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16.9.24

Nuno Melo e Olivença

 

«O entusiasmo visível no rosto do ministro da Defesa ao falar do assunto não vai provocar qualquer incómodo nas relações luso-espanholas. É improvável que venha a ter qualquer influência, até pelo silêncio que se lhe seguiu do primeiro-ministro e do ministro dos Negócios Estrangeiros e do quase mea culpa que Nuno Melo fez ao dizer que não estava a falar em nome do Governo. Mas o discurso de Olivença vem demonstrar uma coisa que uma parte dos portugueses já tinha percebido: a morte do CDS ou a sua absoluta irrelevância no panorama político nacional.

A coligação AD salvou o CDS, permitindo-lhe eleger um grupo parlamentar. Nuno Melo costuma dizer que é graças ao CDS que a AD está no Governo (ou seja, o PSD tem o mesmo número de deputados que o PS, mas a AD elegeu dois do CDS), mas é uma afirmação que não tem contrafactual. Se o CDS fosse sozinho a votos, iria eleger algum deputado? As legislativas de 2022, quando o CDS elegeu zero deputados, foram um sinal bastante explícito.»


22.4.24

CDS, um PEV com lugar cativo

 


«Quando o CDS saiu do parlamento a comunicação social parece ter decidido ignorar a vontade popular e vários dirigentes e militantes, que estavam no espaço de comentário em representação partidária, mantiveram os seus lugares, apesar de representarem muito menos portugueses do que a IL ou o Chega. Nuno Melo continuou a aparecer na comunicação social, para transmitir a posição do partido em questões nacionais (nas europeias, compreendia-se) e o PSD até teve o topete de tentar que o líder de um partido extraparlamentar representasse a AD em alguns debates. A comunicação social parecia ter um lugar cativo para o CDS.

Em março deste ano, o CDS voltou ao parlamento. Umas vezes tem existência autónoma, outras, quando o Presidente quer que ignoremos o empate de deputados entre PS e PSD, vai a Belém com o PSD, numa originalidade constitucional que garante à AD existência pós-eleitoral. Mas, se o CDS deve a si a eleição de dois deputados, o PS é o maior partido parlamentar. Os 50 mil votos de diferença entre o PS e a AD nem chegariam para eleger um deputado do CDS. Se assumimos que o PSD é o primeiro partido em votos, aqueles deputados foram oferecidos. O CDS não voltou ao parlamento pelo seu pé. Nada mudou, que se saiba, na vontade popular.

Achei que fazia sentido, do ponto de vista da direita, o PSD oferecer ao CDS o regresso à Assembleia da República. Muito provavelmente para o que deverá ser um processo de fusão ou absorção de alguns bons quadros do partido. O PSD está mais à direita do que quando a verdadeira AD nasceu, o espaço à sua direita foi ocupado por liberais radicais e a extrema-direita e resta ao CDS ser a ala conservadora do centro-direita.

Como a formiga que, em cima do elefante, se gaba da poeira que os dois fazem, o CDS tem dito, com uma risível insistência, que garantiu a vitória da AD. Mas já não existe eleitorado do CDS que conte. E toda a gente o sabe. Começando pelos próprios, que têm consciência que não poderão fazer com Montenegro o que Portas fez com Passos e de que este hoje se queixa. O CDS não tem autonomia estratégica. Se se voltar a separar do PSD, morre. O CDS é, hoje, o PEV da direita. Existe porque outro partido quer que ele exista.

É perante isto que a exaustiva cobertura televisiva do congresso de um pequeno partido sem existência autónoma é inexplicável. Dirão: tem peso na governação. Faço minha a pergunta de João Maria Jonet: lembra-se se algum congresso do PEV teve esta cobertura, no tempo da “geringonça”? Será que o CDS tem direito a um lugar cativo na democracia portuguesa, independentemente da vontade dos eleitores? É um hábito da comunicação social?»

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4.3.23

CDS

 


Vacas voadoras já não temos há muito tempo, mas eu vi Nuno Melo numa manifestação da FENPROF.
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20.12.22

O CDS e o «país real»

 


A imagem andava pelas redes e pensava-se que podia ser «fake». Só que não.


«À margem do debate sobre a revisão constitucional, discutiu-se também que linhas norteadoras devia o partido abraçar. O constitucionalista Tiago Duarte, que é também sócio da PLMJ, considerou que o público-alvo do discurso do CDS deverá ser “casais de 30 anos” com “filhos no colégio” e “empregada para pagar”.
“O CDS tem de ter um discurso para um casal de 30 anos com dois filhos que quer colocar no colégio privado. Isto é o nosso país real: dois jovens que chegam a casa depois de um dia de trabalho e não têm dinheiro para pagar à empregada”, considerou o constitucionalista.»
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24.12.21

A campanha do CDS

 



A esquerda agradece este novo tipo de campanha da direita. Vergonha alheia... .


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16.12.21

O PSD fez «uma viragem à esquerda»?

 


... diz o CDS. Anda tudo um pouco confuso no Centrão, o PS que se cuide.
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30.5.20

CDS


Este rapaz vai mesmo continuar a ser presidente do partido, ou fica por lá até a pandemia abrandar para entreter algum pessoal? Alguém o leva a sério?

18.5.20

O dilema do sr. Melo



«Há quem diga que o sr. André Ventura é comentador desportivo. E talvez o sr. Nuno Melo seja uma espécie de apanha-bolas do PPE no Parlamento Europeu. Tudo os une e tudo os divide, mesmo quando a política não passa de um jogo de claques de futebol. O sr. Ventura vê perigosos ciganos em cada esquina. O sr. Melo vislumbra uma conspiração marxista na telescola. Cada um escolhe a história da carochinha que prefere. A do sr. Ventura é conhecida: é uma transpiração de ódio. A do sr. Melo tinha-se manifestado só em dias de míldio intelectual, quando fez uma vénia ao partido espanhol Vox. Claro que há uma enorme diferença ideológica entre o sr. Nuno Melo e o sr. André Ventura. O sr. Melo degusta escargots num café selecto de Estrasburgo. O sr. Ventura come caracóis na tasca da esquina. Daí estarem em agremiações diferentes.

Esse é um cisma ideológico que explica muita coisa. O sr. Melo teme viver no país dos sovietes, depois de folhear a aventura de Tintin publicada em 1930. Precisa de actualizar a leitura. Afinal, quis transformar a utilização de partes de um documentário emitido na telescola, onde o sr. Rui Tavares participava, numa tenebrosa conspiração bolchevique. Não era, mas o sr. Melo criou um “facto alternativo” para justificar a sua presença nas redes sociais e nos media. É uma pena saber que o sr. Melo não vai aparecer na telescola. Não se lhe conhece nenhuma ideia ou pedaço de ideia sobre qualquer tema que não seja política. Talvez, com um pouco de sorte, a birra do sr. Melo possa surgir, no futuro, no Canal Panda.

Dizia Maquiavel: “São tão simples os homens e obedecem tanto às necessidades presentes, que quem engana encontrará sempre alguém que se deixará enganar.” O mundo actual está cheio de crédulos. E ainda estará mais, quando a crise se revelar totalmente. O sr. Ventura já delimitou o seu canavial nesse novo mundo. Já o CDS não sabe o que é. Se democrata-cristão. Se de direita moderada. Se de direita extremista. Face a isso, os seus apoiantes mais moderados vão refugiar-se no PSD. Ou seja, o CDS arrisca-se a deixar de ser um partido. E passar a ser uma isca. Ou meia isca. E então lá se irá o lugar de eurodeputado do sr. Nuno Melo. É esse, provavelmente, o seu pavor. Daí esta estratégia de tentar ser uma versão moderna do bardo de Astérix, o divertido Assurancetourix. Só que, quando este começava a cantar, todos fugiam.

O sr. Melo gostava de ter os votos do sr. Ventura, mas agarrando-os com luvas de pelica. Para não ficar contaminado. O sr. Ventura desdenha o sr. Melo. Este detestaria ser o sr. Ventura. Os fatos e as camisas brancas do sr. Melo nunca conquistarão o eleitorado mais à direita. Porque, se o sr. Melo não tem arcaboiço para ser um ideólogo, também é incapaz de ser um sargento de tropas. Os partidos conservadores, tal como os sociais-democratas, crescem quando a polarização política é mínima. O CDS, perdido, não sabe se há-de ser sensato ou radical. A questão é que nenhuma das soluções o salva. Daí a política de terra queimada do sr. Melo.

A chegada do sr. Chicão não resolveu o problema. O CDS é hoje uma versão deprimente da canção A Moda do Pisca-Pisca. E, nela, o sr. Melo parece agora, para pena de todos, o groupie de um grupo onde o sr. Ventura é o vocalista. É certo que os partidos políticos são hoje simples máquinas eleitorais sem músculo ideológico. Jogam sobretudo com as emoções, que são mais úteis para ganhar eleições, do que com as ideias. Mas momentos como este necessitam de respostas complexas, e não de caldos de galinha. O sr. Melo nunca será um ideólogo de uma nova direita. Nem um líder para ela. Mas socorre-se da mesma falta de elegância: busca o maniqueísmo e o enfrentamento fácil, como a extrema-direita, para se mostrar. Poderia ter aproveitado para enriquecer a política. Não foi o caso.

É no meio do caos que, normalmente, vencem os radicais sem princípios morais ou éticos. O sr. Ventura sabe isso. Percebe que parte do eleitorado, que previamente foi polarizado, prefere soluções fáceis e rápidas em vez de respostas inteligentes e complexas. Isto não favorece os partidos tradicionais. Mas a arte destes, e da sobrevivência da democracia, está em lutar contra este tribalismo extremista. Como dizia Tywin Lannister: “Algumas batalhas são vencidas com espadas e lanças, outras com papel e caneta”. Será no território dos “vencidos pela covid” que se centrará o próximo debate político pelo poder. E a sua conquista. O sr. Nuno Melo, lamentavelmente para ele, não fará parte desta guerra dos tronos.»

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26.1.20

Francisco Rodrigues dos Santos - aí o têm



(E vieram-me à memória os dez anos de Boas Festas de Cavaco…)
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CDS



Pode ser que esteja enganada, mas creio que o que se passou neste fim de semana vai ter mais consequências do que aquilo que se pode prever para já. Para todos, não só para o partido em questão, nem só para a direita.
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5.10.19

Vão chamar «pai» a outros, se não se importam


Se leio mais algum título de jornal em que venha referido Freitas do Amaral como «pai» da democracia, cancelo a assinatura.
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4.8.19

O CDS e a (des)educação



«Não é preciso ler livros como Pedagogia do Oprimido, Pedagogia da Autonomia ou Educação: Prática da Liberdade, do enorme Paulo Freire, para perceber o papel fundamental da educação. As sociedades diferem, os contextos também, mas é inevitável não pôr em causa, em nenhuma sociedade ou contexto, a educação. Lembrei-me muito destes ensinamentos de Paulo Freire a propósito da inenarrável proposta apresentada pelo CDS na última semana. Entrar a "preços de mercado" em universidades públicas para quem não tiver notas suficientemente altas é a proposta.

Não se trata de notícia falsa, mas parece. Ou isso ou falta de vergonha na cara. Equiparar a escola pública e a universidade pública à lógica do privado é uma ideia totalmente fora do quadro constitucional e um ataque direto a uma democracia que se queira inclusiva, e é seguramente uma aberração sob qualquer ponto de vista. O CDS, que sempre defendeu que devia ser a meritocracia a vingar em todos os setores da sociedade, parece sofrer de amnésia seletiva. O que esta proposta demonstra é que o CDS entrou no "vale tudo", antes fosse efeito da silly season.

Sabemos que a verdadeira intenção do CDS é ir contaminando todo o setor público até que dele pouco reste. Tem-no tentado fazer na saúde, na segurança social e, claro está, na educação. Mas a diferença na educação é que, até agora, as propostas passavam por esvaziar a escola pública por via do subfinanciamento ou pela desconsideração dos profissionais da educação, ao mesmo tempo que propunham desviar os dinheiros públicos para o setor privado. Esta proposta agora apresentada vai uns passos mais à frente. Mantém-se a sempre inalterável intenção de subverter a escola pública à lógica dos privados, mas a incoerência com o que o próprio partido vem defendido é de tal ordem que roça o insulto.

Uma das dimensões das desigualdades sociais em qualquer sociedade é que existem fatores de opressão que prevalecem nas vidas quotidianas. Os que têm mais recursos acabam por ter vantagem sobre as classes populares. Quem viveu a realidade da pobreza ou de poucos recursos sabe bem o que isso é, da mesma forma como sabe que a escola pública ou a saúde pública a funcionarem no seu sentido pleno são dos melhores antídotos a essa opressão. A escola pública no seu verdadeiro sentido promove princípios como a autonomia e a liberdade. É na escola pública que podem encontrar-se as ferramentas necessárias para o desenvolvimento da consciência social. É na escola pública que reside um dos maiores garantes para a igualdade. Deturpar estes princípios pela via da introdução de corredores abertos para quem tem mais recursos, pela simples razão de ter mais recursos, é a anulação da própria democracia. O CDS provou, mais uma vez, com esta proposta que anda longe de encontrar-se. Insistir na divisão de um país é um caminho perigoso e não serve a ninguém.»

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24.5.19

As tias de Cristas – da vergonha alheia




«Precisamos da ajuda de todos. Peço a todos e a cada um de vos que no domingo não vá apenas votar. Telefone à família, aos amigos, vizinho do lado, ofereça-se para levar as pessoas a votar, aquela tia mais idosa.»
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28.3.19

Cristas confunde política com geografia



A Irlanda vai desaparecer do mapa e o Reino Unido emigra para o Pacífico.
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27.3.19

Viva o Futsal do Clero!



Somos campeões europeus de Futsal do Clero e há deputados que consideram que «o resultado alcançado (…) constitui, naturalmente, motivo de orgulho para todos os Portugueses". Ainda não se sabe se todos votarão a favor, já que o texto só deu entrada hoje na Assembleia da República, proposto pelo PSD e pelo CDS (who else?...)

Ficará para a história «o surpreendente “hat-trick” do padre André Meireles»? O esplendor de Portugal...
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27.2.19

O CDS e o seu «Tea Party»




«São contra o aborto, a eutanásia, a adoção de crianças por casais homossexuais e recusam as quotas para as mulheres. Dizem-se democratas-cristãos mas "não confessionais", criticam um suposto "marxismo cultural" e acham que as mulheres estão a ser obrigadas a ter uma carreira, a sair de casa, a não ter filhos e agora "até querem" obrigá-las ir para a política.
São militantes do CDS e organizaram-se numa corrente de opinião interna, a Tendência Esperança em Movimento (TEM).»

Do dito TEM, faz parte uma cronista do Observador, que se tornou «célebre» por este artigo que já aqui referi há uns dias. Vai longe esta gente, com jeito chega ao século XIX!
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