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25.7.16

E o futuro? Falta aqui


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26.9.14

Eu ainda sou do tempo


... em que o Centro de Informática do Ministério da Justiça era a jóia do coroa da administração central, em termos de tecnologias da informação.

19.7.14

Manuel Alegria, bits e bytes



A revista Sábado desta semana traz um extensíssimo dossier sobre a vida rocambolesca de um personagem que dá pelo nome de Manuel Alegria, que terá sido adjunto de Sá Carneiro, que tinha fortes ligações à família Espírito Santo e que fugiu do país em 1975, com ou sem uma mala cheia de dinheiro. Tem agora 80 anos, vive em Bruxelas e, de lá, respondeu a uma espécie de entrevista que a Sábado divulga. Devo dizer que os detalhes da história pouco me interessam, mas o nome fez-me recuar nada menos do que 45 anos.

Nos idos de 1969, mais do que fartíssima de dar aulas na secção de Filosofia da Faculdade de Letras de Lisboa (que caracterizar como cinzenta seria considerá-la demasiado garrida), decidi virar-me para a informática, tirar uns cursos e aceitar uma proposta de emprego, a meio tempo, numa empresa que hoje seria de «Outsourcing» e se definia então como um «Service Bureau». SERTE era o seu nome, proprietário, ou pelo menos principal sócio e director executivo, o tal dr. Manuel Alegria. Saíra há algum tempo da IBM (o dossier da Sábado refere o facto) e eu para lá transitei depois de passar um ano no dito «Service Bureau» – uma bela tarimba a que muito fiquei a dever.

Sobre essa experiência, ontem «desenterrada», publiquei há nove anos, num outro blogue, um texto que hoje repesco e altero um pouco. Absolutamente matusalénico para quase todos, julgo que memorialístico para uns tantos. Os factos são todos absolutamente verídicos (mangas de alpaca incluídas), apenas alterei os nomes.

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O Sr. Santos aperta a mão a cada um dos colegas, como todos fazem quando chegam de manhã.
O Sr. Silva vira a página do calendário e enfia as mangas de alpaca pretas, com elástico em cima e nos punhos, para poupar o casaco cinzento que comprou no Natal.
O Sr. Martins tira o meio lápis que já tinha guardado atrás da orelha e pega no escantilhão para continuar a desenhar o complexo fluxograma que colocará mais tarde na corticite a que encosta a cadeira.
A Célia começa a perfurar um programa novo em cartões azuis.
A Leonor queixa-se das insónias da noite anterior.
As duas doutoras verificam cuidadosamente os maços de cartões que a Célia pôs nas suas secretárias e voltam a colocar elásticos em cada um. Nessa noite, seguirão de avião para a Bélgica os seus primeiros programas.

É assim que se prepara a chegada de um novo computador, numa cave de Almirante Reis, numa manhã da Primavera de 1970.
O chamado material clássico e os pesados computadores a cartões, todos cinzentos, continuam a executar as aplicações de salários e de contabilidade dos clientes. Mas não chegam para satisfazer as exigências e a visão que o Dr. José Azevedo tem para a sua empresa, no início de uma nova década.
Por isso vem aí «O» computador que ainda precisará de cartões, mas que terá também discos e bandas magnéticas e 30K bytes (leram bem...) de memória! O espaço já está reservado e devidamente envidraçado, o chão falso colocado e a instalação de ar condicionado não tardará. As duas doutoras foram admitidas por causa dele.

O Sr. Martins explica às doutoras por que razão é preciso utilizar tantas instruções de condensação nos programas: há que poupar meios bytes sempre que possível, todo o desperdício pode ser fatal, mesmo com o grande sistema que aí vem.
O Sr. Silva combina com os outros homens mais uma almoçarada com frango de churrasco e tenta convencer as doutoras a participarem. Fazem sempre campeonatos para verem quem come mais. Elas dizem que talvez para a semana. As perfuradoras levam comida de casa e as doutoras, normalmente, fazem companhia uma à outra num restaurante perto da Praça do Chile.

O Sr. Martins é o chefe da Programação e Análise. Só tem a 4ª classe, mas todos acham que ele é um génio. Nem percebem para que servem doutores, o exemplo do Sr. Martins mostra bem que não são precisos canudos para lidar com computadores. Mas acham uma certa graça a que estejam lá agora duas jovens doutoras. 

A Drª Júlia telefona para o fornecedor do novo computador para que mande buscar os cartões com os programas. Estes serão compilados em Bruxelas. Tem de ser assim já que o dito computador será o primeiro da sua espécie, o maior, o mais rápido a ser instalado em Portugal. Os cartões são entregues a uma hospedeira da TAP, a mesma que, dois ou três dias depois, trará uma pesada listagem com o resultado das compilações e respectivos erros. E o ciclo recomeçará.
O Sr. Santos pergunta a todos se acreditam que o arranque do novo sistema se fará em Maio como previsto. Ninguém responde porque toda a gente duvida.
A Leonor diz à Célia (que é a responsável pela Perfuração, ou seja por ela própria e pela Leonor) que o papel higiénico de reserva não vai chegar até ao fim do mês se não houver um esforço colectivo de poupança.

É 6a feira, 1h da tarde. Os homens atravessam a avenida e vão comer o tal frango de churrasco. Já está calor desde manhã, mas ninguém sabia porque não há janelas na cave de Almirante Reis.
Os eléctricos passam devagar, meios vazios. Os portugueses continuam tristonhos, mas há algo de diferente nas ruas. As raparigas encurtaram muito as saias, há mesmo algumas de hot pants.

As duas doutoras não têm nada que fazer porque as listagens de Bruxelas só chegarão lá para 3ª feira. O tempo custa a passar.
A Célia recorda que há um lanche às 5h no átrio da casa de banho das senhoras porque a Leonor faz anos.
A Drª Júlia telefona ao namorado e combinam ir ao cinema. A Drª Rita pergunta-lhe o que vai ver. Diz que ainda não sabe: parece-lhe demasiado esotérico explicar que será «A Paixão de Joana d’ Arc», numa retrospectiva de Carl Dreyer, no Palácio Foz.
A Leonor diz que está desejando que o dia acabe para ir buscar a filha que só vê aos fins de semana: de 2a a 6a fica em casa dos avós na Malveira.

Acabou o fim de semana, passou-se mais um mês.
É noite e Marcelo Caetano entra pela casa dos portugueses com mais uma «Conversa em Família». Em Alfama, preparam-se as ruas para a noite de Santo António.

O computador chega entretanto. São abertas dezenas de caixotes, os técnicos do fornecedor esticam muitos metros de cabos. Alguns periféricos vêm embrulhados em longos panos prateados e a drª Júlia leva alguns metros para mandar fazer uma minissaia.
Já piscam luzinhas desde a véspera. É muito tarde, quase madrugada, mas ninguém se vai embora. Finalmente o sistema «arranca»! Só compila e só executa um programa de cada vez (modernices de multiprocessamentos só virão mais tarde), mas tem 30 K, é grande, é bonito e fica muito bem na sala envidraçada.
Vem o Dr. Azevedo, abre-se uma garrafa de champanhe. As perfuradoras põem batom, o Sr. Silva tira as mangas de alpaca.

P.S. – O verdadeiro nome do dr. Azevedo é Manuel Alegria. 
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26.6.12

Maravilhas da técnica



Alan Turing was a brilliant mathematician who helped define the theoretical model of the computer as we know it today. He was a visionary, one of the few people of his time who recognized the role the computer would play for humanity. The Turing Machine (1936) is an adequate model of a computer. It can do anything the computers of today or tomorrow can do. 

More on the LEGO Turing Machine here.

(Via Tiago Neves no Facebook)
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28.12.11

Querida tecnologia


1956: este disco da IBM pesava mais de uma tonelada e tinha um capacidade de 5 MB (megabytes).

Há cerca de 20 anos, um disco de 5 GB (gigabytes) custava 10.000 contos. Hoje, comprei um de 500 GB por 50 euros.

Daqui, via Virgílio Vargas no Facebook.
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20.2.11

Conta-me como vai ser

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1969 foi o ano em que toquei pela primeira vez num computador. Com o delicioso pormenor de então me pentear exactamente como a senhora do vídeo...

(Via Manuel Vilarinho Pires no Facebook)
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10.1.11

Para a eternidade


Fiquem então descansados, historiadores e memorialistas, porque nada disto se vai perder ao longo dos tempos - «isto» sendo conteúdo de blogues, páginas do Facebook, perfis de Twitter e tudo o mais que adiante aparecerá, que ficará protegido em túmulos virtuais para alguém mais tarde consultar.

Vêm aí os e-túmulos, alimentados por energia solar (ecologia oblige…) e acessíveis a partir de um simples telemóvel com bluetooth. Muito mais atractivos do que as sinistras pedras de mármore em campas rasas, não sei se a ocupar prateleiras em jazigos, mas certamente ornamentáveis com fotografias tiradas do Facebook ou de posts de um qualquer blogue.

Claro que já surgiram as primeiras discussões sobre direitos de acesso: deve este ser reservado a familiares dos autores ou não, com que regras de protecção de privacidade, que defesas contra hackers devem ser garantidas, etc., etc. etc.

O que não é dito é se o Facebook continuará activo entre e-túmulos, dando aos seus habitantes a possibilidade de criarem grupos do tipo «we are dead».

Tudo matéria para reflexão sobre o que aí vem, mais dia menos semestre.

(Daqui, via Virgílio Vargas no Facebook)
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21.12.10

Revolução tecnológica?


Jorge Nascimento Rodrigues, que leio há muitos anos no Expresso e «encontro» agora diariamente no Facebook, acaba de publicar uma interessante entrevista a Peter Cohan.

Bem em voga na década de 90, Cohan publicou, em 1997, uma obra que JNR refere e que eu então li, e utilizei, por razões profissionais: The Technology Leaders: How America's Most Profitable High Tech Companies Innovate Their Way to Success.

Razão mais do que suficiente para o meu interesse em tentar interpretar o relativo pessimismo de Cohan que não vê emergir a inovação tecnológica indispensável para que a economia saia do actual marasmo - nada que se compare ao que se passou «nos anos 1960 com os computadores de grande porte, depois nos anos 1970 com os minicomputadores, nos anos 1980 com os computadores pessoais e nos anos 1990 com a Internet».

Tendências promissoras? Certamente: serviços e aparelhos ligados à utilização das redes sociais na Internet, computação em nuvem (cloud computing), cruzamento das tecnologias de informação com a medicina e utilização de tecnologias «limpas». Mas não se sente ainda uma verdadeira «onda».

Nestes tempos de crise, para Cohan, «a tendência mais forte na obtenção de capital é recorrer aos chamados investidores «anjos», a que alguns chamam de business angels. Trata-se de gente muito rica - que, por vezes, inclusive se junta em grupo - que quer investir em pequenos e novos negócios, sem toda essa intrusão dos homens do capital de risco». Business angels…

Próximos capítulos a serem seguidos com atenção.
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15.11.10

Realidade com ar de ficção


Quando eu comecei a mexer nestas maquinetas que dão pelo nome genérico de computadores, a maior em que pus as mãos foi esta, com uns míseros 30 K bytes de memória central. Ocupava grande parte de um andar da Rua Duque de Palmela, com chão falso debaixo do qual passava um emaranhado inconcebível de cabos, todo o conjunto arrefecido à custa de um potente sistema de ar condicionado.

A multiprogramação ainda estava a chegar (Power/VS…) e eu tinha de meter umas cunhas para conseguir uma hora de «máquina dedicada», entre as 4 e as 5 da manhã – o que era um verdadeiro luxo! Para quê? Para testar programas para o Banco de Portugal, que tinha então encomendado o seu primeiro computador, esperado para daí a mais ou menos um ano. No tempo das Invasões Francesas? Não, em meados de 1971.

Leio hoje que a IBM planeia construir supercomputadores com as dimensões de cubos de açúcar, a serem empilhados e arrefecidos por um complexo sistema de cascatas internas, em tubos com a espessura de um cabelo, e especialmente económicos em termos de gastos de energia.

A miniaturização para além do meu imaginário! E tentar visualizar um computador como se de um «canard» de tratasse…
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