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26.3.19

A internet nunca mais será a mesma




Os eurodeputados portugueses têm caras e têm nomes. Os que estão enquadrados a vermelho na imagem foram os que votaram hoje contra. A considerar na escolha do voto nas próximas Eleições Europeias.


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18.2.19

Provar do veneno no meio da tempestade



«Quando o Presidente chinês foi recebido como um herói pelas autoridades portuguesas, uma das cerimónias mais notadas foi a assinatura de 17 protocolos e acordos entre as duas partes. Havia de tudo: entre os donos e as suas empresas, fica sempre bem, como foi o caso entre a Three Gorges e a EDP ou entre a State Grid e a REN, com a particularidade que não deixa de ser notada de haver mais uma oficialização da relação estabelecida pela privatização e venda ao Estado chinês, a propriedade da energia portuguesa passa a ser uma questão diplomática; entre a CGD e o Banco da China; entre a RTP e uma congénere; com universidades para o ensino do mandarim; de exportação de uva de mesa; e, para mostrar que não se esquece a boa vontade partidária, entre as câmaras de Tinjin e de Setúbal. Mas o acordo mais importante, rubricado sob os sorrisos do nosso primeiro-ministro e do Presidente chinês, foi entre a Altice/MEO e a Huawei, o gigante chinês que está a investir na tecnologia 5G, e que assim cresceria em Portugal na base desta parceria.


Posso, quero e mando

Poucos dias depois desta feliz assinatura, a diretora financeira da empresa chinesa e filha do seu presidente foi detida no Canadá, havendo um procedimento para extradição para os Estados Unidos. A acusação, que talvez seja o que menos importa, é de violação das sanções norte-americanas contra o Irão.

O Governo dos EUA faz assim demonstração de dois poderes. O poder de perseguir criminalmente quem quer que seja e onde quer que seja em função das suas próprias decisões (a União Europeia recusou as sanções contra o Irão, em função de um acordo de que os norte-americanos se retiraram por ordem de Trump) e a vontade de preservar o controlo sobre uma tecnologia de ponta, que será decisiva para os processos de automação no futuro imediato. Alegando riscos de segurança para o seu país, os governos da Austrália, Nova Zelândia, Japão e Reino Unido anularam ou impediram os contratos com a Huawei para o fornecimento de serviços nesta área. A Universidade de Oxford rescindiu acordos com financiamentos para projetos de investigação, patrocinados pela empresa. E outros aliados de Washington seguiram o exemplo. Deste modo, o Governo português (e o francês) ficou numa posição difícil, e aliás declarou que não acompanhava as sanções contra a empresa.

A alegação norte-americana é que, tendo sido criada por um engenheiro que no passado trabalhou para as forças armadas chinesas, a Huawei é suspeita de criar portas por onde possa entrar a espionagem chinesa nos equipamentos que vende. A partir daqui, sem factos, mas com estas suspeitas, não se sabe mais nada.

Uma interpretação para este processo é que as autoridades trumpianas temem que a Huawei, que é a empresa mundial que regista mais pedidos de patentes internacionais e é desde há seis anos o maior fornecedor do mundo em comunicação móvel (200 milhões de smartphones vendidos no ano passado, 110 mil milhões de dólares de vendas de equipamentos), venha a liderar a inovação num sector estratégico e, por isso, pretende barrar-lhe o caminho usando todos os meios ao seu alcance.


Um mundo bipolar

Ora, é evidente que o controlo de tecnologias de comunicação permite um poder especial, como se verificou quando, em benefício de Trump e de outros, a Cambridge Analytica acedeu a quase noventa milhões de perfis do Facebook, que utilizou em campanhas políticas. Assim, o que está em causa não é propriamente a nacionalidade da empresa e o controlo pelo governo do partido, mas antes o facto de esse poder eventualmente se exercer na fronteira tecnológica, com riscos militares e estratégicos a prazo curto. O problema é mesmo ser tecnologia de comunicação, pois é certo que, ainda há pouco, a relação destas empresas com o Partido Comunista Chinês não pareceu impressionar muito os reguladores norte-americanos quando a Three Gorges passou a dominar a EDP, que controla a energia em Portugal e que, aliás, também tem instalações importantes nos Estados Unidos.

Este conflito tem ainda outra implicação mais vasta. Caminhamos para um mundo em que se podem vir a delimitar duas redes distintas de internet, a norte-americana e a chinesa. A Huawei já dirige redes que representam um terço da população mundial, particularmente na Ásia. A ofensiva de Washington pode portanto ser lida como um ataque preventivo. Os canhões do protecionismo disparam agora com proibições e tutela de contratos. Não deixam de ser letais. Mais uma vez, esta dupla escolha seria um desastre para a Europa.»

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30.1.19

«O que sabem os gigantes da internet sobre nós?»



José Alegria, meu ex-colega que sempre soube, e continua a saber, daquilo que fala, teve AQUI uma intervenção importante e cristalina.
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13.10.18

Os «polícias» da net



Há alguns dias divulguei aqui um vídeo sobre as condições em que, nas Filipinas, milhares de pessoas são contratadas para «limparem» a net e em que contextos terríveis e traumáticos trabalham. Alguém me disse então, no Facebook, que isso também existe em Portugal. Aqui fica a confirmação:

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23.9.18

Os empregados de limpeza da net




Se têm 40 minutos, e se são do tempo em que os animais já não falavam mas os portugueses ainda percebiam francês, dediquem-nos a esta reportagem, feita com enorme precaução e sigilo sobre os milhares de pessoas que, em Manila, nas Filipinas, fazem a limpeza da web. São empresas subcontratadas pelas grandes empresas da web nossas conhecidas incluindo, naturalmente, Facebook. Um funcionário experimentado chega a visualizar 25 mil imagens por dia, das quais uma parte significativa é eliminada: decapitações, atrocidades, terrorismo (de 37 organizações deve ser tudo eliminado), pornografia, sexo, etc. seguindo o guião que cada uma das empresas fornece. Não podem dizer o que fazem, o que ganham, onde trabalham. Muitos desistem e ficarão com sequelas psicológicas ou mesmo psiquiátricas para toda a vida.

Este trabalho é feito por denúncias e há milhões por dia. Eventualmente por meio de busca. 
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22.2.11

Já não é fácil imaginar o mundo sem internet


Na apresentação que teve lugar ontem, em Madrid, do «Relatório Anual sobre a Liberdade de Imprensa no Mundo em 2010», elaborado pelos Repórteres sem Fronteiras, Malén Aznárez, vice-presidente da secção espanhola daquela organização, salientou o papel da internet nos conflitos actuais no Mediterrâneo e, de um modo geral, nas lutas pela democracia e pela transparência. Segundo El País:

«"La red se ha convertido en un espacio en el que se pueden pedir cuentas a los poderosos en el Magreb y en otros lugares", dice Aznárez. En el caso de Egipto, la vicepresidenta resalta la importancia del asesinato, en julio, del bloguero Khaled Mohammed Said a manos de dos policías cuando salía de un cibercafé de Alejandría.

Para RSF, la Red es "en muchos países donde los medios de comunicación tradicionales están bajo el yugo de un régimen totalitario, un espacio único de discusión e intercambio de información en el que afloran a la superficie informaciones censuradas". Las redes sociales y los nuevos medios "permiten a las poblaciones volver a tomar posesión de la información y cuestionar el orden social", dice el informe, "se convierten en el lugar de concentración de los militantes a quienes se impide salir a la calle". Los militantes de Túnez y Egipto, entre otros, lograron superar el espacio de reunión virtual y, desafiando a sus regímenes, se echaron a la calle para derrocarlos.

También destaca RSF la importancia de Internet para exigir transparencia a gobiernos y otras entidades e instituciones. El informe no olvida el fenómeno Wikileaks en su informe de 2010. La web de filtraciones dirigida por Julian Assange "ha hecho temblar especialmente al mundo político" con los cables diplomáticos estadounidenses que puso en manos de cinco medios internacionales (EL PAÍS, The New York Times, The Guardian, Der Spiegel y Le Monde). Denuncia, asimismo que "ciertos países se han lanzado a una auténtica cruzada contra el sitio", especialmente EE UU. Es relevante para RSF que el cablegate ha permitido "revelar" temas importantes para la libertad de prensa como "las circunstancias" de la muerte del cámara español José Couso en Irak, "el ataque a Google, organizado por el gobierno chino o las presiones de EE UU sobre China para liberar al premio Nobel de la Paz, Liu Xiaobo".

Denuncia RSF que algunos países reaccionan a Internet con la censura de contenidos, gracias a las nuevas herramientas de filtrado, "con el peligro de que se desarrollen intranets nacionales desconectadas" del resto de Internet. También denuncia las detenciones de internautas o blogueros -116 están encarcelados, según sus cuentas, por 150 periodistas tradicionales- u otras estrategias como "la vigilancia de los internautas", "la manipulación (mediante la redirección de las entradas hacia sitios "aprobados") y ofensivas "en los foros de discusión", ahogando los mensajes críticos. En la "ciberguerra", los internautas responden a estas medidas con sus propias armas: "cifrado de los correos electrónicos, proxies y herramientas para eludir la censura cada vez más sofisticadas" o, simplemente, creando asociaciones y colectivos.

En los países desarrollados, resalta la aprobación de leyes reguladoras de Internet "en nombre de la lucha contra la pornografía infantil o contra el robo de la propiedad intelectual", y cita a España. Al contrario, destaca que "los países escandinavos siguen un camino diferente", como convertir el acceso a Internet en "derecho fundamental" o la Icelandic Modern Media Initiative (IMMI), que califica de "paraíso cibernético para blogueros y periodistas ciudadanos".»
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26.9.10

Nobel da Paz para a Internet?


Os mais distraídos talvez já tenham esquecido que a Internet está nomeada para o Prémio Nobel da Paz 2010, cujo vencedor será anunciado já no próximo dia 8 de Outubro – uma entre 237 propostas, das quais 38 dizendo respeito a organizações.

Hipóteses (poucas…) de vitória à parte, e polémicas quanto ao significado e às políticas de bastidores que estão sempre envolvidas entre parêntesis, não deixaria de ser interessante que fosse reconhecido a força e o papel que ela tem representado, nomeadamente em momentos-chave da vida de países onde os direitos humanos são espezinhados. Para dar só um exemplo: quem não recorda a importância da utilização do Twitter na repressão que se seguiu às últimas eleições no Irão?

Existe um site ligado à candidatura, onde se pode subscrever um Manifesto:

We have finally realized that the Internet is much more than a network of computers.
It is an endless web of people. Men and women from every corner of the globe are
connecting to one another, thanks to the biggest social interface ever known to humanity.
Digital culture has laid the foundations for a new kind of society.
And this society is advancing dialogue, debate and consensus through communication.
Because democracy has always flourished where there is openness, acceptance,
discussion and participation. And contact with others has always been the most
effective antidote against hatred and conflict.
That's why the Internet is a tool for peace.
That's why anyone who uses it can sow the seeds of non-violence.
And that's why the next Nobel Peace Prize should go to the Net.
A Nobel for each and every one of us.




P.S. – Cheguei a tudo isto através de Yoani Sánchez, uma vez mais impedida de sair de Cuba para participar em vários eventos, um deles relacionado precisamente com esta candidatura ao Nobel da Paz. Talvez a autorizem agora a abrir um cabeleireiro privado, mas continua a não poder passar no controlo de passaportes do aeroporto José Marti.
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23.3.10

Palmas para o Google?


A notícia é conhecida e amplamente divulgada: depois de muitas ameaças e de alguns pré-anúncios, o Google recusou submeter-se à censura imposta pelas autoridades de Pequim, tendo estado, na origem próxima desta decisão, ataques de hackers a alguns dos seus servidores. Pelo meio, alguns protestos e tentativas de conciliação, como uma carta de internautas dirigida ao governo chinês e à direcção do Google.

A partir de agora, ou se utiliza o motor de busca em inglês, ou se é dirigido automaticamente para servidores localizados em Hong Kong, com acesso a conteúdos não censurados.

Aplausos? Sim, e obviamente, porque está em causa o permanente ataque à liberdade de expressão por parte das autoridades chinesas, nunca suficientemente denunciado. Nem por isso, já que me parece haver aqui, talvez acima de qualquer outro objectivo, uma muito bem orquestrada campanha de marketing do Google.

Antes de mais, porque é óbvio que poderão ser utilizados firewalls – e sê-lo-ão - para bloquear o acesso a tudo o que até aqui foi considerável indesejável, esteja a informação em Hong Kong ou em Freixo de Espada à Cinta. Parece-me estarmos portanto perante um wishful thinking, de inocência pouco provável, quando o Google afirma esperar que o governo chinês respeite esta sua operação e não filtre a informação.

Em segundo lugar, porque se a presença do Google no mercado chinês dos motores de busca não é de desprezar (cerca de 30% segundo algumas fontes, muito menos segundo outras), a de Baidu.com é pelo menos o dobro (ocupando mesmo já o terceiro lugar a nível mundial – Wikipedia dixit). O impacto desta retirada é assim grave mas não dramático.

Finalmente, porque não há almoços grátis e esta tomada de posição traz dividendos. Na China, sem dúvida, mas também nos Estados Unidos (onde os aplausos já se fazem sentir e esta atitude pioneira impõe protagonismo junto da Microsoft e de outros) e no resto do mundo - sensível e virtuoso como sempre.

P.S. - O esquerda.net noticia detalhadamente o acontecimento. Mas tem alguma opinião sobre o assunto?

13.3.10

O mundo em rede e sem chefe?

Uma lição sobre a história da internet. Longa e só para francófonos, mas vale a pena.

12.2.10

Gmail Buzz




Tal como na antiga, «é preciso avisar toda a gente», mais concretamente quem usa o Gmail. É fácil desactivar o tal de Buzz que apareceu há dois dias: há uma opção no fim da página principal do correio.

Nem aprofundei muito o que vem descrito neste texto, mas prefiro prevenir do que trocar os dedos e permitir o que não quero.

2.1.10

A realidade filtrada














Posso assinar, jpb?

«Provavelmente, em nenhuma outra década como na que agora começou a acabar chorámos ou rimos tanto por causa de gente que achávamos que conhecíamos. Já muito se tem falado desta virtualidade, que foi uma das grandes marcas da época: nunca tivemos tanta gente ao alcance dos dedos, nunca o mundo nos entrou tanto pela casa dentro.

Mas talvez nunca tenhamos estado tão afastados dos outros e da realidade, porque só uma parte deles - e dela - nos chega pelo monitor. E essa parte é a mais segura e asséptica: não há cheiros, nem toques, nem frio nem calor, nada nos atinge sem ser filtrado.»

3.8.09

Lá se foram as esperanças de o ter como «amigo»












«Imagine um amigo que se põe aos gritos numa estação de comboios ou telefona para números aleatórios apregoando opiniões pessoais sobre questões de actualidade. Tomaria isso como uma atitude sensata? Suponha que conhece um grupo de pessoas que gosta de andar pelas ruas a interpelar desconhecidos tentando interessá-los em discussões sobre assuntos variados. Acharia isso razoável? Que responderia se lhe recomendassem um café onde se conversa sem conhecer o interlocutor? Poderá ser um diálogo equilibrado e sério?»

É isto que César das Neves pensa de «blogs, mensagens em massa, redes sociais, mundos virtuais e outros sites de interacção». E lembra «as tolices que se fizeram com os primeiros telégrafos, rádios e automóveis». A solução seria talvez continuarmos a usar fumos, como os índios, e termos de novo carros de chora nas ruas de Lisboa.

Diz algumas verdades? Certamente, mas com tão alto grau de conservadorismo e de pessimismo que a única qualidade possível é a de revelarem uma coerência pessoal indiscutível e sistemática. Num mundo «às arrecuas».

Para terminar, lá vem a grande afirmação: «A finalidade tem de ser a vida, não a Web.» Nem sei como não acaba por acusar o Facebook ou o Twitter de facilitarem o aborto, o divórcio e a eutanásia – por acaso eu estava è espera de que…

13.3.09

12.3.09

Censura, tentam eles













A organização Repórteres sem fronteiras acaba de publicar um extenso relatório «Internet Enemies», onde são detalhadamente descritas as limitações ao uso da Internet em doze países: Arábia Saudita, Birmânia, China, Coreia do Norte, Cuba, Egipto, Irão, Síria, Tunísia, Turquemenistão, Uzbequistão e Vietname. Essas limitações concretizam-se, sistematicamente, em censura de conteúdos (acabando a internet por funcionar, nesses países, como uma espécie de intranet) e repressão sobre os infractores (segundo os RSF estarão presas, por esta razão, pelo menos 69 pessoas).

Mais difíceis de controlar são as redes sociais como o Facebook ou o Twitter. Aí, a pressão exerce-se por uma verdadeira batalha de comentários, por vezes pagos, para «ocupar» espaço e influenciar opiniões.

Num outro grupo de países, a Internet encontra-se «sob vigilância»: Austrália, Bielorrússia, Bahrein, Coreia do Sul, Emiratos Árabes Unidos, Eritreia, Iémen, Malásia, Sri Lanka, Tailândia e Zimbabwe.

Assim vai o mundo neste «Dia Mundial contra a Censura na Internet».