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26.9.18

Há 50 anos, a primeira noite sem Salazar



Meio século é muito tempo, mas nunca esquecerei aquela hora que marcou o fim do salazarismo. Não por ter tido qualquer esperança na «Primavera» marcelista, iniciada naquela noite de Outono de 1968, mas porque foi um marco. E ainda «oiço» o discurso histórico e sinistro de Américo Tomás quando anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano:



No dia seguinte tomou posse o novo governo e, do discurso de MC, ficaria a célebre uma frase: «Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo.» (Texto do discurso aqui.)

Sabendo o que se seguiu entre 1968 e 1974, não é fácil perceber hoje que muitos, mesmo resistentes antifascistas, tenham criado grandes expectativas com a nomeação de Marcelo. Mas foi um facto: a «Primavera Marcelista» alimentou grandes sonhos quanto ao sucesso de uma «evolução na continuidade». Não durou muito, o desfecho é conhecido.

Começariam as «Conversas em Família»:


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26.9.17

26.09.1968 – A primeira noite sem Salazar



No dia 26 de Setembro de 1968, às 20:00, Américo Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, num discurso histórico e sinistro:



No dia seguinte tomou posse o novo governo e, do discurso de MC, ficaria a célebre uma frase: «Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo.» (Texto do discurso aqui.)

Sabendo o que se seguiu entre 1968 e 1974, não é fácil perceber hoje que muitos, mesmo resistentes antifascistas, tenham criado grandes expectativas com a nomeação de Marcelo. Mas foi um facto: a «Primavera Marcelista» alimentou grandes sonhos quanto ao sucesso de uma «evolução na continuidade». Não durou muito, o desfecho é conhecido.

Começariam as «Conversas em Família». Fica aqui a primeira (08.01.1969):

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11.1.17

As sinistras «Conversas em Família» – 8 de Janeiro de 1969



Passou quase meio século, mas lembro-me bem de 8 de Janeiro de 1969, quando Marcelo Caetano dirigiu ao país a primeira das suas dezasseis «Conversas em Família». 48 anos antes de Mário Soares morrer, ele que nesse momento estaria em Lisboa, entre o regresso da deportação em S. Tomé e o exílio que o esperava em França.

Uma síntese do que foi dito pode ser lido no Diário de Lisboa do dia seguinte. Marcelo (o primeiro…) frisou o embaraço do governo para aumentar salários sem desequilibrar o orçamento nem agravar o custo de vida. Soa a discurso familiar, é certamente uma sina que nos está gravada na palma da mão…

Não encontrei a imagem e o som dessa primeira «Conversa», mas deixo o vídeo da última: em 28 de Março de 1974, Já depois do golpe falhado das Caldas, o presidente da Conselho não sabia – e nós também não – que nunca mais teríamos aqueles cinzentos e sinistros serões, que nos entravam pela casa dentro. Faltava menos de um mês.


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8.1.16

08.01.1969 – Primeira «Conversa em Família» de um (outro) Marcelo



Quem anda por estas terras já há muito tempo, recorda-se das célebres «Conversas em Família» (foram 16) que Marcelo Caetano dirigiu ao país entre 8 de Janeiro de 1969 e 28 de Março de 1974.

Na primeira, cujo conteúdo os mais interessados podem ler no Diário de Lisboa do dia seguinte, frisou o embaraço do governo para aumentar salários sem desequilibrar o orçamento nem agravar o custo de vida. Nem sei o que diga e o que sinto, a 47 anos de distância: uma sensação (falsa, eu sei) de tempo parado, uma espécie de sina nas linhas traçadas na palma da mão, como cantava Hermínia Silva.

Não encontrei a imagem e o som dessa primeira «Conversa», mas deixo o vídeo da última: em 28 de Março de 1974, já depois do golpe falhado das Caldas, o presidente da Conselho não sabia – e nós também não – que nunca mais teríamos aqueles cinzentos e sinistros serões na sua companhia. Ponto final.


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26.10.15

26.10.1969. As primeiras eleições do marcelismo



Há 46 anos, votei pela primeira vez e pela última durante a ditadura. Em 26 de Outubro de 1969, realizaram-se as primeiras eleições legislativas do marcelismo e muitos acreditaram que a tal «primavera» anunciada iria permitir que o processo eleitoral se passasse mais normalmente do que no passado, ou seja, com um mínimo de liberdade e de decência. Não foi o caso, como é sabido.

Apesar da velha querela de ir ou não às urnas, a oposição foi a votos – com resultados bastante modestos porque todo o processo foi marcado, uma vez mais, pela manipulação e pela arbitrariedade do governo. Concorreu-se em duas frentes – CDE e CEUD –, depois de um longo processo de alianças e dissidências, hoje largamente documentado.

P.S. – Alguns podem estar interessados em conhecer, ou relembrar, o «Resumo do programa político da Comissão Democrática Eleitoral do Distrito de Lisboa».
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26.9.15

26.09.1968 – A primeira noite sem Salazar e com o Prof. Marcelo I



No dia 26 de Setembro de 1968, às 20:00, Américo Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, num discurso histórico e sinistro:



No dia seguinte tomou posse o novo governo e, do discurso de MC, ficaria a célebre uma frase: «Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo.» (Texto do discurso aqui.)

Sabendo o que se seguiu entre 1968 e 1974, não é fácil compreender que muitos, mesmos entre os resistentes antifascistas, criaram grandes expectativas com a nomeação de Marcelo (ter um chefe de governo que NÃO era Salazar constituía, por si só, uma experiência única). A «Primavera Marcelista» alimentou muitas sonhos quanto ao sucesso de uma «evolução na continuidade». O desfecho é conhecido...

Começariam as «Conversas em Família»:


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27.9.14

27/9/1968? Foi assim



No dia 27 de Setembro de 1968, tomou posse o governo chefiado por Marcelo Caetano e começou a chamada «Primavera Marcelista». Muitos portugueses ouviram, atónitos, uma palavra desconhecida – «ciclópicos» –, numa frase que viria a marcar o discurso do novo presidente do Conselho de Ministro: «Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo.» (Texto do discurso aqui.)

Na véspera, às 20:00, Américo Tomás tinha anunciado a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, neste sinistro discurso:



Muitos, mesmos entre os resistentes antifascistas, criaram grandes expectativas com a nomeação de Marcelo (ter um chefe de governo que não era Salazar constituía, por si só, uma experiência única...) e acreditaram no possível sucesso de uma «evolução na continuidade». Mas foram também muitos os que nunca alimentaram quaisquer esperanças – com razão, o desfecho é conhecido. 
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15.4.14

Portugal, início do marcelismo



Em 1968, por ocasião da tomada de posse de Macelo Caetano como sucessor de Salazar, dois jornalistas vieram a Portugal para prepararem uma reportagem a ser produzida pela «Société Suisse de Radiodiffusion Et Télévision» e pelo «Office National de Radiodiffusion Télévision Française».

Vêem-se imagens da dita tomada de posse e uma tentativa frustrada para obter declarações políticas de Marcelo. Mas o vídeo mostra sobretudo entrevistas a Sophia de Mello Breyner e Francisco Sousa Tavares (FST), que dão a cara, e a estudantes que preferem não o fazer. (Vale a pena registar, a partir do minuto 9' 32", as esperanças que FST depositava então no marcelismo. Não foi o único a tê-las, mas foi sol de pouca dura...)

São estes retratos da sociedade portuguesa que devem ser divulgados para que não se esqueça o que era o 24 de Abril.


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26.9.13

45 é um número redondo: em 1968, chegou Marcelo Caetano



No dia 26 de Setembro de 1968, às 20:00, Américo Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, neste sinistro discurso:



No dia seguinte tomou posse o novo governo e, do discurso de MC, ficaria a célebre frase: «Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo.» (Texto do discurso aqui.)

Sabendo o que se seguiu entre 1968 e 1974, não é fácil compreender que muitos, mesmos entre os resistentes antifascistas, criaram grandes expectativas com a nomeação de Marcelo (ter um chefe de governo que NÃO era Salazar constituía, por si só, uma experiência única...). A «Primavera Marcelista», expressão usada para caracterizar os dois anos que se seguiram, alimentou muitas sonhos quanto ao sucesso de uma «evolução na continuidade». Mas claro que também foram muitos os que nunca alimentaram quaisquer esperanças. O desfecho é conhecido...

Começariam as «Conversas em Família»:




E continuaram as «pérolas» nos discursos de Américo Tomás:


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10.5.13

Conversas sem família



Luís Reis Torgal escreveu, no Público de ontem, um excelente texto (sem link), com este título. Ainda pensei divulgar apenas uns excertos, mas aconselho a leitura na íntegra. Ficam aqui o primeiro e os dois últimos parágrafos e o texto completo. 

«O discurso proferido em 3 de Maio (dois dias depois do “Dia do Trabalhador”) pelo primeiro-ministro (ia a dizer “primeiro ministro da troika") lembrou-me as Conversas em Família de Marcello Caetano, da minha mocidade. Não é que Passos Coelho tenha a estatura cultural do sucessor de Salazar. Logicamente que lhe fica muito atrás. Por isso Marcello tentava – e fazia-o com mestria – encantar o povo com um raciocínio claro e uma forma coloquial, próprio de um excelente professor. Se me recordou as Conversas em Família (“Conversas sem Família”, como lhe chamo) é porque tentou, com o que chamamos uma “retórica de poder”, convencer os portugueses, a qualquer preço, de que não havia outra maneira de salvar Portugal do que o uso da sua receita, em prejuízo sobretudo dos funcionários públicos e pensionistas, e também de toda a economia e da generalidade da sociedade. E a maioria dos funcionários públicos e pensionistas lutaram mais pelo país, com o seu trabalho e a sua dedicação, do que o ministro durante a curta vida de gestor e a sua longa militância política na JSD e no PSD e, agora, no Governo. (...)

Que democracia é esta? É óbvio: estamos numa democracia política capitalista e neoliberal, autoritária, e de dependência. Cavaco Silva, Passos Coelho e seus amigos são bem o seu símbolo. Por isso, se há que construir outra democracia, há que lutar contra esta. Aqui e em todos os países da Europa, numa lógica de solidariedade, afinal própria daquela Europa que defendemos, a “Europa dos Cidadãos”.

Caso contrário, ainda nos cai em cima não “outro 25 de Abril” (como por aí dizem), mas “outro fascismo”, com outra forma. A “política” (como arte e não como cidadania) sempre soube usar o disfarce. E não nos esqueçamos que se está a celebrar, neste ano, meio século de O Príncipe de Maquiavel.» 

26.9.12

Há 44 anos, a primeira noite sem Salazar


No dia 26 de Setembro de 1968, às 20:00, Américo Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, neste curto e tétrico discurso: 



No dia seguinte tomou posse o novo governo e, do discurso de MC, ficaria a célebre frase: «Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo.» (Texto do discurso aqui.)

Sabendo o que se seguiu entre 1968 e 1974, não é fácil, sobretudo para os mais novos, compreender que muitos, mesmos entre os resistentes antifascistas, criaram grandes expectativas com a nomeação de Marcelo (ter um chefe de governo que NÃO era Salazar constituía, por si só, uma experiência única...). A «Primavera Marcelista», expressão usada para caracterizar os dois anos que se seguiram, alimentou muitas sonhos quanto ao sucesso de uma «evolução na continuidade». .

Mas foram também numerosos os que nunca alimentaram quaisquer esperanças e, a 44 anos de distância, acho graça e alegro-me ao reler o que então escrevi, num depoimento para O Tempo e o Modo (não esquecer que as revistas eram submetidos a «exame prévio», o que nos forçava a exercícios de encriptação em que éramos exímios...) (*):

«O que penso do actual momento político?
1º – Que o Estado, agora novíssimo, merece os nossos parabéns. Simplesmente porque há muita gente contente. Pois então não é bom que os jornais embandeirem em arco porque podem dizer que já podem dizer e começam mesmo a dizer, que haja regressos anunciados e partidas «aboatadas» e que os empregados da CP escrevam ao Presidente do Conselho? Que sejam prometidas prioridades para o ensino e apareça já uma reforma (!)? Afinal o De Gaulle é um grande homem! Vai ajudar-nos daqui a uns anos (se ainda formos vivos). O pior é o Marcuse. E os outros.
2º – Que não faltarão boas vontades para a acção imediata. Esperemos também que haja quem queira parar, não ter pressa (de quê, agora?), tirar lições. Porque há muito, muito que pensar, que estudar e que fazer a longo prazo. Com havia há dois meses.»

(*) Dossier especial publicado durante o quarto trimestre de 1968, que incluía vários artigos e depoimentos de pessoas, pró ou contra MC, que aceitaram responder à pergunta «Como encara o actual momento político?»: António Alçada Baptista, Eduardo Prado Coelho, Francisco Balsemão, Joana Lopes, Jorge Sampaio, Luís Moita, Manuel Roque, Nuno de Bragança e Raul Rego. Este dossier foi republicado em O Tempo e o Modo – Antologia, Fundação Calouste Gulbenkian / Centro Nacional de Cultura, Lisboa, 2003, pp. 613-648. 
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24.4.12

O «24» de Abril foi assim

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A propósito do golpe falhado das Caldas


Também em Março de 1974

Marcelo Caetano foi bem fintado. Não nos deixemos nós fintar agora.
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26.9.10

E foi assim que Marcelo Caetano sucedeu a Salazar (26/9/1968)


No dia 26 de Setembro de 1968, às 20:00, Américo Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, num curto e tétrico, mas absolutamente histórico discurso que aqui se reproduz (com a qualidade possível…).


No dia seguinte, às 17:00, tomou posse o novo governo e começou a chamada «Primavera Marcelista».

Das reacções que se seguiram, retenho um dossier especial de O Tempo e o Modo, publicado pouco depois, durante o quarto trimestre de 1968. Para além de um «Filme dos Acontecimentos» entre 7 de Setembro («Sua Excelência foi operado esta noite de um hematoma») e 6 de Outubro («O estado clínico do Presidente continua estacionário»), este nº 62-63 da revista contém depoimentos de várias pessoas que aceitaram responder à pergunta «Como encara o actual momento político?». [1] Testaram-se as novas liberdades anunciadas, no habitual jogo de gato e rato com a censura, bem patente no último parágrafo do texto de Nuno Bragança (na íntegra, no fim deste post - merece ser lido):

«”Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo”, disse o Prof. Marcello Caetano. Referir-se-ia ele ao gigantismo dos cíclopes ou à característica monocular dos mesmos? Creio que foi de António Sérgio a conhecida e terrível frase: “O drama de Portugal não está em que nele reine quem tiver um olho só, mas no facto de alguns arrancarem um dos olhos para poder reinar”

[1] Este dossier foi republicado em O Tempo e o Modo – Antologia, Fundação Calouste Gulbenkian / Centro Nacional de Cultura, Lisboa, 2003, pp. 613-648.
Depoimentos de António Alçada Baptista, Eduardo Prado Coelho, Francisco Balsemão, Joana Lopes, Jorge Sampaio, Luís Moita, Manuel Roque, Nuno de Bragança e Raul Rego.

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16.3.09

«Há por aí diferentes queixumes»

... disse o Presidente do Conselho alguns dias depois do golpe das Caldas, numa das suas «Conversas em Família».

Exactamente há 35 anos, em 16 de Março de 1974, uma tentativa falhada acabou por funcionar como balão de ensaio, como uma espécie de último treino indesejado para o 25 de Abril.

Entre as duas datas, ficou célebre um Sporting – Benfica, em que uma grande parte dos espectadores aplaudiu de pé Marcelo Caetano quando este apareceu na tribuna de honra - eu vi, eu estava lá. Certamente muitos que, alguns dias mais tarde, puseram cravos em espingardas e engrossaram a multidão do 1º de Maio.

E daí? Nada. É destas pequenas histórias que é feita a História – de humanos, não de anjos nem de heróis.

26.9.08

Assim nasceu o marcelismo
















Em 26 de Setembro de 1968, exactamente há 40 anos portanto, o nunca assaz recordado presidente Amércio Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano.

Fez nesse dia um discurso, curto e tétrico, cuja «banda sonora» pode ser ouvida aqui ao lado, no Caminhos da Memória. Por razões de ordem técnica, não me é possível pô-la aqui. Mas, como se lia nos velhos guias Michelin, «ça vaut le voyage».