Mostrar mensagens com a etiqueta pcp. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pcp. Mostrar todas as mensagens

19.12.25

19.12.1961 – A morte saiu à rua num dia assim

 

Desenho de Dias Coelho 


José Dias Coelho tinha 38 anos e era membro do PCP na clandestinidade quando foi assassinado pela PIDE, no dia 19 de Dezembro de 1961, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa, numa rua que tem hoje o seu nome.




 

.

15.10.25

O PCP e a doença infantil do comunismo

 


«Mesmo tentando disfarçar ter perdido, nestas eleições, mais 11 câmaras (tinha 34 há pouco mais de uma década, passando, nesse período, de 213 para 93 vereadores) com a reconquista de Sines, Montemor, Mora e Aljustrel, o PCP foi um dos maiores derrotados do último domingo. Porque nem as quatro novas autarquias compensam a perda de Setúbal (passa de primeira para quarta força, com menos de um terço da percentagem) ou de Évora (passa de primeiro para terceiro, com quase metade da percentagem), mais um recuo no Alentejo e o quase desaparecimento das suas já muito frágeis posições no Norte e no Centro.

O maior problema do PCP é quando se olha para o interior da sua derrota, não ficando apenas pelo deve-haver das câmaras. Não tanto no Alentejo, em que a CDU tem 9% no distrito de Portalegre (cai 5pp, é ultrapassado pelo Chega), 20% no distrito de Évora (cai 4pp, mantém-se como segunda força e mantém o número de câmaras, apesar de a troca ser de Évora por Montemor, com o mesmo autarca) e 27% no distrito de Beja (cai 5pp, mantém-se como segunda força e perde uma câmara). Aí, tendo em conta a mudança sociológica a que temos assistido na região, os comunistas caem mais um pouco, mas resistem. Porque, em meios mais pequenos, o Chega esbarra com a sua falta de quadros e implantação. Por isso teve um quarto das câmaras da CDU. Mas elegeu 137 vereadores, mais 44 do que o PCP.

Cada vez menos popular

O relevante nem foi o Alentejo. É nas zonas suburbanas do norte de Lisboa e na Margem Sul.

Em Almada, o PCP perde um terço dos votos, com o Chega e o PSD a morderem-lhe os calcanhares. No Seixal, que segurou sem dificuldades, o Chega passa a ser a alternativa. No Barreiro, a CDU perde 9pp, ficando praticamente empatada com o Chega. Na Moita, perde outros 9pp, ficando atrás do Chega. No Montijo, passa de 19% para 7%, da terceira para a quinta posição, com o Chega a três pontos de vencer. Mesmo Sesimbra e Palmela são ganhas por menos de 200 votos. E Setúbal foi o desastre que se viu.

Nos subúrbios a norte já não há tanto para cair, mas as quedas relativas até são mais significativas, porque também já não há voto útil para ganhar: a CDU desce quase para metade em Odivelas; de 10% para 7% na Amadora; de quase 30% para 11% em Loures; de 22% para 13% em Vila Franca. Em todas elas ficou atrás do Chega. Se formos ver as freguesias mais populares, a tragédia é ainda maior. É aqui que se dá a decadência do PCP. O que conta é a perda do voto popular que o PCP segurava.

Há sinais de uma tendência estranha, se olharmos para a evolução da votação dos comunistas na cidade de Lisboa, onde resistiram. Mantêm uma junta, mas, mais uma vez, é efeito do candidato local – a vitória com 42% em Carnide cai para 14% no voto para a câmara. A CDU passou, na cidade, de 10,5% para 10,9%. Sobe, em percentagem para a câmara, no Lumiar, Alvalade, Areeiro, Penha de França, Arroios, Avenidas Novas ou Campo de Ourique. Desce, em percentagem para a câmara, nos Olivais, em Marvila, Santa Clara, Carnide, Beato, Santa Maria Maior, Misericórdia, Ajuda, Benfica, Campolide. Algumas delas são exatamente onde o Chega mais cresce. Há alguns resultados menos alinhados, mas, para quem conhece a cidade, a dinâmica na mudança do tipo socioeconómico de voto é evidente.

Quem vê no resultado lisboeta da CDU uma resposta popular ao descontentamento decidiu pegar na lupa e ignorar o que aconteceu à volta e até a natureza deste voto. A inconsequência é da natureza social deste voto, o que pode oferecer-nos um mapa do futuro político dos comunistas, bem diferente do seu passado.

A cegueira da ressaca da geringonça

Este resultado do PCP acontece em simultâneo com a mudança sociológica na cidade, que assiste à expulsão das classes populares e das classes médias. Digo-o há uma década e há uma década que se confirma, com freguesias que antes eram populares ou de classe média-baixa a tornarem-se bairros “finos". Nos últimos oito anos, Lisboa perdeu 30 mil eleitores, passando de 493 mil eleitores para 463 mil. São quase 3500 pessoas a menos por cada ano que passa, numa altura em que a população da cidade se encontra estável. A explicação é simples: as classes médias estão a ser expulsas da cidade onde cresceram, ou para onde vieram trabalhar, enquanto bairros como Campo de Ourique, a baixa da cidade, Belém ou as Avenidas Novas se encontram cheios de reformados franceses ou nómadas digitais endinheirados. É por causa dessa transformação que estas eleições correspondiam a uma enorme urgência. Sem travar a sangria de classe média-baixa, a esquerda arriscar-se-ia a nunca mais vencer a capital, crescentemente transformada num condomínio.

O PCP sabia-o e, ainda assim, recusou participar numa coligação com toda a esquerda com a candidata mais à esquerda que o PS poderia arranjar. Era uma luta contra o tempo em que a esquerda, no seu conjunto, valerá cada vez menos na cidade. Que, perante isto, o grande argumento seja “mas o João Ferreira era melhor” é dos raciocínios mais ausentes de reflexão política que se pode ouvir de um marxista. Será um excelente vereador sem pasta, sem poder, sem relevância para o futuro da cidade e do PCP. Parabéns e que guarde a taça na prateleira das vitórias morais.

Para os vinte mil votos que faltaram, os 26 mil da CDU chegavam e sobravam, sendo até previsível alguma mobilização extra com a dinâmica de vitória. E se olharmos para a estrutura de voto do Chega, percebemos que o mesmo fenómeno nunca aconteceria à direita. Nem o eleitorado centrista o aceitaria, nem o voto do Chega vem esmagadoramente da direita.

Mesmo que a coligação tenha tido menos votos do que a soma dos partidos nas autárquicas anteriores, fosse por causa da candidata, por perda de voto do PS para o Chega ou porque a base eleitoral da cidade mudou no contínuo processo de gentrificação (não se podem fazer comparações de resultados ignorando a mudança de universo), não há como negar que o voto comunista chegaria para fazer a diferença, até porque algum terá vindo dos que votaram no Bloco ou no PS há quatro anos. As análises não podem, aliás, ignorar as dinâmicas que a unidade cria e as que a divisão alimenta. Nem o papel empenhado de desgaste que João Ferreira teve na candidatura e na imagem de Alexandra Leitão.

Como escrevi, a recusa do PCP, a quem foi oferecida a vice-presidência e participação ativa no programa, nada teve a ver com a justa crítica às viabilizações de orçamentos de Moedas, que o PCP também garantiu em várias autarquias de que é crítico. O PCP recusou todas as alianças, fosse com quem fosse (a não ser com o PEV, criação sua). Porque a recusa veio de uma decisão nacional. O PCP tirou uma lição da geringonça: as convergências matam.

O erro dos comunistas, típico de quem perdeu massa crítica para a decisão tática mais fina, é não ter a capacidade de compreender os momentos e os lugares em que a regra não funciona, porque nada sobreviverá pela aplicação cega do dogma. Lisboa era, definitivamente, o caso. Como era Albufeira, contra o Chega, e seguramente Loures, contra o candidato chegano do PS. A luta pela sobrevivência não pode matar as condições para essa sobrevivência. E sem esquerda o PCP não sobreviverá. Nem para bater no resto da esquerda.

Recordar 1989

Em 1989, o PCP teve a inteligência de perceber a excecionalidade que a política sempre contempla. Fez uma aliança com o PS e depois com o resto da esquerda, prescindindo da liderança autárquica, apesar de ser mais forte do que o PS na cidade. A péssima gestão de Abecassis (não tão má como a de Moedas) seria uma razão, mas a compreensão da situação nacional também foi determinante: o país atravessava o primeiro longo domínio de uma direita a meio de uma maioria absoluta que mudaria a política portuguesa para sempre. No contexto internacional, os comunistas viviam o pior ano das suas vidas. Aquela brecha era, foi mesmo, muitíssimo importante. Como foi a vitória de Sampaio contra Cavaco, nas presidenciais, também com o apoio dos comunistas. As similitudes são imensas, o PCP é que não é o mesmo.

Apesar de ter mais 1200 votos, o resultado da CDU correspondeu à perda de um vereador, à queda para o quarto lugar e, mais importante, à perda da que pode ter sido a última oportunidade para tirar a direita da liderança da capital com a frente mais ampla e mais à esquerda que Lisboa conheceu. João Ferreira concluiu, depois de garantir a vitória a Moedas, que o PCP é quem melhor resiste à direita, como se a resistência fosse uma prova de esforço, ausente de objetivos políticos concretos.

O que mudou? Os partidos com implantação social são sensíveis aos impulsos das bases. Têm massa crítica para compreender a realidade e, mesmo definindo uma regra, fazer-lhe acertos. O PCP era, ao contrário do que tantas vezes se diz, um partido pragmático. Veja-se a segunda volta das presidenciais de 1986. Esse pragmatismo tinha uma razão: a busca do poder. É isso que dá consistência, não a pureza ideológica. O PCP já não luta pelo poder, luta pela sobrevivência, pela preservação da identidade, pelo património. Um partido não serve para isso. Para isso erguem-se museus. É esta ausência de pragmatismo que o impede de adaptar a regra à situação, o medo à necessidade.

O quadrado que se estreita

Muitos elogiam a afirmação de princípios vazia de objetivos, confundindo cegueira com coragem. O PCP não é menos sectário hoje do que no passado. O sectarismo passou da tentação de impor uma hegemonia, em que fazia cedências se isso estivesse ao serviço desse objetivo, para um isolamento defensivo. Álvaro Cunhal tinha um termo para esta inconsequência com aparência de firmeza ideológica: “radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista”. Lenine chamava-lhe a “doença infantil do comunismo”. Os seus maiores inimigos aplaudem porque, como se viu, tiram daí dividendos.

Isto não acontece apenas na frente eleitoral. O que o PCP está a fazer na CGTP, afastando os poucos resquícios de pluralismo que existiam na direção, no momento em que os sindicatos, no osso, mais precisam dele, é um crime. Custaacreditar que seja possível um partido que vale 3% nas legislativas comandar a maior central sindical do país e afastar as minorias da direção sem que isso a asfixie. Já não é o partido que tinha 200 mil militantes e mais de um milhão de eleitores a abusar da sua posição dominante nos sindicatos, é um partido com 180 mil votantes, em legislativas, a fazê-lo. O primeiro mata o pluralismo sindical, o segundo mata os sindicatos.

A frase estafada "o PCP não faltará, como nunca faltou, às soluções" fazia sentido nos anos 80 e 90 ou até em 2015. Hoje é um bordão sem conteúdo. Falta cegamente. Nunca faltou tanto. Falta porque já não move a luta por uma hegemonia política que assustava a direita. Move-se pela defesa de um património que a direita acha genuíno, porque belamente derrotado. Não é que o PCP não conte, é que não quer contar.

Enquanto desanca em tudo que se mova à esquerda, acusando todos de traição, o PCP é hiper-reativo a qualquer crítica. Mas devia ouvi-las: está a tornar-se um problema para a esquerda, mesmo que nela só incluam os que estão à esquerda do PS. Esta parte da esquerda terá de se reconstruir, se quer existir, como existe em França. Olhando para o PCP, não me parece que tenha interesse em fazer parte disso. Duvido, aliás, que um Livre que sonha capitalizar os despojos das esquerdas derrotadas e um BE moribundo tenham vontade para tanto.

No caso do PCP, a sobrevivência do partido tornou-se no princípio e no fim da sua ação política. Como se a ela fosse indiferente o contexto que ajuda a criar. Não haverá PCP num deserto à esquerda. Essa estratégia morrerá quando não tiver mais edifícios para vender e autarquias para perder. Quer defender o seu quadrado, não percebendo que, assim, ele será cada vez mais estreito. E isso, mesmo que se recusem a ver, ficou evidente nestas autárquicas.»


29.7.25

O isolacionismo da CDU

 


«CDU foi desafiada a liderar coligação de esquerda em Loures, mas comunistas não mostram disponibilidade. “Estarmos juntos contra esta deriva autoritária era muito importante”, defendem partidos.»


17.7.25

Autárquicas em Lisboa

 


O PCP não quis entrar nesta coligação das esquerdas. Nem sonho que probabilidade tem A. Leitão de vencer Moedas, mas pode perder por uma diferença inferior aos votos do PCP.

Na eleição anterior não havia coligação à esquerda e Medina perdeu para Moedas apenas por 2.294 votos. O PCP teve 25.520.

19.4.25

O desprezo e o incómodo dos partidos pela sua história

 

Arquivo Ephemera

«Tenho passado as últimas semanas a trabalhar numa grande exposição sobre um dos fundadores da nossa democracia, Francisco Sá Carneiro. E mais uma vez posso testemunhar a dupla maldita destes últimos 50 anos de liberdade, o desprezo e o incómodo dos partidos políticos portugueses pela sua história e, por essa via, pela história dos anos de liberdade dados pela revolução de Abril e os anos de construção de democracia dados pelos fundadores, um dos quais Sá Carneiro. Não é difícil compreender que, para além dos defeitos da ligeireza, superficialidade e ignorância instalada, com o seu repúdio da complexidade que vem com a história, há uma correlação entre a incomodidade e o desprezo pela própria história. Isto é válido para o PSD, PS e PCP.

Não me estou a referir aos historiadores e aos militantes ou ex-militantes que escreveram memórias, mas ao desprezo objectivo das direcções partidárias não só pelo seu património arquivístico, que ou menosprezam ou escondem, como pelas suas publicações sem qualidade, mal-amanhadas e censuradas. Todas as técnicas clássicas de manipulação da verdade são usadas, desde a mentira, à omissão da verdade até à sugestão de falsidade. O caso do PCP é clássico, não só pela ocultação dos arquivos, como pela sistemática manipulação de uma história “oficial” que não suporta qualquer critério de verificação histórica. Não é preciso ir mais longe do que notar que a sua imprensa oficial, como é o caso do Em Frente!, publicado pela sua direcção legítima e que substituiu o Avante! no período do Pacto Germano-Soviético, nunca seja mencionado. A razão não é a legitimidade do jornal como órgão do PCP, mas sim o que lá vem escrito sobre a colaboração da Alemanha nazi com a URSS, até à invasão de 1941.

O PS é, de todos os partidos que mencionei, aquele que é menos dependente de uma história “oficial” e, por isso, está mais à vontade, não só para ter conservado muitos materiais na Fundação Mário Soares, como para aceitar mais controvérsia sobre a sua história e personalidades. Com facilidade aceitará, mesmo de forma irónica, o seu cartaz de 1975 que diz “PS, partido marxista” ou o Coro de S. Carlos a cantar o hino do PS… a Internacional.

O PSD não tem idêntico à vontade, em grande parte porque dificilmente aceita os seus documentos fundadores, que lhe são particularmente incómodos no plano do conteúdo, e que menoriza como sendo apenas uma adaptação retórica ao radicalismo de 1975, para impedir a ilegalização do partido. Já tive ocasião de dizer como isto é insultuoso para a memória e a acção de Francisco Sá Carneiro, que sabia muito bem o que queria muito antes do ano de 1975. Antes do 25 de Abril, em vários escritos, e numa célebre entrevista a Jaime Gama da República, explicou o seu programa em termos claros e nunca o alterou até à sua morte em 1980. Afirmou-o sempre, em textos programáticos do PPD, em discursos partidários e parlamentares, na tentativa muito séria para entrar na Internacional Socialista, na preocupação de nunca colocar o PPD/PSD como cabeça de uma frente de direita, mesmo com a inclusão dos Reformadores na Aliança Democrática genuína, a da Bayer.

Sá Carneiro era anticomunista, e actuou como anticomunista, mas não era anti-socialista, mesmo quando combatia o PS. O PPD, e depois o PSD, na sua prática política combatia sem hesitações o PCP, no 25 de Novembro, na atenção aos retornados, na sua preocupação com a manipulação informativa, com o papel das pequenas empresas, com a liberdade de imprensa, informação e organização, e tudo isto faz parte da “história não escrita” com plena participação de Francisco Sá Carneiro. O mesmo acontecia com uma preocupação central que era a institucionalização de uma democracia plena, civil, assente nos partidos e no voto popular e não em “pactos” que davam aos militares poderes fora da democracia.

Mas tudo isto não afectava a sua identidade política que tinha três fontes, o liberalismo político, o personalismo cristão e a social-democracia, cada uma correspondendo a um dos elementos do seu pensamento, a liberdade de homens como Herculano ou Garrett, que lutaram com armas na mão contra os absolutistas, a doutrina social da Igreja e uma interpretação da pessoa humana na filosofia de Emmanuel Mounier, e a social-democracia de Bernstein e Kautsky, do Programa do SPD de Bad Godesberg, no seu tempo a de Olof Palme e Willy Brandt. É por isso que em todos os documentos iniciais o PPD é colocado como partido de “centro-esquerda”.

É incómoda? A história não é amável com a sua manipulação.»


25.3.25

José Rodrigues dos Santos

 


Que tipo de poder terá José Rodrigues dos Santos na RTP para continuarmos a assistir a prestações execráveis, como a de ontem na entrevista a Paulo Raimundo? Um jornalista americano ao serviço de Trump não faria melhor.


19.12.24

19.12.1961 – A morte saiu à rua num dia assim

 

Desenho de Dias Coelho 


José Dias Coelho tinha 38 anos e era membro do PCP na clandestinidade quando foi assassinado pela PIDE, no dia 19 de Dezembro de 1961, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa, numa rua que tem hoje o seu nome.




 

.

29.7.24

PCP e Venezuela

 


𝐂𝐮𝐬𝐭𝐚 𝐚 𝐚𝐜𝐫𝐞𝐝𝐢𝐭𝐚𝐫, 𝐧ã𝐨 é? 𝐈𝐧𝐟𝐞𝐥𝐢𝐳𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐧ã𝐨 é 𝐧𝐨𝐭í𝐜𝐢𝐚 «𝐟𝐚𝐤𝐞».

Ler AQUI.

28.12.23

Sobe a calçada, Odete

 


@Vieira Resurrected no Facebook

Na morte de Odete Santos.
.

24.2.23

Minuto de silêncio pelas vítimas da guerra na Ucrânia (sem a presença do PCP e do PAN)



 


«Fonte oficial do gabinete de Inês de Sousa justificou à agência Lusa a ausência da deputada com o facto de os trabalhos da comissão eventual para a revisão constitucional terem terminado na quinta-feira já depois das 22:30.

Em comunicado divulgado na quinta-feira, o PCP considerou de “particular gravidade” o “posicionamento de submissão” do Governo português perante a “escalada armamentista” na Ucrânia, e defendeu ser premente que “os Estados Unidos, NATO e União Europeia cessem de instigar e alimentar a guerra”.»

Comentários para quê?
.

19.12.22

A morte saiu à rua num dia assim

 

Desenho de Dias Coelho 


José Dias Coelho tinha 38 anos e era membro do PCP na clandestinidade quando foi assassinado pela PIDE, no dia 19 de Dezembro de 1961, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa, numa rua que tem hoje o seu nome.




 

.

16.11.22

«Invasão» da Ucrânia pela Rússia?

 



"Não há dúvida de que há uma intervenção militar russa na Ucrânia", diz Paulo Raimundo.

Ainda não é com este novo SG que ouviremos a palavra «INVASÃO». Livra! Engasgavam-se se a pronunciassem?
.

24.9.22

Quando é que o PCP convoca uma manifestação pela paz contra Putin?

 


«O facto de esta ser uma pergunta retórica mostra a absoluta fragilidade da posição do PCP e das organizações a ele ligadas, como o Conselho Português para a Paz e Cooperação, sobre a guerra da Ucrânia em matéria de paz. O que aconteceu nesta semana com o discurso de Putin, a sua intenção de fazer referendos-fantoches e a clara ameaça de uma guerra nuclear colocam o mundo mais perto de um conflito catastrófico do que alguma vez esteve desde a crise dos mísseis em Cuba em 1962.

Se isto não é um ataque à paz, não sei o que possa ser. E neste caso não adianta vir com duplicidades e falsas equivalências: não foram a Ucrânia, nem a NATO, nem os EUA que fizeram esta escalada, mas apenas o Presidente da Federação Russa, que não se limitou a ameaçar com um conflito nuclear, insistindo que o que estava a dizer não era um bluff, era para tomar a sério. Aliás, quem, desde o primeiro dia deste conflito, resultado de uma agressão militar da Rússia à Ucrânia, fez ameaças nucleares foram Putin, Lavrov e aquele belicista sem paralelo no lado de “cá”, Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança russo. Sim, a guerra nuclear, aquela guerra que mata milhões, destrói as grandes cidades do mundo e não tem vencedores, a coisa mais próxima de nos mandar para a ficção científica catastrófica, e para a Idade da Pedra. Senhores que enchem a boca pela paz, há alguma coisa que se compare em dimensão com estas ameaças, do lado da NATO, dos EUA, da UE? Claro que não há, e não há hipócritas comparações nem duplicidades que possam ocultar este facto: se não saírem para a rua claramente contra quem faz esta escalada, pondo o nome às coisas, e Putin e a Federação Russa são os nomes, na verdade não é a paz que desejam, mas uma vitória militar russa.

A sequência perigosa está toda no discurso de Putin. Os referendos-fantoches — e uso a palavra fantoches porque é isso mesmo que são; mesmo que admita que uma parte dos habitantes do Donbass prefere ser russa a ucraniana, não é em guerra e numa ocupação militar que o seu voto tem qualquer valor — vão justificar a anexação de territórios ucranianos à Federação Russa.

Só um parêntesis: se o mesmo tipo de referendos fosse feito em certas zonas geográficas da Federação Russa, como o Cáucaso, também os habitantes votariam ou pela independência ou pela anexação, por exemplo, pela Turquia. A Tchetchénia foi mantida na Federação pela guerra, pela violência e pela repressão.

Os referendos têm apenas o papel de pseudolegitimar conquistas territoriais de um Estado sobre outro, o mais clássico motivo para uma guerra imperialista. E a reivindicação de uma espécie de “droit de regard” armado para “proteger os ‘russos’” é, neste contexto, exactamente o que Hitler fez nos Sudetas. Aliás, onde está Putin coloquem Hitler e as frases são idênticas no verbo e na substância. Logo a seguir à anexação, Putin passa a considerar esses territórios russos, que hoje vão muito para além do Donbass e se estendem a zonas onde se fala ucraniano e onde não há sentimentos pró-russos, mas que Putin quer anexar à Federação porque tem uma posição estratégica relativa à Crimeia e ao acesso da Ucrânia ao mar. E, depois, um ataque a Lugansk é um ataque à Rússia, logo a possibilidade de uma resposta nuclear é possível. “Não é um bluff.”

Repito: quando é que o PCP sai para a rua para condenar Putin por colocar o mundo perto de um conflito nuclear? Silêncio. Nem pensar. Seria “fazer o jogo da NATO”. Eu percebo-os. Não tenho dúvidas de que a última coisa que desejavam era esta guerra, porque o PCP e os seus companheiros de estrada sabem que ela teve o efeito contrário ao pretendido, não vai acabar bem para Putin e a probabilidade de ter sido o balão de oxigénio de que a NATO precisava verifica-se todos os dias. Por outro lado, neste contexto, não querem que Putin perca de forma muito evidente e clamorosa. Duvido que apoiem a escalada belicista de Putin, mas também os incomoda muito a eficaz ofensiva ucraniana. É um mecanismo não só político, mas também psicológico, daquilo que tanto pode ser interpretado como comportamento dos indivíduos quando se metem numa argumentação sem saída e, em vez de a corrigirem, sobem de tom e caminham ainda mais para o abismo. O mesmo para aquilo a que antes se chamava “psicologia de massas”. Ou seja, estão metidos num imbróglio que não tem saída feliz, mas que tem um ponto forte: não querem que a Ucrânia ganhe. Não o podem dizer, mas é exactamente isso que desejam, de desejo forte, inominável, feio.

Por isso, estão bloqueados no plano político. Já os comparei aos enfeitiçados pela Bruxa de Blair, paralisados contra uma parede numa cave em ruínas.»

.

23.4.22

PCP: ocultar que há um agredido e um agressor

 


«Falar em guerra sem nomear o agredido e o agressor, e tirar daí consequências, é colocar-se do lado do agressor. Quem beneficia na apresentação neutral da “guerra”? O agressor. Quem beneficia numa defesa da “paz” que trata os beligerantes como iguais? O agressor. Quem fala em detalhe dos males de “uns” (os ucranianos) e genericamente e sem pormenores dos males dos “outros” (os russos) não está do lado da “paz”, mas da guerra. Quem justifica, legitima, favorece, protege o PCP com o seu discurso contorcido sobre a guerra? Os russos. Toda a gente percebe, a começar por muitos eleitores, simpatizantes e militantes do PCP, por isso é que esta situação é devastadora para o PCP. Façam-nos justiça de perceber que nós percebemos.

O problema do PCP não é um remake do caso da Checoslováquia, como por aí se diz. Na invasão da Checoslováquia, havia de um lado a URSS e do outro um processo que os soviéticos consideravam ser de subversão do socialismo e do campo socialista. O PCP podia entender que devia estar de um “lado” contra o outro, porque um dos lados lhe era próximo ideológica e politicamente. Onde é que há hoje algo de remotamente parecido com “o lado” da URSS?

O PCP diz que “o lado” ucraniano é péssimo, mas diz também que não se identifica com “o outro” lado com Putin. Se é assim, porque não trata “os dois lados” da mesma maneira e se põe à margem? Se o conflito é entre a NATO e o regime de Putin, que é para todos os efeitos igualmente maléfico, por que razão o PCP acaba encostado a um dos lados, sempre pronto para o justificar pela equivalência? Por que razão, entre aquilo que considera o militarismo da NATO e a “violação do direito internacional” por Putin (um gigantesco eufemismo), entre o lado agressivo da NATO e o autocrata belicista, o PCP sente-se mais confortável com o segundo, que protege até pela terminologia cautelosa e moderada com que o trata? Façam-nos justiça de perceber que nós percebemos.

Não adianta vir com a história de que a “guerra” começou em 2014, porque esta de que estamos a ser testemunho começou em 2022. E, em 2022, não há um único factor que justifique a invasão da Ucrânia, não há motivo forte, nenhuma provocação, nenhum acto novo de envolvimento da NATO, nenhuma colocação de tropas americanas na fronteira, nenhum exercício militar conjunto, nenhuma manobra daquelas que se usam para preparar uma invasão. Nem pouco nem muito, não há mesmo. Façam-nos justiça de perceber que nós percebemos.

Vamos admitir que o que Putin diz é verdadeiro (quase nada é…) e que a Ucrânia é governada por nazis (falso, embora haja demasiados nazis na Ucrânia como na Rússia, e na Europa, os que Putin financia), que são corruptos (verdade, como na Rússia os amigos de Putin), que reprimem o russo e a cultura russa no Donbass (em parte verdade), que perseguem os partidos pró-russos (idem), que assassinaram muitos ucranianos pró-russos (os números são fantasiosos, mas havia uma guerra de fronteiras em curso com a intervenção da Rússia), que querem entrar para a NATO (querer, querem, só que a NATO não os aceitou), e que desde 2014 existe uma guerra escondida naquela parte do mundo (que, se houvesse, seria conforme o direito internacional, depois da anexação da Crimeia e do apoio às milícias pró-russas no Donbass). Pelo contrário, os países ocidentais da agressiva NATO engoliram a conquista territorial russa da Crimeia com o rabo entre as pernas. Nem disso Putin se pode queixar. Façam-nos justiça de perceber que nós percebemos.

Mesmo que se admita tudo isto (insisto que não é verdade a maioria das coisas), que o PCP repete numa lógica que só serve para a legitimação da invasão, o que é que aconteceu de muito grave em 2022 que levou Putin a preparar, negar e depois começar uma invasão maciça da Ucrânia? Nada. É uma pura agressão, uma pura guerra de grande escala que inclui desde início a ameaça do nuclear, o ataque a civis (incontroverso em geral, mesmo que nalguns casos possa haver montagens), e o PCP vem agora falar com neutralidade de uma “guerra” com dois lados igualmente culpados, um muito mais do que outro, o do agredido. Tretas. Façam-nos justiça de perceber que nós percebemos.»

.

21.4.22

PCP: comentários para quê

 


Se o ex-deputado do PCP mais «sensato» de que me lembro escreveu ontem isto no Twitter, não vale a pena dizer mais nada.
.

Solidariedade com a Ucrânia

 


Os oportunistas não têm de se esforçar para fazer do PCP alvo. A extrema-direita não tem de fazer números para disfarçar as cumplicidades putinistas dos seus aliados europeus. A direção do PCP, enfiada na sua bolha autofágica, trata de tudo sozinha. Em nome de quê? Não faço ideia.

.

20.4.22

PCP não vai assistir ao discurso de Zelensky

 


«O PCP não participará numa sessão na Assembleia da República concebida para dar palco à instigação da escalada da guerra contrária à construção do caminho para a paz, com a participação de alguém, como Volodymyr Zelensky, que personifica um poder xenófobo e belicista rodeado e sustentado de forças de cariz fascista e neonazi, incluindo de caráter paramilitar, de que o chamado Batalhão Azov é exemplo.»

Sic Notícias
.