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4.10.13

Rescaldo com riso amarelo



«António Costa – O grande vencedor das eleições. A sua vitória foi tão consensual que parecia uma candidatura independente.»

João Quadros

1.10.13

A força do PCP



Desde que foram conhecidas, no Domingo à noite, as primeiras previsões quanto aos resultados do PCP nas eleições autárquicas, um batalhão de comentadores, encartados ou nem por isso, num vasto leque de gente que não votou nem nunca votaria naquele partido, e que se espalha desde a direita à esquerda mole, apressou-se a saudar a vitória em questão, sublinhando não só, nem tanto, o bom trabalho a nível autárquico, mas sobretudo o contributo positivo para controlar o protesto e para o manter «dentro do sistema». (Portugal não é a Grécia, Portugal não é a Grécia e o comunistas vão ajudar-nos a que continue a não ser!) Estou certa de que na Soeiro Pereira Gomes ou no Hotel Vitória ninguém terá feito mais do que encolher os ombros, desprezando o elogio, reaccionário a todos os títulos.

E, no entanto e bem pelo contrário, o «elogio» pode ser visto como uma crítica com razão de ser. Sendo o PCP o único partido português com implantação e verdadeira militância, constante e persistente, a nível nacional, segue o seu caminho, igual a si próprio e com sucesso, mas o preço a pagar tem sido um enquadramento por vezes demasiado rígido das formas de protesto, especialmente sentido através da influência decisiva que exerce na vida sindical, nem sempre adequado aos tempos que correm e que afasta muitos que com ele não se identificam.

Motivo mais do que decisivo para que este seu progresso seja complementado, à esquerda, por um esforço acrescido de outras organizações, partidárias ou não, que em iniciativas paralelas ou convergentes conforme as circunstâncias, não desperdicem este avanço do PCP e construam uma vasta plataforma mais forte de resistência e de luta.

É em tempo de guerra que se limpam as armas. 
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Ainda em rescaldos



No DN de hoje, Ferreira Fernandes, acutilante como quase sempre, recorre ao Rato Mickey... 

«A macrossondagem feita no domingo (foram ouvidos milhões) disse-me que os portugueses estão zangados mas também que os portugueses mobilizaram-se menos, agora, 2013, do que em 2009 o tinham feito pelo partido que se propõe apaziguar a zanga.
A quota de votos do PS desceu de 37,67 por cento para 36,35 nesses quatro anos. Logo, a oposição convence pouco. Será suficiente para ganhar, será, porque ao Bugs Bunny qualquer Rato Mickey ganha... Mas a questão é: e para que quero eu um Rato Mickey?»

P.S. – E por falar em Partido Socialista. Através da Ana Cristina Leonardo no Facebook, cheguei a um texto publicado no «Câmara Corporativa», blogue que já foi fonte de elogios sem mácula ao dito Partido e reflexo mais cristalino do pensamento das suas chefias do que aquele que possa ser dado por qualquer espelho que exista no Largo do Rato. Mas isso era dantes, até aos dias do malogrado PEC IV! Hoje? Ide e lede: Pare, escute e olhe: um comboio pode esconder outro.
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30.9.13

E o maior prazer da noite de ontem vai para...

No rescaldo



Sobre o dia de ontem, Pedro Santos Guerreiro resume hoje, no Negócios, uma parte do que penso e que penso desenvolver mais tarde. Fica um excerto (com realces meus)

«A abstenção é indiferença, o voto em branco é protesto. Mas quando os três partidos da governação perdem quase meio milhão de votos, é a esperança na alternativa que supera a desilusão da alternância. Essa é a leitura maior destas autárquicas: o regime expressa-se por uma mudança dentro do sistema. (...)

Sim, o PSD é o grande derrotado, o CDS encenou uma proeza, o PS inventou uma grandeza, o BE desapareceu. A CDU e um punhado de independentes são os grandes vencedores. Mas houve na maioria dos discursos de ontem a linguagem absurda da negação. PS, PSD e CDS perderam, todos, votos. Muitos votos. Centenas de milhares de votos. Perderam em grande parte para a CDU e para listas independentes. E essa é uma das maiores decisões que o povo tomou ontem.

A frase de que o povo não tem memória é uma mentira situacionista. PS, PSD e CDS não foram apenas os partidos que assinaram o memorando de entendimento em 2011 com a troika. Foram os partidos que nos conduziram a essa subjugação e que falharam salvar-nos da próxima. Foram os partidos que sobreendividaram o Estado, que mentem nos défices, que empobrecem o país, que aumentam os impostos, que gerem o poder para fazerem parte dos poderosos, que chamam o povo de "as pessoas", que lhes saltearam a esperança. (...)

» Nas primeiras grandes manifestações do tempo da austeridade, havia um cartaz muito repetido: "E o povo, pá?". O problema não era falta de atenção, mas de entendimento. A distância quase cognitiva entre eleitos e eleitores não resultava da austeridade e agravou-se com ela. Se os três partidos do sistema não perceberem que perderam milhares de votantes ontem, jamais entenderão que a democracia será mais forte do que eles. Ontem foi. O povo, pá, votou.» 
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29.9.13

Reflectir?



«Refletir em superfícies espelhadas é fácil, mas tentam fazê-lo num país cada vez mais baço. (...) Porque é que a CNE não deu ordens sem ambiguidades, como "pensem", "ponderem", "meditem à séria"? Acresce que "reflexivos", como nos pediram para estarmos hoje ao votar, é desnecessariamente próximo de "reflexos", que é reagir involuntariamente. A CNE sugere que é isso que vamos fazer: votar como o estertor de uma pata de rã? Há matéria para a CNE ser processada pelos eleitores.»

Ferreira Fernandes

E quanto a voto é assim


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27.9.13

Contas que ajudam a reflectir



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Até as bandeiras protestam!



Bandeira Nacional rasgada devido ao mau tempo.

Grandoladas da mãe natureza, em vésperas de autárquicas?
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Os políticos são todos iguais?



Este texto de Manuel Esteves, no Negócios (*), é particularmente oportuno em vésperas de eleições, quando tantos se desculpam com a má qualidade dos políticos para tudo e mais uma coisa e, de um modo especial, para se reduzirem à função de juízes de sofá em vez de irem votar no próximo Domingo. «Os políticos só serão todos iguais no dia em que os eleitores forem todos iguais.»

«Existem razões de sobra para que nos sintamos descontentes com a qualidade média dos políticos e com o seu desempenho. A forma fechada como os partidos funcionam, a vulnerabilidade das suas agendas a temas eleitoralistas, a dependência financeira dos seus protagonistas face à dita actividade política e a falta de qualificações suscitam legítimo e compreensível desagrado. Mas nada disto justifica o discurso anti-político do "são todos iguais". É errado e é perigoso.

Os políticos só serão todos iguais no dia em que os eleitores forem todos iguais. Enquanto houver eleitores que se informam, reflectem e decidem, haverá políticos sérios e capazes. Se, pelo contrário, cresce o número de eleitores mal informados, desinteressados e alienados da causa pública, maior será o número de políticos incompetentes e corruptos. (...)

Sabe-nos bem dizer mal e sabemos que isso só é possível em democracia. E não temos tempo nem jeito para intervir no bairro, na escola ou no local de trabalho. E, assim, lá vamos andando, "com a cabeça entre as orelhas", libertando, muitas vezes sem querer, o pequeno fascista que temos dentro de nós e que aos poucos e poucos vai minando os pilares da nossa democracia.»

(O link pode só funcionar mais tarde.)
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25.9.13

A cidade e a utopia




Uma canção de José Afonso, que é também um manifesto, aqui filmada pelo Tiago Cravidão para a candidatura às autárquicas dos Cidadãos por Coimbra
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22.9.13

«Kitsch» político



Antonio Muñoz Molina publicou ontem no Babelia, de El País, um texto a propósito do kitsch nas manifestações a favor da independência da Catalunha, que pode ser trazido, sem grande esforço, para outras realidades bem próximas de nós. Não que esteja em causa qualquer sentimento de superioridade em relação ao que se vê por aí em termos de propaganda das próximas eleições autárquicas, mas lá que não falta kitsch é uma realidade indesmentível e bem reveladora do estado das mentalidades.

«El kitsch es al arte lo que la margarina a la mantequilla, (...) lo que la novela histórica a la historia, lo que Isabel Allende al mejor García Márquez, (...) lo que los anuncios turísticos de la Junta de Andalucía a la realidad de Andalucía, (...) lo que el hotel Alhambra Palace de Granada a la Alhambra de Granada.»
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19.9.13

Saloia ou não, é esperteza com certeza



«Quando, em Itália, o uso de cinto de segurança nos automóveis passou a ser obrigatório, a criatividade transalpina gerou, em simultâneo, uma fonte de negócio e uma forma de evitar eventuais incómodos aos condutores. De um dia para o seguinte, apareceram à venda "t-shirts" com um cinto de segurança estampado. Com um exemplar vestido, havia hipóteses de os automobilistas conseguirem ludibriar as autoridades. O engenho italiano é admirável, mas há autarcas em Portugal que o superam. Sem apelo, nem agravo.»

A propósito disto:

«Pelo menos dois presidentes de juntas de freguesia que estão abrangidos pelo que a lei estabelece sobre limitação de mandatos preparam-se, se as listas em que concorrem saírem vencedoras nas eleições de 29 de Setembro, para continuarem a exercer aqueles cargos. O estratagema usado pelos autarcas de Carnide e de Ferreira de Aves, que se apresentam a sufrágio pela CDU e pelo PSD, respectivamente, é simples.
Um familiar ou outra pessoa de confiança são candidatos ao lugar, mas está previsto que estes testas-de-ferro renunciem ou deleguem poderes. Em benefício de quem? Dos dinossauros, evidentemente.» 

João Cândido da Silva, no Jornal de Negócios.
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18.9.13

CNE: para cada «post» um polícia?



A propósito das próximas eleições autárquicas, depois de ter proibido o envio de propaganda política por telefone e por e-mail, a Comissão Nacional de Eleições avisa que nos próximos dias 28 e 29, destinados a reflectir e a votar, também não se pode fazer propaganda nas redes sociais.

À hora a que escrevo, o aviso ainda não está publicado no site oficial da Comissão, mas vários órgãos de comunicação social referem s proibição em causa, remetendo para declarações feitas ao Jornal de Negócios. Neste (sem link), refere-se expressamente:
«Os riscos de colocar conteúdos nestes dias são, pois, elevados. "Conforme resulta da Lei Eleitoral, quem fizer propaganda nesses dias é punido com pena de multa não inferior a 100 dias, caso seja na véspera da eleição", esclarece a CNE. Se a propaganda for feita no dia da eleição, o candidato é punido "com pena de prisão até seis meses ou pena de multa não inferior a 60 dias".»

Note-se que, contrariamente ao que alguns jornais explicitam, aparentemente não são apenas os candidatos ou os partidos a serem abrangidos, mas todo e qualquer cidadão.

A questão não é nova, há anos que é debatida na blogosfera (e desrespeitada pelos que consideram absurdo e causa de maior abstenção o silêncio de mais de 24 horas), mas a explosão de utilizadores do Facebook veio dar outra dimensão ao fenómeno. Estou enganada ou é óbvio que serão milhares e milhares a infringir a lei?

No dia 30, pela fresquinha, alguém vai ter muito trabalho a notificar uma multidão de novos arguidos? Ora... 
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