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10.1.26

O país das Julianas e dos Julianos

 


«Este é um artigo muito desagradável de escrever, mas o mundo e Portugal são o que são e mais vale olhar de frente do que fazer de conta. A Juliana é a célebre personagem de Eça de Queiroz n'O Primo Basílio, a criada que, descobrindo a relação adúltera da patroa, faz chantagem com ela sob a ameaça da denúncia. É uma das personagens mais completas de Eça, que a descreve através de várias personagens do romance com aquilo que hoje podemos considerar rigor, indo mais longe do que a repulsa face à personagem, mas percebendo os mecanismos sociais que moldam o seu carácter e a sua atitude. É um retrato no qual as relações patroa-criada, beleza-fealdade e medo-ambição mostram o enorme poder dos que não têm poder, muito para além da maldade, que por si só tiraria força à personagem, mas a vingança, a denúncia, a alteração de poder que significam a chantagem.

O problema é que em Portugal há muitas “Julianas/os”, por muitas razões, algumas culturais, mas acima de tudo sociais. A vingança pela denúncia, seja pela informação anónima (algumas vezes assinada) à PIDE ou à Legião, ou hoje ao Ministério Público ou aos jornais, ou pela carta anónima, é demasiado comum para não a podermos pôr de parte numa análise ao “carácter” dos portugueses.

Claro que há aqui uma linha difícil de traçar com a denúncia cívica, o whistleblowing, mas quem já leu centenas de denúncias durante os 48 anos da ditadura percebe que nada tem de cívico, sendo pura vingança pessoal. É preciso ter em conta que estas denúncias tinham consequências, levando ao despedimento, à prisão e à tortura, o amigo, o vizinho, o trabalhador, o companheiro de emprego, e a proximidade era a regra. Como a Juliana era a criada de servir da casa, e vivia por baixo do poder da patroa adúltera, mais proximidade do que a que havia era difícil. Foi aliás essa proximidade que a levou a perceber a relação da patroa com o primo, e a roubar as cartas que lhe serviam de prova para a chantagem.

Para quem trabalha sobre a história da ditadura e consulta muitos documentos originais, esta é uma realidade bastante generalizada e penosa para quem a confronta. Nas denúncias políticas, há vários níveis de actuação, e as “informações” recolhidas num taberneiro, que são muito comuns na Legião Portuguesa, vêm claramente “de baixo” e são muitas vezes inventadas ou imaginárias, e aí a ganância também tem um papel. As informações que as câmaras recebiam são muito parecidas com as da Legião, e infelizmente muitas foram apressadamente deitadas ao lixo já em democracia. A que ilustra este artigo provém de um conjunto de dossiers que foi mandado deitar fora a uma funcionária e que foi salvo pelo Arquivo Ephemera. São páginas sobre páginas de denúncias que se percebem virem de gente próxima, familiares desavindos por heranças, agravos pessoais, ajustes de contas no emprego, ou pura e simplesmente vontade de fazer a vida negra a um vizinho. Não há qualquer motivação ideológica ou política, e quando se percebe que há zelo de um qualquer membro da União Nacional, a denúncia tem pouco que ver com o combate ao comunismo, por exemplo, mas sim com a vontade pessoal do “bufo” de obter uma promoção ou apenas uma “simpatia” que acabe por ser rentável.

As denúncias à PIDE, as mais perigosas, têm também este componente “de baixo”, mas muitas vêm “de cima”, de gabinetes de ministros, de donos e patrões das grandes empresas privadas, de zelosos defensores da ditadura na estrutura do Estado, o que significa professores, funcionários públicos, estudantes, nobres e ricos, que nunca admitiriam misturar-se com os pides, a não ser na denúncia. Não estou a referir um outro tabu complicado da nossa história recente, o “falar na cadeia”, mas a produção a que se dedicavam pessoas de fora do aparelho repressivo. Como o estudante liceal que, em vésperas do 25 de Abril, entrou pela PIDE dentro, procurou um inspector com quem negociou um salário e mesmo a gestão desse salário numa conta bancária pelo inspector que o passou a controlar, e se preparou para fazer um relatório para denunciar os seus amigos de política e do liceu quando o 25 de Abril surgiu.

O problema é que não foi meia dúzia de “Julianas/os”, mas muitas centenas de denunciantes, e que hoje também se dedicam à mesma tarefa nas redes sociais e nas cartas anónimas aos jornais. A maioria daquilo que se apresenta com pomposas palavras como “jornalismo de investigação” chegou na caixa de correio ou em mensagens electrónicas para jornalistas escolhidos a dedo.

Na verdade, a cultura tóxica da denúncia continua por aí pujante, sempre com os mesmos motivos, a mesma combinação de vingança e ganância, que nos últimos cem anos é uma marca de identidade do pior dos portugueses. E não vai mudar tão cedo.»


29.12.25

Lavagem à medida da nossa sujidade

 

«As alegrias nas nossas vidas podem nem sempre estar ligadas a grandes conquistas, nossas ou de quem nos é querido, a paixões assolapadas, aos golos da nossa equipa ou, sejamos honestos, aos golos sofridos pelos nossos adversários, mesmo face a clubes que não o nosso. Podemos exultar com sucessos profissionais, deleitar-nos com uma peça musical, maravilhar-nos com uma deslumbrante paisagem, mas também é natural que coisas prosaicas nos encham de júbilo. Neste momento, estou feliz por, ao cabo de quatro dias, já tirar pleno partido da máquina de lavar e secar roupa que me vi forçado a adquirir, por via do falecimento da sua esforçada antecessora, essa apenas lavadeira. (…)

Ora, vejamos onde nos coloca a transição de 2025 para 2026. Estamos exatamente entre o festival de insanidade do presidente dos Estados Unidos, que não é preocupante apenas para os cidadãos daquele país, e a reta final para eleger um novo presidente da República Portuguesa, que só aos portugueses poderá interessar. É nesse contexto que, embora despido dos poderes mediúnicos de Zandinga e sem força para mudar o Mundo, deixo o meu singelo contributo de resoluções para o Ano Novo, baseadas na experiência enunciada a abrir esta crónica. Usar a máquina de lavar, comprovadamente eficaz, não na sociedade em geral, que se quer diversa e participada, mas entre os atores políticos, levando na enxurrada das águas residuais toda a retórica fascizante e alimentadora de ódios que nos impede de viver numa terra feliz. E dar uso ao corta-unhas, aparando as garras dos gatinhos remelentos que se fazem passar por leões da lusitanidade.»

Texto na íntegra AQUI.

20.12.25

Nesta quadra, afirmar valores

 


«O Mundo sempre esteve em mudança e, no presente, convivemos com uma quase verdade de que nunca as mudanças foram tão amplas nos planos quantitativo e qualitativo. Contudo, são muito profundas as diferenças de opinião sobre o que muda, porque muda e a favor de quem muda. A verdadeira origem dos problemas com que nos debatemos é muitas vezes manipulada. Precisamos de crivos que separem o trigo do joio e o melhor deles é, pela sua consistência e complementaridade, o dos valores.

Os valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade estão impregnados na nossa cultura desde há muito tempo. E, como ideal de cidadania, pelo menos desde a revolução francesa. Sem liberdade não há respeito pela diversidade. Sem igualdade não há o chão comum em que todos possamos ser justamente respeitados. Sem fraternidade não há solução para os desafios que são de todos e que só coletivamente se podem enfrentar com êxito.

Para que uma sociedade permaneça coesa e saudável, a fraternidade tem um lugar central. Infelizmente, hoje é muito desvalorizada. O individualismo exacerbado incita a que cada um se "liberte" do outro e das necessidades dos outros, e a negar aos outros as dimensões de humanidade que reserva para si. A normalização da exploração do homem pelo homem, a meritocracia tornada instrumento de aprofundamento de desigualdades e injustiças e o endeusamento do lucro matam a fraternidade.

Na sua mensagem de Natal, a Conferência Episcopal, procurando abrir "horizontes de futuro e de esperança" a partir dos significados desta celebração, convida-nos - a todos e não apenas os católicos - a sermos "proximidade amiga e ativa", designadamente para com: "As famílias consumidas pelo elevado custo de vida; os jovens que não encontram futuro por falta de emprego digno e habitação; os migrantes que encontram desconfiança, indiferença e portas fechadas; as vítimas da pobreza que se tornam invisíveis; os profissionais de saúde exaustos que procuram responder aos constrangimentos no acesso aos serviços".

Na interpretação católica, o acontecimento do Natal transporta-nos ao exemplo do percurso de vida e de ação de um Homem - Jesus Cristo. Esse Homem foi operário, conheceu a exploração dos pobres e dos trabalhadores, denunciou agiotas e falsos moralistas, questionou a classe rica e dirigente, denunciou fanáticos dos rituais religiosos que excluíam e condenavam quem não fosse como eles. Foi obreiro de ruturas quando as injustiças e as intolerâncias o exigiam. Era tolerante, mas nem sempre moderado. Não se coibiu de "expulsar os vendilhões do templo".

O endeusamento da riqueza material cada vez mais mal distribuída, a promoção do egoísmo e o desprezo pelo outro, a banalização da guerra, a tolerância face à mentira, a exploração desenfreada de quem trabalha em nome das virtudes do produtivismo merecem o nosso combate e não a nossa sujeição. Nesta quadra, e sempre, assumamos a luta por valores humanos.»


18.12.25

Yanis Varoufakis

 


«O economista grego Yanis Varoufakis defende que o capitalismo morreu e está a ser substituído por uma nova ordem económica dominada pelas grandes plataformas digitais: um sistema económico a que chama de tecnofeudalismo. Cético quanto à capacidade das instituições políticas ocidentais para domar o poder das grandes plataformas digitais, o ex-ministro das Finanças não suaviza o diagnóstico no seu mais recente livro.

Defende que este novo modelo concentra riqueza, dados e influência numa elite pequena, esvaziando a democracia e abrindo caminho a novas formas de autoritarismo. A inteligência artificial apenas acelera esta dinâmica. Entre o risco do desespero coletivo e a necessidade de agir, o antigo ministro grego das Finanças insiste que “tudo poderia ser diferente”, desde que os trabalhadores sejam coproprietários das máquinas e o poder económico seja radicalmente reconfigurado.» 

Continuar a ler AQUI.

1.11.25

O desprezo da pátria por via do desprezo da língua

 


«Há patriotismo e há nacionalismo travestido de patriotismo. Eu considero-me patriota, sei bem, quando estou cá dentro, onde estão os meus pés, em que solo piso e como esse solo me faz, e quando estou fora como falta sempre qualquer coisa. Cosmopolitismo é uma boa coisa e faz-nos muita falta, mas ser patriota e cosmopolita nada tem de contraditório porque a gente espreme, espreme e, sem diminuir o mundo, há sempre algo que nos molda antes do mundo: a pátria. Às vezes, quando falava desta diferença, citava algo que li há muito tempo sobre o teatro Nô japonês, sobre as personagens que estão vivas e os fantasmas: as primeiras mantinham os pés no chão, os segundos levantavam-nos como se levitassem. Procurei para este artigo uma referência e não encontrei nenhuma, vai como está na minha memória.

Há uma coisa que mais que tudo representa a pátria: a nossa língua, o português, seja o nosso, seja o do Brasil ou dos PALOP, ou mesmo dos crioulos como o papiamento. Podem falar diferente, mas a língua que está lá por trás é o português.

O que certamente não representa a pátria é o desprezo pelo português nas redes sociais e, mais importante ainda, a a indiferença política perante o maior atentado recente contra a língua portuguesa que foi o Acordo Ortográfico. Aqui está uma pergunta obrigatória aos políticos em legislativas e presidenciais que ninguém faz, e que deve ser colocada a partidos que se dizem nacionalistas e conservadores e falam o português bastardo do Acordo Ortográfico de 1990, como o Chega.

Na deterioração do português nas redes sociais há dois aspectos: um, são os erros de ortografia e gramaticais; outro, a escassez do vocabulário dominado pelos insultos. Esta deterioração começa nos jovens que, entre outras coisas, como não lêem a não ser este tipo de chorrilho de asneiras contínuo na cloaca das redes sociais, não têm vocabulário para sustentar qualquer frase um pouco mais elaborada ou um raciocínio. Como escreveu a Bárbara Reis, há pouco tempo no PÚBLICO, a substituição pelos emojis de qualquer expressividade ainda mais empobrece a comunicação.

Vejam-se estes exemplos de uma caixa de comentários na página de Facebook do Chega:

È por camara escondida para depois os visitar-mos na calada da noite. E apagar essas velas

Eles com as coécas todas mulhadas

O homem está corretíssimo,mas como é um homem onesto a grande parte desta gente mamona,ou BURRA NÃO GOSTA.

Nem mais .. é a mesma coisa aqui na englaterra.. se fore preson por mais de um ano . Compre a pena e a deportado

Estão com medo de alguma coisa! Força André Ventura,se fores presidente da República,no CHEGA a substitutos a altura para liderar o partido! CHEGA [sic]

Todos os dias, nesta página de Facebook, e por todo o lado nas caixas de comentários, escreve-se assim, e pode-se imaginar como fala quem assim se expressa. Ora, quem escreve assim não é patriota, porque despreza aquele que é um dos principais factores de identidade nacional: a língua.

Esta não é uma questão de elites contra o “povo”, mas sim um confronto entre quem respeita a sua língua e quem a despreza, entre quem despreza o saber e quem sabe o que lhe falta saber. Isto hoje é uma questão política, porque a democracia precisa da consciência do valor do saber, do falar, do conhecer. Esta consciência é hoje um dos alvos preferenciais do populismo que valoriza a ignorância.

Quem, por razões sociais, não tem o mínimo de educação formal, vem de meios de vida difícil, não teve oportunidade de estudar, teve de atravessar muita dificuldade, muita miséria, tem vergonha de não falar ou escrever bem, porque tem a aguda consciência que isso é um factor de pobreza e exclusão. Quem, por outro lado, fala e escreve mal português e tem um vocabulário exíguo pode escrever com erros de ortografia palavra sim ou palavra não, e ser muito eficaz em usar emojis de merda em linhas e linhas ou em insultar, mas não pode bater no peito nacional pelo seu país.

Uma das suas ironias é a reivindicação aos imigrantes de, para terem a legalização, saberem falar português, coisa que os seus julgadores não sabem de todo. É por isso que muitos imigrantes, a começar pelos que vieram das nossas colónias, falam muitas vezes melhor, num português impecável, e querem que os seus filhos aprendam aquela que é, para muitos deles, também a sua língua natal. Teriam vergonha de escrever a língua absurda das citações acima.

Mas esta deterioração da língua vem de cima para baixo, vem de quem tem poder no topo para terminar nesta cloaca de ressentimento e raiva. O Acordo Ortográfico de 1990 — a que, felizmente, quem gosta da sua língua e do seu país resiste —, para além de um desastre diplomático, uma nulidade em termos de “unificação” do português — posso, por exemplo, num processador de texto, escolher a opção “português de Angola” —, traduziu-se num abastardamento da língua. Esse abastardamento foi retirar-lhe a memória, eliminando os traços da sua origem no latim. Como disse também Pessoa: “A ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.” Tiraram-lhe o pai e a mãe, obra desses firmes partidários da tradição e da família.

Sim, “isto” não é o Bangladesh, mas também não é o Portugal dos que desprezam a nossa língua, a língua em que nasceram, e que usam pior do que “os” do Bangladesh a sua. Podem ser muita coisa, mas patriotas não são.»


30.10.25

Histrionismo saudosista

 


«Um em cada cinco jovens espanhóis afirmou, num inquérito do Centro de Estudos Sociológicos do país, que considerava a ditadura de Franco boa ou muito boa. Os dados alarmantes levaram os jornalistas a tentar compreender o resultado da sondagem. Questionados em entrevistas de rua, os jovens não conseguiram explicar em que pontos esse regime autoritário era melhor, fazendo apenas alusões pouco concretas ao tema da habitação, e a um "vivia-se melhor", indecoroso. Em novembro, vão cumprir-se os 50 anos da morte do ditador e as frases mastigadas e dadas a comer nas redes sociais, sem qualquer escrutínio, podem ajudar a compreender quanto os factos da história são deturpados para influenciar quem nunca viveu com medo de ser livre e sob repressão absoluta. Nessa Espanha que os mais novos, felizmente, não sentiram na pele, os rendimentos das famílias eram metade dos que os franceses auferiam e quem discordasse do regime era fuzilado, duas breves razões para o antigo ser pior. Quando se diz que era preciso Salazar reviver para acabar com a corrupção, não se lembra que do lado de cá, como no espanhol, os sistemas políticos despóticos são dominados por compadrios, onde não há lugar a escrutínio, onde não há meritocracia, onde as famílias "amigas" se sentam à mesma mesa. O saudosismo que se apregoa é uma ideia deturpada, que esconde o clientelismo anterior à democracia. Nesse tempo havia figuras dominantes a receber vantagens indevidas abusando dos cargos. A estratégia histriónica é uma ameaça à história, um perigo para a democracia. No outro dia, roubaram-me um sorriso: "já não se fazem homens e mulheres como atualmente".»


28.10.25

Tempos bizarros

 

«Se perante o contraste das declarações de Nuno Melo e de "Chicão" (ex-líder do CDS) no caso da Flotilha Humanitária para Gaza já tinha ficado saudosa do passado, a cada semana política portuguesa reforço mais a ideia de que realmente éramos felizes e não sabíamos. O caso das burcas só veio comprovar que este "centro" direita está demasiado colado à agenda do Chega para sequer ensaiar laivos da sua identidade política original e a lei do trabalho que querem aprovar é assustadoramente próxima do radicalismo da Iniciativa Liberal. Onde vai o liberalismo político e a social democracia do PSD? E a defesa da Doutrina Social da Igreja? Por onde se esvaiu o espírito democrata cristão do velho CDS?

O diapasão está tão puxado à Direita que tudo o que é levemente social democrata é apontado como sendo radicalismo de extrema-esquerda, ao mesmo tempo em que se normalizou completamente que o PSD ande a toque de caixa, cumprindo diligentemente a agenda de André Ventura. Pior do que isso, é perceber que a oposição interna no PSD é mais Chegana que o Chega, com Passos Coelho (que há muito anda de senha na mão à espera de uma brecha para regressar numa manhã de nevoeiro) reproduzindo discursos que parecem sair de teorias da conspiração do Tik Tok de Rita Matias. Sendo fácil perceber que, havendo internamente quem não concorde com as escolhas de Montenegro, em caso de mudança de liderança no futuro, não será para recuar ideologicamente aos velhos valores do partido, mas antes para caminhar para a fusão com os populistas.=

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27.10.25

Travar o definhamento moral

 


«Esta semana um amigo enviou-me uma fotografia de um outdoor, colocado numa zona residencial e comercial de Lisboa por uma junta de freguesia, onde se pode observar uma pessoa e um cão sentados em duas cadeiras lado a lado. Nele está escrito: "Ele conta contigo - nunca o abandones". A imagem e a mensagem espoletam múltiplas abordagens.

Relembrei-me, de imediato, que uma das grandes questões que marcam a era em que estamos é a degradação da relação metabólica homem/sociedade/natureza. Temos mais conhecimento sobre o mal que os estilos de vida "mais avançados" estão a provocar, mas respeitamos muito pouco os recursos do planeta, a natureza, os animais, as árvores e outros elementos indispensáveis para a nossa existência.

Surgiu-me logo outra interrogação. Se os outdoors são eficazes para despertar consciências, por que razão não temos as ruas cheias deles abordando - com fotografias que incomodem - grandes problemas como os custos da habitação que não param de se agravar, o preocupante abandono do Ensino Superior, a persistência da pobreza, os salários baixíssimos? Concluí que não temos (por agora) porque era preciso outra predisposição cidadã.»

Continuar a ler ESTE TEXTO de Carvalho da Silva.

23.10.25

Isto foi único em Portugaj

 


Um empresário, aplaudido assim, por centenas de quem era patrão.

20.10.25

Mudança da hora? Também sou contra

 


«O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, irá propor esta segunda-feira, no Conselho Europeu, o fim da mudança sazonal da hora, argumentando que “já não faz sentido”, que praticamente não contribui para poupar energia e que, além disso, tem “um impacto negativo” na saúde e na vida das pessoas.»