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13.2.20

«Não matem», diz Jerónimo




O que os meus olhos leram, e depois também vi e ouvi numa TV, ultrapassou tudo o que seria a minha capacidade de ficção. Boa noite e boa sorte para este partido do século XXI!

«Não matem. Procurem que esse princípio do prolongamento da vida humana se concretize também na nossa pátria.»
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11.1.20

O pântano



«Para justificar o pouco que conseguiu nas negociações que António Costa simulou entre a poncha da Madeira e o tofu do PAN, o PCP disse que “o PS está hoje menos condicionado do que na anterior legislatura”. Não é verdade. PCP e BE continuam a poder inviabilizar qualquer orçamento. Deixaram de ser necessários os dois ao mesmo tempo, mas isso resolvia-se com uma coordenação entre eles, que o PCP recusa. Deixaram de ter um acordo escrito que amarrasse o PS a alguma coisa, mas o PCP também não o desejou. É um enfraquecimento autoinfligido que se traduz no argumento para não votar contra: “O que foi alcançado não anda para trás.” Maior caricatura do partido de resistência é impossível. O BE absteve-se por medo. Tal como o PCP, as conquistas são pouco mais do que simbólicas. Tão pouco que Costa se deu por satisfeito ainda antes de conhecer o seu voto. Já fizera saber que esperava que o BE viesse a reboque do PCP. A humilhação pública será a estratégia de Costa, que quer esvaziar de sentido o voto no BE. E o BE não reage porque teme a memória do PEC IV, onde votou ao lado da direita e depois caiu para metade. Não percebe que era outro o contexto, foram outros os erros e serão outras as consequências.

Era agora que BE e PCP definiam as regras desta legislatura. O Parlamento não pode ser dissolvido, a direita não é um risco e Marcelo, a preparar a reeleição, não quer uma crise. Talvez os eleitores não o entendessem agora, mas este é o momento para definir um padrão para a legislatura: assinarem de cruz todos os orçamentos ou terem o poder de determinar alguma coisa. E será isso, e não o estado de espírito atual, ainda marcado pela defunta ‘geringonça’, que decidirá o voto nas próximas eleições. Se os eleitores de esquerda estiverem satisfeitos e sentirem que BE e PCP não contaram para nada, votarão PS. Se estiverem insatisfeitos e sentirem que BE e PCP não fizeram oposição, votarão noutra coisa qualquer. Perdem sempre. É verdade que têm uma janela de oportunidade daqui a um ano: o Parlamento voltará a não poder ser dissolvido, por estarmos nos últimos seis meses de mandato do Presidente. Mas o tom foi dado agora: o PCP voltará a não ter perdido nada do que já foi conquistado e o BE voltará a ter medo de votar com a direita. Ao terceiro orçamento, se Costa lá chegar, estarão atados de pés e mãos, com um preço demasiado alto a pagar por uma crise política.

Vêm aí tempos perigosos. A direita estará em crise profunda, o PCP em hibernação e o PS apostado a ser um eucalipto, que seca tudo à sua volta sem mobilizar ninguém. Os sindicatos morrem lentamente e surgirão cada vez mais focos de contestação inorgânica, sobretudo entre os trabalhadores do Estado. E a extrema-direita estará, mais do que se julga, à espreita. É isto que me preocupa. A conclusão deste processo negocial traduz um erro estratégico de toda a esquerda. Do PCP, porque desistiu de conquistas; do BE, porque tem medo de aparecer como radical; e de António Costa, porque tenta enfiar no bolso os seus interlocutores à esquerda, não percebendo que eles são a única barreira ao crescimento de um descontentamento antidemocrático. Quatro anos de orçamentos viabilizados de cruz, sem conquistas nem oposição, atirarão o país para um pântano. E BE e PCP para uma monumental derrota.»

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10.9.19

Ler Jerónimo num jornal chinês é outra loiça



«"Dando conta destes últimos 70 anos, o preceito fundamental do Partido Comunista da China de 'só o socialismo pode salvar a China' tem toda a razão", disse Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português, em uma entrevista exclusiva à Xinhua. (…)

Aos olhos dele, é o caminho do socialismo que traz a realidade contemporânea da China, por seu papel central no complexo e profundo processo de reordenamento das forças atualmente em curso a nível mundial. "Com certeza, no mundo atual, é de grande importância que a China continue vigorosamente trilhando seu próprio caminho de construção socialista, sob a liderança do PCC", disse.»

(Daqui)

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28.8.19

Não tratem o PCP como um urso de peluche



«A afirmação da entrevista de António Costa que tem consequências mais graves não é a exibição da sua animosidade contra o Bloco de Esquerda nem a demonstração da volúpia da maioria absoluta. É evidente que o PS definiu este tripé e não sai dele: exigir maioria absoluta, elogiar o PCP, atacar o Bloco. Com franqueza, tudo isso já se sabia. Não tinha sido tão esplendorosamente gritado aos sete ventos, mas era segredo de polichinelo e, em todo o caso, nesta entrevista só aparece de novo o frenesim político, ou a adrenalina eleitoral. Foi demais, como se viu. Costa levou três dias a justificar-se, o que é prova provada de que meteu o pé na argola. Mas as frases que, pelo contrário, demonstram uma estratégia mais fria, são as que se referem ao PCP, sob o manto diáfano de elogios desbragados.

Há quem, anunciando intimidade com os sentimentos profundos do primeiro-ministro, explique que se trata dos seus amores antigos, de um respeito histórico e até de uma devoção filial. Disso nada tenho a comentar. Ainda me surpreende que se utilizem conversas pessoais ou, pior ainda, simples interpretações psicologizantes, para analisar a ação pública de políticos profissionalíssimos que sabem que, neste negócio, o que parece é, ou que tudo o que dizem também é lido pelo significado literal e pelas implicações evidentes. A amizade entre o comentador e o político não devia dar carta de alforria para o justificacionismo.

O facto factual é que a geringonça é o primeiro caso de uma aliança negociada e assinada entre Costa e os partidos de esquerda, ressalvadas algumas manobras de curto alcance que fez no passado. O certo é que, quaisquer que fossem os seus amores e desamores íntimos, o atual primeiro-ministro foi candidato em Loures para tentar vencer uma maioria PCP e, mais tarde, enquanto autarca em Lisboa, não é conhecido nenhum pacto continuado com aquele partido, ao contrário do que acontecera com Jorge Sampaio. Fez o que achava que cumpria a sua escolha política e deve ser respeitado por isso. Assim, essa história de devoção mútua, agora confabulada, é uma ficção, injusta para o socialista (social-democrata desde muito jovem, como ele próprio explica com graça), que lutou sempre pelas suas cores, e falsa para o PCP, que tratou da sua vida.

Ora, o elogio do primeiro-ministro ao PCP tem outra leitura. Não é um estado de alma. É uma estratégia, aliás explícita: apresentar o PCP como um partido acessível e manejável, cordato e orientável. Fá-lo por duas razões também evidentes. A primeira é friamente instrumental, sugerindo um contraste com o Bloco, que seria rebelde. A segunda é criar uma ponte com o eleitorado do PCP, ou pelo menos limitar a sua área de expansão potencial. Essa estratégia foi prosseguida meticulosamente ao longo do último ano, nas negociações do Orçamento, nos debates quinzenais, até na questão da Lei de Bases da Saúde quando, com algum descaramento, o Governo assegurava (falsamente, ao que se sabe) que tinha o acordo do PCP para incluir na lei as parcerias público-privado. Não foi um arroubo na entrevista ao Expresso, tem pelo menos um ano que esta manobra é prosseguida meticulosamente.

Se isto vai ter um efeito eleitoral facilitando a votação no PS, ou prejudicando o PCP, está ainda por ver. Teve esse impacto nos processos eleitorais desde 2015, mas é tudo menos certo que agora se repita, estas eleições têm outro alcance. Há no entanto um efeito que merece atenção: estes elogios desvalorizam o sentido do discurso do PCP e pretendem torná-lo estranhamento ambíguo. Sempre que Jerónimo de Sousa enunciar a sua crítica dura ao Governo ou aos limites da ação do PS, às suas alianças com a direita na lei laboral, às insuficiências do programa económico ou à submissão às regras europeias, Costa responde, com condescendência, qualquer coisa como que “eu adoro a confiabilidade do PCP”. O subtexto é poderoso, sugerindo que todo o discurso crítico é um biombo e que, no fundo, o PCP não constitui uma alternativa e é por isso apreciado em S. Bento.

Tratar o PCP, deste modo, como um urso de peluche, é um insulto. E quem o faz sabe que é um insulto. Mais, é mesmo uma forma de agressividade que pretende agir no debate interno daquele partido. Vale a pena por isso lembrar a história. Jerónimo de Sousa foi eleito secretário-geral do PCP substituindo Carlos Carvalhas, depois de um período que agora a historiografia oficial do partido designa por “desvio de direita”. Houve nisto uma evidente injustiça, na opinião de quem assina estas linhas, dado que Carvalhas, sempre fiel ao seu partido e inicialmente com o apoio de Cunhal (mais tarde retirado com fragor, como lembrou Domingos Lopes em entrevista ao “Público”), ficou acusado de inaugurar um processo de diálogos à esquerda, o “Novo Impulso”, que abriu o PCP a políticas unitárias – e a esquerda que não tem política unitária não tem caminho. Mas a história é como é, e Jerónimo triunfou claramente com o regresso a uma ortodoxia de autorreferência partidária. Talvez se possa intuir que só um dirigente nestas condições poderia ter conduzido este partido a um acordo como o da geringonça. Mas o preço é a existência de tensões internas e de resistências, que não as anedoticamente enunciadas por alguma imprensa, antes as que são expressivas e portanto pouco se manifestam em público, e que são radicalizadas por esta abordagem de Costa.

A estratégia condescendente, ou do urso de peluche, é prejudicial para toda a esquerda por isto: divide em vez de unir, cria animosidade partidária, dificulta discussões centradas sobre objetivos sociais e, acima de tudo, pretende enfraquecer um dos pilares importantes das respostas das esquerdas. Como aqui abundantemente defendi, continuo a pensar que medidas de esquerda exigem a ação tanto do Bloco como do PCP. São precisos os dois conjugados para melhorar a relação de forças com o Governo. E, se a estratégia do urso de peluche resultar, os custos sociais serão profundos, em particular nos riscos de desagregação sindical ou de marginalização de sectores sociais que se reconhecem numa longa história política. Se é isto que fica da entrevista, é um sinal de alarme.»

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28.6.19

O PCP e a inimiga Marisa Matias



… é o título da crónica de Alexandra Lucas Coelho em «O Fio da Meada» de hoje.

A ouvir AQUI.
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7.6.19

O PCP não muda




E a realidade, nua e crua, é que ainda há quem escreva, hoje, no Facebook, frases como esta:

«Houve intervenção policial normal contra uma manifestação, que correu com toda a naturalidade», o resto foi manipulação do órgãos de comunicação social capitalistas»
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18.3.19

Democracia na Coreia do Norte? É uma questão de opinião…



Isto é o que diz a Wikipedia (para não ir mais longe). Mas sei lá! Se calhar é só uma opinião… «Democracia é um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente — diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no desenvolvimento e na criação de leis, exercendo o poder da governação através do sufrágio universal. Ela abrange as condições sociais, econômicas e culturais que permitem o exercício livre e igual da autodeterminação política.»




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24.8.18

Entretanto, na Festa do Avante



«Acabo de saber que da lista de livros que selecionámos para estarem na Festa do Avante foi retirado o diário de prisão do Luaty Beirão, com o argumento que incomodaria os camaradas do MPLA que irão á Festa.
É uma tristeza verificar que para o PCP os presos políticos continuam a ter nacionalidade, e que os que interessam são só os nossos, durante o Estado Novo.»

Bárbara Bulhosa no Facebook
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6.7.18

PCP, António Costa e «O Padrinho»



Longe de mim pôr em causa a contestação dos partidos à esquerda do PS no que se refere ao Acordo de Concertação Social. Mas escolher como música de fundo a melodia de «O Padrinho» para criticar o primeiro-ministro de um governo que se apoia ultrapassa todas as minhas capacidades de compreensão.


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28.5.18

Igreja, eutanásia e PCP



De repente, talvez por hoje ser 28 de Maio, dei por mim a pensar no que diria o Botas se lesse uma frase destas!
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23.5.18

PCP e Eutanásia




Sem qualquer surpresa. E nem sou capaz de acrescentar «infelizmente», porque é importante saber com quem se conta e para quê. PCP = Partido conservador de esquerda forever.
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24.2.18

Parece «Imprensa Falsa», mas não é



«"Um voto que poderia ter sido subscrito pelo próprio Donald Trump": foi assim que o PCP definiu o voto de condenação apresentado pelo Bloco de Esquerda no Parlamento pelos "bombardeamentos e crimes contra a humanidade sobre as populações da região de Ghouta, na Síria". Os comunistas, a par dos dois deputados do partido ecologista Os Verdes, foram assim os únicos a votar contra o texto do Bloco de Esquerda.»
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15.7.17

Venezuela, um país esfacelado



O Bloco de Esquerda divulgou um extenso dossier sobre o estado em que se encontra a Venezuela que «atravessa uma situação muito complexa, com a sua população sofrendo uma brutal austeridade. Há mais de cem dias que os protestos são diários, tendo já morrido neles quase cem pessoas. Nas próximas semanas os riscos são ainda maiores.»

Para aqueles que acreditam que a Revolução bolivariana continua em marcha, com Maduro à cabeça, e que todo o mal vem de manobras do «imperialismo», há um comunicado do PCP, ontem publicado. 
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29.1.17

Se tivesse sido o Bloco a fazer isto…


… já tinha caído o Carmo e a Trindade. Se a notícia (replicada em vários jornais) for verdadeira, claro. E não um «facto alternativo».


«De surpresa e sem aviso prévio ao PS e ao Governo, o PCP apresentou sexta-feira na Assembleia da República um pedido de apreciação parlamentar do decreto-lei que transferiu a Carris para a Câmara de Lisboa, por discordar da “municipalização” do serviço público de transporte colectivo de superfície de passageiros na capital.» 
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21.12.16

19.12.16

A morte saiu à rua num dia assim

Desenho de Dias Coelho

José Dias Coelho tinha 38 anos e era membro do PCP na clandestinidade quando foi assassinado pela PIDE, no dia 19 de Dezembro de 1961, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa, numa rua que tem hoje o seu nome. Que a memória destes factos não seja apagada

Zeca Afonso dedicou-lhe A morte saiu à rua.


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2.12.16

O PCP nos seus labirintos


Texto certamente polémico, aquele que Daniel Oliveira publica hoje no Expresso diário e aqui transcrito, mas que ajuda a pensar.

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4.4.16

PCP: a memória é uma coisa lixada


(Eduarda Sama)

«O PCP foi mesmo um dos partidos que lembraram no parlamento que o governo de Cavaco Silva recusou apoiar na ONU um voto pela liberação de Mandela, em 1987. Cavaco Silva alegava então que não podia intervir nos assuntos soberanos de um outro país e comentar o seu sistema de justiça. O argumento é inaceitável, disse o PCP, e outros partidos insistiram no mesmo. (…) Claro que me dirão que Luaty Beirão não é Mandela. Pois não. Mas os democratas defendem a liberdade de expressão conforme a pessoa em causa? Pois não, por isso Luaty ser diferente de Mandela é irrelevante para este efeito, pois ambos têm direito a serem livres e a protestarem contra um governo de que discordem.»

(Daqui)