisa deste tipo?


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A year from now?


Acabei de votar. Muitos lugares para estacionar, o que é sinal de… 

Cá fora, mesmo à porta, alguém dedilhava, numa guitarra, «A Pedra Filosofal». Não era velho, nem novo, muito menos ceguinho. Antes de pôr a cruzinha no papel, faça o favor de sonhar.


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4.6.11

Depois de um dia de reflexão


… decidido a votar, mas perplexo por ter ouvido alguém dizer-lhe que, caso decidisse abster-se, não teria «depois autoridade para criticar as políticas públicas», nem poderia «legitimamente exigir o melhor do próximo governo». Ora essa!...
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Sei que estou a repetir-me, mas hoje tem de ser

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... porque é «como lançar cobras na cidade».


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Comunicado da CNE


(Via Carlos Vaz Marques no Facebook)
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3.6.11

Quando uma má estrela domina

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Uma campanha ainda mais alegre


A crónica de Ricardo Araújo Pereira, na Visão de ontem, é um retrato tão fiel da campanha que hoje se encerra, que aqui fica para quem a tenha perdido e para eu mais tarde a recordar.

«Como o leitor bem sabe, uma campanha eleitoral divide-se em duas partes principais: uma primeira parte em que os intervenientes não discutem nada de essencial e uma segunda parte em que os intervenientes lamentam que o essencial tenha ficado por discutir. O leitor não deixará de notar que, quando assinalo este divertido facto, estou também a evitar discutir o que é essencial. Sucede que, desta vez, o essencial era ainda mais difícil de discutir. Os partidos foram acusados de não terem debatido o programa da troika, mas entretanto descobriu-se que a troika tem dois programas: o austero e o ainda mais austero. Na dúvida, os partidos optaram por não discutir nenhum, para não baralhar o eleitor.

De resto, quase todas as acusações que se fazem ao desempenho dos partidos durante a campanha são injustas. É falso que não haja divergências de fundo entre o PS e o PSD no que diz respeito ao programa da troika. Por exemplo, Sócrates diz "éfe éme i", enquanto Pedro Passos Coelho diz "femi". É das maiores clivagens ideológicas que registei nos últimos anos. Mesmo no âmbito das medidas que o triunvirato propõe há espaço para a divergência de opinião: basta ver que a troika diverge de si própria, uma vez que o segundo memorando propõe uma austeridade mais austera e rápida do que o primeiro.

Os comícios, cujo ambiente sereno sempre favoreceu o esclarecimento e o chamado debate de ideias, parecem provar que a campanha foi esclarecedora e interessante: há gente que vem do Paquistão de propósito para ouvir José Sócrates falar sobre os co-pagamentos na área da saúde, o que é notável. A rota Islamabad-Évora foi das mais procuradas num ano em o turismo bem precisava desse incentivo. Portugal: o país do sol, do mar e dos co-pagamentos. Não há turista que resista a esta combinação.

Os debates foram muito mais ricos do que os de 2009. Há dois anos falava-se quase exclusivamente das PME, enquanto este ano se discutiu o TVG, a IVG, as PPP e a TSU. Se um problema deseja ser discutido em Portugal, pois que se constitua numa sigla de três letras, a ver se não passa a ser mencionado nos debates.

A verdade é que foi uma campanha interessante para quem a soube ver. E os eleitores que não estejam de má vontade saberão reconhecer que têm um estatuto cada vez mais importante. Pessoalmente, estou muito orgulhoso por, pela primeira vez, ter oportunidade de votar nas eleições regionais alemãs.
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Governo? Primeiro-ministro? Ou um Regime de Credores?


Um texto que Miguel Portas publicou ontem no Facebook.

1. O que está em causa nesta eleição é, desde logo, um programa de governo – o da troika. Desta vez, não há lugar ao habitual “prometo mas não cumpro”. Aquilo é mesmo um programa com medidas rigorosamente calendarizadas. Apesar disso, só a esquerda o discutiu. O tripartido que assinou o Memorando de cruz, desconhecendo o seu preço em juros, fez tudo o que pôde para esconder dos eleitores o elenco das malfeitorias que subscreveu. Só por isso não merecem o seu voto.

2. Ao contrário do que se possa pensar, não há nenhuma questão de governo nesta eleição. O programa da troika foi escrito em Bruxelas, a conselho do FMI e do Banco Central Europeu, que já é o nosso principal credor (uma parte nada interessada, está bem de ver). Esse programa será diariamente monitorizado em Bruxelas e fiscalizado em Lisboa a cada três meses. Chamar “governo” à administração local responsável pela sua execução é no mínimo exagerado. Classificar de “primeiro-ministro” a criatura que irá a despacho, é, no mínimo, uma piada de mau gosto. Eles, os do meio, não merecem o seu voto. Não merecem, sequer, metade dos votos que têm obtido.

3. Na verdade, temos uma questão de regime, o que é bem mais do que uma questão de governo. Quem decide não vai a votos, antes se plebiscita através dos votos nos partidos colaboracionistas. Quem decide não é controlado, controla. Quem decide, abre e fecha a torneira das tranches de financiamento em função das condições políticas que considere úteis ou necessárias - exactamente o que está agora a suceder na Grécia, onde o FMI condiciona os euros a um apoio de bloco central à Austeridade. Quem decide, numa palavra, são os credores. O regime saído desta relação de forças é um regime de credores.

4. Há quem, em Bruxelas, deseje a nomeação de um alto-comissário, ou seja, de um “governador”. Não é preciso. Um poder sem rosto é bem mais eficaz. A política reduzida à burocracia atinge o seu esplendor: vende-se a si própria como técnica. Neste regime, o soberano é o eurocrata. Mas ele ainda precisa dos colaboracionistas para se legitimar. Até por isto, no dia 5 eles não merecem o seu voto.

5. Mexa-se. No domingo levante-se e "deite". Ninguém pode alegar ignorância. Ninguém pode dizer "fui enganado". Quem votar no tripartido da troika sabe que vota contra si próprio - na redução dos salários e pensões reais, nos cortes em educação e na saúde. Sabe que cai o abono de família e a acção social escolar do mesmo modo que aumentam as taxas moderadoras, a electricidade e o IVA... e já agora o desemprego, consequência maior da recessão que este programa provoca. Não, ninguém pode alegar ignorância. Só compra quem quer.

6. A dificuldade desta eleição é com a abstenção. São muitos os que pensam não valer a pena ir votar porque já está tudo decidido. São homens e mulheres castigados pela crise, punidos pela vida, que desacreditam. São jovens condenados à precariedade, que lhes aparece como superior às suas próprias forças, ou idosos que vêm a vida a andar para trás e não encontram, dentro si, as energias para mais esta batalha. Todos, sem excepção, sabem que não irão votar contra si próprios. Mas todos, sem excepção, duvidam que valha a pena votar. O pior da troika, o pior do Protectorado é precisamente isto: pôr as pessoas a duvidar de si próprias e das virtualidades da democracia. Mas é precisamente esta a melhor razão para que ninguém lhes torne a vida mais fácil.
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2.6.11

Com medo ou sem ele


Quase no fim destas últimas sofridas semanas, Manuel Maria Carrilho escreve hoje que «se tivesse de escolher uma só palavra para caracterizar o espírito que paira sobre a campanha eleitoral que encerra amanhã à noite, não hesitaria: essa palavra seria "medo". Um medo polivalente, feito de um misto de apreensão e de chantagem que está no ar, de desorientação e de angústia com que se olha o futuro».

É verdade: o alarido habitual não conseguiu, desta vez, apagar a apreensão quanto ao futuro próximo, a certeza de que ele não será mau mas sim péssimo, a desesperança que até os gritos dos discursos e os impropérios trocados transmitiram, de manhã até à noite.

Mas medo, sobretudo, porque os prognósticos já estão legitimamente feitos bem antes do fim do jogo e nada de bom se pode esperar de Domingo à noite. Qualquer que seja o layout final do gráfico de barras com percentagens, o que interessa quanto ao projecto do próximo governo está decidido e assinado. Seguir-se-ão, apenas, jogos de cadeiras.

Os trios, as troikas, as tríadas estão formados e ninguém os destronará. Por agora. Entretanto, haverá muito a fazer.
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