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1.7.25

Salgueiro Maia

 


Ainda lhe faltavam uns meses para chegar aos 30 no 25 de Abril. Faria hoje 81.

«Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!»
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30.4.25

Isto estava a pedir um apagão

 


«𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐚𝐦𝐚𝐧𝐡ã à 𝐭𝐚𝐫𝐝𝐞 𝐚𝐬 𝐜𝐞𝐧𝐭𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐬𝐢𝐧𝐝𝐢𝐜𝐚𝐢𝐬 𝐟𝐞𝐬𝐭𝐞𝐣𝐚𝐫𝐞𝐦 𝐨 𝐃𝐢𝐚 𝐝𝐨 𝐓𝐫𝐚𝐛𝐚𝐥𝐡𝐚𝐝𝐨𝐫, 𝐓𝐨𝐧𝐲 𝐂𝐚𝐫𝐫𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐫á 𝐚 𝐜𝐚𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐧𝐨𝐬 𝐣𝐚𝐫𝐝𝐢𝐧𝐬 𝐝𝐨 𝐏𝐚𝐥á𝐜𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝐒. 𝐁𝐞𝐧𝐭𝐨, 𝐫𝐞𝐬𝐢𝐝ê𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐨𝐟𝐢𝐜𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐩𝐫𝐢𝐦𝐞𝐢𝐫𝐨-𝐦𝐢𝐧𝐢𝐬𝐭𝐫𝐨. 𝐄𝐫𝐚 𝐝𝐢𝐟í𝐜𝐢𝐥 𝐚𝐫𝐫𝐚𝐧𝐣𝐚𝐫 𝐦𝐞𝐥𝐡𝐨𝐫 𝐦𝐞𝐭á𝐟𝐨𝐫𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐢𝐥𝐮𝐬𝐭𝐫𝐚𝐫 𝐨 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐢𝐬𝐭𝐨 𝐜𝐡𝐞𝐠𝐨𝐮. 𝐒𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐞𝐬𝐭ú𝐩𝐢𝐝𝐨 𝐚𝐜𝐡𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐬ó 𝐨 𝐙𝐞𝐜𝐚, 𝐨 𝐅𝐚𝐮𝐬𝐭𝐨, 𝐨 𝐕𝐢𝐭𝐨𝐫𝐢𝐧𝐨 𝐨𝐮 𝐚 𝐆𝐚𝐫𝐨𝐭𝐚 𝐍ã𝐨 𝐜𝐨𝐥𝐚𝐦 𝐜𝐨𝐦 𝐚 𝐟𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐝𝐚 𝐋𝐢𝐛𝐞𝐫𝐝𝐚𝐝𝐞, 𝐞 𝐬𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐢𝐠𝐮𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐞𝐬𝐭ú𝐩𝐢𝐝𝐨 𝐚𝐜𝐡𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐟𝐚𝐝𝐨 é 𝐟𝐚𝐬𝐜𝐢𝐬𝐭𝐚, 𝐜𝐡𝐚𝐦𝐚𝐫 𝐮𝐦 𝐜𝐚𝐧𝐭𝐨𝐫 𝐫𝐨𝐦â𝐧𝐭𝐢𝐜𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐝𝐚𝐫 𝐯𝐨𝐳 𝐚𝐨 𝟐𝟓 𝐝𝐞 𝐀𝐛𝐫𝐢𝐥 é 𝐚𝐬𝐬𝐮𝐦𝐢𝐝𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐦𝐞𝐱𝐞𝐫 𝐜𝐨𝐦 𝐨 𝐞𝐬𝐩í𝐫𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐜𝐨𝐢𝐬𝐚. 𝐀 𝐫𝐞𝐯𝐨𝐥𝐮çã𝐨 é 𝐦𝐨𝐯𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐞 𝐦𝐮𝐝𝐚𝐧ç𝐚, 𝐨 𝐫𝐨𝐦â𝐧𝐭𝐢𝐜𝐨 𝐭𝐞𝐧𝐝𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨 𝐭𝐫ô𝐩𝐞𝐠𝐨.»

Â𝐧𝐠𝐞𝐥𝐚 𝐒𝐢𝐥𝐯𝐚 𝐧𝐚 𝐍𝐞𝐰𝐬𝐥𝐞𝐭𝐭𝐞𝐫 𝐝𝐨 𝐄𝐱𝐩𝐫𝐞𝐬𝐬𝐨, 𝟑𝟎.𝟎𝟒.𝟐𝟎𝟐𝟓.

28.4.25

Televisões e 25 de abril: mais vale ser o homem que morde o cão

 


«Na sexta-feira, estive, como todos os anos, na descida da Avenida da Liberdade, em Lisboa. Para além do desfile do ano passado, em que se assinalava meio século de democracia e a extrema-direita acabara de eleger 50 deputados, terá sido o maior de sempre. Enquanto descia avenida, disseram-me que havia problemas no Martim Moniz e no Rossio e que era a isso que as televisões estariam a dar cobertura. Fui ver os sites e, estando no meio da multidão que enchia toda a avenida de forma mais compacta do que o habitual, tive uma sensação de irrealidade: quase todos abriam com uma manifestação de umas poucas dezenas de pessoas.

Nas televisões, vi depois, muitas dezenas de milhares de pessoas dividiam o ecrã com umas poucas dezenas de indivíduos, como se as duas realidades representassem uma sociedade polarizada, esse vício televisivo que molda o debate político. Quando chegaram os noticiários das 20h00, os apresentadores das duas televisões privadas falaram do desfile, mas a ação de uns poucos criminosos teve primazia no alinhamento. As muitas dezenas de milhares que ali representaram o sentimento da esmagadora maioria do País eram assunto secundário.

O ódio e a violência levaram, mais uma vez, a melhor. Porque geram mais curiosidade. Ou tração, como se diz hoje. Quem já organizou manifestações onde podem vir a existir problemas sabe que basta um desordeiro para se sobrepor à palavra de milhares. Que nenhuma televisão filma a festa se houver uma fogueira. O que a extrema-direita percebeu, nas redes e na comunicação social, é que isso é transponível para toda a sociedade.

Perante este ambiente, Rita Matias até se sentiu à vontade para defender os que agrediram dois polícias liderados, entre outros, por um tipo que se terá de apresentar brevemente numa penitenciária. A deputada do Chega criticou a atuação “excessiva” da PSP. O amor à ordem, a recusa de qualquer desobediência à autoridade e a defesa da polícia tem dias, tons de pele e filiações partidárias.

Há uma velha regra absurda entre os jornalistas: notícia é quando o homem morde o cão. A confusão entre notícia e novidade é natural, mas perigosa. Se o jornalismo pretende aproximar-se da realidade precisa de estar atento ao que é novo, mas continuar a distinguir o que é relevante, primeiro, e o que é representativo, depois. Até porque a forma como a comunicação social representa a realidade molda a própria realidade. E há o risco de, com este espelho destorcido, as pessoas se convencerem que vivem num mundo onde, em geral, os homens mordem os cães e queiram, por isso, começar a pôr açaimes nos homens.

A extrema-direita cresce por muitas razões. Mas a comunicação social, e em especial as televisões, têm dado um forte contributo. Não é por falarem dela. Muito menos por falarem dela quando representa quase um quinto dos eleitores. É porque lhe dão um destaque desproporcionado – Ventura tem, quase todos os meses, mais tempo de antena televisivo do que o líder do maior partido da oposição.

As televisões são negócio. Depois de muita exposição, o grotesco normaliza-se e deixa de funcionar. A gritaria de Ventura está a ficar repetitiva. A tendência é procurar produtos novos mais impactantes, dando-lhes, também a eles, um destaque desproporcionado que os vai amplificando e banalizando. Não é jornalismo, é audiência. São coisas diferentes porque, como aprende qualquer jornalista, interesse público não é o mesmo que interesse do público.

A verdade é que as televisões preferiram umas dezenas de delinquentes nazis a muitas dezenas de milhares de democratas. Claro que, depois, organizam-se muitos painéis de debate para perceber o crescimento da extrema-direita. Mas não vale a pena perguntarem como isto acontece, quando mais do que cúmplices, são promotoras. E o efeito mais perverso nem é o da promoção. É o prémio. Na sexta-feira, foi dado um recado a quem esteve naquele desfile: a utilização pacífica e feliz dos instrumentos democráticos é pouco telegénica. A violência é que compensa. E estes movimentos já perceberam como pôr o “sistema” que tanto fingem criticar a trabalhar para eles. Há que saber morder o cão quando as câmaras estão por perto.»


24.4.25

Quarenta e sete anos, dez meses e vinte e quatro dias depois

 


«A cidade apareceu ocupada e radiosa. Deparámos com colunas militares, inundadas de sol; e povo logo a seguir, muito povo, tanto que não cabia nos olhos, levas de gente saída do branco das trevas, de cinquenta anos de morte e de humilhação, correndo sem saber exactamente para onde mas decerto para a LIBERDADE!

Liberdade, Liberdade, gritava-se em todas as bocas, aquilo crescia, espalhava-se num clamor de alegria cega, imparável, quase doloroso, finalmente a Liberdade!, cada pessoa olhando-se aos milhares em plena rua e não se reconhecendo porque era o fim do terror, o medo tinha acabado, ia com certeza acabar neste dia, neste Abril, Abril de facto, nós só agora é que acreditávamos que estávamos em primavera aberta depois de quarenta e sete anos de mentira, de polícia e ditadura. Quarenta e sete anos, dez meses e vinte e quatro dias, só agora.»

José Cardoso Pires, Alexandra Alpha
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30.6.24

Salgueiro Maia, 80

 


No 25 de Abril, ainda lhe faltavam uns meses para chegar aos 30. Faria hoje 80.

26.4.24

25.4.24

25.04.1974 – Uma das minhas relíquias

 


(Francisco Sousa Tavares, Nuno Bragança, Maria Belo, eu e Pedro Tamen.)

A tarde tinha acabado, o Largo do Carmo estava já vazio, nós ficámos a andar por ali e a Liberdade também.

(Fotografia de M. de Carmo Galvão Teles)
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24.4.24

Quarenta e sete anos, dez meses e vinte e quatro dias depois

 


«A cidade apareceu ocupada e radiosa. Deparámos com colunas militares, inundadas de sol; e povo logo a seguir, muito povo, tanto que não cabia nos olhos, levas de gente saída do branco das trevas, de cinquenta anos de morte e de humilhação, correndo sem saber exactamente para onde mas decerto para a LIBERDADE!

Liberdade, Liberdade, gritava-se em todas as bocas, aquilo crescia, espalhava-se num clamor de alegria cega, imparável, quase doloroso, finalmente a Liberdade!, cada pessoa olhando-se aos milhares em plena rua e não se reconhecendo porque era o fim do terror, o medo tinha acabado, ia com certeza acabar neste dia, neste Abril, Abril de facto, nós só agora é que acreditávamos que estávamos em primavera aberta depois de quarenta e sete anos de mentira, de polícia e ditadura. Quarenta e sete anos, dez meses e vinte e quatro dias, só agora.»

José Cardoso Pires, Alexandra Alpha
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22.4.24

«Nunca pensei viver»

 


Nunca pensei viver para ver isto:
a liberdade – (e as promessas de liberdade)
restauradas. Não, na verdade, eu não pensava
– no negro desespero sem esperança viva –
que isto acontecesse realmente. Aconteceu.
E agora, meu general?

Tantos morreram de opressão ou de amargura,
tantos se exilaram ou foram exilados,
tantos viveram um dia-a-dia cínico e magoado,
tantos se calaram, tantos deixaram de escrever,
tantos desaprenderam que a liberdade existe –
E agora, povo português?

Essas promessas – há que fazer depressa
que o povo as entenda, creia mais em si mesmo
do que nelas, porque elas só nele se realizam
e por ele. Há que, por todos os meios,
abrir as portas e as janelas cerradas quase cinquenta anos –
E agora, meu general?

E tu povo, em nome de quem sempre se falou,
ouvir-se-á a tua voz firme por sobre os clamores
com que saúdas as promessas de liberdade? 
Tomarás nas tuas mãos, com serenidade e coragem,
aquilo que, numa hora única, te prometem?
E agora, povo português?

Jorge de Sena, 40 anos de servidão

21.4.24

Uma oportunidade perdida?

 


Tinham passado 10 anos quando Melo Antunes fez esta afirmação. Claro que avançámos e muito. Mas não tanto como devíamos - e podíamos.
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