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20.8.19

Museus de Ditadores



Há sete anos, estive em Gori, na Geórgia, terra onde nasceu Estaline e se pode visitar um Museu que lhe é dedicado – grande, cheio de fotografias, documentos e objectos bem-apresentados. Mas, da primeira à última sala, passa-se por um verdadeiro «monumento» laudatório e glorioso, no mínimo aterrador e que me dispenso de descrever… Antes de sair, através de uma intérprete que falava espanhol, perguntei à guia se não lhe parecia que faltava uma parte das histórias e da História − em 2012, num país orgulhoso de ser independente há mais de duas décadas, etc., etc., etc. Disse-me então que o edifício iria encerrar em Outubro, durante dois anos, por decisão do ministro da Cultura, e que reabriria totalmente reformulado com o nome alterado para Museu do Estalinismo e incluindo o que de «menos bom» o homem tinha feito nesta vida…

Mas, não, não fechou, nem foi remodelado, já que a Assembleia Municipal de Gori decidiu o contrário: que devia ficar tal como está. A maioria dos «filhos da terra», orgulhosos do seu herói, bem ao contrário dos outros georgianos que conheci, querem que o Museu e a casinha logo ao lado, onde Estaline nasceu e se guardam alguns dos seus pertences sem qualquer interesse, continuem a homenageá-lo como sempre.

(Lembrei-me disto tudo por razões óbvias. Mas é escusado dizerem-me que o que está em causa, ali pela Beira, é diferente, porque eu sei. Como sei também que o seguro morreu de velho e que a vida, por vezes, anda «às arrecuas».)
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3.8.19

14.7.17

Casas «deles» (6)



José Estaline. Casa onde nasceu e viveu até aos 4 anos, Museu anexo e carruagem. Gori, Geórgia (2012).

A casa é humilde e nada tem de especial, o Museu é grande, cheio de fotografias, documentos e objectos bem apresentados. Mas, da primeira à última sala, visita-se um verdadeiro «monumento» laudatório ao estalinismo, no mínimo aterrador. Por uma decisão tomada pelo ministro da Cultura em 2008, estava previsto que o dito Museu fosse encerrado no fim do ano em que lá estive (2012) para reorganização e «actualização» do conteúdo, mas a Assembleia Municipal de Gori decidiu o contrário: deve ficar tal como está – e ficou… A carruagem, que já mostrei na série sobre Transportes, encontra-se em frente da casa. 



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26.5.17

Transportes «fora da caixa» (5)



O que esta carruagem blindada tem de especial é ter sido usada por Estaline a partir de 1941. Foi nela, por exemplo, que se deslocou à Conferência de Yalta, em 1945. Encontra-se no mesmo recinto em que se situa a casa em que ele nasceu e o Museu Estaline, em Gori. Geórgia (2012).
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20.8.12

As Cidades e as Praças (39)



Praça da Liberdade (Tbilisi, 2012)

(Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
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5.8.12

Aznavour, ainda



Um pouco confuso mas é assim mesmo: Charles Aznavour nasceu em Paris e é francês, os antepassados eram arménios mas o pai nasceu em Akhaltsikhe, no Sul da Geórgia. Será nesta cidade que Aznavour dará um concerto, no próximo dia 16, para assinalar a abertura, naquela cidade, de uma fortaleza totalmente renovada. Aos 88 anos, será acompanhado por 25 músicos e interpretará alguns dos seus maiores sucessos. Talvez este, um dos meus preferidos:



E eu, que andei por lá perto, mesmo muito perto, não assistirei ao concerto porque já regressei à base... (Sem ter falhado, uma vez mais, aquela misteriosa e inexplicável experiência de confirmar que o aeroporto da Portela, em Lisboa, deve bater todos os recordes mundiais de tempo de espera na entrega da bagagem. Porquê, mas porquê???) 

 (Fonte)

4.8.12

Está a acabar…



Deixo esta noite dois países que associo porque os visitei numa mesma viagem e porque têm fronteiras (e muita história) em comum, mas que são − e estão – profundamente diferentes. A uni-los, também, o facto de lidarem, actualmente, com barris de vários tipos de pólvora. 

Ambos esperam vir a entrar na União Europeia (se ainda chegarem a tempo, digo eu…), a Geórgia está bem «encostada» aos dólares de Obama, a Arménia aos amigos russos e às remessas da sua rica diáspora. Mas falta-lhes muito do que precisariam para se reerguerem do colapso económico que se seguiu ao desmoronar da URSS. 

Do ponto de vista monumental, a primeira está longe do nível de interesse da segunda e Tbilisi não é Yerevan. Mas a capital georgiana está a tal ponto transformada em estaleiro de (boa) recuperação de belos edifícios e avenidas que, dentro de poucos anos, estará excelente. O turismo ainda é relativamente incipiente em ambos os países, mas será uma aposta ganha se algumas infraestruturas (sobretudo estradas) forem melhoradas. Em breve, aterrarão por aqui paletes de ocidentais e de chineses… 

Tudo isto, obviamente, se os conflitos dos arménios com turcos e azeris não piorarem e se não se agudizarem ainda mais as relações entre georgianos e russos. E se… e se… e se. 

Este ano há eleições legislativas na Geórgia e pode ser que a potente maioria do Partido Nacionalista no Parlamento seja abalada. E, sobretudo, há presidenciais em 2013 e dizem-me que a oposição tem um candidato forte (e muitíssimo rico…), pró-russo, cuja eventual vitória pode vir a mudar o rumo de muitas realidades, nomeadamente tudo o que se relaciona com a Abecásia e a Ossétia do Sul. 

Uma coisa é certa: seguirei com redobrado interesse o que for acontecendo nestes países, agora que eles têm, para mim, imagens, cheiros, sons e pessoas. Este é sempre, aliás, um subproduto das viagens que vou fazendo.

Imagens de Tbilisi:




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30.7.12

Vardzia


Estive ontem neste espantoso rochedo de Vardzia, Geórgia, onde existe um mosteiro medieval, com frescos bem conservados, incluindo um famoso da rainha Tâmara. 


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29.7.12

A longa jornada continua



Ainda voltarei à Geórgia, mas passei hoje para a Arménia onde ficarei alguns dias.

Um regresso ao mundo das fronteiras terrestres, desta vez bem especial: duas horas em fila de espera, de malas na mão, sob uma simpática trovoada e alguma chuva. Razão da demora? Digitalização lenta de cada passaporte e, sobretudo, preenchimento de formulários, pelos empregados da fronteira, com os nossos ((longos) nomes escritos em caracteres arménios!

Antes disso, vi tanto locais e monumentos que é materialmente impossível enumerá-los. Escolho Mtskheta, uma das mais antigas cidades da Geórgia, com uma localização lindíssima e que foi declarada pela UNESCO. Ficam algumas fotos e um vídeo.

(Com muita curiosidade de perceber se a Arménia está em tão más condições como a Geórgia, onde o desemprego já atingiu 40%.)




28.7.12

Chez Josef



Nunca pensei passar umas horas na terra de Estaline, mas aconteceu.

Lado a lado, num mesmo recinto do centro de Gori, encontra-se o Museu Estaline, a casa em que nasceu e a célebre carruagem blindada em que viajava.

Se da casa e da carruagem nada de especial tenho a dizer (ficam apenas umas imagens para memória futura), o mesmo não se passa com o Museu. É grande, cheio de fotografias, documentos e objectos bem apresentados. Mas, da primeira à última sala, visita-se um verdadeiro «monumento» laudatório e glorioso, no mínimo aterrador e que me dispenso de descrever… Antes de sair, através de uma intérprete que falava espanhol, perguntei à guia se não lhe parecia que faltava uma parte das histórias e da História − em 2012, num país orgulhoso de ser independente há mais de duas décadas, etc., etc., etc. Disse-me então que o edifício vai encerrar em Outubro, durante dois anos, e que reabrirá totalmente reformulado e com o nome alterado para Museu do Estalinismo.

Assim sendo, por um daqueles acasos e encantos de turista acidental, acabei por visitar hoje uma das últimas grandes «homenagens» a um filho da terra na qual, pelo que me dizem, muitos mantêm ainda um orgulho escondido por o terem dado a este mundo…

Vi mais coisas, hoje, mas a descrição fica adiada por absoluta falta de tempo.



Museu


Casa e quarto onde nasceu 



Interior da carruagem
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27.7.12

Por aqui bem a Leste



Cheguei a Tbilisi, capital da Geórgia, ontem (já hoje) muitíssimo tarde, mas só verei bem esta cidade dentro de alguns dias.

Esta manhã, depois de umas curtíssimas horas de sono, rumei para Nordeste, percorri mais de uma centena de quilómetros e fiquei com algumas primeiras impressões, das quais nada pretendo concluir, mas que não deixei de registar. A mais forte resultou de ver a quantidade de fábricas e de casas abandonadas, algumas em ruínas e outras mesmo emparedadas, porque as primeiras deixaram de funcionar depois da desagregação da União Soviética e porque as segundas foram deixadas para trás pelos georgianos que abandonaram o país em busca de melhores mundos. Nada que não tenha já visto noutros países, mas não com a dimensão que me parece ter aqui – pelo menos na região que atravessei. Fala-se, aliás, de um sério problema populacional provocado por esta emigração em massa, sobretudo para a Rússia, e também por tudo o que se sabe decorrer das questões relacionadas com a Abecásia e a Ossétia do Sul.

O governo e o presidente da República estão bem e recomendam-se no seu Movimento Nacionalista de direita, que obteve 80% nas últimas eleições legislativas, o país é francamente pobre, pouco produz e pouco exporta. Mas confirmo algo que já sabia: come-se muito bem e bebe-se ainda melhor! Os vinhos georgianos têm boa fama e merecem-na bem.

Hoje o que vi foi Sighnaghi, uma pequena cidade com aspecto medieval embora date do Século XVIII, com muralhas, 23 torres e um bom museu, recuperada há meia dúzia de anos e que acabou por se tornar um polo turístico importante. Este vídeo mostra-a bem.

Amanhã a direcção será outra e a etapa passará por… Gori – terra de Estaline…






25.7.12

Mais uma viagenzita



«A saudade de casa é uma sensação que muitos conhecem e de que muitos sofrem; eu, por outro lado, sinto uma dor menos conhecida e o seu nome é "saudade de estar fora".» (Hans Christian Andersen, 1856) 

Assim sendo comigo também, vou pôr-me de novo a caminho de terras desconhecidas, não tão longínquas como outras em que já estive mas nem por isso menos estranhas. 

Parto amanhã para uma volta pela Geórgia e pela Arménia, dois países cujos passados dizem muito a um grande número, mas talvez pouco mais sejam hoje, para outros, do que dois nomes que recordam participações e querelas no Festival Eurovisão da Canção... 

É difícil prever o papel que nações como estas, e outras que integravam a ex-União Soviética, terão num futuro próximo, mas tendo a crer que podemos vir a ter grandes surpresas. Foi a sensação que tive quando, em 2011, atravessei parte do Uzbequistão e estive dois ou três dias em Baku. A ver. 


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