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6.4.16

06.04.2011 – Bem-vinda, Troika



«Vale a pena relembrar o 6 de abril de 2011. Um marco que viria a condicionar a vida de todos até aos dias de hoje. (…)

Ao final da tarde, numa entrevista ao Negócios, o então ministro das Finanças deixava cair a bomba: “Perante esta difícil situação, que podia ter sido evitada, entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à atual situação política.” (…)

Cinco anos depois, a dívida pública está mais elevada, famílias e empresas continuam super endividadas e os bancos fragilizados, as contas públicas não estão controladas, o desemprego continua alto (e a subir), a taxa de poupança não para de descer e a economia teima em crescer muito pouco, ou nada. A grande diferença é que o BCE abriu os cofres e lançou sobre a economia europeia um programa de compra de dívida que permite manter os juros controlados. O Negócios escreve hoje que este programa do BCE só dura até ao final do ano.»

João Vieira Pereira, Expresso curto, 06.04.2016
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22.9.13

Era p'ra amanhã



Em Março de 2012, Vítor Gaspar fixou um dia para o regresso de Portugal aos mercados financeiros: 23 de setembro de 2013, uma segunda-feira.

Lá estaremos. Bateremos à porta dos ditos mercados, amanhã, pela fresquinha.

É p'ra amanhã / Bem podias viver hoje / Porque amanhã quem sabe se vais cá estar / Ai tu bem sabes como a vida foge / Mesmo que penses que está p'ra durar. 
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25.7.13

Pesadelo



Santos Pereira, já no Canadá:
«Que raio de sonho mais estúpido que eu tive esta noite. (...) Sonhei que era ministro da Economia.»

(Daqui)

13.7.13

Loucura, carrascos, galinha sem cabeça...



Pedro Santos Guerreiro publicou ontem, no Negócios, uma texto delirante – ou que espelha bem os delírios dos últimos dias (*).

Quer perceber o que se está a passar na política portuguesa? Ora, é fácil. É uma gaiola das malucas onde dois bêbados se encostam para não cair depois de andarem de mota no poço da morte.

Era dar-lhes um valente par de estalos. Enfim, um trambolho, é o que isto é. Uma coisa grotescómica. Palavra de jornalistas, políticos, comentadores, analistas e de uma série de personalidades com mais ou menos prestígio que vão escrevendo sobre a crise política que começou no dia 1 de Julho, com a demissão de Vítor Gaspar. Já bem depois da cena do palhaço. Quem diria? Pelos vistos, todos!

"Era uma metáfora!" Assunção Esteves bem tentava explicar-se ontem à noite, depois de ter feito uma citação, contra os manifestantes expulsos do Parlamento, de uma frase originalmente dita contra o regime nazi. "Não podemos deixar, como dizia a Simone de Beauvoir, que os nossos carrascos nos criem maus costumes". Uma metáfora. Uma metáfora? Mais uma plantada no jardim das figuras de estilo, que ganhou muitas flores desde que a crise política eclodiu. De "galinhas sem cabeça" a "bêbedos agarrados um contra o outro", diz-se e escreve-se de tudo. É a linguagem nesta crise. Ou é a linguagem desta crise. Lembra-se do palhaço? Não é preciso ir tão longe. A última semana e meia basta para estofar almofadas, umas fofas outras duras, de metáforas, imagens, metonímias, alegorias, perífrases e outras figuras de grande estilo.

"É como se dois suicidas se apaixonassem a meio da queda e acabassem por cair numa pilha de colchões", escreveu João Miguel Tavares, um dos cronistas que mais se esforçou na caracterização da crise política, "uma coisa tipo poço da morte, com os irmãos Pedro & Paulo em equilibrismos alucinados em cima de uma mota em alta velocidade". A imagem sugere alto risco. Mas também espectáculo e jogo, que habitam muitas figuras de estilo usadas por estes dias. Casino, poker, xadrez, roleta (e até roleta russa) são imagens repetidas para expressar o ambiente de negociação, de imprevisibilidade, de sorte e azar. Falando em motas: um partido numa coligação "não pode ser uma espécie de 'sidecar' sem travões nem guiador nem embraiagem", lembra Bagão Félix. Aceleremos.

Da condução, ou falta dela, escreveu ainda Fernanda Câncio, ao referir-se a um primeiro-ministro "decidido a, mesmo abandonado e traído pelo seu sagrado Gaspar, amarrar-se sozinho ao leme do barco para o levar". "Naufrágio" encontra-se aqui e ali, falando-se amiúde de "tempestade perfeita" (Manuela Ferreira Leite), imagem usada também por Pacheco Pereira: "Apesar de o Navio ser Fantasma, há uma regra básica que se aplica: os mortos não ressuscitam." Quem falou em mortos? Toda a gente. Num "ambiente digno de um funeral" (João Marcelino), "Cavaco passou a este Governo uma certidão de óbito" (Marina Costa Lobo) e agora "o Governo morreu" (Leonel Moura). Mas "o falecido Governo em funções só será enterrado em Junho de 2014. Entretanto fica insepulto a encher o país de moscas" (Sérgio Sousa Pinto). Pacheco Pereira parece concordar: "Podem vaguear pelas sombras do mundo, podem procurar um porto inexistente, podem assombrar os vivos. Mas o Governo está morto, mesmo que não esteja enterrado. Podem colocá-lo de pé com um andaime nas costas, injectá-lo com formol, pintá-lo com cera, empalhá-lo, mas morto está e vai continuar a estar."

10.7.13

Brinquedos em parque de diversões



«Em finais dos anos 60, a turma do Carrossel Mágico fazia a delícia das crianças. Franjinhas, o Saltitão, Ambrósio, o Hortelão e a Anita eram heróis simples e ternurentos. Hoje, para os mais velhos, há uma nova versão do Carrossel Mágico, interpretada por Cavaco Silva, Passos Coelho e Paulo Portas.

Como convidada especial surge Maria Luís Albuquerque. O argumento é de Merkel e a realização de Schäuble. É isso que permite que enquanto Cavaco, com pausa refrescante para o fim-de-semana, ouve todas as associações sobre se o Governo pode ou não ser remodelado assim, a Europa já aprovou o desenlace. (...)

É assim que as instituições vão criando bolor. O que custa é a irrelevância desta encenação. O Governo está desenhado e já foi sufragado pelos burocratas de Bruxelas e Berlim antes dos portugueses terem a noção do que pode mudar. O Carrossel Mágico português roda à volta do eixo vertical de Bruxelas que tudo hegemoniza. Só os políticos portugueses, ufanos do seu poder, ainda não descobriram que são apenas um brinquedo de um parque de diversões maior. Onde não têm peso nem voz. E onde apenas fazem figura de animadores de um país tutelado.»

Fernando Sobral
O link pode só funcionar mais tarde.
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Não será bem assim mas quase



E Paulo Portas figura duas vezes para o que der e vier.

(Via João Soares)
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9.7.13

Passos ou a síndrome de Estocolmo



«Mas se o manobrismo político, em estado lúdico e puro, explica Portas, só a psicologia das profundezas explica Passos. Vê-lo no sábado, articulando o conteúdo do "sólido" acordo alcançado entre os dois partidos da coligação, tendo a seu lado um Portas vigilantemente silencioso, evoca, com fulminante certeza, aquilo que o psicólogo e criminologista Nils Bejerot designou como "a síndrome de Estocolmo".»

Viriato Soromenho Marques

Pode, tudo pode



«Na política portuguesa, nunca se diga "não pode". Pode, tudo pode. Em Portugal, Cavaco pode ser Presidente, Passos pode ser primeiro-ministro e Seguro pode ser chefe da oposição. Se isso pode, como não aceitar as mais loucas bizarrias? Até digo mais, essa tempestade perfeita - Cavaco, Presidente, Passos, primeiro-ministro e Seguro, chefe da oposição - não só permite como torna desejável que os políticos portugueses se contradigam e façam o irrevogável vogar para o ponto de partida. Há nisso esbracejar, grito sôfrego, vontade de fugir do marasmo. Tudo melhor do que a angústia de termos Cavaco, Presidente, Passos, primeiro-ministro e Seguro, chefe da oposição.»

Ferreira Fernandes

Cada vez mais actual



João Abel Manta, evidentemente.
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8.7.13

O mais importante: a carta de Vítor Gaspar



Os desvarios dos últimos dias fizeram passar para segundo plano o mais importante de tudo o que foi dito ou escrito: o conteúdo da carta, objectivamente assassina e suicida, de Vítor Gaspar. Leonel Moura explicita-o bem, em texto publicado no Negócios de hoje (*):

«O governo morreu. Toda a gente o entendeu menos os defuntos. Os três defuntos, entenda-se, PSD, CDS e Presidente da República. O deplorável episódio não assinala contudo só o fim de um governo. Assistimos, na TV, ao declínio do regime que começou no 25 de Abril, contra, recorde-se, o apodrecimento do fascismo. Ao fim de quatro décadas esse regime libertador já está também ele em franco apodrecimento. Trata-se de um fracasso grave. Um fracasso da democracia. Imperdoável sob todos os aspetos. (...)

A irrelevância do Presidente da República também não deve espantar ninguém. É assim mesmo. Belém é uma casa de férias. Um retiro da reforma. Onde se quer sossego e sopas. Cavaco nunca fará nada de significativo por si mesmo. Só empurrado. E com muita força.

Sobra a carta de Vítor Gaspar. A única coisa realmente grave revelada nestes últimos dias. Dois anos após ter desbaratado milhares de vidas, reduzido o país à miséria e estagnado a economia, o autor da operação vem dizer que se enganou. Reconhecendo que a sua política estava a dar resultados opostos ao esperado. Ou seja, confessa que os portugueses foram cobaias de uma experiência que correu mal. Este ex-ministro devia ser julgado. (...)

Definitivamente, os portugueses não têm sorte. Mas também, verdade seja dita, a responsabilidade é dos próprios. Más escolhas eleitorais, baixo nível dos que seguem uma carreira política, facilitismo, pouco sentido da responsabilidade, incultura geral. A má sorte é outro nome para o atraso.» (O realce é meu.)

(*) O link pode só funcionar mais tarde.
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7.7.13

Definida a nova função de Passos Coelho




Resposta a uma pergunta óbvia desde ontem:

O cargo de vice-primeiro-ministro esvazia o de ministro adjunto do primeiro-ministro? 
Mesmo que Paulo Portas não assuma a coordenação política do Governo, hoje da responsabilidade de Miguel Poiares Maduro, o facto de passar a existir um outro coordenador para as matérias económicas vai exigir, pelo menos, que todos se dêem muito bem. Além disso, o Governo tem ainda outro ministro encarregue de coordenar o Conselho de Ministros - o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares. Passos terá de assumir a coordenação dos coordenadores. 
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5.7.13

Pessimista me confesso



Por muito que me custe – e custa mesmo – concordo quase totalmente com esta meia dúzia de linhas que Manuel Esteves escreve hoje no Negócios (*):

«O país está neste momento num beco sem saída: de um lado, a parede da Europa; do outro, o precipício. Os portugueses caminham em plano inclinado para o precipício.
A verdade é que haja um segundo programa de assistência financeira ou um simples programa cautelar, a cantiga da austeridade será a mesma. Com ou sem eleições, a política governativa será idêntica. Seja qual for a coligação governamental que resulte das eleições alemãs de Setembro, pouco mudará no que os alemães pensam e querem para nós.»

Quaisquer que sejam as decisões tomadas nos próximos dias, a curto prazo espera-nos um futuro negro porque não estão reunidas as condições para que não o seja. Melhores tempos virão porque os países não morrem (e nós já passámos por crises bem graves embora a memória seja curta), mas reservo o meu optimismo para um futuro mais longínquo. E não me ajuda, nem motiva, tentar acreditar em chavões bacocos, mais ou menos irrealistas e enganadores, só porque são politicamente correctos.

(*) O link pode só funcionar mais tarde. 
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4.7.13

Alguém tem de resolver isto


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Roleta russa apontada à cabeça dos portugueses



«O escritor espanhol Miguel de Unamuno, no seu "Portugal, povo de suicidas", escreveu: "Dizia-se e repetia-se que toda a agitação em Portugal era uma tempestade num copo de água, obra unicamente dos políticos".

A crise actual é isso mesmo: uma roleta russa jogada por políticos com uma pistola apontada à cabeça dos portugueses. Serão estes que poderão sentir o impacto final e letal. (...)

A leviandade política reinante conduziu o país, depois de dois anos de sacrifícios sem fim e sem resultados práticos, para este beco sem saída. Mas o que assusta é o desprezo com que estas manobras políticas dispensam os portugueses, como se a eles estivesse apenas reservado o papel de espectadores arruinados. Se custa ver um Governo dividido em busca de quem pode ser apresentado como culpado do desastre, pior é a sensação de que Cavaco Silva está alheado de tudo o que se passa. (...)

Vive-se um tempo em que não é este Governo que está podre. É este regime e esta elite que em vez de governar Portugal se governa a si própria. Como tem feito de forma constante nos últimos séculos. É assim que Portugal se suicida. Ou alguém o suicida.»

Fernando Sobral
O link pode só funcionar mais tarde.
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3.7.13

Palhaços! Respeitem-nos



Já que nem arrisco qualquer condenação em tribunal, digo e repito que o comportamento dos responsáveis dos dois partidos do governo, nas últimas 48 horas, só me merece um qualificativo: PA-LHA-ÇOS! Desamparem a loja, rua que se faz tarde. Respeitem-nos. 

(Sem ofensa para os verdadeiros palhaços, obviamente.) 
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Regressa Mohammed, estás perdoado