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1.11.11

Citações do dia (12)




«It must be said right at the beginning: The Greeks will, for a change, decide for themselves how they and their country will move forward.
They have had no real opportunity to do so for quite some time. For about a year and a half, this once proud country has been under foreign administration; it is de facto no longer a sovereign state.»

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«A l'instar de la population islandaise, le peuple grec retrouve de la voix. Et démontre quelques siècles après la fameuse agora que la démocratie peut aussi s'exprimer dans la rue.
Inutile de préciser qu'en ce jour de la fête des morts, les fesses sont nombreuses à trembler dans les hautes sphères. Les manchettes de leurs journaux du microcosme ne parlent-elles pas de « pari risqué » ?
Risqué pour qui ?»

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«For a start, Papandreou may win the referendum. Polls in Greece have shown that 60% of the population are against the terms of the bailout but 70% are against leaving monetary union. If the vote is framed as "do you want to stay in the single currency or not" (which it will be if Papandreou has any sense) there is every chance the Greeks may agree to swallow another dose of austerity, however unlikely that looks at present. (…)
The second thing in Papandreou's favour is that if Europe is a problem for Greece then Greece is actually an even bigger problem for Europe. If ever there was a case of "when you owe the bank €1000 you have a problem but when you owe €100bn the bank has a problem" then this is it.»

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«Não somos os Estados Unidos da América, infelizmente. Não criámos um “povo europeu”. Os fundos não serviram para fundar o que seria adorável – uma identidade comum que nunca existiu e não havia maneira de inventar. Vivemos uma alucinação colectiva, durante décadas, com o objectivo supremo de enterrar o monstro da Segunda Guerra – e ganhar uns trocos, evidentemente. Esta alucinação, como todas as alucinações, não superou a prova da realidade crua e dura: a primeira vez que a Europa foi submetida a uma prova de fogo falhou estrondosamente. Os líderes não estão, como se diz, “à altura”, mas é o povo que não está “à altura” de uma Europa federal, com os instrumentos políticos e económicos dos Estados Unidos da América. Quanto a isso, nada a fazer – o povo, por muito mal e egoisticamente que o faça, é quem mais ordena. É triste, mas acabou. Os grandes líderes conseguiram avançar com o projecto europeu sem referendos, dando passos de gigante sem que os seus povos nacionalistas se apercebessem de grande coisa. Mas agora esse tempo acabou. Rest in peace.»
Ana Sá Lopes, Acabou. R. I. P.
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30.10.11

Citações do dia (11)




«Se os governantes entenderem que a situação de emergência nacional justifica tomar medidas que a actual Constituição impede, o que têm que fazer é chamar o líder do PS de quem são tão amigos e mudar a Constituição com os votos do PS, PSD e CDS. Como já se viu quando de revisões constitucionais extraordinárias a pretexto dos tratados europeus, tal pode ser feito muito depressa, haja vontade das partes. Não penso que mudar a Constituição para a moldar às necessidades do momento seja muito saudável, mas é certamente mais saudável do que estar a actuar à sua revelia.»
José Pacheco Pereira, O Tribunal Constitucional continua em funções?

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«É verdade que o papel a desempenhar pelo PS nunca seria fácil. Entalado entre os últimos seis anos de governação, que António José Seguro renega, e o acordo de assistência financeira negociado pelo seu partido, o espaço para fazer oposição seria sempre reduzido. Mas o Governo fez-lhe um enorme favor e escancarou-lhe a porta de saída: optou por ir politicamente muito para lá dos acordos com a troika e fez escolhas em sede de orçamento, no mínimo, discutíveis. E o que faz o PS? Rigorosamente nada. E se não consegue construir uma alternativa face às opções radicais do Governo, ou estamos perante um caso de incompetência total, ou então, no fundo, concorda com as opções da maioria, apesar dos remoques e da retórica apatetada. Pode muito bem ser isso, pode ser que o caminho escolhido pelo PSD e CDS seja também o do actual PS e, nesse caso, em razão desse consenso, está na prática a disponibilizar-se para aderir à coligação.»
Pedro Marques Lopes, 'Quo vadis' PS?

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«Com um ano e meio de atraso, foi finalmente reconhecida a necessidade de reestruturar a dívida grega. Várias vozes se juntaram para entoar: “foi uma grande perda para os credores”. É bem verdade que os credores irão ganhar muito menos do que previam, mas ganhar menos não é bem sinónimo de perda. Recuemos ao passado. Alguém contestou os lucros abusivos destes mesmos credores quando cobravam taxas de juro agiotas e iam ganhando às custas do desespero de muitos? Avancemos para o futuro. Alguém está a contestar o outro lado desta decisão? Não, pelo contrario, foi aplaudida, e é bom lembrar que outro lado é esse. Os mesmos credores que perdem nos lucros previstos, beneficiarão das medidas adoptadas para a recapitalização da banca. Traduzido por miúdos, os bancos livram-se dos produtos tóxicos ao mesmo tempo que ganham dinheiro fresco. »
Marisa Matias, Uma mão cheia de nada
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28.10.11

Citações do dia (10)




«O acordo alcançado esta madrugada pelos líderes da zona euro vai de encontro às piores expectativas. (…)
Naquilo que é estrutural nesta crise, ou seja, os desequilíbrios externos dentro da zona euro e a necessidade de uma estratégia de crescimento económico articulada, nada é dito ou feito. Esta não é uma crise da dívida pública. Esta é uma crise do euro.»
Nuno Teles, Péssimo acordo

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«Os títulos da dívida grega valiam virtualmente zero. O que a UE ontem fez foi assegurar aos seus detentores metade do seu valor nominal. Alguma coisa é melhor que nada. Mais uma vez, o socorro aos credores foi disfarçado de auxílio aos devedores.»
João Pinto e Castro, Uma história mal contada

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«A sentença lavrada esta semana na cimeira de Bruxelas - que os bancos estão obrigados a uma rápida recapitalização que os ponha a salvo de impactos sísmicos à escala de todo o sistema - é um capítulo novo nesta novela em que o vilão exige que o tratem como herói. (…)
Só um tão geral esquecimento de como foi que chegámos aqui permite que o primeiro-ministro diga ao País, sem que isso cause escândalo social, que "só vamos sair da crise empobrecendo". Passos Coelho afecta milhares de milhões de euros dos nossos impostos, dos nossos salários, dos cortes nos nossos serviços de educação ou da saúde, ao buraco sem fundo do BPN e é a nós que diz que temos de empobrecer se queremos sair da crise.»
José Manuel Pureza, A revisão da história

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«Cortes de despesa, perdão da dívida à Grécia, aumento das reservas de capital dos bancos e um maior FEEF são intervenções que se supõe instilar confiança na capacidade de crédito da Europa. Se isso vai resultar, é duvidoso. É provável que cada uma dessas medidas aumente ainda a desconfiança.
Porque, com o corte da dívida, os políticos evidenciam estar a rever a sua posição anterior de que os programas radicais de austeridade estariam mesmo a funcionar. A recapitalização dos bancos contradiz a garantia anterior de que o sistema bancário tinha robustez suficiente. Ao autorizar o FEEF a apoiar os bancos, estão a abandonar a afirmação de que a tal recapitalização seria suficiente para os proteger contra a crise.»
Stephan Kaufmann, O falso resgate do euro
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26.10.11

Citações do dia (9)




«Na verdade, tudo era mais fácil ali [no Egipto] do que numa democracia. Ali queriam conquistá-la. Aqui, temos de cuidar dela. Ali só havia esperança. Aqui há desencanto. Ali o inimigo tinha um nome. Aqui nem se sabe bem quem ele é. Mas num e noutro caso, nenhum poder corrupto sobrevive sem a demissão do seu povo. Acham que a nossa democracia foi capturada? Libertem-na! Não é preciso ficar à espera que apareça um salvador. Ele não existe.»
Daniel Oliveira, A revolta contra as "mordomias dos políticos"

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«A la tierra le duele el capitalismo. Al menos su versión actual, en la que ha decidido que todo es susceptible de ser empaquetado como activo y enviado a los mercados financieros. Nada es ajeno a la fiebre de las plusvalías. Incluso las tierras de labor, vitales para la condición humana, están sufriendo enorme presión. En los últimos tres años, entre 60 y 80 millones de hectáreas (una superficie similar a la mitad de Francia) han cambiado de manos. Incluso hay quienes, como la firma independiente Global Land Project, sitúan esta cifra solo para África en 63 millones. Por si no bastara, el Banco Mundial revela que, en 2010, los inversores extranjeros “han expresado su interés” en 56 millones de hectáreas de tierra de cultivo en todo el mundo. E Intermón Oxfam habla de 67 millones confirmadas. Pues uno de los problemas es “la falta de transparencia. Ya que se ocultan datos e informes”, avisa Lourdes Benavides, responsable de Justicia Económica de esta ONG.
Es imposible que este acoso no tenga consecuencias. La primera es una deslocalización agraria, como antes hubo una industrial y otra del sector servicios. Medio mundo se ha lanzado a comprar tierras fuera de su país de origen.»
Miguel Ángel García Vega, Pelea por nuevas tierras

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«Na discussão que eclodiu aquando do início da intervenção na Líbia já se percebera que o mundo é mesmo um sítio complicado, sem habitat para certezas de mármore. Agora, milhares de cadáveres depois, só não mudou a incapacidade de muitos de compreender isso.»

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«La Grèce est malade. Le nombre de dépressions augmente, comme celui des suicides, alors que le pays a longtemps été fier d'être la lanterne rouge européenne en ce domaine. Une sorte de déprime collective, née dans ce tunnel de la récession qui n'en finit pas.
Les manifestants réguliers ou occasionnels, les candidats au départ vers l'Australie ou d'autres horizons moins lointains, témoignent tous de ce malaise : "Il n'y a pas d'avenir en Grèce ."»
Grèce: "Nous devenons une colonie" de Bruxelles
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25.10.11

Citações do dia (8)




«A situação económica na Grécia é tão incerta que o país deverá necessitar de 252 mil milhões de euros até ao final da década, um valor que mais do que duplica os 109 mil milhões originalmente acordados com a troika. Na pior das hipóteses, poderá mesmo ser necessário emprestar 440 mil milhões à Grécia, mais do que o actualmente disponível no Fundo Europeu de Estabilidade Financeira.
Estes valores constam da última avalização financeira realizada pela Comissão Europeia e FMI, um documento “confidencial” entretanto divulgado pelo Financial Times, e onde se pode ler que “a situação na Grécia deu uma guinada para pior” e que os “desenvolvimentos recentes exigem uma reavaliação”.»

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«Se o CNT quisesse fazer a diferença, Kadhafi teria sido poupado, para responder em Haia. Mas aqueles que deixaram o povo líbio lançar-se num processo de somalização, queriam tudo menos que o monstro de Tripoli ficasse vivo para contar as suas hediondas histórias.»
Viriato Soromenho-Marques, Richelieu no deserto

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«Charia». Le mot a été prononcé par le président du Conseil national de transition Moustapha Abdeljalil, ce week-end. Selon lui, le gouvernement transitoire qui va être mis en place agira selon les règles de la loi islamique. (…)
Selon le président du CNT, qui a cité plusieurs exemples, la loi qui, actuellement, interdit la polygamie et autorise le divorce, ne sera ainsi plus en vigueur. Des banques islamiques, un modèle de gestion qui interdit notamment l'usure, vont également être ouvertes. (…)
Evidemment, les déclarations sur le divorce et la polygamie ont suscité l'inquiétude. La France et l'Union européenne ont appelé ce lundi au respect des droits de l'Homme. (…) La présidente de la Fédération internationale des droits de l'homme, Souhayr Belhassen, interrogée par l'AFP, estimme elle «qu'incontestablement» cela lui «inspire une inquiétude à l'égard de ce qu'il faut appeler clairement des menaces de régression. Les Libyens et les Libyennes doivent faire preuve de vigilance. Il n'y a pas eu des milliers de morts pour qu'aujourd'hui il y ait un retour en arrière à l'iranienne».
Charia, le mot fait peur. Dans l'imaginaire occidentale, il renvoie aux Talibans, à l'Afghanistan, l'Arabie Saoudite et Ben Laden, donc à l'obscurantisme, à l'opposé des lumières démocratiques.
Quenton Girard, La Libye, un pays «fondamentalement conservateur et tribal»
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23.10.11

Citações do dia (7)


«Os defensores oficiosos do primeiro-ministro apenas referem como atenuante a "coragem" das medidas, atributo comum a todos os governos nas suas primícias orçamentais. Porque a principal característica deste orçamento é o facto de ele ser o primeiro deste governo que assim já prepara o último. Desde tempos imemoriais que as legislaturas se iniciam pelo exercício da ferocidade do primeiro-ministro para terminarem pelo descontrolo das contas públicas. Não é só fatalismo, também é táctica política, e da pior. (…)
O ministro da Economia, um mal-amado do sistema, acrescentou à meia hora diária no mundo fabril a caça laboriosa aos feriados, concordatários ou civis, tanto faz. Num país de turismo interno em época baixa, ele quer encostar às boxes quer o Carnaval quer a Sexta-feira Santa. Alguns membros da Igreja Católica, desde que não paguem mais impostos, estão disponíveis para dar um jeitinho no dia da Imaculada Conceição. Para a troca lá se vai o primeiro de Dezembro ou o 5 de Outubro, se não for o 25 de Abril ou o primeiro de Maio. Tudo muito rudimentar. (…)
Um orçamento com pés maioritários para andar mas sem cabeça.»
José Medeiros Ferreira, Principiantes

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«Por que é que o Governo não lança o debate sobre os benefícios para o sistema económico e financeiro do regresso de formas de trabalho escravo? Com o ritmo despudorado com que o poder político está a queimar etapas na persecução do objectivo de baixar o nível das populações europeias, por que não avançar mais rápido ainda e discutir a possibilidade do uso de formas de trabalho não remunerado? Se estão convencidos de que têm força suficiente para fazer regredir a história e o objectivo é retirar os direitos dos trabalhadores e o nível de vida atingido na Europa com o pacto social que adveio à Segunda Guerra Mundial, então por que não avançam ainda mais rápido?»
São José Almeida, Queimar etapas, Público 22/10/2011 (sem link)

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«Manuela Ferreira Leite gosta de brincar com a democracia. Está-lhe na massa do sangue, que se há-de fazer? Sai-lhe é o humor sempre para o mesmo lado: suspender direitos e pôr as liberdades entre parênteses. É humor da velha escola sul-americana, está bem de ver.
Num rasgo de fino recorte, sugeriu há meses que se suspendesse a democracia por uns tempos para assim ser possível pôr em prática uma série de políticas de excepção. (…)
Há dias, a Dra. Ferreira Leite quis brincar outra vez. Desta vez com o Governo. E vai de lhe propor que “durante dois, três anos a educação não seja gratuita, sendo paga por quem pode; durante dois, três anos a saúde não seja gratuita, sendo paga por quem pode". E se o Governo gostou da proposta de brincadeira! É que se há ministros com vontade e com jeito para brincar à destruição dos serviços públicos são Nuno Crato e Paulo Macedo. E assim sempre conseguem que o Ministro Álvaro – que fez, há semanas atrás, humor deste tipo nos transportes – não se fique a rir.»
José Manuel Pureza, Humores
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21.10.11

Citações do dia (6)


«A eleição do dr. Cavaco Silva para Presidente da República foi uma das maiores desgraças que sucederam a Portugal e aos portugueses desde 2006.»
Vasco Pulido Valente, Uma desgraça (Público de hoje, sem link)

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«A direita que nos governa inventou um país de ficção para laboratório dos seus anseios de engenharia social e de experimentação económica. Se depois a realidade for trágica, culpa da realidade. Porque o que os livros que a direita que nos governa lê antecipam é a salvação, a ordem, a força. Tal como Friedman e os Chicago Boys no Chile de Pinochet, o que guia esta direita é uma fezada na recessão redentora (o "ciclo virtuoso", chamou-lhe Vítor Gaspar). (…)
A direita que nos governa está em estado de negação. Recusa-se a aceitar o que já toda a gente percebeu: que a realidade que as suas experiências nos trarão será de contínuo afundamento económico e de apodrecimento social.»
José Manuel Pureza, Laboratório Portugal

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«Derrubar um ditador é bem mais fácil que construir uma democracia, seja árabe ou outra qualquer.
E o desafio a sério para os rebeldes líbios começa após o cadáver de Kadhafi ter sido exibido. Entre um povo farto de ser governado pelos humores de um déspota durante quatro décadas não foi difícil encontrar quem pegasse em armas para importar a Primavera Árabe. (…)
À frente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafa Jalil é o rosto visível da nova liderança, um homem que surge sorridente a cumprimentar os estrangeiros que têm visitado a Líbia para saudar o derrube do coronel com quem meses antes faziam negócios. Mas Jalil foi ministro da Justiça de Kadhafi, e se a Human Rights Watch elogia a coragem com que criticava a polícia política do regime, há quem recorde que, como juiz, confirmou duas vezes a pena de morte para as enfermeiras búlgaras acusadas de infectar crianças com sida, o que todos sabiam ser mentira.»
Leonídio Paulo Ferreira, Eles só podem ser melhores que Kadhafi
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18.10.11

Citações do dia (5)


«A crise que vivemos é particularmente difícil de engolir porque não estamos a fazer sacrifícios em nome de nada. Não estamos a construir nada. Não estamos a investir em nada. Estamos apenas a pagar a agiotas e a repor desfalques.
O mínimo dos mínimos que podemos fazer é evitar que isto se repita. Podemos e devemos gritar na rua. Devemos exigir auditorias, a renegociação da dívida e fazer pressão sobre a União Europeia. Mas não nos podemos esquecer de adoptar uma causa qualquer, por pequena que seja, que garanta que esta indignidade não se repete. Uma das coisas que queremos certamente é transparência nas contas e na acção de quem fiscaliza as contas e responsabilização. Já que temos de pagar, paguemos para ver.»
José Vítor Malheiros, Pagar para ver (Público 18/10/2011, sem link)

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«Na entrevista de ontem, o ministro das finanças Vítor Gaspar fez-me lembrar um jogador de casino. Daqueles jogadores que, em desespero de causa, sentem um impulso súbito, uma espécie de intuição, um feeling. Começando a suspeitar que há qualquer coisa de errado nas perdas que foi somando (ao distribuir metodicamente, por várias jogadas, as fichas de que dispunha e dando assim conta que foi ficando cada vez com menos), decide subitamente apostar tudo, de uma só vez, no mesmo número de sempre. Confiando, portanto, que esse golpe de asa lhe trará o resultado mágico que ambiciona. Esperando que ventos de sorte o bafejem.»
Nuno Serra, Gaspar no casino

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«O único dos "25 mais ricos" que pagará a crise é o mais rico deles, o trabalhador Américo Amorim, que irá esfalfar-se mais meia hora por dia sem remuneração (por isso me pareceu vê-lo, de cartaz na mão, no meio dos "indignados"). Felizmente emprega na sua Corticeira 3 300 outros trabalhadores, que irão dar-lhe 1 650 horas diárias de trabalho gratuito, equivalentes a 206 trabalhadores de borla. Poderá assim despedir 206 dos que não se contentam com ter trabalho e ainda querem salário.»
Manuel António Pina, Não havia novo Governo?
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13.10.11

Citações do dia (4)


«Infelizmente, o mais provável é que a União Europeia sucumba nos próximos meses. É preciso ter fé num Deus muito bom para crer que a maravilhosa dupla Sarkozy-Merkel, que não soube, até Julho, resolver o problema Grego, seja agora capaz de o solucionar quando a ele se juntam o contágio de Itália e Espanha, e a urgente necessidade de recapitalização da banca europeia. Neste cenário terrível, retomaremos plena soberania nacional. Só espero que o nosso PIB per capita seja, apesar de tudo, um pouco superior ao do tempo de Dom Afonso Henriques.»
Viriato Soromenho-Marques, Portugal e o futuro

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«As concentrações de indignados são apenas um sinal dos tempos. Não é por ali que o mundo vai mudar, retomando os valores da liberdade e justiça. Mas pode ser por ali que alguma coisa nova comece.»
João Paulo Guerra, Indignação

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«Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a segurança social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise económica, isso está a acontecer em todo o mundo.
Só existe uma coisa que pode bloquear essa táctica e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão a tomar as ruas, de Madison a Madrid, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela vossa crise”. (…)
Estou a falar de mudar os valores que governam a nossa sociedade. Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para os média, e é difícil descobrir como realizá-la. Mas ela não é menos urgente por ser difícil.»
Naomi Klein, Occupy Wall Street é o movimento mais importante do mundo hoje
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10.10.11

Citações do dia (3)


«Nenhuma cultura europeia amou tanto a herança da Grécia clássica como a cultura germânica no período do seu apogeu, que vai de Hölderlin e Hegel até Nietzsche. (…)
No deserto de cultura humanista que hoje habita as chancelarias europeias, estas palavras soam aos ouvidos como se fossem proferidas em mandarim. Daria tudo para estar enganado, mas, quando em 2012, as ruas das cidades europeias, de Lisboa a Paris, passando por Berlim e Roma, forem ocupadas por multidões que vão exigir aos seus governos a devolução de um futuro que lhes foi roubado, então até as bisonhas criaturas que nos governam vão perceber que a Grécia, afinal, não habita a periferia, mas sim o coração da Europa.»
Viriato Soromenho-Marques, Fogo grego

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«La participación de las mujeres en revueltas populares que este año han sacudido el mundo árabe ha sorprendido tanto o más que los propios levantamientos. Aunque las miles de activistas cubiertas de negro que se manifiestan en Bahréin o Yemen no resulten un modelo de liberación a ojos occidentales, su presencia en el espacio público constituye un avance entre las capas más conservadoras de la isla-Estado y mucho más en la patriarcal sociedad yemení. Pero tras el prometedor inicio de su salida a la calle, empiezan a surgir signos preocupantes sobre el impacto real de esta primavera en los derechos de la mujer. (…)
Tras su detención el pasado enero, la flamante Nobel de la Paz Tawakul Kerman solo recuperó la libertad después de que su marido firmara un documento comprometiéndose a no volver a dejarla salir de casa. Es tal vez el mejor ejemplo de los obstáculos que afronta la mujer en la península Árábiga. Consagrada en las leyes, como en Arabia Saudí, o en las tradiciones patriarcales, como en Yemen, la imagen de la mujer como una eterna menor de edad, necesitada de la protección del varón, sigue muy arraigada en toda la región. La primavera árabe no triunfará a menos que logre acabar con esa idea.»

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«He sido diplomático durante 15 años. He asistido a decenas de reuniones del Consejo de Seguridad de la ONU, me he sentado con jefes de Estado de todo el mundo, he visto cómo los Gobiernos se dejan corromper por los bancos y las empresas y al final, me convertí en un cínico. Pero durante las últimas dos semanas he recuperado mi pasión por la política, que alimento desde niño. Una de las conversaciones más interesantes que he vivido en los últimos años la tuve sentado en la plaza de la Libertad.»
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8.10.11

Citações do dia (2)


«Mas que mal fez o candidato presidencial liberiano Winston Tubman (já para não falar no seu candidato a vice-presidente, George Weah, goleador do Milan, melhor futebolista do mundo, 1995) para que, em plena campanha eleitoral - e a quatro dias das eleições!!! -, a sua adversária ganhe um prémio internacional mítico e as aberturas de telejornais de todo o mundo? (…) Se o Nobel da Paz queria premiar Sirleaf, que a premiasse antes (quando ela já o merecia), não na semana em que incomoda a Libéria. É assustador que coisas tão importantes e badaladas como dar um Nobel sejam feitas tão à Lagardère.»

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«Por outro lado, há uma grande mudança demográfica no agregado familiar: actualmente, em quase 50% dos lares vivem apenas uma ou duas pessoas, quando há dois anos esse valor era de 47% (…) A taxa de natalidade no país é baixíssima e não chega para repor o stock populacional. Contudo, os portugueses parecem ter encontrado uma alternativa: a adopção de um animal de estimação. O facto é comprovável pela subida da venda de produtos alimentares para animais, que o ano passado, já em plena crise, cresceu a dois dígitos e este ano mantém uma forte subida, embora na casa de um dígito.»
Nicolau Santos, «Como nos estamos a adaptar à crise» (Expresso – Economia p.5, 8/10/2011, sem link)

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«One thing he wasn't, though, was perfect. Indeed there were things Jobs did while at Apple that were deeply disturbing. Rude, dismissive, hostile, spiteful: Apple employees—the ones not bound by confidentiality agreements—have had a different story to tell over the years about Jobs and the bullying, manipulation and fear that followed him around Apple. Jobs contributed to global problems, too. Apple's success has been built literally on the backs of Chinese workers, many of them children and all of them enduring long shifts and the specter of brutal penalties for mistakes. And, for all his talk of enabling individual expression, Jobs imposed paranoid rules that centralized control of who could say what on his devices and in his company.»

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«La papolatría de los jóvenes llegados de todo el mundo a Madrid este agosto para ver al pontífice Benedicto XVI suscitó en el teólogo José María Castillo la pregunta de por qué se quiere tanto al Papa. El fondo del asunto está en el miedo a la libertad. Queremos ser libres, pero tememos ser libres de verdad.»
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7.10.11

Citações do dia (1)


«A juntar a esta efabulação ideológica, a rábula do Portugal-bom--aluno está a cultivar entre nós um discurso totalmente perverso sobre a chamada "paz social". É o rosto policial da dita rábula. Trazido por Passos & Portas, ele assenta nos relatórios das polícias e das secretas sobre o previsível incêndio das ruas, transformadas em lugar de tumulto. E, mais que tudo, formata-nos na convicção de que o que afunda os gregos é a mistura entre preguiça e tumulto, nunca a receita dos salvadores. Cultivemos pois a paz social, aconselham os arautos da rábula do bom aluno. É a paz da quietude, do assentimento bovino, aquilo que nos aconselham, a paz do quanto menos ondas melhor que a nossa política é o trabalho, o trabalhinho muito lindo. A paz de um tempo em que se acabaram todas as ilusões. Excepto uma: a liberal.»
José Manuel Pureza, A rábula do bom aluno

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«10 years ago we had Steve Jobs, Bob Hope and Johnny Cash. Now we have no Jobs, no Hope and no Cash.»
Alda Magalhães Teles no Facebook

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«Na confusão de responsabilidades e obrigações uma coisa surpreende: nos centros onde o poder reside, as únicas cabeças que mudam são as dos títeres engravatados que, ora anunciam pomposamente medidas de salvação, ora assustam com profecias de pragas bíblicas. Os senhores que de facto mandam são, mais cabeça menos cabeça, os que vêm do antigamente pré-revolucionário. Seguram eles com mão firme os cordelinhos e agem a seu bel-prazer, de modo que constantemente me ocorre a pergunta: que democracia é esta, que me dizem existir e mal consigo enxergar?»
J. Rentes de Carvalho, Os régulos

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«Depressão: estou numa reunião com camaradas gregos. Há um ano, o governo cortou o subsídio de Natal. Era preciso fazer sacrifícios. Este ano, como os sacrifícios, este e muitos outros não foram suficientes, vão cortar 40% dos salários e das pensões a partir de Outubro. As pessoas começam a deixar de ter medo porque já nada têm a perder. Não consigo não pensar que nos basta olhar para a Grécia para saber o que nos vai acontecer a seguir.»
Marisa Matias no Facebook
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