Mostrar mensagens com a etiqueta igreja. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta igreja. Mostrar todas as mensagens

21.5.20

Como comungar? Isto não se inventa



Nenhum detalhe esquecido e reparem bem na segunda figura: máscara baixada para o queixo – tudo o que é dito que não deve ser feito, assinado pela DGS!
.

20.4.20

12.3.20

Bispo do Porto, um verdadeiro criminoso



É perante factos como este que se chega a ter inveja de ditaduras. Esta criatura devia poder ser detida imediatamente, ao manter a convocatória para um acontecimento inútil num recinto fechado.


«O bispo do Porto, D. Manuel Linda, fez um apelo público na sua página de Twitter para que “todos” os fiéis participassem numa celebração para assinalar os sete anos da eleição do Papa Francisco na catedral daquela cidade, apesar de o principal foco de coronavírus ser precisamente no distrito do Porto.»

P.S. - O bispo cancelou hoje o evento:

  .

22.2.20

Os bispos ignorantes que temos




«Cultura necrófila»? Mas já não se ensina português nos seminários?

NECROFILIA: Acto de violar cadáveres, utilização de cadáver para saciar desejos sexuais; uso de cadáver com finalidade sexual. Atracção sexual mórbida por cadáveres.
.

14.1.20

Lá vem o Ratzinger…



De vez em quando, Ratzinger sai das profundezas da sua condição de reformado com 92 anos e alerta o mundo para as ousadias de Francisco. É o caso, uma vez mais, com a co-autoria de um livro contra o seu sucessor que está a considerar a possibilidade do ordenação de padres casados na Amazónia.

Nada que espante alguém que, como eu, segue a evolução do ex-papa há mais de meio século. Como é sabido, houve uma clara retracção na Igreja nos anos que se seguiram ao encerramento do Vaticano II. Mas o que é menos conhecido é que existiu então um fortíssimo movimento de teólogos que não se conformaram com os factos e que reivindicaram o seu direito à liberdade de pensamento e de expressão dentro da Igreja. Exprimiram-no num documento publicado em 16 de Dezembro de 1968: «Declaração sobre a liberdade e a função dos teólogos na Igreja». O texto chegou a 1.360 assinaturas, mas os promotores foram 38 – os principais e mais avançados teólogos ligados ao Concílio, entre os quais... Joseph Ratzinger.

Quando e porquê se retraiu o futuro Bento XVI? Já o escrevi muitas vezes: «Com a distância que o tempo cria, parece hoje evidente que o Concílio não desiludiu por acaso ou por engano. O que se passou foi que a Igreja, ao mais alto nível, recuou, num sábio exercício de sobrevivência. A pesada pirâmide sobreviveu a um terramoto – abanou, mas não ruiu. A grande diferença em relação ao que se passou muito mais tarde numa outra pirâmide, a da União Soviética, foi que a Igreja resistiu quando percebeu que estava ameaçada. Durante o Concílio, também ela arriscou uma glasnost, uma abertura à sua maneira. Iniciou então um tímido aggiornamento, mas travou-o a tempo de não deixar que ele se transformasse em perestroika.» Como muitos outros, Ratzinger entrou nesta onda, a partir do final da década de 70, e nunca mais fez marcha atrás.

Tudo isto e mais, incluindo link para a Declaração dos «progressistas» de 1968, neste meu «post» de 2013.

P.S. - Entretanto, alertaram-me para o seguinte que em nada altera o que digo de importante: «O secretário de Bento XVI disse que o Papa Emérito “nunca aprovou nenhum projeto de livro com assinatura dupla” com o cardeal Robert Sarah». Mas há já quem contradiga, a saga continua.
.

16.5.19

Clemente, o grande defensor da extrema-direita



Não vale a pena procurar muito longe para se encontrar uma porta escancarada para a grande direita entrar em Portugal. Com pedidos de desculpa canhestros ou sem eles. É só ler isto, do princípio ao fim.


«O Patriarcado de Lisboa partilhou nesta quarta-feira na sua página do Facebook um post que associa a coligação Basta, o Nós Cidadãos e o CDS à "defesa da vida" e onde se lê um apelo ao voto nestas três forças políticas, com duas hashtags muito claras: #euvotoprovida (eu voto pró-vida) e #avidaem1lugar (a vida em primeiro lugar). O post - um gráfico elaborado e publicado originalmente pela Federação Portuguesa pela Vida - aponta que estas são as únicas forças políticas que defendem "a vida".»
.

15.5.19

Da falta de pachorra




Tive de ir ao Google para ver quem é este ser e fiquei a saber que é o bispo do Funchal. Só não entende que autoridade julga ter para o que afirma, mas assumo tratar-se de uma OPINIÃO PESSOAL do sr. Nuno Brás. Tudo bem, estamos num país onde que há liberdade de expressão.
.

13.4.19

O Bispo do Porto morreu há 30 anos



Bispos do Porto houve muitos, mas «O» Bispo do Porto será sempre, para muitos, António Ferreira Gomes, aquele que, em Julho de 1958, escreveu uma longa e célebre carta a Salazar e que morreu em 13 de Abril de 1989.

A carta em questão, muito crítica da situação política, social e religiosa do país, deu-lhe direito a um exílio de 10 anos em Espanha, França e Alemanha, do qual só regressou em 1969, já durante o marcelismo.

É bom recordar que tinham tido lugar, um mês antes de a carta ser escrita, as eleições a que concorreu Humberto Delgado e que o país se encontrava ainda em grande agitação. Para muitos, sobretudo católicos, a conjugação destes dois acontecimentos – eleições com Delgado e carta do bispo do Porto – foi o verdadeiro pontapé de saída para a resistência e luta contra a ditadura durante as décadas que se seguiram.

Era difícil ter acesso ao texto da carta, mas coloquei-o online na íntegra, já há alguns anos. Trata-se de um documento histórico que não deve ser esquecido.
.

3.4.19

Brasil – Falem dos evangélicos, falem…




«“E tem um imbecil que nos anos 70 cantou que é proibido proibir. Gostaria de dar veneno de rato para ele”. E citou demonstrando ignorância sobre a história da música brasileira, já que a canção é e 68. A missa tinha um tom comemorativo ao Golpe Militar de 64 e contou com a presença de Joseita Brilhante Ustra, viúva do coronel Brilhante Ustra, coronel do Exército Brasileiro, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército (de 1970 a 1974), um dos órgãos atuantes na repressão política, durante o período da ditadura militar no Brasil(1964-1985).»
.

27.3.19

Mandela numa magnífica história



«Quando Nelson Mandela ganhou as eleições na África do Sul, o arcebispo Desmond Tutu (que tinha com ele uma proximidade de amigo íntimo) achou por bem dizer-lhe que as camisas de padrões étnicos que ele usava eram demasiado folclóricas e de um gosto horrível. Achava que ele devia vestir-se de uma forma mais discreta, mais formal, para ser levado mais a sério. Mandela ouviu-o com toda a atenção, depois riu-se com gosto e respondeu-lhe: "Engraçado... e quem me diz isso é um homem que usa vestidinhos cor-de-rosa em público!"

Por que republico esta história, que já aqui contei antes? É simples: porque tanto serve para questões de gosto como para questões de intolerância. Não deixa de ser muitíssimo curioso que a ala mais conservadora da Igreja Católica manifeste gostar tanto das coisas definidas sem equívocos e esteja tão preocupada com os perigos da descaractarização de géneros por via da vestimenta, logo ela que desde sempre veste os seus homens com "vestidinhos cor-de-rosa" e os enfeita de rendinhas e bordados. Et pour cause...

(Nota: É bom constatar que o sentido de humor é frequentemente um denominador comum às grandes personalidades. Sem o humor, o mundo seria um lugar ainda mais tenebroso do que as camisas de Madiba.)»

(Tudo roubado à Ana Vidal no Facebook.)
.

25.2.19

Carnaval no país do respeitinho



Estamos mesmo a regressar ao país do respeitinho. Mas o tiro acabou por sair pela culatra: a imagem da Senhora da Bola será o grande sucesso do Carnaval de Torres Vedras.


(Daqui)
.

19.2.19

O privilégio da Universidade Católica



A meses de eleições várias, ninguém vai querer pegar neste tema nem com pinças. Cairiam bispos, raios e coriscos e os votos são quem mais comanda. Mas espero que, em 2020, alguém, para além de Mariana Mortágua, não deixe cair isto em saco roto.

«Em 1971, foi publicado o decreto-lei que definiu o estatuto da Universidade Católica Portuguesa (UCP), sujeitando-a à regulamentação do Estado, em paralelo com os restantes estabelecimentos de ensino particular.

No entanto, nessa lei, o Estado Novo concedeu-lhe privilégios específicos, nomeadamente a isenção de quaisquer impostos, contribuições ou custas.

Em 1976, a Constituição determinou o princípio da arreligiosidade do Estado: o Estado não pode promover uma religião, discriminar ou privilegiar em função dela. Ou seja, a Igreja Católica é maioritária em Portugal, mas a sua relação com o Estado passou a ser regida pelas mesmas leis que enquadram as outras confissões.

Apesar disto, em 1990 é aprovado um decreto-lei que mantém o anterior regime de privilégio da UCP, aprofundando-o. Foi-lhe atribuída total autonomia, consagrado o princípio do apoio estatal, e foi prorrogado o regime de total isenção de impostos (sem que a lei tivesse ido ao Parlamento). Os responsáveis por este regime foram Cavaco Silva, Miguel Beleza e Roberto Carneiro, os três com ligações à UCP. Fizeram-no enquanto criavam as propinas nas universidades públicas.

Desde então, apesar da Lei da Liberdade Religiosa e da revisão da Concordata, a UCP tem beneficiado do desconhecimento de muitos e da cumplicidade de alguns para manter o seu privilégio. Cobra propinas de privada, mas não paga impostos como a privada. Exige ser pública, mas não é, porque é confessional e porque cobra propinas de privada.

Nada que demova o seu reitor, Braga da Cruz, de se desdobrar em declarações públicas, exigindo mais apoios. Em 2006 acusou o Estado de concorrência desleal por querer instalar um polo universitário público em Viseu. Em 2008 lamentou a falta de apoios à UCP, que presta um serviço de formação "apoiada em valores cristãos". Em 2012 afirmou que não podia ser o Estado a ter a "obrigação quase exclusiva de financiar a universidade [pública]" e elogiou o "corajoso aumento de propinas para o nível do custo real" do Reino Unido. Em 2011 admitiu fazer queixa à Comissão Europeia porque a oferta pública, a "concorrência", tinha subido 20% nos últimos 30 anos.

Não ponho em causa a qualidade desta universidade, nem o seu direito a ser católica. Não me surpreende que exija mais apoios e o aumento das propinas públicas está a proteger o seu negócio. Mas uma coisa é certa: a única concorrência desleal é em favor da UCP, beneficiária de um regime que não cumpre a Constituição (e a Concordata, já agora), e que a privilegia face aos outros estabelecimentos de ensino particular e cooperativo.»
.

21.1.19

E, não obstante, o Supremo Tribunal de Justiça viola a Constituição da República



«Quinze de Janeiro. É sempre normal, por esta data, ter lugar a cerimónia de abertura do Novo Ano Judicial e este ano não foi excepção. Com a presença dos titulares dos cargos mais importantes da República.

Este ano de 2019, em que estamos a dois meses de completar 45 anos sobre a Revolução de Abril de 1974 e 43 sobre a aprovação da Constituição da República Portuguesa. Em que em Junho passarão 18 anos sobre a publicação em Diário da República da Lei da Liberdade Religiosa.

E, não obstante, o cardeal patriarca lá estava na sessão solene, com lugar de destaque e invocação pela generalidade dos que usaram da palavra, como é também sempre normal. Ora, é precisamente a normalidade desta presença que não pode aceitar-se e nem sequer a sua habitualidade.

Portugal é uma democracia laica e, tanto quanto presumo, nenhum dos partidos representados na Assembleia da República pretende reverter esta realidade, que muito custou a alcançar a quantos lutaram contra o Estado Novo.

A Constituição da República, desde a sua primeira versão de 1976, é claríssima na consagração da separação das religiões e do Estado, sem qualquer excepção, nem sequer da Igreja Católica, num país cuja população se declara maioritariamente católica.

Determina o actual art.º 41.º, n.º 4 da Constituição que As igrejas e outras comunidades estão separadas do Estado, disposição que é repetida no art.º 3.º da Lei da Liberdade Religiosa, contida na Lei n.º 16/2001, de 22 de Junho.

Estabelece o n.º 2 do artigo seguinte (o 4.º) da Lei da Liberdade Religiosa que Nos actos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade.

Estas disposições legais são obviamente do conhecimento das mais altas instâncias nacionais e muito mais o são, naturalmente, dos titulares dos cargos mais relevantes da máquina judicial, que são os venerandos conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça. E, não obstante, todos têm feito tábua rasa dos dispositivos constitucionais atrás convocados e condescendem com a sua violação. Talvez seja por considerarem a sua violação normal e habitual ou vice-versa. Talvez.

Talvez seja eu quem está errada. Talvez. Mas, não obstante, abençoado (já que de religião se trata) erro, que me mantém a lucidez.»

.

28.5.18

Igreja, eutanásia e PCP



De repente, talvez por hoje ser 28 de Maio, dei por mim a pensar no que diria o Botas se lesse uma frase destas!
.

Despenalização da eutanásia: um testemunho de católicos



«A despenalização da morte voluntária e assistida não opõe crentes a não crentes. Numa sociedade pluralista como felizmente é a nossa, os homens e as mulheres de fé não constituem um partido ou uma força de pressão. Desde logo, porque, felizmente, o pluralismo de opiniões existe também no seu seio. E numa sociedade pluralista como felizmente é a nossa, deve ser a tolerância a imperar, cabendo à lei regular as condições de afirmação dessa tolerância. É nesse espírito que defendemos a despenalização da morte voluntária e assistida.

Somos católicos. E tomamos posição no debate sobre a despenalização da morte voluntária e assistida a partir dessa nossa condição fundamental. Assumimos que a identidade cristã não está antes de mais em códigos morais fechados mas em práticas e estilos de vida. Mais do que algo que se pensa, se sente ou se diz, o cristianismo é algo que se faz. E a vida de Jesus é o testemunho que nesse fazer prevalece o acolhimento sobre o anátema, a responsabilidade da liberdade sobre a tutela religiosa ou política.

O Deus bíblico, que se fez nosso companheiro desde os começos e desde os começos nos ama como seres de liberdade e autonomia, terá de ser amorosamente convocado como proximidade afetuosa em total respeito pela nossa autonomia e consciência, na hora em que chegar o nosso fim de vida.

É neste espírito que entendemos que, para o/a crente, apoiar ou defender a despenalização da eutanásia não significa a recusa do dom da vida. Acreditar no dom da vida é também acreditar que essa é uma dádiva de Deus a todos e todas (e não apenas a crentes) enquanto pessoas dotadas de consciência moral, de inteligência e de liberdade. A radicalidade destas três condições da pessoa humana obriga-nos a reconhecer a pluralidade de posições que diferentes pessoas podem ter perante os desafios e as dificuldades que, hoje, nos colocam o fim da vida e a morte. Porque, como escreveu o teólogo Torres Queiruga sobre o dom divino da vida, “justamente porque Deus me doou a vida a mim, é para que eu a administre. Não sou Deus mas também não sou escravo: vivo numa relação filial mas sob minha responsabilidade”. [1]

Defender a despenalização da eutanásia, tal como ela está a ser proposta atualmente no parlamento português, significa reconhecer a cada um/a, como ser moral, inteligente e livre, o direito de, em consciência e em situações de reconhecida impossibilidade de cura e sofrimento insustentável físico e psíquico, decidir sobre o fim da sua vida. Não se trata de reconhecer um direito a matar. Trata-se de reconhecer um direito a morrer de acordo com as condições que só cada um/a pode avaliar e que só cada um/a pode assumir, de forma reiterada e acompanhada, que constituem o limite da dignidade da sua própria vida.

Nada disto contraria a defesa imperativa de um Serviço Nacional de Saúde capaz de responder às necessidades de todas e de todos, nomeadamente os que se encontram em situações de doença aguda, prolongada e de sofrimento. Nada disto contraria a defesa da urgência da cobertura nacional dos cuidados paliativos no Serviço Nacional de Saúde. Nada disto contraria a necessidade urgente de reconhecer o papel dos cuidadores informais e de a sociedade e o Estado encontrarem formas de lhes proporcionar uma rede de apoio de que necessitam e lhes é devida.

Nada disto contraria o direito de cada pessoa enfrentar a doença, a degradação da sua condição física ou mental, e o sofrimento de forma estoica, digna e inelutável. Significa apenas reconhecer que o julgamento e a decisão consciente e individual perante essas condições são um direito inerente à liberdade radical do ser humano filho de Deus. É dessa liberdade que nos reclamamos. É essa liberdade que reclamamos para todos.»

[1] Torres Queiruga, A. (1998), “La eutanásia, entre la ética y la religión”, Razón y fe, 237, 373-389


.