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21.8.18

Praga 1968, ainda



No 50º aniversário da invasão de Praga, muita informação disponível:

***** Pacheco Pereira: "Cunhal e Fidel quebraram o isolamento dos soviéticos" em 1968.

***** Prague 1968: lost images of the day that freedom died.

***** Rusia vuelve sin tanques a Europa central.

***** How (and why) I still remain a Czech and a Slovak. A 2018 afterword.
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Há 50 anos, deixou de ser Primavera em Praga










A não perder, este belíssimo vídeo com mais fotografias.

(Texto e fotos de Josef Koudelka, Invasion of Prague, Thames & Hudson, 2008.)
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21.8.15

Praga, na madrugada de um 21 de Agosto










A não perder, este belíssimo vídeo com mais fotografias.

(Texto e fotos de Josef Koudelka, Invasion of Prague, Thames & Hudson, 2008.)
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21.8.12

Praga, numa madrugada de 21 de Agosto



... de 1968, quando as tropas do Pacto de Varsóvia invadiram a Checoslováquia.



O que se seguiu é bem conhecido.





(Texto e fotos de Josef Koudelka, Invasion of Prague, Thames & Hudson, 2008.)
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21.8.11

Praga, há 43 anos


20 / 21 de Agosto de 1968, o fim da Primavera de Praga.



A ver também este vídeo de Josef Koudelka, o autor das fotografias do extraordinário livro «Invasion Prague 68», publicado em 2008, por ocasião do 40º aniversário da invasão.
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21.8.10

Viver em Praga, depois de 68


Em mais um aniversário da invasão de Praga, retomo um texto que foi escrito para este blogue há pouco mais de dois anos. A sua autora é Rosa Ventura, filha de Cândida Ventura e de Américo de Sousa, dirigentes históricos do PCP.

Cheguei a Praga com 17 anos, em Julho de 1969, naturalmente entusiasmada e feliz com a ideia de ir viver com a minha mãe, finalmente ao fim de tantos anos, e num país socialista.

Levaram-me para um hotel luxuoso situado no centro da cidade. Nunca vira nada de semelhante e, perante o meu espanto, explicaram-me que era assim que recebiam as entidades políticas estrangeiras importantes e as suas famílias.

Desconhecia, por completo, o que se tinha passado em 1968 e ninguém me falou então do assunto. Integrada num grupo de estudantes de várias nacionalidades, fui para uma espécie de palácio, em regime de internato, para participar num curso intensivo de checo. Só podíamos sair uma vez por semana, mas foi durante essas saídas que conheci jovens checos.

Foi também então que começaram as surpresas. Eu que, em Portugal, tinha participado em manifestações contra a guerra do Vietname e contra os Estados Unidos, fui encontrar ali, num país dito socialista, pessoas da minha idade que só pensavam em fugir para qualquer parte e que adoravam os americanos. Contaram-me então o que se passara um ano antes. Havia uma tristeza e uma revolta enormes em relação à invasão russa cujas marcas nas fachadas da Praça Venceslau eram bem visíveis – e sê-lo-iam por muito tempo. Eu tentava falar-lhes da nossa ditadura, da falta de liberdade, das prisões, mas explicavam-me que lá era igual.

Para mim, tudo isto foi muito dramático, mas quando tentei discutir o assunto com quem de direito, foi-me dito que não podia ter opinião nem meter-me “onde não era chamada”.

Durante cinco anos, vivi na cidade mais linda da Europa com um povo fantástico, uma cultura geral impressionante, aprendi a gostar de música clássica, de teatro, de museus, de história e, sobretudo, a NÃO querer aquele socialismo para Portugal.

Tudo isto é muito pessoal, muito emocional e pouco político, mas foi a experiência do fim da minha adolescência, toda ela feita de descoberta de contradições – e de muitas mentiras.
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20.8.08

«Proletáři všech zemí, odejděte!»

A mensagem com que Cavaco devolveu à Assembleia da República o diploma sobre a lei do divórcio ainda é mais complicada do que a comunicação ao país sobre os Açores. De facto, deve passar-se algo de estranho naquele palácio cor-de-rosa.

Politicamente correcto seria explicar aqui porque é que a direita, o PR e os bispos são péssimos por serem contra a lei do divórcio, mas não estou para aí virada.

À minha volta, conheço muito pouca gente que ainda se case (devo viver num mundo especial...). Há cada vez mais criancinhas de respeitáveis clãs burgueses que dizem, com toda a naturalidade: «Na minha família ninguém se casou». Ouvi isto há uns dias e achei uma delícia.

Agora as meninas que ainda querem vestido branco e flor de laranjeira que aturem o Cavaco, os deputados e o bispo Azevedo. Continuem até a trocar de nome, romanticamente, para terem o apelido do marido (essa então nunca percebi mesmo e não caí nela, nem há trinta e muitos anos).

Claro que sei que não é tão simples assim e que há problemas reais, mas toda esta discussão caseira me pareceu hoje muito pouco interessante. Passei parte do dia a pensar em Praga 1968, a ver filmes com tanques a entrarem na cidade, a ouvir canções de Marta Kubišová.

Enquanto ouvia o Luís Delgado misturar divórcio com manobras eleitorais, não me saíam da cabeça algumas palavras de ordem dos jovens checos do 22 de Agosto:

«Acorda Lenine, que Brezhnev endoideceu»

«Proletáři všech zemí, odejděte!»
(«Proletários de todo o mundo, desapareçam!»)

Estive noutra.

«Prague 1968: La fin d'un rêve»

Peter Heller (realizador), Alemanha, 2008


Hoje, às 20:00, canal ARTE

«Le 20 août 1968, alors que l'intervention soviétique est en cours, Hubert, un étudiant ouest-allemand, arrive en gare de Prague où l'attend Lioubov, sa petite amie ukrainienne. Sur la place Venceslas, devant l'immeuble de la radio-télévision, le couple s'abrite derrière une barricade, mais une balle atteint le jeune homme, le laissant invalide pour le reste de sa vie… Quarante ans plus tard, Lioubov et Hubert se retrouvent à Prague. Dans ce film, le destin douloureux du jeune couple sert de toile de fond pour évoquer la fin de cette période exceptionnelle qui avait fait souffler un vent de liberté sur la Tchécoslovaquie»

Naquele dia fomos todos checoslovacos

Praga - 20/21 de Agosto de 1968



A ler: Praga - luz e sombras em «Caminhos da Memória»

9.5.08

Praga, 1968













Era Primavera, também em Praga.

Um video sobre o trabalho de democratização na Checoslováquia.

Um artigo no N.O., de Abril de 1968.

Uma canção.


Vão-se habituando à voz de Marta Kubisová. Mais notícias em breve.

2.4.08

Viver em Praga, depois de 68















Maria (nome fictício) viveu cinco anos na Checoslováquia. Conhecemo-nos pouco depois do 25 de Abril, não nos vemos há muitos anos, reencontrámo-nos porque ela descobriu este blogue.

Pedi-lhe um testemunho sobre a sua experiência de vida naquele país. Aqui fica, extraído de um longo mail, depois de omitidas algumas passagens de carácter muito pessoal.

Sem comentários. Esta história, contada com tanta simplicidade, fala mais alto do que revisões de matérias que, infelizmente, todos conhecemos demasiado bem.


«Cheguei a Praga com 17 anos, em Julho de 1969, naturalmente entusiasmada com a ideia de ir viver num país socialista.

Levaram-me para um hotel luxuoso situado no centro da cidade. Nunca vira nada de semelhante e, perante o meu espanto, explicaram-me que era assim que recebiam as entidades políticas estrangeiras importantes e as suas famílias.

Desconhecia, por completo, o que se tinha passado em 1968 e ninguém me falou então do assunto.

Integrada num grupo de estudantes de várias nacionalidades, fui para uma espécie de palácio, em regime de internato, para participar num curso intensivo de checo. Só podíamos sair uma vez por semana, mas foi durante essas saídas que conheci jovens checos.

Foi também então que começaram as surpresas. Eu que, em Portugal, tinha participado em manifestações contra a guerra do Vietname e contra os Estados Unidos, fui encontrar ali, num país dito socialista, pessoas da minha idade que só pensavam em fugir para qualquer parte e que adoravam os americanos.

Contaram-me então o que se passara um ano antes. Havia uma tristeza e uma revolta enormes em relação à invasão russa cujas marcas nas fachadas da Praça Venceslau eram bem visíveis – e sê-lo-iam por muito tempo.

Eu tentava falar-lhes da nossa ditadura, da falta de liberdade, das prisões, mas explicavam-me que lá era igual.

Para mim, tudo isto foi muito dramático, mas, quando tentei discutir o assunto com quem de direito, foi-me dito que não podia ter opinião nem meter-me "onde não era chamada".

Durante cinco anos, vivi na cidade mais linda da Europa com um povo fantástico, uma cultura geral impressionante, aprendi a gostar de música clássica, de teatro, de museus, de história e, sobretudo, a NÃO querer aquele socialismo para Portugal.

Tudo isto é muito pessoal, muito emocional e pouco político, mas foi a experiência do fim da minha adolescência, toda ela feita de descoberta de contradições – e de muitas mentiras.»

31.3.08

Era Primavera, em Praga


Há quarenta anos, a Checoslováquia vivia o seu momento de euforia.

Março foi um mês importante em que a censura foi parcialmente abolida.
Os estudantes pediam eleições e recordavam frases do grande poeta Vitezslav Nezval (*):

«Quero acordar as consciências dos que não reflectiram»
«Pendurem estes poemas nos escritórios, nas máquinas, nos pára-brisas»
«Hoje, antes que seja demasiado tarde»
«Os tempos são curtos»


E foram de facto curtos, muito curtos, esses tempos de esperança. Iriam acabar brutalmente, em Agosto, com a invasão das tropas do Pacto de Varsóvia.



P.S. - Aqui uma entrevista que Jiri Stransky, escritor, realizador e antigo preso político, deu este mês à Euronews.

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(*) Fonte

9.2.08

Era Primavera, em Praga

Clicar na imagem para a aumentar



























Numa tentativa quase inglória de libertar espaço em prateleiras para novos livros, encontrei hoje este exemplar de Les Temps Modernes – a mítica revista fundada e dirigida por Jean-Paul Sartre –, inexplicavelmente entalado entre vizinhos que lhe eram totalmente estranhos.

Trata-se de um número publicado em Abril de 1968 e que tem como tema central a Checoslováquia. Quando aí se vivia uma Primavera, não só como estação do ano, mas, também e sobretudo, como tempo de todas as esperanças, de algumas liberdades dadas como adquiridas e de outras que pareciam vir a caminho. Onde nada disso iria durar porque, como é sabido, no dia 20 de Agosto desse mesmo ano, as tropas do Pacto de Varsóvia invadiram Praga e puseram fim a todos os sonhos.

Por todos estes motivos e por mais alguns, ganha um sabor especial a leitura destes textos, quarenta anos e tanta História depois.

O primeiro – «Un socialisme à refaire» –, em jeito de introdução e de sumário dos outros, é de André Gorz (que, como estarão lembrados, se suicidou, juntamente com a mulher, em Outubro de 2007).

Vale a pena lê-lo na íntegra e, como não é muito longo, deixo-o digitalizado aqui. (Clicar para aumentar a imagem.)(*)


(*) Se alguém estiver interessado em algum dos outros artigos, basta deixar um pedido na caixa de comentários ou enviar um mail. Digitalizarei para um outro espaço na net e di-lo-ei aqui.