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9.11.25

O eventual regresso de Pedro Passos Coelho e o sebastianismo português

 


«Periodicamente, são publicadas notícias sobre intervenções de Pedro Passos Coelho. É normal. Foi primeiro-ministro e, a cada vez que intervém no espaço público, as suas palavras são sempre notícia. Mesmo que o seu discurso fosse vazio de conteúdo seria reproduzido pelos jornalistas, já que a sua voz tem peso institucional, pelo cargo que ocupou. Mas a verdade é que as palavras de Pedro Passos Coelho têm sido tudo menos vazias. Como o jornalista Filipe Santa-Bárbara analisou no PÚBLICO, o antigo líder do PSD tem, de forma sistemática, feito afirmações fortes e até críticas sobre a evolução da governação do país. A mais recente intervenção de Pedro Passos Coelho, a 31 de Outubro, foi mesmo muitíssimo crítica para com a governação de Luís Montenegro. Pedindo que o Governo avance com reformas, Pedro Passos Coelho defendeu que “chegou o fim das margens de manobra que permitem ir adiando decisões importantes”, alertou para que “já não vale a pena haver mais cálculos eleitorais” e afirmou que não se deve “perder tempo com preocupações distributivas”, sublinhando que “não chega” distribuir “um prémio aos reformados, a um ou outro sector da sociedade portuguesa”, e “fazer algumas habilidades orçamentais para salvar o ano”.

As intervenções críticas de antigos líderes do PSD em relação aos seguintes presidentes do partido, sobretudo quando ocupam a chefia do Governo, não são inéditas, basta lembrar Aníbal Cavaco Silva em relação a Pedro Santana Lopes. Mas tem havido uma tendência entre comentadores e analistas políticos para ver nas intervenções públicas de Pedro Passos Coelho um desejo de regressar à política, à liderança do PSD e ao cargo de primeiro-ministro. Há mesmo quem considere que Pedro Passos Coelho pode federar, em torno do PSD, partidos que vão do Chega à IL.

Uma federação das direitas que até poderia acontecer, já que tem sido Pedro Passos Coelho a adoptar um discurso populista de direita radical e até a inaugurar algumas das posições mais radicais de direita sobre imigração, como fez na campanha eleitoral da Aliança Democrática, em Fevereiro de 2024, em que relacionou imigração com segurança, ou mais recentemente, a 16 de Outubro, quando disse que os portugueses podem vir a “sentir-se estrangeiros na própria terra”.

Pedro Passos Coelho tem todo o direito a querer voltar. É legítimo que o deseje. E percebe-se que não digeriu bem a forma como foi parlamentarmente defenestrado da chefia do seu segundo Governo, em 2015, por uma maioria de esquerda, liderada pelo então secretário-geral do PS, António Costa. Afinal, tinha governado o país num momento dificílimo, quando, entre 2011 e 2015, o Estado português esteve submetido a um violento programa de intervenção e ajustamento determinado pela troika, constituída pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, que possibilitou ao país contrair um empréstimo de 78 mil milhões de euros, de modo a impedir a iminência das consequências da bancarrota em que o segundo Governo socialista de José Sócrates deixara as contas públicas.

E teve de proceder a uma governação caracterizada por um brutal aumento de impostos, por um dramático corte no investimento público e nos serviços basilares do Estado social, pelo vertiginoso aumento do desemprego e por uma suicidária destruição do tecido económico. Herdando, em 2011, um país com um défice de 7,7%, Pedro Passos Coelho deixou-o nos 4,5%. Já a dívida pública, subiu de 114% do PIB para 131%, em 2015.

Desde então, as intervenções de Pedro Passos Coelho têm mostrado que nunca se desinteressou dos caminhos que o país leva e da acção governativa. E tem sido crítico, mesmo com o actual Governo, liderado por um seu sucessor que até foi seu líder parlamentar. Embora a solidez do Governo de Luís Montenegro não esteja, por agora, em causa, e até tenha acabado de ter o Orçamento do Estado para 2026 viabilizado pelo Parlamento, é sempre possível equacionar-se qual a durabilidade do poder de Luís Montenegro, assim como desenhar os hipotéticos cenários sobre o que pode acontecer se — e quando — o actual executivo chegar ao fim.

Mas será que Pedro Passos Coelho vai mesmo regressar à política activa? Fará sentido um ex-primeiro-ministro, que deixou de o ser há dez anos, voltar a liderar um partido para disputar e tentar vencer legislativas e vencê-las? Em Portugal, nunca aconteceu. No PSD, depois de ser dez anos primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva regressou à política para ganhar eleições de novo e ser Presidente da República. Foi, aliás, o único político português que, em democracia, venceu cinco eleições, quatro delas com maioria absoluta. E mesmo o caso de Mário Soares, que foi mais de uma vez primeiro-ministro, vendo governos cair e, depois, voltando a ganhar legislativas e a ser primeiro-ministro, não o foi com um intervalo de dez anos, nem sequer para se candidatar a Presidente da República. Isto para não falar da aceleração do tempo histórico que vivemos. E frisemos: Pedro Passos Coelho não quis candidatar-se a Presidente da República nas eleições de 18 de Janeiro, em que seria o candidato natural da direita.

Haverá ainda espaço no país para Pedro Passos Coelho como líder do PSD? A memória da intervenção externa da troika já não domina a população dos grupos etários mais velhos? Sei que há novas gerações que vivem e formam o seu pensamento político nas redes sociais. Assim como tenho conhecimento de que o país virou à direita e que há jovens, sobretudo rapazes — seduzidos pela imagem de políticos que vêem como alguém que “mete isto na ordem” —, que estão a votar no Chega e que podem ser seduzidos pela figura mitificada de Pedro Passos Coelho. Mas será suficiente para o seu regresso?

Já agora, uma questão central: o PSD está preparado para ser liderado por Pedro Passos Coelho, de novo e uma década depois? O PSD de hoje em dia deseja mesmo o seu regresso? Aceitá-lo-á? Não há sangue novo, no PSD, novos dirigentes que assegurem a liderança do partido, no futuro? O que dirão, nesse momento, personalidades como Carlos Moedas, António Leitão Amaro e Hugo Soares, só para falar de três nomes que poderão vir a liderar o PSD no futuro.

O sebastianismo é uma realidade cultural profunda, até estrutural da política portuguesa. A mitificação de líderes passados como potenciais salvadores no futuro faz parte dos mecanismos de pensamento popular em Portugal. Talvez seja esse o pano de fundo cultural das interpretações que têm sido feitas das intervenções de Pedro Passos Coelho. Ou pode ser que o próprio alimente esse desejo. É legítimo, repito. Mas tenho para mim que as soluções futuras de poder no PSD terão de ser outras.»


3.11.25

Passos Coelho vai ser o unificador da direita

 


«O regresso de Pedro Passos Coelho era para acontecer antes: uma eventual derrota de Luís Montenegro nas europeias abriria o caminho a que o ex-primeiro-ministro se voltasse a candidatar à liderança. Só que, entretanto, António Costa demitiu-se, houve novas legislativas antes das europeias, Montenegro ganhou e o retorno de Passos ficou em banho-maria.

Foi há precisamente 10 anos que Passos Coelho (em aliança com o CDS de Portas) foi o "candidato a primeiro-ministro" mais votado. Nessa época, o PS não era especialmente forte, mas a esquerda era-o e, com a maioria de esquerda no Parlamento, António Costa conseguiu formar governo com o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda e remeteu Passos à oposição.

Os dias de Passos na oposição foram duros. São sempre, mas ainda mais quando já se foi primeiro-ministro, com o novo governo em estado de graça. A frase “vem aí o diabo” – a sua previsão sobre a gestão das contas públicas pelo governo PS – marcou esse tempo. O diabo não veio. Agora, Passos avisa para novo diabo, desta vez com um Governo PSD.

Passos podia ter ido trabalhar para um sítio qualquer e, neste momento, estar a ganhar muito dinheiro. Oportunidades destas nunca faltam a antigos primeiros-ministros. Não o fez: manteve-se professor universitário, com um salário que qualquer antigo primeiro-ministro haveria de considerar baixo: pouco mais de 2000 euros.

As suas intervenções públicas têm confirmado uma aproximação ao discurso do Chega – desde o combate às aulas de cidadania ao mais recente apontar do risco de “os portugueses se sentirem estrangeiros na sua terra”.

É um facto que o Governo também se tem aproximado do discurso do Chega, mas há uma diferença – Passos é contra o “não é não”. A sua relação com André Ventura é conhecida. Foi Passos que indicou Ventura para candidato do PSD à Câmara de Loures e que não lhe retirou a confiança depois do discurso anti-ciganos, ao contrário do que fez Assunção Cristas, na altura líder do CDS.

Com Pedro Passos Coelho na liderança do PSD será fácil um acordo de governação com André Ventura. Ventura é fã de Passos: seria o único candidato presidencial que admitia apoiar, depois da desilusão com Gouveia e Melo. Passos não quis ser candidato a Belém, mas agradeceu o apoio de Ventura (ao contrário do que fez Gouveia e Melo). Quando lhe perguntaram se sentia incomodado com este anunciado apoio, respondeu, a 20 de Setembro: “Porque é que eu havia de ficar incomodado com alguém que diz que votava em mim e me apoiava sempre que me candidatasse? Não estou a ver por que é que havia de ficar incomodado”.

Na sexta-feira, Passos Coelho fez uma crítica violenta ― e uma verdadeira demarcação ― ao Governo de Montenegro e ao Orçamento, crítica com a qual até o secretário-geral do PS se identificou. “Chegámos ao fim das margens de manobra que nos permitem adiar decisões importantes. Agora, não vale a pena haver mais cálculos eleitorais nem perder tempo com preocupações distributivas”, disse Passos, criticando as “habilidades orçamentais para salvar o ano” e defendendo um crescimento que não seja apenas por via do consumo.

Tem havido um crescendo nas críticas de Passos a Montenegro. As eleições foram em Maio e o avanço de Passos para o poder (em coligação com Ventura) pode parecer a muitos uma coisa fora de tempo.

Mas uma sombra paira sobre o primeiro-ministro. Até agora, que seja público, Luís Montenegro ainda não deu os esclarecimentos ao Ministério Público no âmbito da averiguação preventiva do caso Spinumviva. A 19 de Setembro o primeiro-ministro disse que “iria aproveitar a tarde para tentar reunir os documentos que foram solicitados e enviá-los o mais rápido possível”. É verdade que Montenegro disse, a 8 de Outubro, que enviou elementos, mas devem ter-se perdido pelo caminho e não terão chegado ao destinatário.

É muito difícil conceber que não venha a ser aberto um inquérito-crime tendo em conta o que está em causa. É certo que os portugueses não são um povo muito exigente com a transparência dos seus políticos e a vitória de Montenegro em Março funcionou como uma espécie de absolvição em tribunal popular. Mas ficou muito por esclarecer.

A dúvida é se Montenegro terá condições de continuar primeiro-ministro se o Ministério Público abrir o inquérito. Num cenário em que as condições não estejam reunidas, é óbvio que Pedro Passos Coelho é o primeiro da fila para a sucessão (Carlos Moedas nunca se candidatará contra o ex-primeiro-ministro). E já sabemos que Passos faz o acordo com o Chega.»


17.4.24

A direita sempre soube que Passos era tóxico

 


«Numa conversa com Maria João Avilez sobre o período da troika, Pedro Passos Coelho voltou, pela terceira vez em dois meses, ao palco político. Apesar de dizer que fala pouco para não “haver grande condicionamento do partido”, é o que tem feito de forma insistente e sempre com estrondo e estrago. Como amigos como este, Montenegro não precisa de inimigos.

A primeira farpa que deixou é justa. Depois de recordar que Rui Rio foi oposição interna e que o seu distanciamento em relação à forma como lidou com a intervenção externa sempre foi evidente, o ex-primeiro-ministro recorda que "Luís Montenegro faz parte dessa herança” e que até deve a sua notoriedade no partido ao papel que então cumpriu. E conclui: “a mim parece-me que foi muito evidente nos últimos tempos que houve essa preocupação de tentar desligar.” Isto, apesar de Passos, de forma discreta, o ter apoiado.

Montenegro afasta-se porque, ao contrário do que a direita nos tentou vender nestes anos, nem ela alguma vez acreditou no valor político e eleitoral de Passos Coelho. O país que faz uma avaliação positiva do trabalho de Passos no período da troika é o que lhe deu 38,5%, em 2015. Chegou-lhe para a PàF vencer, porque foram juntos e não havia alternativas no seu campo. Mas foi o segundo pior resultado de sempre da direita portuguesa, logo depois de Santana Lopes. Passos sempre foi um péssimo candidato. Quem achava o oposto viveu na bolha que não sentiu os efeitos profundos e traumáticos da crise financeira e as coisas absurdas que ele disse aos portugueses enquanto sofriam.

A outra parte interessante da entrevista é a pequena vingança de Passos Coelho contra Paulo Portas. Diz Passos Coelho que "o CDS várias vezes mostrou falta de solidariedade pública", que "o doutor Paulo Portas não tinha uma noção realista de qual era o limite das nossas possibilidades” e que um e outro "se convenceram que não defendíamos o interesse do país junto da troika". Que Paulo Portas não é confiável, todos sabemos. Mas também é inteligente e tem experiência política. Percebia que não se é comparsa de quem está a intervencionar um país. Que representavam interesses nem sempre alinhados com os nossos. Serão, na melhor das hipóteses, um mal necessário.

O episódio contado por Passos, que a troika terá exigido que as cartas com os compromissos do governo passassem a ser assinadas pelo ministro Paulo Portas, exibe uma falha de caráter e é um elogio a Portas. Falha de caráter porque depois de dizer que não revelou este episódio (nem ao próprio) para evitar a sua humilhação pública, tenta humilha-lo agora, mostrando que as suas recorrentes aparições são motivadas pelo ressentimento. O pedido era abusivo (o que não espanta), porque os representantes da troika se envolviam nos assuntos internos do governo. Tiveram a cumplicidade do primeiro-ministro que o escondeu de um parceiro partidário. À deslealdade de então, juntou a deselegância de agora.

E é um elogio a Portas por tornar evidente que o líder do CDS tinha a consciência que faltava ao primeiro-ministro: que a troika não era composta por amigos, mas por instâncias com quem era preciso negociar, por vezes com firmeza. Se exigiam a assinatura de Portas era porque Portas tinha a resistência que faltava a Passos. E o CDS tinha a autonomia que todos percebem que perdeu, mesmo voltando a ser parceiro formal de coligação. Portas não era, como Melo, um mero partner do primeiro-ministro. E os senhores da troika sabiam.

A defesa quase acrítica que Passos faz da troika, nesta entrevista, não deve ter paralelo em políticos que lideraram países intervencionados. E dá razão às resistências de Portas, que o próprio Passos Coelho relata. Passos até reconhece que, não querendo atingir metas mais ambiciosas do que as constantes nos memorandos, aproveitou este momento para privatizações e reformas que não eram obrigatórias.

Fica claro, aliás, que devemos ao Tribunal Constitucional o recuo nas medidas mais cruéis, com negociações e cedências. Mas, ainda hoje, Passos acha que "não podia estar a negociar com a troika condicionado ao Tribunal Constitucional", não percebendo que, pelo contrário, esse condicionamento institucional poderia ter sido usado como arma negocial, como um constrangimento externo à sua vontade. Se ele quisesse ser mais do que um executante de imposições externas, claro.

Assumir que Luís Montenegro não quis ter o passismo como legado e que é um elogio a Portas este não ter a confiança da troika implica assumir que o valor político de Passos nunca foi o que se dizia e que nem sempre defendeu os interesses do país. E isto destrói a retórica dos últimos oito anos. Passos não é o herói que salvou o país – foi Draghi que pôs fim à cegueira europeia que nos enfiara naquele buraco. É um ativo tóxico. Sempre foi assim que a maioria do país o viu. E a direita mais informada sempre o soube. E, ouvindo a entrevista, percebe-se que pouco mudou. Este é o mesmo Passos de 2011, só um pouco mais ressentido.»

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12.4.24

Não se distraiam

 


«Passos Coelho saiu mais uma vez de casa num final de tarde, desta vez para ir abençoar a direita ultramontana e a sua agenda conservadora. Toda a encenação teve traços deprimentes, com um cheiro a mofo de gente assustada pelas mudanças sociais, que sonha com o regresso da dona de casa. E, enfim, Passos tende a ser apresentado, de tempos a tempos, como reserva moral da direita portuguesa.

O país franziu o sobrolho, a direita liberal mostrou o incómodo e à esquerda os sinos tocaram a rebate. Foi salutar essa multiplicação de reações.

Mas não nos enganemos. Não é uma guerra cultural que temos pela frente no ciclo político que por agora se inicia. Primeiro porque essa tentativa de criar um conflito sobre identidades e família é, pelo menos por agora, totalmente artificial e minoritária. A vida do país foi mostrando traços de transformação nos costumes e nas identidades sociais que nasceram pela mão de lutas sociais, de gente corajosa e de mudanças legislativas. O país avançou e modernizou-se. É a própria direita que prova que essa mudança é pacífica e bem-vinda na sociedade portuguesa. Temos um político que assumiu publicamente a sua homossexualidade e que é hoje Ministro dos Negócios Estrangeiros. Outros militantes destacados do (anterior) partido mais à direita, o CDS, também o assumiram com coragem no passado. Nunca mais ninguém falou disso. E bem. As mulheres portuguesas são hoje a maioria no ensino superior, há novos modelos de famílias sem dramas, e deixámos de prender as mulheres pobres que recorriam desesperadas às salas escuras do aborto clandestino. Na verdade, os dramas das mulheres portuguesas estão na discriminação salarial; nos horários e turnos que dificultam a vida familiar; nos salários baixos; e na violência cobarde que persiste exatamente nos modelos de “família tradicional”. E os problemas das famílias com a escola pública não são os direitos humanos, discutidos nas aulas de cidadania. São a falta de professores; as escolas ainda degradadas; os apoios escolares para melhorar resultados; e a inquietação de saber se haverá residências universitárias, caso os filhos tenham de ir estudar para outra cidade.

Há lutas ainda por fazer, mas não há uma ferida aberta na sociedade portuguesa sobre modelos de família ou o papel das mulheres. Por isso, a nova identidade salazarenta de Passos Coelho é apenas um exercício oportunismo político. É um político em busca de um papel e de uma agenda para o seu próprio protagonismo. Passos tem procurado persistentemente colocar-se como a figura tutelar de uma eventual aliança entre o PSD e Chega, caso ela seja essencial para que a direita se mantenha no poder. Este foi apenas mais um episódio dessa novela que, receio bem, vai continuar.

Mas nos próximos tempos, a aliança entre a direita liberal e a extrema-direita não será sobre identidades e costumes. Será sobre matérias bem mais prosaicas: trabalho e políticas sociais e económicas. No novo quadro político, o que está em debate são as questões do trabalho, dos rendimentos e dos apoios à iniciativa privada.

Dados recentes do Eurostat mostram que Portugal é hoje o segundo país da União Europeia com maior número de contratos laborais precários, e sabemos que permanece há décadas no fundo da tabela europeia dos níveis salariais. É um país em que o trabalho é barato – e isso explica muitas das dificuldades da economia portuguesa e da emigração dos mais jovens. Portanto, o que interessa saber é se o PSD se vai apoiar na extrema-direita para reforçar uma legislação laboral que promove essa precariedade e manter os entraves à contratação colectiva. Saber se tenciona travar a subida do salário mínimo. E, agora que se esboça a nova teoria de que afinal o excedente orçamental deixado pelo PS é uma maldição, saber se os trabalhadores com funções públicas continuarão em perda salarial desde que a Troika aterrou no país.

E há uma segunda dimensão: saber se as alterações nas políticas sociais servem de alavanca a novas rentabilidades oferecidas ao sector privado, a serem asseguradas por contratos com o Estado. Isto é, trata-se de saber se o dinheiro dos contribuintes será encaminhado não para os serviços públicos, mas para o sector privado da saúde ou da educação. Saber se se avança com a privatização parcial da segurança social; se o IRS das famílias vai pagar as rendas galopantes dos senhorios; e se o orçamento das obras públicas – e o novo aeroporto – vão servir para assegurar lucros fáceis sem necessidade de investimento, inovação ou competitividade.

Nestas questões, o alinhamento entre PSD e Chega não titubeia, nem tropeça. Até arrisco uma hipótese: quanto maior for a contestação a essa agenda de manutenção de baixos salários e rentabilidades asseguradas, mais vozes se levantarão no campo da direita querendo fabricar guerras de costumes e identidades.

Mas o ciclo que temos pela frente é sobre desigualdade social. É uma disputa sobre a distribuição de rendimentos e da riqueza criada na economia: ou vai para aumentar os salários ou vai para assegurar rentabilidades sem risco. Não se distraiam.»

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5.3.24

Não se deve fazer política com o medo

 


«Não restam dúvidas sobre isto: Portugal é um país seguro. O Global Peace Index 2022 garante-nos que vivemos no sexto país mais seguro do mundo, numa lista que inclui 163 nações, e que mais tranquilidade do que a nossa só se encontra na Islândia, Nova Zelândia, Irlanda, Dinamarca e Áustria. Em 2014, estávamos no 18.º lugar. Há muita gente que sabe disto em vários continentes.

É por isso que norte-americanos compram casa em Cascais, israelitas investem no mercado imobiliário do Porto e brasileiros trocam as maravilhas do seu país de origem pelo sossego nacional.

Os brasileiros que fogem com o medo das balas perdidas e de uma criminalidade omnipresente, e os bolsonaristas do medo da presidência de Lula da Silva, ignorando que emigraram para um país governado por um partido socialista, sabem muito bem o que é o crime e a insegurança.

Não são os únicos. Cerca de 83% da população mundial vive em países nos quais os níveis de criminalidade são considerados elevados.

Além da segurança, Portugal não tem grandes razões para se preocupar com os níveis de criminalidade, como o comprovam os relatórios anuais do Ministério da Administração Interna. Se há crime, aliás, que tem vindo a crescer, é um em particular: o crime de ódio.

Sobre os crimes de colarinho branco nunca teremos informação suficiente para fazer uma ideia aproximada da sua dimensão. O que sabemos é que o crime em geral teve uma redução de 20,3% entre 2008 e 2019 e que o crime violento registou uma descida de 40,8% no mesmo período.

O crime violento, sublinhe-se, representa 4,3% de toda a criminalidade participada às forças de segurança. É verdade que quem folhear os tablóides pode ficar com uma visão mais sombria e assustadora do país. Mas é ainda mais verdade que a criminalidade em Portugal incide, sobretudo, no património e não nas pessoas. E as pessoas que são mais sujeitas ao crime são as mulheres, por causa da intolerável violência doméstica.

O crime é um dado objectivo, o sentimento de insegurança não é assim tão tangível. O tema do sentimento de insegurança tornou-se objecto de investigação académica na década de 50, como forma de estudar a relação entre o espaço público, enquanto local do crime, e o Outro, o delinquente.

A insegurança urbana foi profusamente discutida nos anos 90 no Porto, quando se falava da desertificação da Baixa como um território de alto risco, em associação a uma preocupação que nessa altura era constante: o toxicodependente-assaltante.

Vários estudos dessa época vieram esclarecer que os mapas do crime estavam na periferia do centro ou da cidade, que era onde estavam as pessoas e o património, por oposição a uma Baixa vazia.

E disseram-nos, também, outras coisas que estão presentes na literatura desta temática: que o sentimento de insegurança estava associado a pormenores do espaço urbano, como a iluminação nocturna das ruas, a degradação dos edifícios, com vidros partidos ou pichagens, e ao que certos autores chamam incivilidades, entre as quais o balde do lixo incendiado será a mais icónica.

Um dos casos que então ilustravam o sentimento de insegurança era o de uma idosa que vivia no Bairro do Lagarteiro, no Porto, tido com um dos mais problemáticos da zona oriental da cidade, que não despejava o lixo no contentor do bairro, porque tinha medo que este explodisse. O medo tinha uma explicação simples: a senhora receava que acontecesse o mesmo que tinha visto acontecer no País Basco, onde a ETA tinha colocado uma bomba num contentor semelhante.

Isto para dizer que o sentimento de insegurança não está directamente relacionado com a criminalidade e que resulta de um contexto mais vasto. “A percepção do crime e do risco de vitimização na verdade não estão separadas da percepção de outros problemas sociais, riscos e ameaças de exclusão”, como explicam Manuela Ivone Cunha e Ximene Rego em Crime e medo no país dos brandos costumes.

Por outras palavras, o sentimento de insegurança “é um fenómeno mais amplo do que o da criminalidade e, até certo ponto, independente dele” e “prospera entre aqueles que se vêem a si próprios em situação de incerteza, de vulnerabilidade ou de queda social, e que são mais sensíveis à ausência de uma acção pública eficaz nos vários âmbitos da segurança, não apenas o criminal”.

Estabelecer relações entre imigrantes, aqueles que não têm dinheiro para comprar casa ou um “visto gold”, e um sentimento de insegurança é uma de duas coisas: uma associação ignorante ou desonesta. É grave em ambos os casos que alguém a faça, sobretudo alguém que teve as responsabilidades que teve Pedro Passos Coelho, que sugeriu a emigração aos “piegas” professores desempregados. Fazer política a partir do medo não fica bem a ninguém.»

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4.3.24

Passado ou não Passado?

 


«Questionado sobre o seu ídolo político, Montenegro não escolheu o óbvio (o mito de Sá Carneiro), nem o herói do governo de guerra recente (o sebastianismo de Passos Coelho). Quis o politicien-pas-politicien: a figura tutelar é, afinal, Cavaco Silva. Longe de aleatória, a escolha insere-se num claro esforço de recentramento ideológico que o timoneiro da AD tem vindo a travar. E, se a estratégia parece estar a funcionar junto do eleitorado, aumentando a intenção de voto, parece não ser consensual dentro da coligação.

A aparição de Pedro Passos Coelho era inevitável, mas carregava sempre o risco de cristalizar a associação de Montenegro ao período da Troika - estratégia que o PS andava a ensaiar há semanas. Montenegro procurou escudar-se na figura de Cavaco. Se Cavaco Silva deu aos pensionistas o 14º mês, Passos cortou-lhes o 14º e o 13º. Se Passos está associado, no imaginário público, a uma época traumática do país, Cavaco Silva é o primeiro-ministro de um tempo saudoso. Impopular junto do grupo mais importante para Luís Montenegro, Passos Coelho teria de centrar o seu discurso na figura do actual líder, criar o mínimo estrondo possível, e animar as hostes sociais-democratas. Mas decidiu, uma vez mais, contrariar tacitamente a estratégia de Montenegro.

O discurso de Passos conseguiu 3 coisas: 1. Pedro Nuno tinha acabado de perder o seu maior trunfo: depois do “não é não”, ficou claro que Luís Montenegro não iria ceder às pressões do Chega. Já não dá para usar a estratégia que deu a maioria absoluta a António Costa. Passos fez com que a AD perdesse a vantagem. A esquerda estava desmobilizada. Claro que o ex-PM iria sempre agitar as águas, mas o tiro final foi dado pela associação populista entre a imigração e a segurança. De repente, a esquerda teve exactamente o que precisava. E foi-lhes dado por Passos Coelho. 2. Evidenciou uma cisão no seio da AD. Não é segredo que a decisão corajosa de rejeitar quaisquer negociações o Chega não é consensual. Passos Coelho deixou um aviso subliminar a Montenegro: “o resultado natural é a vitória da AD. É a coisa mais natural do mundo”. Traduzido por miúdos: “Luís, se não ganhares, é por incompetência”. 3. Forçou a mão de Montenegro, que rapidamente se viu obrigado a fazer uma promessa que poderá, mais tarde, virar-se contra si. Numa tentativa de salvar o PRPC (processo de reconciliação com os pensionistas em curso), Montenegro prometeu demitir-se caso tivesse de cortar um cêntimo nas pensões. É uma promessa perigosa - e que teria sido desnecessária não tivesse Passos agitado tanto as águas.

A aparição do D. Sebastião beneficiou todos menos Luís Montenegro: à esquerda tiveram a associação que andavam há semanas a pregar, o PS conseguiu um bocadinho do seu trunfo de volta, os sociais-democratas que discordam da estratégia de recentramento de Montenegro podem voltar a sonhar com um líder mais à direita e que não nega o Chega caso precise de formar governo, e André Ventura teve o seu discurso xenófobo legitimado pela figura preferida da direita. Para Luís Montenegro, fica a dúvida: entre a externa e a interna, qual a campanha mais difícil?»

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27.2.24

Obrigada, Passos Coelho!

 


A peste grisalha e quem saiu da zona de conforto gostam de o rever – para não esquecer o que lhes fez.
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16.10.22

Da crise de Marcelo saiu um coelho: Passos, Passos Coelho

 


«É fácil o trocadilho, mas depois da sua semana horribilis, o Presidente da República tinha que tirar qualquer coisa da cartola. Saiu o “coelho” que uma parte da direita idolatra, que em certos sectores do PSD é olhado de forma sebastiânica e que se afastou totalmente da política.

O centenário de Agustina Bessa-Luís foi o cenário escolhido, com o antigo chefe de Governo sentado na primeira fila. Além de se referir a Passos Coelho como “senhor primeiro-ministro”, Marcelo – logo ali – quis “lembrar quanto Portugal lhe deve no passado e quanto Portugal está seguro de lhe vir a dever, muito mais, no futuro”. Podemos escrever nos nossos diários que Marcelo Rebelo de Sousa deu o primeiro e mais importante empurrão para a candidatura de Passos Coelho a Belém em 2026.

Mas o Presidente não se ficou por esta frase singela. Cá fora, aos jornalistas, disse mais, num elogio muito eloquente ao homem que um dia o descreveu a ele, Marcelo, como “um cata-vento”. Vale a pena repetir estas palavrinhas todas porque vão servir para a pequena história da política portuguesa.

Frase 1: “Sendo tão novo, o país pode esperar, deve esperar muito ainda do seu contributo no futuro, não tenho dúvidas”; frase 2: “O país deve, num período muito difícil de crise na troika, ao primeiro-ministro Passos Coelho, uma resistência que ainda há dois dias pude ouvir ser elogiada pela boca da então chanceler Angela Merkel. Portanto, é reconhecida cá dentro e reconhecida lá fora, é um facto”.

O lançamento da candidatura presidencial de Passos Coelho – é de notar que quando foi interrogado pelos jornalistas aqui há uns tempos o ex-primeiro-ministro recusou falar do assunto, mas não terminantemente a intenção – foi assim o “facto político” com que Marcelo quis encerrar a pior semana da sua vida como Presidente da República.

Isto acontece porquê? Primeiro, Marcelo percebeu o descontentamento que existe no espaço político institucional da direita a seu respeito: Luís Montenegro não o defendeu e Miguel Pinto Luz atacou-o mesmo, depois da frase terrível sobre os 400 casos de abuso sexual de menores na Igreja. Depois, porque Marcelo percebeu muito bem o “presente envenenado” que constituíram as declarações de António Costa em sua defesa. Ficar agradecido ao primeiro-ministro depois de tanta fraternidade condenada pela direita é o pior que podia acontecer ao Presidente.

Daí as declarações ao Expresso, que, de tão inusitadas, só podem ser lidas à luz de um Presidente que sabe estar acossado e que não quer ficar devedor político da homenagem que Costa lhe prestou.

A péssima relação entre Marcelo e Passos Coelho vem de 1996 quando Passos, apoiante da primeira hora de Marcelo para a liderança do PSD, acabou por, no Congresso de Santa Maria da Feira que elegeu o novo presidente social-democrata, recusar-se a aceitar qualquer cargo na direcção.

Vinte anos depois, em 2016, Passos não queria que o PSD tivesse como candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa e fez tudo para o evitar, incluindo escrever em moções que o PSD nunca apoiaria ninguém com o perfil de Marcelo.

O nome de Marcelo não constava do papel, mas a frase da moção ao congresso de 2014 é uma delícia: o PSD não deveria apoiar um candidato “protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou um cata-vento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político”. Depois de muito pressionado, Passos acabou a aceitar apoiar a candidatura de Marcelo.

Resta saber se o lançamento da candidatura presidencial de Passos é uma opinião errática “em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político”. Pode não ser.»

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11.3.18

Passos Coelho «catedrático»: uma Petição


«Queremos justiça, transparência e decência na política educativa e da ciência em Portugal» – uma Petição que pode ser assinada AQUI.

Este parágrafo parece-me «decisivo»:

«A atribuição do grau de catedrático a Pedro Passos Coelho, mesmo sem cadeira designada, constitui um atropelo flagrante ao estatuto da carreira docente universitária em Portugal. O estatuto estabelece, no seu Artigo 8.º, que os “professores convidados desempenham as funções correspondentes às de categoria a que foram equiparados por via contratual”, sendo que para a categoria de professor catedrático as funções estabelecidas são “de coordenação da orientação pedagógica e científica de uma disciplina, de um grupo de disciplinas ou de um departamento” (Artigo 5.º). Ora, a experiência relevante do ex-Primeiro Ministro em funções governativas não evidencia formação científica ou pedagógica que o habilite para a coordenação científica e coordenação pedagógica exigida a um professor catedrático, ou equiparado. Aliás, o ECDU concretiza no seu articulado um conjunto de funções particulares em que se enfatizam funções de regência, coordenação, direção de disciplinas, programas de estudos inteiros e mesmo programas de investigação, ao ponto de estar habilitado a “substituir, nas suas faltas ou impedimentos, os restantes professores catedráticos do seu grupo.” (alínea e, Art 5.º)»
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8.3.18

Passos Coelho no ISCSP? Alunos não querem



«Este grupo de alunos sustenta não ser "plausível" que alguém que "nunca leccionou, nunca preparou uma tese na sua vida, nunca trabalhou em investigação e nunca teve um percurso académico minimamente relevante seja capaz de preparar alunos de mestrado e doutoramento". (…)

Para os promotores do abaixo-assinado, "o salário obsceno do novo docente (tendo em conta a sua formação académica), equiparado ao de um professor catedrático, é uma ofensa grave à meritocracia inerente ao percurso académico normal de um docente universitário".

Estes alunos sinalizam ainda o que pode ser visto como "cartelização política" dada a proximidade entre Passos Coelho e o actual presidente da instituição, Manuel Meirinho, eleito deputado como independente nas listas do PSD em 2011.»

2.3.18

O «catedrático» Passos Coelho




«No ISCSP, o ex-presidente do PSD vai dar aulas a alunos de mestrado e doutoramento em Administração Pública, devendo fazê-lo na categoria de professor convidado catedrático.»

Ainda por cima, nem vai leccionar nada, vai mandar umas horas em cadeiras dadas por outros: «O até há pouco tempo presidente do PSD não terá nenhuma cadeira específica a cargo em qualquer uma das três instituições, podendo as suas aulas serem integradas em diferentes disciplinas mediante o calendário lectivo de cada Universidade». 

Ah, grande universidade pública!
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24.12.17

Assombrações natalícias



Vai uma pessoa comprar um bolo-rei ao Califa, como habitualmente, e está pela primeira vez na vida a um metro deste paspalho!
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8.10.17

PSD d.C.



«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, anunciou na reunião da Comissão Política Nacional que não irá recandidatar-se ao cargo nas próximas eleições. O jornal online O Observador tem o José Manuel Fernandes a meia haste.

Calma, segurem o fogo-de-artifício porque Passos ainda continua como líder do PSD até às directas do partido. No fundo, pode continuar a ser entrevistado, mas é como se fosse um ex-Casa dos Segredos. A postura de Passos na assembleia, para fazer sentido, vai ser como naquele filme, o "Fim-de-semana com o morto". O Hugo e o Montenegro é que o acartam. Passos fica, mas em modo Bento XVI.

A verdade é que temos péssimo gosto para PM. Por isso, estou sempre de olho no Costa. Já escolhemos: Cavaco, Durão, Sócrates e Passos, parece a minha tia que arranja sempre namorados que dão chatices.

Será que podemos chamar piegas às carpideiras de Passos? Por exemplo, o Rui Ramos acha que a história vai fazer justiça a Passos. Ele acredita nestas coisas. Anda a tentar fazer o mesmo com Salazar há anos, mas ninguém lhe liga nenhuma.

Passos era o guião da troika e a estratégia do Relvas. Sem isso, acabou. O momento exacto da queda de Passos começa com a saída de Relvas. Isto diz muito sobre o PSD e ainda mais sobre Passos. Só espero que, teimoso como é, continue a usar o pin no banho.

Em termos de futuro, acho que é a grande oportunidade de Passos entrar num musical do La Féria. Dizem que ele vai fazer o Robin Hood , já temos xerife de Nottingham.

Posto o Coelho de lado, começam a aparecer os primeiros candidatos ao lugar. Penso que o ideal em termos de continuação do passismo era a Maria Luís ou o Montenegro, mas para mim o melhor candidato à liderança do PSD é o Francisco Assis.

Assim de repente, acho que Manuela Ferreira Leite era uma hipótese, não fosse ser vestida por alguém que a odeia. Há quem fale de Leonor Beleza para líder do PSD. Esqueçam. Está na Fundação Champalimaud. Era o mesmo que sair da NASA para ir para a Nobre. E o Durão Barroso? Isso é que era. Portugal está cheio de restaurantes com estrelas Michelin, podia ser que ele alinhasse. São todos apenas meras hipóteses. Há candidatos mais prováveis como Rui Rio, que está para avançar há dez anos. Como sportinguista revejo-me em Rio, porque para o ano é que é.

Também temos Santana Lopes que diz que está a ponderar avançar para líder do PSD, mas primeiro vai criar um jogo da Santa Casa para as pessoas apostarem se ele vai ou não vai. Acho uma candidatura sem sentido. Santana Lopes vai ser, obviamente, chumbado pelo PSD porque foi PM sem ter vencido as eleições. Eles odeiam isso.»