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26.4.20

Guernica




Guernica foi bombardeada em 26 de Abril de 1937.
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10.1.20

As armas falarão mais alto e ditarão a lei?



«Tornou-se um lugar-comum afirmar que o mundo está a ficar um local perigoso para se viver.

É indesmentível - a ordem que saiu da segunda guerra mundial está a esvair-se e a ser substituída por uma nova ordem ditada pelo desequilíbrio da força militar. Haverá força para contrariar esta tendência? Que reequilíbrios se poderão vir a estabelecer? Os líderes que pugnam por uma nova ordem mundial são exatamente os mesmos que, no plano interno dos seus países, prosseguem políticas de apoio ao armamento dos cidadãos.

A configuração deste universo interno passa, no plano internacional, pela ação militar e o fim do apego à filosofia do atual direito internacional que proíbe a guerra.

Baseado numa superioridade militar/tecnológica, Trump vai-se apresentando como sherif do mundo e ostenta os diversos troféus que vai eliminando.

O assassinato do general iraniano constitui uma ação de guerra contra outro país, com a agravante de ter sido cometido noutro país… Há quem entenda que aquela ação serviria para desviar a atenção dos cidadãos dos EUA do impeachement.

Portugal ficou em silêncio face ao assassinato do general iraniano, mas foi rápido a condenar o ataque militar iraniano aos EUA, igualmente no Iraque e também ele um ato de guerra no território de outro país. Pesos e medidas que não abonam a credibilidade internacional. São precisos Estados coerentes na defesa da paz no meio deste mundo caótico.

Apesar de toda a retórica Trump parece ter abandonado a cadeia das respostas e contra respostas, dado a perigosidade da prossecução desse caminho. Na madrugada de quarta-feira o MNE iraniano já tinha deixado claro que aquela era a resposta, deixando antever o fim da “vingança”, esperando-se que tudo volte a uma certa normalidade em que as conversações substituam o ribombar das armas.

Os tempos, em certa medida, assemelham-se ao período que antecedeu a segunda guerra mundial em que todos se calavam para não enfurecer Hitler…

No Médio Oriente sauditas, iranianos, turcos, russos, e sobretudo os norte-americanos armam os grupos que fazem o seu jogo. Não são aceitáveis teorias que há terroristas melhores que outros. O terrorismo deve ser banido, seja ele qual for, incluindo o de Israel e da Arábia Saudita. Não eram iranianos os que atacaram Nova Iorque, muitos pertenciam à Arábia Saudita, país da origem de Ossama Bin Laden.

Qassem Soleimani não era nenhum anjinho, era o homem da política iraniana para a região da qual os EUA distam a mais de sete mil quilómetros, e apesar disso cercam toda a área por todos os lados acompanhados por tropas da NATO, incluindo portuguesas.

Trump chegou a pontos de ameaçar a destruição de centros culturais e civilizacionais que são pertença da Humanidade. Trump já se apropriou da linguagem do Daesh e das suas mensagens de destruição dos símbolos civilizacionais, arrependendo-se mais tarde, dado a lei internacional o proibir, algo que não lhe deve ter passado pela cabeça, mesmo sendo o Presidente dos EUA.

Nas relações entre Estados a arrogância e a fanfarronice é má conselheira. Vale sempre a pena ter presente que o Iraque tem hoje esta influência iraniana graças a George W. Bush.

Ser o país mais poderoso nos tempos atuais não chega para ser respeitado e admirado. Nem chega para impor ao mundo a sua política.

Por instantes o Presidente dos EUA, embora arengando ameaças, parece ter abandonado para já a sua terminologia catastrófica e belicista acerca do que o Exército dos EUA é capaz de destruir.

Resta apesar de tudo o que não pode nunca morrer - a esperança da paz. Só a melhor consciência dos povos e de cada cidadão aliada a todos os Estados vinculados aos princípios da paz mundial poderá impedir o rumo para a barbárie. Que cada um pergunte a si e a todos se é inevitável o precipício.»

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6.1.20

A Europa vê a guerra no sofá



«Quem ainda fica horrorizado com a insolência política de Donald Trump pode muito bem acordar do coma. Já passaram quase quatro anos e é mais do que tempo de olharmos para ele e para a política externa dos Estados Unidos da América (EUA) com menos desdém e incredulidade e mais proatividade e músculo.

E quando digo nós falo da Europa que, mais uma vez, ficou a assistir ao desenrolar dos acontecimentos a partir do sofá, enquanto lunáticos e fanáticos ameaçam empurrar o Oriente e o Ocidente para um perigoso pântano militar.

Basta ouvir o que disseram os políticos franceses, alemães e britânicos para perceber que foram tão avisados sobre o ataque norte-americano que aniquilou a segunda figura do regime iraniano como o foi um pardacento agricultor da Andaluzia. Souberam todos ao mesmo tempo. Não que essa irrelevância europeia fosse contrariada caso Washington tivesse um acesso de consciência e decidisse avisar os parceiros históricos das suas intenções no Médio Oriente. Porque se a Europa soubesse antes, o mais provável é que Trump ordenasse o ataque na mesma.

Ainda é cedo para percebermos quão expressiva será a escalada entre EUA e Irão, mas os apelos ao diálogo e à paz que a Europa vai reiterando podem ser insuficientes caso o conflito degenere numa coisa mais feia. E aí, a Europa, que depende em grande medida dos norte-americanos para se defender, pode ser forçada a escolher um lado. Quem são os bons e os maus? Ao Velho Continente parece estar destinado o papel do espectador passivo, do bombeiro diplomático, do amortecedor de crises internacionais. Naturalmente que ver o Mundo a partir do sofá, na sala dos adultos, tem as suas vantagens. Desde logo porque a Europa privilegia a paz e a estabilidade. E devemos relevar estes valores acima de todos os outros. Mas esta declarada ambiguidade encerra um perigo, à medida que EUA, China e Rússia se agigantam como arquitetos globais. A de termos uma Europa que responde a tudo com diplomacia e paciência, mas que, no final, fica a falar sozinha ao espelho.»

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2.11.19

Quem lucra com a guerra?



«Como sabemos, a 9 de outubro a Turquia iniciou uma invasão dos territórios curdos no norte da Síria e uma vez mais as populações de Rojava ficaram sob ataque. Há duas semanas, escrevi nestas páginas sobre esta invasão. Na altura, quis falar do povo curdo e da forma como tem sido massacrado ao longo da história. Sabemos bem que, nos tempos que correm, a razão principal das guerras é o lucro.

São vários os países no mundo que fizeram depender as suas economias do negócio da guerra. A invasão do Curdistão sírio por parte da Turquia não é uma exceção. Falemos então do negócio da guerra com os números que lhes estão associados. É importante fazê-lo porque a questão dos curdos, a nação sem Estado mais numerosa do mundo, ficou também ela refém de quem lucra com esta ofensiva militar turca.

É verdade que a União Europeia condenou a invasão turca e que alguns Estados membros anunciaram que poriam um fim aos contratos de venda de armas à Turquia. Contudo, nem os países da União Europeia conseguiram declarar um embargo total à venda de armas, e muito menos os países que tão prontamente anunciaram o fim dos contratos explicaram que isso seria só para novos contratos, mantendo os que vigoram atualmente e que continuarão a levar até à Turquia as armas que estão a ser usadas no conflito. Este "pequeno detalhe" é o que faz da União Europeia não um mero observador, mas uma parte ativa deste conflito.

Na União Europeia, só em 2017, foram emitidas licenças para venda de armas à Turquia no valor de 2,8 mil milhões de euros. O negócio das armas e de equipamento militar com a Turquia rendeu 34 milhões de euros à Alemanha, 736 milhões de euros à França, 266 milhões de euros à Itália e mil milhões de euros ao Estado espanhol. Podemos ainda detalhar mais, de forma não exaustiva, para que não restem dúvidas.

No caso da Alemanha, foram 18 milhões de euros em bombas, mísseis e engenhos explosivos e sete milhões em agentes químicos e biológicos, agentes antimotim e materiais relacionados. No caso da França, foram 112 milhões de euros em equipamentos blindados e de proteção e 90 milhões de euros em veículos terrestres e componentes. No caso da Itália, foram 197 milhões de euros em aeronaves e drones e 55 milhões de euros em munições e dispositivos de ajustamento de espoletas. No caso do Estado espanhol, foram 946 milhões de euros em aeronaves e drones e quatro milhões em navios de guerra e equipamento naval.

Estes são apenas os contratos em curso e nenhum destes foi denunciado. São estas as armas que estão a ser usadas contra civis, contra o povo curdo. Não haverá fim à vista para a guerra enquanto o negócio das armas continuar a prevalecer sobre os direitos humanos. Para inverter este ciclo, o povo curdo precisa mesmo do apoio da comunidade internacional e da sociedade civil, já que esperar por uma ação concreta dos governos que fazem negócio é mesmo tempo perdido. Não podemos dizer que não sabíamos.»

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25.8.19

A libertação de Paris



Entre 19 e 25 de Agosto de 1944, a libertação de Paris pôs fim a quatro anos de ocupação.

Charles de Gaulle, chefe do Governo Provisório, fez um discurso à população, que ficou célebre e imortalizado em algumas frases: «Paris outragé! Paris brisé! Paris martyrisé! Mais Paris libéré!».





E há também canções «eternas»:


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23.6.19

Quando os europeus foram migrantes



Entre 1939 e 1945, mais de 60 milhões de europeus fugiram dos horrores da guerra. Muitas imagens AQUI.

Boa tarde e boa sorte.
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20.9.18

Portugueses na Guerra Civil de Espanha




«Na reportagem "A guerra também foi nossa", a RTP conta histórias inéditas de portugueses que, apesar de não terem ido para a frente de batalha, foram fuzilados ou desapareceram às mãos das forças franquistas.
Oitenta anos depois percorremos a raia luso-espanhola, da Galiza ao Alentejo, do Minho à Andaluzia e resgatámos as histórias destes portugueses. Encontrámos ainda os seus descendentes, filhos, netos, famílias destroçadas pelo horror da guerra.»

(Com vídeo e várias imagens.)
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1.9.17

01.09.1939 - A invsão da Polónia



Na manhã de 1 de Setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polónia e, dois dias depois, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha.

Três vídeos muito úteis para aprender ou relembrar:






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8.5.17

08.05.1945: V-E Day




Foi há 72 anos.





Como é sabido, também se festejou em Portugal. Multidões saíram à rua com bandeiras dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e do Benfica. Estas últimas substituíam as da União Soviética – um dos vencedores da guerra na Europa –, obviamente proibidas... Em Almada, depois dos patrões ingleses de algumas fábricas de Cacilhas darem 1/2 dia feriado, também houve desfile com as bandeiras dos vencedores e um pau sem nada.
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12.10.16

Barrancos – Lista de portugueses vítimas do franquismo


(Na fotografia, António Augusto Seixas.)

O projecto «Todos (…) Los Nombres» entregou recentemente à Câmara Municipal de Barrancos e à antropóloga e historiadora Dulce Simões a lista dos portugueses assassinados pelo regime franquista, que figura na base de dados do projecto (bem como de cinco outros que morreram à fome no campo de La Algaba).

Os restos mortais dos portugueses identificados podem ser resgatados por familiares, amigos, ou entidades municipais, que queiram honrar e dignificar a sua memória como vitimas do genocídio espanhol.

Mais informação AQUI

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2.9.16

02.09.1939. Neruda e a chegada, ao Chile, de exilados da Guerra Civil Espanhola



Na noite de 2 de Setembro de 1939, o Winnipeg chegou a Valparaíso, no Chile, com 2.365 espanhóis, exilados da Guerra Civil Espanhola e que se encontravam refugiados em campos, em França.

Quando desembarcaram, no dia seguinte, nem queriam acreditar no que viam, nem percebiam bem onde estavam: o Chile era um terra longínqua e estavam a ser recebidos como heróis...

Se Pablo Neruda não foi o único promotor desta iniciativa, foi certamente o principal. No dia 4 de Agosto, quando o barco saíra do porto francês de Trompeloup, tinha escrito o que viria a relatar mais tarde nas suas Memórias: «Que la crítica borre toda mi poesía, si le parece. Pero este poema, que hoy recuerdo, no podrá borrarlo nadie.» Em Memorial de Isla Negra, incluiu o seguinte poema:




Yo los puse en mi barco.
Era de día y Francia
 su vestido de lujo
de cada día tuvo aquella vez,
fue
la misma claridad de vino y aire
su ropaje de diosa forestal.
Mi navío esperaba
con su remoto nombre “Winnipeg”
Pero mis españoles no venían
de Versalles,
del baile plateado,
de las viejas alfombras de amaranto,
de las copas que trinan
con el vino,
no, de allí no venían,
no, de allí no venían.
De más lejos,
de campos de prisiones,
de las arenas negras
del Sahara,
de ásperos escondrijos
donde yacieron
hambrientos y desnudos,
allí a mi barco claro,
al navío en el mar, a la esperanza
acudieron llamados uno a uno
por mí, desde sus cárceles,
desde las fortalezas
de Francia tambaleante
por mi boca llamados
acudieron,
Saavedra, dije, y vino el albañil,
Zúñiga, dije, y allí estaba,
Roces, llamé, y llegó con severa sonrisa,
grité, Alberti! y con manos de cuarzo
acudió la poesía.

Labriegos, carpinteros,
pescadores,
torneros, maquinistas,
alfareros, curtidores:
se iba poblando el barco
que partía a mi patria. Yo sentía en los dedos
las semillas
de España
que rescaté yo mismo y esparcí
sobre el mar, dirigidas
a la paz
de las praderas.
 .
(Mais descrições aqui e aqui.) .
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15.8.16

Massacre de Badajoz (1936) – Pedido ao governo português para que condene a ajuda de Salazar



Por ocasião do 80º aniversário do Massacre de Badajoz, a Associação para a Recuperação da Memória Histórica da Extremadura escreveu uma carta a António Costa pedindo que o governo português condene, «de forma simbólica e pública», a ajuda que Salazar deu aos franquistas.

Recorda, nomeadamente, que: «La ayuda del gobierno de Salazar a los rebeldes franquistas, supuso un auxilio de primordial importancia, al darle facilidades para la adquisición y transporte de material, permitiendo la utilización del territorio luso para facilitar el abastecimiento necesario. Algunos aeródromos portugueses sirvieron de escala de los aviones que la dictadura nazi enviaba a los rebeldes, y el ferrocarril y las carreteras lusas facilitaron el paso para el traslado de tropas y material, a la zona insurgente. Por otra parte, la frontera común se blindó, violando el Derecho internacional, con la misión de detener y entregar, con la decidida actuación de la Policía política salazarista (P.V.D.E.), a los republicanos que huían de la violencia y el terror desatados por las tropas rebeldes, si bien hubo excepciones ejemplares como la de Barrancos. Ejemplos, de la flagrante violación del Derecho internacional, fue la entrega sin trámite de clase alguna del Diputado socialista Nicolás de Pablo y del último alcalde socialista de Badajoz, Sinforiano Madroñero, cuando pretendieron conseguir asilo en Campo Maior, devueltos y entregados por la P.V.D.E. a los franquistas, siendo fusilados en Badajoz, sin juicio previo, el 20 de agosto de 1936.»


Não vi qualquer referência à existência desta carta (objecto de uma Nota à Imprensa em Espanha e divulgada) nos órgãos de comunicação social portugueses, mas certamente que acabará por aparecer.

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P.S. – Para mais informação: ler, no blogue da Associação, um relato detalhado dos factos relacionados com o massacre e excertos de diferentes fontes de informação, com realce para o papel do jornalista português Mário Neves, do Diário de Lisboa, e para esta página do referido jornal. No arquivo online da Fundação Mário Soares, podem ser lidos mais textos de Mário Neves nos dias que se seguem ao Massacre, por exemplo aqui e aqui.

14.8.16

Há 80 anos, os massacres de Badajoz



No assalto a Badajoz, naquela que foi a luta mais dura desde o início da Guerra Civil, o governo português foi cúmplice das tropas nacionalistas.

Ver AQUI, um post publicado há um ano. 
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28.7.16

Não há palavras para comentar




«Milhares de crianças foram detidas e algumas torturadas no âmbito de operações contra grupos extremistas como o Boko Haram na Nigéria ou o Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria, segundo a organização não-governamental Human Rights Watch.

A organização de defesa dos direitos humanos sublinha, num relatório divulgado hoje, que houve um aumento das detenções de crianças em seis países envolvidos em conflitos: Afeganistão, República Democrática do Congo, Iraque, Israel e territórios palestinianos, Nigéria e Síria.» 
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17.7.16

Guerra Civil Espanhola, 80 anos



Na noite de 17 para 18 de Julho de 1936, teve início a terrível Guerra Civil Espanhola que iria durar quase três anos.

**** Um site precioso.

**** Um conjunto de textos em El País.

**** Dois vídeos:






**** Duas canções emblemáticas:




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8.5.16

08.05.1945. II Guerra – The End



Foi há 71 anos.





Como é sabido, também se festejou em Portugal. Multidões saíram à rua com bandeiras dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e do Benfica. Estas últimas substituíam as da União Soviética – um dos vencedores da guerra na Europa –, obviamente proibidas... Em Almada, depois dos patrões ingleses de algumas fábricas de Cacilhas darem 1/2 dia feriado, também houve desfile com as bandeiras dos vencedores e um pau sem nada.


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5.12.15

Democracia e guerra perpétua



«E agora, senhoras e senhores, a “guerra contra o terror”! Pensando bem, nela já estávamos desde o 11 de Setembro, mas em cada nova curva desta eterna história do Ocidente cercado de inimigos reemerge esta retórica paranóica do “isto agora é a sério!” Ou seja, depois das guerras mundiais e das guerras coloniais do séc. XX, passámos a viver num estado de guerra perpétua? Não se dizia que o fim da Guerra Fria trouxera o Fim [feliz] da História? Onde ficou tudo quanto se disse sobre o triunfo de um modelo de sociedade capitalista e radiante, de um way of life que só o Ocidente soubera criar e que lhe cabia ensinar ao resto do mundo?... (...)

Levante-se, portanto, a nação em armas, e que se deixe de “bons sentimentos” e de “acolhimento generoso”! Guerra é guerra! Requer disciplina social, como a imposta pelo estado de emergência em França, ou suspendendo normas previstas na Declaração Universal de Direitos Humanos (incluindo a interdição da tortura), como se fez nos EUA, no Reino Unido ou, desde há semanas, em França. Requer mais recursos, como os que vêm pedindo os falcões de serviço para os orçamentos militares, dispensando qualquer limite de endividamento público. E requer soldados, como os muitos que agora acorrem aos centros franceses de recrutamento (de 100-150/dia em 2014, passou-se para 1500 desde os atentados de 13 de Novembro — cf. Le Monde, 19.11.2015).

Espero que ninguém julgue que tudo isto se faz sem consequências para a democracia, sem riscos para a nossa liberdade e a nossa segurança. E não falo apenas de segurança perante a violência dos terroristas, mas perante a dos Estados que se dizem em guerra contra o terror. Quantos inocentes já foram, e vão ser, vítimas da sua violência? Não falo só de Guantánamo ou das prisões ilegais da CIA; falo de centenas de franceses cujos direitos têm sido violentados desde que o Governo impôs o estado de emergência, sujeitos a interrogatórios violentos sem que contra eles um juiz tenha pronunciado uma só acusação, cujas casas são rebentadas! Não se julgue que se trata apenas de cidadãos de religião muçulmana, tão franceses como os demais; falo de activistas ecologistas e/ou daqueles que se manifestam contra os abusos policiais.

Como diz um centro de investigação da Queen Mary University (Londres), “o contraterrorismo” tem sido pretexto “para tornar sistémica a violência de Estado e para reprimir a oposição de qualquer natureza política: social ou religiosa, de protesto ou separatista. (…) Conflitos armados de longa duração entre atores estaduais e não estaduais têm sido transformados em guerras domésticas contra o terror, minando os princípios do Direito Internacional que gere o uso legítimo da violência.” (Building Peace in Permanent War, International State Crime Initiative&Transnational Institute, 2015)»

Manuel Loff

2.12.15

«Não à guerra»



Vicenç Navarro no Público.es. Excertos que não dispensam a leitura do texto na íntegra:

«Hoy existe una movilización en Europa para ir a la guerra como consecuencia del ataque terrorista del ISIS en París, que mató a 130 personas. El enfado creado por este acto de terrorismo, que es el último de una larga lista de hechos semejantes acaecidos en Europa y en otros países, explica que exista una demanda por parte del gobierno francés, liderado por el Presidente socialista François Hollande, para que se establezca una alianza de gobiernos, liderada por el de Francia, que, en un acto de guerra, bombardee el territorio controlado por el ISIS, con el objetivo de eliminarlo. (...)

A la luz de la experiencia de intervenciones previas, no hay duda de que tal guerra creará una enorme lista de muertos, la mayoría civiles, es decir, personas que no están combatiendo. Y lo que es igualmente preocupante es que aumentará, y no disminuirá, el número de terroristas que expandirán su terrorismo a lo largo de territorios europeos y de Oriente Medio. (...)

¿Qué consiguieron las guerras anteriores?
La pregunta que debe hacerse es “¿qué se ha conseguido con ello?”. Hoy el radicalismo fundamentalista islámico es más fuerte que nunca. Y está expandido por todo el mundo. En realidad, incluso cuando se enviaron tropas, como ocurrió en los casos de Irak y Afganistán, tales tropas no consiguieron erradicar el radicalismo fundamentalista islámico. (...)

¿Qué debería hacerse? 
Para encontrar soluciones hay que entender de dónde viene el problema de Al Qaeda, ISIS y otros movimientos fundamentalistas islámicos parecidos, tema clave que se intenta ocultar. Y hasta que ello ocurra, no podrá solucionarse el problema. Y las raíces de este problema están en la enorme pobreza y miseria que ha existido en estos países, resultado de estar gobernados por regímenes feudales –como lo es hoy, por ejemplo, Arabia Saudí- que contaron con el apoyo de los gobiernos de países occidentales, que se beneficiaban del fácil acceso a los recursos de estos países.

Tal miseria y opresión generaron el surgimiento de movimientos progresistas que rompieron con tales regímenes, amenazando no solo las estructuras de poder de aquellos países, sino también los intereses de los países occidentales, los cuales, a fin de impedir la victoria de estas fuerzas progresistas, o con el objetivo de derrotarlas en caso de que gobernaran, establecieron y/o apoyaron a fuerzas radicales fundamentalistas islámicas, que eran profundamente antiprogresistas. (...)

Las alternativas a la guerra
Ahí está la raíz del problema. Si en realidad estos gobiernos quisieran parar estas guerras deberían cambiar sus políticas casi 180º. Tendrían que ayudar a que se hagan las reformas que beneficien a la mayoría de estas poblaciones, y no solo a una minoría. Y en cada uno de estos países, existen tales fuerzas políticas (enormemente reprimidas por el ISIS). El Partido de los Trabajadores de Kurdistán es un ejemplo de ello. Sus tropas están luchando exitosamente. Es a estas fuerzas a las que se tendría que apoyar, pues son las que viven en aquellos territorios y representan los intereses de las clases populares de estos países.

Hoy el gran interrogante es qué fuerzas políticas canalizarán el enorme enfado de las clases populares de los países árabes y/o de cultura musulmana. Las alternativas son claras. O son las fuerzas progresistas (lo que, con razón, afectará a los intereses de grupos económicos enormemente influyentes sobre los Estados del mundo occidental), o serán los fundamentalistas religiosos islámicos que, sin resolver la enorme miseria en estos países, se perpetúan en el poder a base de la ideología religiosa que relativiza el dolor y la muerte como un paso para llegar a la eternidad.» 
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2.9.15

02.09.1939 – O governo português e a invasão da Polónia



No dia 2 de Setembro, o governo português emitiu o seguinte comunicado:

«Apesar dos incansáveis esforços de eminentes chefes de governo e da intervenção directa dos chefes de muitas nações, eis que a paz não pôde ser mantida e a Europa mergulhada, de novo em dolorosa catástrofe. Embora se trate de teatro de guerra longínquo, o facto de irem defrontar-se na luta algumas das maiores nações do nosso continente – nações amigas e uma delas aliada – é suficiente para o grande relevo do acontecimento e para que dele se esperem as mais graves consequências: Não só se lhe não pode ficar estranho pelo sentir, como há-de ser impossível evitar as mais duras repercussões na vida de todos os povos.

Felizmente, os deveres da nossa aliança com a Inglaterra, que não queremos eximirmos a confirmar em momento tão grave, não nos obrigam a abandonar nesta emergência a situação de neutralidade.

O governo considerará como o mais alto serviço ou a maior graça da Providência poder manter a paz para o povo português, e espera que nem os interesses do país, nem a sua dignidade, nem as suas obrigações lhe imponham comprometê-la.

Mas a paz não poderá ser para ninguém desinteresse ou descuidada indiferença. Não está no poder de homem algum subtrair-se e à Nação às dolorosas consequências de guerra duradoura e extensa. Tendo a consciência de que aumentaram muito os seus trabalhos e responsabilidades, o Governo espera que a Nação com ele colabore na resolução das maiores dificuldades e aceite da melhor forma os sacrifícios que se tornarem necessários e se procurará distribuir com equidade possível.

A todos se impõe viver a sua vida, mas agora com mais calma, trabalho sério, a maior disciplina e união; nem recriminações estéreis nem vãs lamentações, porque em muito ou pouco fique prejudicada a obra de renascimento a que metemos ombros. Diante de tão grandes males, faz-se mister ânimo forte para enfrentar as dificuldades: e da prova que ora derem, sairá ainda maior a Nação.» 
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