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8.12.18

A visita de Mr. Xi



Expresso, 08.12.2018
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27.11.18

Costa e a política líquida



«Em finais da década de 90, o sociólogo Zygmunt Bauman cunhou a definição "modernidade líquida" para definir a sociedade que desfilava defronte dos nossos olhos. Vivemos agora nela. É um tempo de valores líquidos, flexíveis, volúveis e instáveis. Nada que admire os portugueses: quase sempre viveram em tempos assim. Instabilidade e capacidade de sobrevivência são os seus referentes. Em cada português há um Urtigão dos desenhos animados da Disney. Na política há uma dieta diária, líquida, que serve estes dias. Donald Trump é o corolário desta modernidade líquida: os seus tweets, ziguezagueantes, criam a novidade diária. E fazem esquecer a do dia anterior. Em Portugal, seria difícil encontrar tempos políticos mais líquidos e menos sólidos do que os actuais. E ainda serão mais em 2019, como anunciou ao povo António Costa. Por trás, a modernidade sólida dos números económicos, que escondem ao pântano da dívida que nos atirará novamente para o buraco se algo externo se produzir, vive-se a liquidez do momento. Criou-se o paradoxo perfeito: a oposição pede mais gastos orçamentais. Não era disso que se costumava acusar o Governo em funções? É esta a nossa política: água da torneira para convencer os portugueses.

Por trás do aparente jogo de água com gás reforçado que vai ser a maioria pós-eleições de 2019 há um país frágil, de Tancos a Borba. Mas não só. Eugénio Santos, o dono da Colunex, foi há dias claro sobre o país líquido que temos: "As costureiras em Xangai ganham mais 30% do que as costureiras em Portugal." Mais: "Em países como a Áustria e a Alemanha paga-se três vezes mais a uma empregada de limpeza do que a um engenheiro que se firmou no Técnico em Lisboa." E ainda foi mais mortal: "Andamos embebedados com esta coisa de sermos um país atractivo. Portugal é atractivo porque paga salários do terceiro mundo e se aplicasse a média salarial europeia às empresas portuguesas desapareceriam 70%." Esta é a política que não se discute neste Portugal líquido: hoje há conquilhas, amanhã não sabemos.»

Fernando Sobral
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31.7.18

Entradas de Macron e saídas de sendeiro



Francisco Louçã, Expresso diário, 31.07.2018:

«Na sexta-feira passada, Costa e Macron aproveitaram uma rotineira cimeira sobre ligações energéticas, em Lisboa, para receberem na Gulbenkian um “Encontro com cidadãos”. Durante hora e meia, os dois governantes responderam a perguntas sobre a Europa, como já antes tinha sido feito por Costa e Merkel, na sua recente visita ao Porto. Tudo cordial, não se regista nenhuma vaga de fundo, conversamos e vamos à nossa vida.

Pode no entanto quem lê este jornal ser apanhado de surpresa, pois esta reunião representa mais do que o seu modesto título indica. É um “encontro”, pela certa, com “cidadãos”, também é evidente. Mas é mais do que isso, é a ressurreição de uma ideia que Macron incluiu com alguma ingenuidade mas muito europeísmo no seu programa eleitoral. Pois ele prometia, o que só um candidato francês se lembraria, que de maio a outubro de 2018 se realizariam “Convenções Democráticas” em todos os países para preparar as eleições europeias, ouvir o povo e, a palavra é dele, iniciar a “reconstrução” da União. O menu era entusiasmante, consultas abertas na internet, debates locais, convenções nacionais, tudo em linha.

Se já tropeçou na vontade napoleónica de definir em eleições francesas o que devem fazer os restantes países europeus, não se preocupe, é mesmo assim. La France c’est la France. O problema é que o patusco da iniciativa não comoveu as chancelarias, que têm mais com que se entreter e trataram o assunto como uma bizarria do homem que se faz apodar de Júpiter. Entretanto, para satisfazerem o presidente francês deram-lhe esta terminação, de convenções nacionais passou-se a encontros com cidadãos, menos refundadores, mas a pose é tudo. Curiosamente, não consta que os euroentusiastas de sempre se tenham manifestado com particular fulgor na Gulbenkian. Temo que estejam à coca das prometidas convenções para dizerem das suas e que vamos ter que esperar.»
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23.9.16

A culpa é da Mariana?



«Uma sociedade decente é uma sociedade onde cada um contribui para o bem comum de acordo com as suas capacidades, e cada um recebe de acordo com as suas necessidades», terá afirmado António Costa e José Manuel Fernandes afirma que o primeiro-ministro «usa definição de comunismo para descrever a sua sociedade ideal».

António Costa convertido ao marxismo? Só pode ser culpa e influência de Mariana Mortágua, como tudo o que vai acontecendo nos últimos dias. 
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8.9.16

Brasil, António Costa e «estados de alma»


«Leio que a crítica do Bloco de Esquerda à inoportunidade do encontro de António Costa com Michel Temer é um "estado de alma" irrealista no mundo da diplomacia. E penso: ainda bem que houve irrealistas que deram voz na diplomacia ao estado de alma que se comprometeu com a luta pela independência de Timor.»

José Manuel Pureza no Facebook 
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6.9.16

Brasil: Não havia necessidade, dr. António Costa




«No respeito pela soberania do povo brasileiro e sem prejuízo das relações que ligam os dois Estados, o Bloco lamenta o inoportuno encontro marcado para amanhã entre o primeiro-ministro António Costa e Michel Temer, um político que chega à presidência da República do Brasil sem legitimidade e a braços com a justiça. Este encontro vem na sequência de declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no sentido de uma legitimação do novo governo brasileiro, das quais o Bloco também se demarca claramente. A deslocação do primeiro-ministro, anunciada em apoio aos atletas portugueses nos jogos paralímpicos, é uma iniciativa louvável mas que não aconselha nem justifica o encontro com Michel Temer.» 
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