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23.11.18

O inverno de Bolsonaro



«Uns 1100 anos antes de Cristo, reza a lenda, a Odisseia, a Ilíada e a Eneida, os troianos perderam a guerra ao permitir que um presente grego, em forma de cavalo cheio de soldados inimigos, entrasse na sua fortaleza.

Em 1812, reza a história, Napoleão fracassou, menos pela força do exército rival e mais pelos rigores do inverno, na ambiciosa invasão à gelada Rússia.

O tempo o dirá, mas o Cavalo de Troia ou o General Inverno de Jair Bolsonaro pode chamar-se "médicos cubanos".

Na semana passada, Havana resolveu abandonar a versão brasileira do Mais Médicos, um programa iniciado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff para abastecer cidades necessitadas de profissionais de saúde, por discordar dos termos propostos pelo presidente recém-eleito para manter o acordo.

Desde que, em campanha, o então candidato Bolsonaro atacara o regime do país caribenho que o fim da participação cubana no programa já era dado como provável, mas foram as condições impostas já depois da eleição que precipitaram o fim da relação.

"Condicionámos a continuação do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje a maior parte destinada à ditadura e à liberdade para trazerem as suas famílias, infelizmente, Cuba não aceitou", disse Bolsonaro, pelo Twitter, a sua forma de comunicação preferida, tal como do seu presidente preferido.

Ora, os perto de nove mil médicos cubanos prestavam serviços em cerca de 1600 municípios atendendo um total estimado pelos especialistas em 28 milhões de brasileiros.

O caso preocupa essas populações - cerca de três vezes Portugal - mas também os prefeitos das cidades e os governadores dos estados, muito deles falidos, agora com mais um problema sério para resolver porque os médicos locais não se mostram entusiasmados com a hipótese de irem para os rincões isolados no Brasil profundo.

Na imprensa, brotam entretanto relatos de clínicos cubanos exemplares, adorados pelas suas comunidades, e de doentes crónicos que, ao perderem o atendimento regular, correm agora risco de vida.

Como em intervenção na Câmara dos Deputados em 2013, logo após o início do programa, Bolsonaro o chamou de "Maus Médicos" e criticou a possibilidade de os profissionais trazerem as suas famílias para o Brasil "infestando o país de agentes cubanos perigosos para a democracia", tomemos como falsos aqueles pretextos no tweet presidencial para provocar o cancelamento do acordo.

Nesse caso, o presidente eleito preferiu prejudicar 1600 municípios e 28 milhões de compatriotas em nome da sua aversão ao (indefensável) regime cubano. Depois de anos a criticar a política externa brasileira do PT, baseada, segundo o próprio, "em critérios ideológicos", Bolsonaro usa um critério ideológico para provocar o encerramento de um programa útil ao país.

Tomemos agora o tweet presidencial como verdadeiro, ou seja, assumamos que a sua preocupação com o salário e as famílias dos médicos cubanos é genuína. Nesse caso, em nome do bem-estar de nove mil cidadãos estrangeiros, Bolsonaro não se importa de pôr em risco a saúde de 28 milhões de compatriotas?

Ninguém está livre de cometer erros. Os troianos foram ingénuos, Napoleão temerário. Sucede que, segundo Homero e Virgílio, os primeiros governaram a Anatólia por séculos e só perderam a guerra com os gregos depois de dez anos de árduas batalhas. E o segundo, antes do desaire russo, conquistara meia Europa e colocara o seu nome na história universal.

O drama de Bolsonaro é que o seu inverno pode ter começado um mês e meio antes de tomar posse.»

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26.11.16

A pérola jornalística do dia



Não é montagem: telejornal das 13h, hoje na TVI.
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Música para este dia



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Fidel Castro



O Facebook tem um sem número de posts em que é afirmado que a morte de Fidel marca o fim do século que passou. Não é mais do que uma maneira politicamente correcta de não tomar posição sobre o seu desaparecimento. Faço o mesmo, mas recordando que o século XX já acabou há 10 meses e 25 dias.

E o melhor comentário que li até agora foi este: «Há abaixo-assinados a correr na Coreia do Norte e na Guiné-Equatorial, solicitando a visita de Marcelo Rebelo de Sousa». E a rainha de Inglaterra que se cuide.
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9.11.16

Eleições EUA: receios colaterais



Receios em Cuba por causa da eleição de Trump, pelo que leio. E como sou má, interrogo-me: será que Marcelo ainda pediria uma visita privada a Fidel se fosse a Havana amanhã? 
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14.8.16

Fidel Castro tristemente imutável



São no mínimo lamentáveis os termos em que Fidel Castro se referiu à Rússia e à China (e só a estes países), com o pretexto de criticar o discurso que Obama fez recentemente no Japão.


Rússia e China (ainda) faróis do mundo? Não havia necessidade… 
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20.4.16

Há 55 anos, a Invasão da Baía dos Porcos



A Invasão da Baía dos Porcos foi uma tentativa frustrada de invadir o sul de Cuba empreendida em Abril de 1961 por um grupo paramilitar de exilados cubanos anticastristas e dirigido pela CIA, com apoio das forças armadas americanas. O objetivo da operação era derrubar o governo de Fidel Castro.

O plano foi lançado em Abril de 1961, menos de três meses depois de John F. Kennedy ter assumido a Presidência dos Estados Unidos. A acção terminou em fracasso. As forças armadas cubanas, treinadas e equipadas pelas nações do Bloco do Leste, derrotaram os combatentes do exílio em três dias e a maior parte dos agressores rendeu-se.
(Daqui)

...Eduardo Galeano, Los hijos de los días.
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28.3.16

El hermano Obama



Texto de Fidel Castro, hoje publicado, a propósito da visita de Obama a Cuba.

«Obama pronunció un discurso en el que utiliza las palabras más almibaradas para expresar: “Es hora ya de olvidarnos del pasado, dejemos el pasado, miremos el futuro, mirémoslo juntos, un futuro de esperanza. Y no va a ser fácil, va a haber retos, y a esos vamos a darle tiempo; pero mi estadía aquí me da más esperanzas de lo que podemos hacer juntos como amigos, como familia, como vecinos, juntos”.

Se supone que cada uno de nosotros corría el riesgo de un infarto al escuchar estas palabras del Presidente de Estados Unidos. Tras un bloqueo despiadado que ha durado ya casi 60 años, ¿y los que han muerto en los ataques mercenarios a barcos y puertos cubanos, un avión de línea repleto de pasajeros hecho estallar en pleno vuelo, invasiones mercenarias, múltiples actos de violencia y de fuerza?»

Aqui, (má) tradução para português. 
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4.11.12

«Cuba en el corazón» (Manuel António Pina)



Em busca de um outro texto, tropecei numa crónica de MAP, publicada  em 2/1/2009, e   que   já não encontro online no JN. Assino-a por baixo, da primeira à última linha, e estou certa de que o mesmo acontece com muitos outros que a leiam.

«Não sei se acontece o mesmo com toda a gente: o meu coração vai sempre uns metros à frente da minha razão; quando a razão chega, já o coração – ou lá o que é – partiu de novo.

Daí que tenha às vezes a impressão de que a minha razão (e no entanto sou, até em excesso, comummente racional) preside a uma ausência.

Na vida, só em raros momentos felizes razão e coração batem unanimemente, sem ressentimentos, pois se a razão é complacente, poucas vezes o coração se submete às considerações da razão.

A Revolução Cubana, que faz 50 anos, é um difícil conflito que tenho comigo mesmo. Ao longo dos anos, o meu coração, transbordante de jovens rebeldes descendo da Sierra Maestra de rifles na mão e corações limpos, sangrou com Padilla preso e humilhado (“Diz a verdade,/ diz, ao menos, a tua verdade./ Depois, deixa que qualquer coisa aconteça”), com Arrufat, Reynaldo Arenas, Raul Rivero… “La sangre, no quería verla”, e fechava os olhos.

Mas se o coração explica tudo, mesmo o inexplicável, a razão não. Cuba é hoje a recordação de algo íntegro e novo que, se calhar, nunca aconteceu senão dentro do meu coração.»

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1.4.12

Via Crucis



Quem diria que, neste ano da graça de 2012, o Vaticano se bateria, por esse mundo fora, por mais um feriadito religioso, ainda que pontual? Os cubanos poderão este ano percorrer a Via Sacra em dia próprio, certamente uma das suas grandes prioridades neste momento…. (Já os portugueses terão de esperar meses para saberem como lhes resolverá o Vaticano o transcendente dilema de deixarem de ir a cemitérios em Novembro ou a romarias em Agosto.) 

Sinto que algo me escapa mas não vislumbro o que possa ser. Desta questão, aparentemente tão importante para Bento 16, que justificou um pedido específico a Raúl Castro, espera-se o quê, num mundo mais ou menos de pernas para o ar e num país como Cuba? A gratidão por um rebuçado simbólico por parte dos católicos cubanos? Uma conversão em massa, na próxima 6ª-feira, liderada pelos últimos barbudos herdeiros do Che? Seria bonito até porque a conversão da Rússia foi chão que já deu uvas, mas…

15.8.11

Cuba, para além de um casamento exótico


Correu mundo e tem todos os ingredientes para ser notícia de sucesso: não é todos os dias que uma transexual se casa com um gay, ex-seminarista e seropositivo, com Yoani Sánchez por madrinha, exibindo-se nas ruas de Havana num magnífico carro dos anos 50, no dia em que Fidel fez 85 anos.

Mas talvez valha a pena parar um pouco e ler o que Yoani Sánchez escreveu e divulgou no seu blogue. Nada foi trivial, com talvez o seja para os nossos olhos, apenas curiosos e mais ou menos blasés.

«¿Cómo fue que los cubanos nos volvimos pacatos y anticuados? ¿Por qué motivos –o intenciones– nos quedamos fuera del siglo veintiuno?
Al “daño antropológico” de ser una sociedad apenas conectada a las nuevas redes de comunicación, de poseer una pobre cultura política y una inexperiencia casi infantil en cuestiones de expresión ciudadana, hay que agregarle la poca evolución en aceptar las diferencias que hemos tenido en los últimos cincuenta años. Pero siempre existen individuos que obligan a que una nación apriete el paso, se suba las enaguas y corra para treparse al tren de la historia. (…)
Por una tarde, por una breve tarde, [Wendy e Ignacio] han colocado a nuestro país en el tercer milenio, en el anhelado tiempo del “ahora”».

Sobretudo, leia-se esta belíssima «participação / convite» para o casamento:

La boda de Wendy e Ignacio será el próximo sábado 13 de agosto de 2011 a las 15:00 horas en el Palacio de matrimonio del barrio de la Víbora, en las Calles Maia Rodríguez y Patrocinio, teléfono +5376407004

Están invitados todos aquellos que quieran ir: amigos, conocidos, curiosos del barrio, estigmatizados y discriminados de todo tipo, paparazzis oficiales, fotógrafos por cuentapropia, bloggers, periodistas independientes, trabajadores del CENESEX –Mariela Castro incluida– prensa extranjera y nacional, homosexuales, gays, lesbianas, transexuales y heterosexuales. Tendrá las puertas abiertas también aquella gente que cree que ya es tiempo de que Cuba se abra a la modernidad y que la modernidad se abra a Cuba, incluso –¿por qué no?– quienes votarían, en un parlamento de verdad, en contra de este tipo de uniones. En fin, que sería una buena ocasión para que los tolerantes y los intolerantes, los policías políticos y sus perseguidos de cada día, los silenciosos y los que aplauden, los que se apegan a la letra del Evangelio o los que no tienen un credo, presencien este momento al que llegan Wendy e Ignacio después de superar innumerables obstáculos, entre ellos el de haber nacido en un país aferrado al pasado.
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3.7.11

O cancro de Chávez, visto das janelas de Havana


Pura filantropia?

«Para el gobierno cubano, la existencia saludable de Hugo Chávez se ha erigido como garantía para llevar las reformas económicas al ritmo y a la velocidad que no le hagan perder el control. Los 100 mil barriles de petróleo que llegan diariamente desde el país sudamericano sostienen el proceso de “perfeccionamiento” del sistema que impulsa Raúl Castro y le está permitiendo ganar tiempo frente al descontento ciudadano y la presión internacional. De ahí que cuidar a Chávez es preservar su asiento presidencial; perderlo, podría apresurar su propia caída. En las últimas semanas, la jerarquía isleña ha sentido nuevamente el vértigo del abismo en el que nos hundimos con el desmembramiento de la Unión Soviética, e intuye que no podrá sobrevivir a la pérdida de otro aliado poderoso. La vitalidad del caudillo certifica también el futuro de ellos, la debilidad de éste los hace perder sostén apresuradamente.»


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9.5.11

Até quando?


Ontem, li distraidamente um post de Yoani Sánchez e só hoje o percebi inteiramente, ao ler a notícia da morte de um opositor cubano, alegadamente em consequência de agressão policial.

Absolutamente revoltante, se a notícia for verdadeira. Até quando é que humanos continuarão a bater brutalmente noutros humanos, seja como castigo ou para provocar confissões? Quantos mais séculos e progressos civilizacionais serão necessários para que tal cesse? Não é insuportável saber-se que, ironicamente na mesma ilha, e às mãos de poderes «contrários», a apenas centenas de quilómetros de distância, existem práticas como essas em Santa Clara, em Havana e… em Guantánamo?!

Juan Wilfredo Soto García tinha 46 anos e morreu num hospital de Santa Clara - ontem, Dia das Mães em Cuba, o que explica o tal texto escrito por YS no seu Generación Y.

La crónica que no fue

Hoy iba a publicar un texto sobre el Día de las Madres, una breve viñeta donde contaba que a mi mamá le huelen las manos a cebolla, ajo y comino… por todo el tiempo que se pasa en la cocina. Tenía la idea de narrarles el gozo que me daba verla llegar a la puerta de mi preuniversitario en el campo, llevando los alimentos que le habían costado toda una semana –y grandes esfuerzos– conseguir. Pero justo cuando daba los últimos retoques a mi pequeña crónica maternal, ocurrió la muerte de Juan Wilfredo Soto en Santa Clara y todo dejó de tener sentido.

Las tonfas de los policías tienen sed de espaldas por estos lares. La violencia creciente de los uniformados es algo que se murmura en voz baja y muchos describen con detalles sin atreverse a denunciarla en público. Quienes hemos estado alguna vez en un calabozo, sabemos bien que una cosa es la propaganda edulcorada de “Policía, policía tu eres mi amigo” que repite la tele y otra la impunidad de la que gozan estos individuos con placa. Si encima de eso, el detenido tiene ideas diferentes a la ideología imperante, entonces el tratamiento será aún más duro. Los puños querrán convencerlo, ya que los escasos argumentos no lo lograrán.

No sé cómo las autoridades de mi país lo van a explicar, pero dudo que logren persuadirnos de que esta vez la culpa no ha sido de los policías. No hay manera de entender que un hombre desarmado, sentado en un céntrico parque pueda representar una gran amenaza. Lo que ocurre es que cuando se azuza la intolerancia, se alimenta el irrespeto al ciudadano y se le da luz verde a los cuerpos policiales, ocurren estas tragedias. Como la de hoy, en que una madre en Santa Clara no está sentada a la mesa que le han preparado sus retoños, sino en el oscuro salón de una funeraria velando el cuerpo de su hijo.

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1.5.11

«Cuba: Não estão sós» – Um documento divulgado hoje por vários colectivos cubanos


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Através do João Bernardo, recebi o pedido de me associar à divulgação deste texto sobre a situação em Cuba, difundido hoje por vários colectivos cubanos e outros, entre os quais o Passa Palavra.

Temos que afastar, desde a base e à esquerda, o silêncio e a auto-censura que consagram a impunidade, procurando “não fazer o jogo do inimigo”. Por coletivos cubanos, Colectivo El Libertario (Venezuela), Colectivo Actores Sociales (México) e Passa Palavra.

Terminou o IV Congresso do Partido Comunista de Cuba com a aprovação das reformas liberais (“a cada um segundo o seu trabalho”) anunciadas no âmbito económico, mas também com a redução dos serviços sociais, associados ao aumento da presença de militares e tecnocratas no aparato governamental, enquanto se reduziu por outro lado a participação dos intelectuais e dos trabalhadores.

Tanto na retórica como nos factos, a eficiência, o controle e a disciplina substituem a igualdade, a solidariedade e a participação. E com este pano de fundo se vislumbram sinais repressivos sobre o mundo cultural, que pressagiam um novo retrocesso no exercício das liberdades fundamentais para a população cubana.

Importantes artistas vêm seus nomes embargados por funcionários da cultura, convertidos em censores, que desenvolvem intensas campanhas por todo o país, difundindo falsos rumores e acusações caluniosas. Um prestigioso Centro Teórico Cultural novamente vê sabotadas suas instalações e equipamentos por ladrões que não roubam nada e os quais as autoridades não descobrem ou punem. Poetas e ativistas comunitári@s recebem a visita de agentes policiais que os ameaçam com a acusação de “contra-revolucionários” e também de os colocar diante da “ira popular”, demonstrando assim que esta última não é nem popular nem autónoma ante o poder que a dirige.

O dano à propriedade social, a difamação, a coação, além da violência física e psicológica, não são só condenáveis nos códigos penais de todo mundo, incluindo Cuba, como também manifestações de Terrorismo de Estado. Durante décadas a população cubana deu aos seus filhos e ao mundo a sua melhor energia para construir um país mais justo, com cultura, saúde, educação universal e de qualidade, apesar da irracionalidade e descrença de uma burocracia que sempre apresentou as conquistas como êxito próprio. Deixará a História como marcos do processo cubano a repressão e a mentira, no lugar do heroísmo quotidiano das pessoas? Não é justo que seja assim.

Mas para que isto não ocorra temos que afastar, desde a base e à esquerda, o silêncio e a auto-censura que consagram a impunidade, procurando “não fazer o jogo do inimigo”. As pessoas que hoje vêem sua integridade e trabalho ameaçados pelas acções das autoridades cubanas merecem nosso respeito pois as conhecemos de diferentes momentos e situações. Não são, como apresenta a propaganda oficial, mercenários da CIA, porque apenas sobrevivem com míseras rendas, como a maioria do povo cubano. Quando viajam, investem seus escassos recursos na difusão de sua criação humanista e na aquisição de materiais para continuar seu trabalho, por um país mais culto e livre. Quando recebem nossa ajuda (em forma de um DVD, de tintas ou de uma colecção) é o apoio solidário de trabalhadores, trabalhadoras, artistas e estudantes, que em nossos países também enfrentamos políticas neoliberais e autoritárias do capitalismo, estruturadas em Seattle, México DF, Paris, Caracas, São Francisco e Buenos Aires.

Quão longe estão nossos companheiros daqueles burocratas que percorrem comodamente o mundo em Campanhas de Solidariedade, pagas com o dinheiro do povo cubano, e que na primeira oportunidade escapam para Miami e aparecem arrependidos nas televisões como “lutadores da liberdade”! Que diferente de certos intelectuais “amigos de Cuba” que, ingénuos ou atarefados, confundem os ideais da revolução com as políticas do Estado cubano e negam aos companheiros cubanos os mesmos direitos que reclamam (e até desfrutam) nos seus regimes de democracia burguesa! Que superiores, em obra e espírito, daqueles reformistas autorizados que, envernizando com teoria, justificam cada mudança do regime cubano e fazem (pseudo) críticas abstractas sempre vislumbrando a boa vontade do poder!

O único pecado dos nossos companheiros cubanos é ousar pensar (e transformar) a realidade deles sem esperar as promessas do Estado-Pai nem o Canto de Sereia do Capital global. Crêem em uma vida mais plena, em comunidade, onde o livre desenvolvimento de cada um é condição e medida do livre desenvolvimento de todos. Seus diálogos e aprendizados com nossa lutas altermundistas, piqueteiras e zapatistas, têm expandido seus horizontes e nos permitiram também aprender com seu legado histórico de erros e resistências populares. Representam o legado mais vivo e belo da Revolução cubana, que resiste à morte sob o câncer da burocracia. São marxistas, anarquistas, libertários, martianos, humanistas, feministas, ecologistas, comunitaristas… mas, sobre todas as coisas e qualificações, são pessoas decentes, que têm colocado sua vida em risco e a serviço dos demais. Por isso não os deixemos sós.

Sabemos que as forças da dominação são poderosas, que controlam os cacetetes, o ciberespaço, os castigos, os prémios, os amedrontados e os explorados. Mas nós temos a vergonha e a esperança, contra a qual, como demonstram as rebeliões populares e anti-imperialistas de todo o mundo, não há poder despótico que vença. Tomara que exista na mente dos censores e policiais uma lembrança do compromisso original com o povo cubano que os levou ao poder; mas se isto não acontecer, estamos dispostos a lançar a mais poderosa campanha de solidariedade com todos os recursos da legalidade e da opinião pública progressista mundial. Sabemos que os inimigos estão alertas, que eles não tenham a menor dúvida: Nós também.

Por coletivos cubanos, Colectivo El Libertario (Venezuela), Colectivo Actores Sociales (México) e Passa Palavra.

O mural Cuba Colectiva foi realizado por um grande número de artistas, sob a iniciativa do célebre pintor cubano Wifredo Lam, para o Salão de Maio, em 1967.
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