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30.12.13

Malvados! Não bastava o Constitucional?!

28.12.13

Um ano inútil



Pessimista como quase sempre, certeiro hoje como muitas vezes, Miguel Sousa Tavares na sua crónica no Expresso:

«Não guardarei nenhuma memória particular deste ano, no que a Portugal diz respeito. Na verdade, quando passo mentalmente em revista os acontecimentos nacionais do ano, não me ocorre nada que tenha sido marcante, mas apenas acontecimentos que, em termos históricos, são irrelevantes. (...) 2013 foi um ano inútil. (...)

O objectivo político da maioria governamental para a primeira metade do ano que entra é apenas o de prolongar o estado vegetativo que vivemos em 2013. Desejam que o tempo avance sem perturbações como se esses cinco meses que faltam [para Julho próximo] não servissem para nada, a não ser para ver o tempo a passar. Não há pressa nem urgência, não há nada no calendário da acção governativa, coisa alguma importante para fazer. (...)

Não vejo que 2013, ou os dois anos e meio decorridos desde a vinda da sombria troika, tenham sido de alguma forma aproveitados para começar a mudar algumas coisas. É o mesmíssimo país, cada vez mais velho e agarrado às ilusões de sempre.» 
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Boas Festas, portugueses!



Expresso, 28/12/2013
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27.12.13

2013 e o intolerável êxodo



Há um ano escrevi este post:

A chapa que se vê na imagem está há anos na escada do meu prédio e tapa, mais ou menos atamancadamente, uma instalação eléctrica não sei bem de que tipo. Resultou de umas obras inadiáveis, decididas nessa instância absolutamente sinistra, que dá pelo nome de «reunião de condóminos».
Sempre olhei para ela de esguelha, não fosse o número da esquerda funcionar como presságio de repetição da calamidade recordada pela data da direita. 2013 não me dizia absolutamente nada, para além do temor dessa possibilidade, mas passou a dizer: seria o fim da crise, o último ano em que «os homens de negro» andariam por cá, a última vez em que não me pagariam dois meses de salário para os quais descontei durante décadas.
Hoje, parei de novo a observá-la sem saber o que pensar. Mas fotografei-a para a posteridade. Pode ser que algo de imprevisível aconteça em 2013, que seja o acordar deste pesadelo, que o Passos fuja para Angola, que o Cavaco vá viver com a Lagarde, que o Durão volte a ser maoista, que o Relvas assalte um banco… sei lá!... Mas isto há-de mudar um dia, não?

2013 está a acabar. Passos não fugiu para Angola, Cavaco não foi viver com a Lagarde, Durão não voltou a ser maoista, julgo que Relvas não assaltou nenhum banco e nós ainda não acordámos do pesadelo.

Por mais que o primeiro-ministro diga que isto já mudou para melhor, sabemos que pretende enganar-nos: não foram criados 120.000 empregos líquidos como ele afirma, a malfadada dívida é hoje mais incobrável do que nunca, os nossos benfeitores anunciam que nos esperam 15 ou mais anos de «ajustamento». Temos, sim, um entre muitos motivos para estarmos mais agrestes do que em Dezembro de 2012: aos 120.000 portugueses, jovens na sua maioria, que se viram obrigados a sair do país nesse ano, outros tantos se terão juntado em 2013. Como se a cidade do Porto e alguns arredores se esvaziassem totalmente em apenas dois anos. E isto corresponde a um retrocesso intolerável a uma situação que não esperávamos voltar a viver.

A placa da minha escada era afinal premonitória: 2013 não foi um ano mau, foi péssimo! 
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Querido, o emprego encolheu!



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26.12.13

Nem Nostradamus saberia prever



«O próximo ano não terá fim. Não terminará a 31 de Dezembro, porque a austeridade ultrapassará o ano civil e o ano fiscal. Não terminará a 30 de Junho. Não é Nostradamus que o prevê. É o FMI, o grande astrólogo dos tempos modernos, quem o diz. 2014 durará, pelo menos, entre 10 e 15 anos. O que atirará o futuro de Portugal para a próxima geração. Se tudo correr bem do ponto de vista dos astrólogos do FMI e da União Europeia. E se esta sobreviver. E se o euro não implodir. E se Portugal conseguir criar riqueza para pagar a dívida irrevogável. Ou revogável a prazo, consoante a conjugação de astros. (...) Preso pela dívida e pelo défice, mas também por uma elite política que não tem uma estratégia própria para o país diferente da que é servida nas cartilhas de Berlim e Bruxelas, Portugal continuará a viver à bolina. (...)

É possível imaginar o que será 2014 ou é tudo um exercício de probabilidades matemáticas onde as contas de sumir serão sempre mais determinantes do que as de somar? A troika sairá de Portugal ou terá cá um quarto de hotel reservado, 365 dias por ano, para veranear quando lhe apetecer? (...)

Nostradamus não teria uma resposta para um país que nem se governa nem se deixa governar. E que só tem receio. E por isso emigra. Continuamente.»

23.12.13

Notáveis da diáspora? Sem Ronaldo?



Aníbal Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Durão Barroso, António José Seguro, ministros e dirigentes de empresas em Portugal estiveram reunidos com 30 portugueses que saíram do país para (legitimamente) «ganharem o seu» e que tiveram nisso mais sucesso do que muitos milhões de compatriotas seus.

Alguns desses ilustres emigrantes, escolhidos a dedo, já tinham aparecido no último «Expresso da 1/2 Noite» e nem o que então disseram saiu do plano do puro bom senso, nem pareceram dispostos a fazer algo de extraordinário por Portugal. (E por que o fariam??? )

Por isso mesmo, não se vislumbra o que habilita especialmente estes «conselheiros de Portugal no mundo» (!???) a debaterem os três temas que terão estado em análise – «mobilidade inteligente», «financiamento alternativo das empresas portuguesas» e «discussão sobre se Portugal está pronto para o futuro» –, nem se percebe a importância dada à sessão por todas as forças supremas do país, a não ser por um provincianismo tristemente pacóvio de que não conseguimos libertar-nos.

E já agora: o Ronaldo terá sido convidado? Há alguém que venda melhor Portugal?

Quanto à foto de família, ela é elucidativa e deve ser guardada para memória futura: estão lá (quase) todos e nada faz crer que nos livremos deles tão cedo. Mas não resisto a copiar para aqui um comentário que o meu amigo João Batata fez no Facebook: «Reconhecem que é Penalti. Estão todos com as mãos a defenderem-se da bolada!» 
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Um Governo avestruz



... mas que não corre, nem consegue eliminar os parasitas.

«Diz-se que a avestruz esconde a cabeça quando se sente ameaçada. Olhando para o Governo não seria difícil descortinar nele o perfil desta avestruz mítica, que teria medo não da sua sombra, mas do país que pretende moldar ao seu modelo.

Não é assim na realidade. Poderosa, a avestruz corre a mais de 70 quilómetros por hora, o que lhe permite fugir a qualquer predador, mesmo que ele seja o Tribunal Constitucional ou o PS. Os especialistas dizem que a avestruz coloca a cabeça na areia para que a temperatura desta elimine os parasitas ou para passar despercebido. Esta tese tem mais a ver com o actual Governo. A sua postura de avestruz tem mais a ver com esta versão mais moderna.»

Fernando Sobral, no Negócios de hoje.
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22.12.13

Porque (ainda?) temos um Estado de direito



«Nunca um Governo teve tantos diplomas relevantes para a sua governação chumbados. É difícil perceber qual a verdadeira razão que leva o Governo a insistir em desrespeitar a Constituição que jurou respeitar. O mais provável é ser uma combinação de negligência, vontade de afrontar o texto constitucional, desprezo pelo órgão fiscalizador e desconhecimento do papel da lei fundamental numa democracia. (...)

Não há uma única Constituição duma democracia liberal que consinta na suspensão do princípio da igualdade, confiança ou proporcionalidade em função dum problema económico. Ou seja, que consinta a suspensão do Estado de direito.

Eu sei que já cansa repetir, mas, pelos vistos, há quem não tenha ouvido ou não queira ouvir: não têm sido normas constitucionais promovidas pelo ambiente revolucionário (que aliás há muito foram retiradas da Constituição nas suas várias revisões), nem delírios esquerdistas, que têm suportado as deliberações do TC, são princípios comuns a todas as democracias e Estados de direito.»

Pedro Marques Lopes
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21.12.13

Acordos e seus porquês



José Pacheco Pereira, no Público de hoje, a propósito do acordo Governo-PS sobre o IRC. E não só. 

«É que o acordo sobre o IRC não é sobre o IRC. O IRC, repito, foi o pretexto. Aliás, a pergunta mais simples a fazer, a óbvia, aquela que a comunicação social, se não estivesse subjugada à agenda e aos termos dessa agenda do poder político dominante, faria é esta: por que razão é que um acordo deste tipo não veio da Concertação Social, mas de conversações entre os dois partidos? Por que razão é que o Governo nunca esteve disposto a fazer este tipo de cedências diante da CCP ou da UGT, já para não dizer da CIP e da CGTP, mas está disposto a fazê-lo com o PS? Ou, dito de outra maneira, que vantagem tem o Governo em fazer este acordo com um partido da oposição e não com os parceiros sociais? Ou ainda melhor: o que é que o PSD e o CDS obtiveram do PS que justificou este remendo, aliás, pequeno e de pouca consequência, na sua política? É que, convém lembrar, o Governo não precisava do voto do PS para passar esta legislação, e é por isso que o único ganho de causa é o do Governo. (...)

O PS de Seguro mostrou que não é confiável como partido da oposição e que ou não percebe o sentido de fundo da actual política de “ajustamento”, de que este abaixamento do IRC é um mero epifenómeno, ou, pelo contrário, percebe bem de mais e quer ser parte dela. Inclino-me, há muito, para a segunda versão. Seguro e os seus criaditos diligentes estão ali para servirem as refeições aos que mandam, convencidos que as librés que vestem são fardas de gala num palanque imaginário. Vão ter muitas palmas e responder com muitos salamaleques.» 
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13-0, resultado sem dó



«Ontem, no meio da multidão do constitucionalismo, ninguém fez uma conta simples: 13 a 0. Era o essencial do assunto. O Tribunal Constitucional tem de subordinar as leis à Constituição. O TC são dez juízes escolhidos pelos partidos e três pelos próprios juízes - se as votações são renhidas pode suspeitar-se de que o partidarismo teve alguma influência. Mas se a votação for unânime, uma coisa é certa: quem fez a lei é um nabo incapaz de prever o óbvio. Como um chumbo atrasa e prejudica o País, esse governante que nem sabe ver uma obviedade deve ser apontado. O 13 a 0 era para ser dito e passar a outro assunto, 13 a 0 é um resultado sem dó.» 

Ferreira Fernandes

19.12.13

Mais depressa se apanha um Crato do que um coxo




Ontem:
- Evidentemente que a Escolas Superiores de Educação e as Universidades têm características diferentes e critérios de exigência muito diferentes. (...)
- Mas a sua dúvida incide sobre os licenciados nas escolas Superiores de Educação?
- A minha dúvida, neste caso concreto de que estou a falar, que é a preparação, incide sobre esses casos.



(Entrevista na íntegra aqui. Percebe-se perfeitamente que Crato se está a referir às ESE.)

Hoje:
Nuno Crato nega ter criticado politécnicos.

O destino marca a hora e futuro não tem nome



«Não há segredos que o tempo não revele, escreveu o dramaturgo francês Racine, e por isso estou convencido de que vamos ter de esperar seis meses, alguns dias, várias horas e ainda uns tantos minutos para sabermos onde vai estar Paulo Portas quando o relógio que marca a contagem decrescente para a saída da troika chegar ao zero.

Por essa altura, o mais provável é que o tal relógio, caso ainda exista, assinale a entrada de Portugal na hora Mario Draghi. Ou seja, o momento em que entrarmos no programa cautelar, que ainda é a melhor hipótese de nos safarmos do enorme bico-de-obra em que estamos metidos. (...)

O tempo é uma ilusão, lembrava ainda Einstein, e por isso quem quiser que cultive as suas. Basta não ter um pingo de vergonha na cara. O relógio da contagem decrescente é uma brincadeira de mau gosto e uma desconsideração para com os sacrifícios dos portugueses que Paulo Portas elogia, no seu nacionalismo de loja chinesa. Porque transforma a crise num espectáculo e cria a ilusão de uma saída que não existe.

O destino marca a hora e o futuro não tem dono, cantava Tony de Matos quando a televisão era a preto e branco e já havia relógios digitais, mas só nos foguetões que iam para a Lua que víamos partir na televisão quando chegava ao fim a contagem decrescente em inglês.»  

(O link pode funcionar ou não. Com o Público online, agora, isso depende de várias circunstâncias...) 

P.S. - E por falar em Tony de Matos...
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18.12.13

Que pretende provar a prova (dos professores, claro)?



O jornal i divulga excertos da prova de avaliação, que os professores deviam ter feito hoje e que foi justissimamente boicotada por muitos. Mas para além desta luta contra mais uma teimosia governamental, tão absurda como tantos outras, vale a pena dar uma vista de olhos às perguntas.

Copio uma, a título de exemplo, mas qualquer das outras servia para o efeito:

Item 30
No relatório de uma escola, uma refeição completa inclui: sopa, prato principal, sobremesa e bebida. O relatório disponibiliza uma variedade de sopa, quatro pratos principais diferentes, três variedades de sobremesa e dois tipos de bebida.
30. Qual é o número de refeições completas que estas disponibilidades permitem obter?
(A)24 (B)15 (C)12 (D)9

Confesso a minha perplexidade. O que é que se pretende averiguar especificamente quanto à capacidade dos candidatos para serem PROFESSORES? Chegados a este ponto, por que motivo não devem os médicos responder exactamente às mesmas perguntas, por exemplo para acederem à especialidade? Os militares para não acertarem tiros fora do alvo? Ou os candidatos a deputados para termos a certeza de que têm um QI razoável e que treinaram bastante nos «Descubra as diferenças» dos jornais?

Se a prova serve apenas para eliminar uns milhares de pessoas, era mais honesto recorrer a rifas ou, sei lá..., à velha lengalenga infantil: «Um dó li tá / Cara de amendoá / Um segredo coloreto / Quem está livre, livre está.» Em vez de humilhar e torturar seres humanos.
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14.12.13

Decência


@René Magritte

«Hoje, quando, em cima de tudo o resto. vejo tranquilamente discutirem a descida de salários no sector privado, e o Governo ensaiar a pose heróica de "resistir" a mais uma imposição da troika, acho que perderam mesmo a vergonha. Já não é de economia que se trata, mas de decência. Quando vejo o grupo Pingo Doce a anunciar que vai oferecer cabazes de produtos alimentares aos seus funcionários que descobriu estarem a passar fome – ou seja, que lhes vai dar uma esmola em vez de subir os salários que recebem – e ainda oiço o seu patrão pregar lições de austeridade, de bom governo e de patriotismo aos que vivem do trabalho e aqui pagam todos os seus impostos, eu, sem me imiscuir nas crenças ou descrenças de quem quer que seja, acho que o Papa Francisco devia convocar para a Santa Fé uma cimeira dos grandes patrões e banqueiros do sistema capitalista mundial, da Holanda à China, e dar-lhes uma lição de moral, já nem digo sobre os valores cristãos que tantos apregoam, mas sobre simples valores de vida civilizados. Que eles há muito dispensaram de praticar.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso de hoje.
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8.12.13

Cada governo tem o Maçães que merece



A não perder: a crónica de Pedro Marques Lopes, no DN de hoje.

«Há quem tenha ficado muito revoltado, chocado até, com a posição assumida pelo secretário de Estado da Integração Europeia, Bruno Maçães, numa mesa redonda sobre "governância económica e crise europeia", em Atenas. Em termos muito simples, este cavalheiro, representando o Estado português, mostrou total alinhamento com as posições alemães e contra qualquer tipo de iniciativa, dos países mais afectados pela crise, para encontrar uma alternativa. Mais tarde, quando acusado de ser mais troikista que a troika, mais alemão que os alemães e fanático da velocidade do ajustamento, veio para uma rede social orgulhar-se de assim ser tratado.

Ora, eu acho que o ex-autor de discursos de Passos Coelho merece ser elogiado. Não pelas posições expressas, mas pela maneira clara e desassombrada como exprimiu a posição do Governo português e as convicções políticas e ideológicas de quem nos governa.

Bruno Maçães, um dos principais ideólogos do primeiro-ministro, fez cair todas as máscaras. Não é que já não suspeitássemos, mas agora ficou absolutamente claro que o Governo não negoceia com a troika. Ou melhor, negoceia mas dentro do espírito "tu dizes mata, e eu esfola". Hoje, estes liberais de badana devem estar a esconjurar Gaspar, esse traidor que não percebeu o sentido da História.

Espero que agora não exista mais discussão sobre o porquê do Governo ter aplicado o dobro da austeridade contratada no memorando. Nem sobre se o primeiro-ministro queria dizer outra coisa quando afirmou que este seria sempre o seu programa, mesmo sem memorando. Ficou cristalino que aquilo de ir para além da troika não foi um "erro de comunicação". Era mesmo assim. E às tantas até foi escrito pelo Maçães.»

Continuar a ler aqui
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