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14.2.13

Respeitinho


@João Abel Manta

«A repressão é a resposta para a minoria que não respeita os sinais, as regras explícitas ou implícitas, as rotinas do enquadramento, da submissão, da conformação à ordem estabelecida. Para a maioria que é levada a obedecer, basta que se saiba que a repressão existe e que actua sobre os infractores (O realce é meu.)
Fernando Rosas, Salazar e o poder 

Este parágrafo foi escrito a propósito do passado mas ainda se aplica aqui e agora – e de que maneira. Velhos e novos temos ainda nos genes vestígios de um respeitinho e de um espírito de submissão salazarentos, bem alimentados por meio século de censura, e que estão sempre prontos a entrar em acção quando um poder mais musculado deles sabe tirar partido. 
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5.6.12

«Ditosa pátria que tais filhos tem» (*)



Em entrevista ao jornal «i», José Miguel Júdice afirma que nós, os portugueses, «somos melhores quando as coisas correm mal». Alegremo-nos, pois: estamos certamente óptimos. 

Conta, por exemplo, como é importante que a BBC tenha mostrado alguém que, estando desempregado há um ano e meio, acredita que o país está a fazer o que é necessário: assim se vê que não somos como outros que «partem tudo» e demonstramos grande dignidade no sofrimento. E continua, com a velha rábula segundo a qual, se as coisas correm bem, o português «abandalha, facilita, gasta desalmadamente, não pensa no dia de amanhã, só pensa na festa». Ângela Merkel não diria melhor… 

Este ser, que esteve sempre do lado certo do poder, desde os velhos tempos do Movimento Jovem Portugal até à actualidade, a quem nunca deve ter faltado uma migalha de luxo (enfim, talvez um pouco nos três mesitos que passou na prisão de Caxias, em 1975…), permite-se «elogiar» os compatriotas fazendo deles um retrato salazarento – sofredores e resignados quando pobrezinhos. 

Se é verdade que parecemos, ou somos, desesperadamente mais conformados do que outros em situações semelhantes, esse facto reflecte heranças e marcas de décadas de obscurantismo e de resignação forçada e não virtude ou algo que deva ser gabado e preservado. É tempo de dizer isto, quinhentas vezes se necessário for, de interiorizar, de ultrapassar, de combater. 

Claro que José Miguel Júdice não está sozinho na sua barricada, bem longe disso.  Mas é representativo e exemplar. 

(*) Com dedicatória.
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14.5.12

O esplendor de Portugal



A notícia é delirante, mas vale a pena ver o vídeo. Mais de 100 pessoas esperaram, algumas delas durante dois dias e duas noites, para garantirem o aluguer de um toldo, na praia de Armação de Pêra, em Julho e Agosto. Houve quem viesse de Beja, de Lisboa ou mesmo do Porto. Tendo de escolher entre sombra no Verão e umas rezas na Cova da Iria, quem sabe… 

Tratar-se-ia de aproveitar uma pechincha? Talvez, não sei avaliar: 500 euros pelos dois meses. Para subalugar e ganhar uns trocos? Não faço ideia… 

Mas que povo é este?
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28.1.12

Indignados, mas…


«É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto.Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados.»

Miguel Torga
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