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14.5.24

Sugestão para um pacote Habitação?

 


Torre Tao Zhu Yin Yuan, Taipei, Taiwan.

Daqui.
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5.8.22

Nancy Pelosi, pirómana virtuosa

 


«Não faltam crises ao pobre Presidente Joe Biden. A guerra da Rússia na Ucrânia é a mais delicada. E há o choque energético, a crise alimentar, a questão climática e a ameaça de novas crises, como a do nuclear iraniano. A senhora Nancy Pelosi, speaker da Câmara dos Representantes norte-americana, criou outra e mais grave com a sua visita a Taiwan, uma ilha com muito maior potencial explosivo do que a Ucrânia. O fim da visita não significa o encerramento da crise, antes marca o seu começo.

A última crise no Estreito de Taiwan, com dimensão militar, foi em 1995-1996 e durou oito meses. Teve como pretexto a autorização dos EUA ao então presidente de Taiwan para ir fazer uma conferência na sua antiga universidade americana. Era na altura a China muito mais débil e Washington respondeu com uma força aeronaval.

Terceira figura do Estado americano, Pelosi quis fechar o seu último mandato (os republicanos devem vencer as eleições intercalares) com chave de oiro. É inegavelmente coerente, crítica implacável de Pequim e amiga de Taipé. O seu ego apreciará o sucesso mediático e a ovação que a espera no Congresso. Vale a sua glória uma crise internacional? Nem Biden nem os conselheiros militares a conseguiram dissuadir. Agora, nem Biden nem Xi podem recuar sem perder a face.

Pequim não tem naturalmente nenhum direito para determinar quem tem autorização para visitar Taipé. Mas uma figura de Estado que lá vai deve pesar as consequências. Chama-se a isso ética da responsabilidade.

Ela escolheu o pior momento, abrindo uma frente de confronto com a China quando está a decorrer uma guerra na Europa. Ela sabia que seria uma afronta pessoal para Xi Jinping, quando Biden procurava melhorar as relações bilaterais. E estava certamente consciente de provocar uma reacção "musculada" de Pequim.

Em vésperas do X Congresso do Partido Comunista Chinês, em que deverá ser reeleito para um terceiro mandato, Xi debate-se com dificuldades internas, económicas e sociais. Para Pequim, a iniciativa de Pelosi foi uma deliberada "humilhação", sinal de que Washington vai aos poucos abandonando a doutrina de "uma só China".

Não haverá guerra. A China não está preparada para desafiar os Estados Unidos invadindo Taiwan. Estamos perante as primeiras represálias, mas a crise poderá durar meses ou até anos, previnem os analistas. Na opinião de Carlos Gaspar, esta quarta crise do estreito de Taiwan pode ser o início de uma contagem decrescente para a invasão.

Para já, a reacção de Pequim começa a ser muito parecida com um bloqueio de Taiwan, de imprevisíveis consequências. Até agora, a legitimidade do regime comunista assentava no seu sucesso económico e na ascensão social. Hoje, com Xi, o nacionalismo passou a ser um factor muito importante, o que condiciona o comportamento do partido.

A importância de Taiwan

Deixemos de lado as peripécias. Uma crise em Taiwan é muito mais perigosa do que a da Ucrânia.

Por um lado, coloca em confronto as duas maiores potências mundiais.

Por outro, a ilha tem uma importância estratégia única. Pela sua posição nas rotas navais por onde circula a energia para dois aliados ocidentais, Japão e Coreia do Sul. "É uma superpotência tecnológica que produz 60% dos semicondutores mundiais", escreve Federico Rampini, no Corriere della Sera. "A sua queda nas mãos do regime comunista seria fatal para os equilíbrios do Indo-Pacífico, onde se joga o futuro do planeta. Os Estados Unidos consideram aquela área o centro dos seus interesses vitais, mais do que a velha Europa."

Observa Tiejun Zhang, no Diplomat, citando o sinólogo Robert Ross: "A Ásia Oriental é bipolar, com os Estados Unidos como potência marítima dominante e a China como potência terrestre dominante, com Taiwan exactamente colocada entre estas duas esferas. A este respeito, quem controlar Taiwan ganhará vantagem sobre o outro."

Há, enfim, uma outra dimensão. A superpotência americana corre o risco de alargar excessivamente os seus alvos, do ponto de vista militar, político, logístico e diplomático, num movimento que excede os seus recursos económico-militares e pode levar ao declínio.

Assim vai a América. A última coisa que lhe faltava era a descoordenação na política externa perante o seu principal adversário. Como diz a Economist, "transformaram a ambiguidade estratégica em confusão estratégica".

A speaker Pelosi exibiu a virtude. Mas a situação de Taiwan é certamente mais perigosa e insegura do que antes da visita.»

Jorge Almeida Fernandes
Newsletter do Público, 04.08.2022
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21.3.18

Taipé (II)



Chiang Kai-shek é uma figura incontornável na História de Taiwan. Depois de longos anos de lutas e poderes, acaba por ser eleito presidente da República da China pelo parlamento em 1948 (posto que ocupava provisoriamente há cinco anos), tem um «reinado» de curta duração, acaba por se demitir em Janeiro de 1949 e por assistir à fundação da República Popular da China em 1 de Outubro do mesmo ano. Parte então para Taipé, declarada capital da República da China, da qual assume a presidência até morrer. Será seguido por dois milhões de pessoas, que deixam o continente e se instalam em Taiwan que assim viu a sua população crescer quase 40%. Até ao final dos anos 70, foram muitos os países que reconheceram Taiwan, mas até os EUA deixaram de o fazer em 1978. Actualmente, apenas 22 e a Santa Sé mantêm relações diplomáticas.

A presença de Chiang Kai-shek está perpetuada em Taipé por um Memorial erguido em honra do ex-presidente depois da sua morte em 1975. Local importante da cidade, foi inaugurado em 1980 e está inserido num grande parque com vários edifícios de estilos diferentes. O espaço tornou-se entretanto palco habitual de concentrações a favor da democracia e passou a ser designado como «Praça da Liberdade» desde 2007. 

20.3.18

Taipé (I)



Gostei desta cidade onde ainda estou. Capital de Taiwan desde 1894, tem quase 3 milhões de habitantes (7 se considerarmos a área metropolitana), um ar relativamente organizado, avenidas centrais cuidadas e floridas. É pena não ter chegado à fala com quem por aqui vive, a não ser com um patusco guia chinês convencido de que sabe falar espanhol e que acabou por rechear a visita de momentos hilariantes: não distinguia «dinastia» de «artisania» (a «artisania» Ming deve ter sido de facto importante…), entre «quilos» e «quilómetros» parecia não haver para ele grande diferença mas lá se ia interpretando, tendo-nos levado algum tempo a entender do que falava quando começou a dissertar sobre «puta» ao pensar em «buda».

Falarei de novo de Taipé e da sua história, limito-me hoje a tentar mostrar o belo TEMPLO DE LUNGSHAN, construído entre 1738 e 1740 por colonos da China. Destruído, total ou parcialmente, por terramotos, incêndios e tufões, bombardeado pelos americanos durante a II Guerra Mundial, foi sendo sempre reconstruído logo que possível e é hoje um importante centro de culto de budismo e de taoismo.





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19.3.18

Pelo mar da China Oriental



Entre Hong Kong e Taipé, hoje foi este o meu «posto de trabalho» durante uma hora ou duas, apenas com mar à volta e à vista.

Foi já com alguma distância e estranheza que segui alguns «dramas» em aberto quando daí saí e passei rapidamente para o que me espera amanhã: a ilha a que os portugueses deram o nome de Formosa quando a avistaram em 1542, ocupada por japoneses durante meio século, refúgio do governo de Chiang Kai-Shek quando foi derrotado por Mao, parte principal de um território que nunca deixou de tentar ser reconhecido como Estado autónomo para todo o sempre, mas actualmente com pouca convicção e ainda com menos esperança.

Por aqui está a anoitecer, amanhã vou a terra e depois conto como foi.
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