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1.9.25

01.09.1939 - A invasão da Polónia

 


Na manhã de 1 de Setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polónia e, dois dias depois, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha.

Três vídeos muito úteis para aprender ou relembrar:






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3.7.25

Despesa militar: fraude ou tragédia

 


«Está prestes a construir-se mais um consenso nacional sem debate. Ou com um debate que se resumirá, mais uma vez, em reafirmar o nosso europeísmo e atlantismo, como se a condição para a participação portuguesa nestes espaços fosse a de nos mantermos, usando um termo que esteve em voga, fora do radar. O novo consenso é gastarmos 3,5% do nosso PIB em gastos militares tradicionais, a que se acrescentam, na habitual promoção europeia da mentira, 1,5% de despesa de segurança nacional, com utilização civil e militar, para chegar aos tais 5%.

Desta vez, não estamos sozinhos na cobardia. A meta dos 5% é como a degradante mensagem de Mark Rutte ao homem que acabou de abandonar a Ucrânia, ameaça anexar um território de um membro fundador da NATO e não dá garantias de cumprir o artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte. Servem para alimentar o ego de Trump, mostrando que a Europa se transformou na corte de um rei louco.

Os EUA não gastam 5% do seu PIB em defesa. Esse limiar só é ultrapassado por cinco países. Três estão em guerra (Ucrânia, Rússia e Israel), dois são ditaduras (Argélia e Arábia Saudita). Os EUA gastam cerca de 3,5% para alimentar um poderoso complexo económico-militar, para saltar de guerra em guerra e ter bases espalhadas um pouco por todo o mundo. Tudo o que, espera-se, não estará no horizonte da Europa.

Defendo uma coordenação europeia no investimento em defesa, que permita complementaridade, contrariando redundâncias e incompatibilidades, e uma estrutura europeia de defesa fora de uma União já demasiado bloqueada, que inclua alguns países fora da UE (Noruega e Reino Unido) e exclua outros que estão dentro (Hungria e Eslováquia, por agora), aliados objetivos de Putin. A coordenação de investimento não obriga a gastar mais (a Europa tem capacidade militar de sobra), mas de forma mais racional. Decidir gastar sem se saber com quem e para quê é tratar de negócios, não é tratar de segurança. Fazer este planeamento sem debater o investimento tecnológico ou controlo soberano sobre infraestruturas sensíveis é viver no passado.

Na crise financeira, que se transformou, por inépcia de Bruxelas e Frankfurt, numa crise das dívidas soberanas, os países periféricos e mais expostos foram tratados como culpados e devidamente castigados, chegando, no caso da Grécia, a níveis de sadismo assinaláveis. Agora, que o centro sente o perigo mais próximo e a Alemanha acha que até pode lucrar com uma economia de guerra, a conta será dividida por todos, incluindo os países mais pobres e seguros, como nós. E o bom aluno voltou a chegar-se à frente, para ser rápido a mostrar serviço. Quando olhamos para Durão Barroso e António Costa percebemos o habitual excesso de zelo: o governante da província sonha ser alguém na política dos grandes.

Portugal tem um aeroporto para construir, um TGV para começar, um Serviço Nacional de Saúde para salvar, uma Escola Pública para reinventar, uma crise da habitação para debelar. Temos muito por fazer. É absurdo andar a inventar onde gastar, só em “gastos militares tradicionais”, 10 mil milhões, que é mais ou menos o que o Estado português gasta em educação e ensino superior. Como podemos achar que isto é a nossa prioridade? Como se toma esta decisão, que condiciona tantos investimentos urgentes para o nosso futuro, sem um debate sério?

Há investimentos militares necessários e alguma especialização interessante, tendo em conta a nossa posição atlântica. Mas tenhamos noção das proporções. Até por sabermos que, como o dinheiro não cai das árvores e temos um governo apostado em reduzir os impostos, isto terá mesmo de ser tirado ao Estado Social. Aqui e na Europa, abrindo a porta do poder aos amigos de Putin.

Claro que isto pode não passar de um jogo contabilístico, que eterniza uma forma de estarmos na Europa e no mundo, baseada em enganos, truques e falta de coragem. Mas, se assim é, não continuem com a conversa do retorno do investimento em defesa, baseada num imaginado keynesianismo militar. Primeiro, porque os jogos contabilísticos não animam economias. Depois, porque os gastos, se forem mesmo feitos, também não.

A indústria militar tem poucos players instalados e implica um enorme desenvolvimento tecnológico. E, para que isto resulte no longo prazo, é preciso fazer o que os Estados Unidos fazem há décadas: criar mercado. Ou seja, promover guerras para escoar produto. Talvez Portugal consiga vender munições e fardas, para, em troca, comprar aviões. O deve e haver deixará o país mais pobre e desqualificado. É um péssimo negócio, irracional nos seus termos e absurdo nas nossas prioridades. Na melhor das hipóteses, isto é uma fraude. Na pior, uma tragédia.»


30.6.25

Levantar a nossa humanidade contra a guerra

 


«Há momentos na História em que as civilizações parecem caminhar para o suicídio. Não será com o nosso silêncio. É preciso voltar à mesa da diplomacia, à defesa intransigente de todos os direitos humanos, de todos. Nenhuma solução virá da guerra.»

Ler texto AQUI

26.6.25

O engenheiro do caos deixou tudo mais perigoso

 


«Já nem falo da violação do direito internacional como referencial mínimo de comportamento. É dele que dependem nações mais frágeis, como o Taiwan ou a Ucrânia, pelo menos na sua defesa política contra o regresso da lei do mais forte, ao gosto de Putin, Trump e Netanyahu, primos políticos e morais. Fico-me pelos resultados práticos da intervenção de Israel contra o Irão. Na sua rápida aventura iraniana, Israel teve vitórias simbólicas e práticas relevantes.

Conseguiu levar a guerra para dentro do Irão, depois de este passar décadas a combatê-lo através do apoio a guerras por procuração fora de casa.

Terá deixado em mau estado o sistema de mísseis balísticos iraniano, mas, em troca, o seu território foi bombardeado por mais do que rockets, uma experiência rara para as populações de Telavive e Jerusalém, o que mostrou a diferença entre o Irão e os outros alvos que Israel escolheu no passado recente. Imagino que, para a decisão de não continuar a guerra, terá pesado o impacto psicológico dos bombardeamentos.

Terá conseguido decapitar parte da liderança militar iraniana.

E mostrou que a aliança do Irão com a Rússia, demasiado enterrada na Ucrânia, e com a China, pouco dada a intervencionismos militares, é menos sólida do que parecia. Não sabemos, é verdade, o que aconteceria se a guerra fosse mais longe e estivesse em causa a circulação no estreito de Ormuz ou a sobrevivência do regime. Mas, depois de neutralizar o Hamas e o Hezbollah (quem acha que foram destruídos conhece mal aquela realidade), de ver cair o regime de Assad e de só restarem os hutis, no Iémen, esta prova de fogo, no momento em que o Irão está económica e politicamente mais fragilizado, foi importante.

O NARCISO E O ENGENHEIRO DO CAOS

Benjamin Netanyahu conseguiu, por fim, arrastar os Estados Unidos para uma guerra com o Irão. Era o sonho de uma vida. Mas, aí, a vitória foi pífia. As divisões dentro da base de apoio de Trump, o risco de ver o preço do petróleo disparar (e se o regime de Teerão tivesse sido encostado à parede, cometeria o suicídio económico de encerrar o estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo do mundo, afetando a China, que é o seu principal destino) e a forte possibilidade de, com uma baixa americana, o envolvimento do homem que sonha com o Nobel da Paz se tornar incontrolável na escalada dos eventos levaram Trump a picar o ponto, fazendo os mínimos para cumprir o papel de aliado de Israel, apenas no que os Estados Unidos eram indispensáveis.

Como o Irão não desejava a escalada, as suas respostas foram sempre proporcionais e, no caso dos EUA, totalmente coreografadas. Para Trump, chegou para mudar o alinhamento da Fox News, que tinham Israel como estrela, alimentando o seu narcisismo. O problema de Netanyahu é ter pouco para dar e demasiado para pedir a Trump, que pensa em tudo como pensa nos negócios.

Havia um objetivo secundário, um extra desejado, que felizmente ficou pelo caminho: fazer o regime iraniano (ou o país) colapsar através de uma intervenção externa. Até se apresentaram soluções delirantes, como a do filho de Reza Pahlavi. Não é que eu não deseje o fim de uma ditadura teocrática e brutal. Mas talvez os engenheiros do caos devessem ter aprendido com os erros passados. Iraque, Líbia e Afeganistão foram as suas extraordinárias obras. No caso do Iraque, ela levou a centenas de milhares de mortes, ao nascimento do Estado Islâmico, à guerra civil na Síria, a uma crise migratória para a Europa, ao crescimento da extrema-direita.

Para Netanyahu, é indiferente. É do caos à sua volta que se tem alimentado. Para o resto do mundo, seria uma tragédia. O regime iraniano terá de mudar por dentro. Não sendo, ao contrário do que eram o Iraque ou a Líbia, uma ditadura unipessoal; tendo uma classe média relativamente forte e instituições mais sólidas, há condições para isso acontecer. Até havia bons sinais, com a crise económica e algumas cedências do moderado Masoud Pezeshkian. Veremos se, depois desta intervenção, não foi a linha dura dos Guardas da Revolução a reforçar o seu poder. Esperemos que não.

ADIADO POR MESES

Onde o ataque conseguiu pouco foi onde dizia que tinha de conseguir tudo. Segundo a Defense Intelligence Agency (DIA), a agência de informações do Pentágono, os ataques terão apenas atrasado o programa nuclear iraniano por alguns meses – as reservas de urânio do Irão não terão sido destruídas e uma das fontes até diz que as centrifugadoras estão praticamente intactas. Num país que é autossuficiente na capacidade de o refazer.

O ataque não aconteceu porque a bomba nuclear estivesse iminente. Netanyahu diz que está iminente desde 1995. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica e os serviços de inteligência norte-americanos nunca confirmaram evidências de que tal fosse verdade. O ataque foi decidido há um ano, aliás. Aconteceu agora por causa do enfraquecimento dos aliados iranianos e das condições operacionais. O sentido de urgência foi fabricado.

Este ataque pode ter conseguido outra coisa: uma machadada na participação do Irão no Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e na sua participação séria em negociações, depois de Trump ter posto fim ao Joint Comprehensive Plan of Action, acordo que realmente susteve o plano nuclear iraniano (depois desta decisão, em 2018, o programa acelerou), e de ter bombardeado o país a meio de conversações.

A desnuclearização total do Irão, exigida por Israel, nunca acontecerá. Não é uma questão de regime, mas de Estado. O programa nuclear começou em 1954, com o Xá Reza Pahlavi e apoio de França e dos Estados Unidos. Por outro lado, o Irão está próximo de potências nucleares, como o Paquistão, a Índia, Israel e a China, sendo, com a Turquia (debaixo do guarda-chuva nuclear da NATO) e a Arábia Saudita (aliado preferencial dos EUA), a única grande potência sem instrumentos de dissuasão. Que lição tirou deste ataque? Que se tivesse a arma, não teria sido atacado.

A grande lição que o Irão pode tirar de tudo isto é que precisa de ter capacidade nuclear. Não obrigatoriamente a bomba, mas, como explicou Daniel Pinéu na entrevista que lhe fiz no Perguntar Não Ofende, uma capacidade de dissuasão latente. Na realidade, o TPN só funcionou contra eles. O caminho pode ser o de abandonar o TPN e a fátua que não lhes permite usar armamento nuclear. E fazer o mesmo que fez Israel: construir a arma em segredo, fora dos limites de qualquer tratado ou supervisão. O que leva à pergunta óbvia: ficámos mais ou menos seguros depois desta intervenção?»


25.6.25

Terá sido a primeira guerra decidida por um algoritmo?

 


«Durante décadas, iniciar uma guerra exigia decisões humanas baseadas em provas, análises estratégicas e responsabilidade política. Hoje, esse modelo está a desmoronar. Estamos a entrar numa nova era da guerra por inferência algorítmica, onde a inteligência artificial (IA) já não apenas informa, mas pode desencadear ataques.

O bombardeamento dos EUA às instalações nucleares iranianas, alegadamente justificado por uma ameaça detetada por algoritmos da Palantir Technologies, é talvez o primeiro episódio concreto dessa transformação.

A acusação de que o Irão estaria a movimentar ou a montar um dispositivo nuclear não veio de espiões, nem da Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA), mas alegadamente de uma inferência gerada por IA, operada por uma plataforma desenvolvida pela Palantir, empresa de análise de dados com fortes ligações ao Departamento de Defesa dos EUA e aos serviços secretos israelitas.

A narrativa passou rapidamente de hipótese algorítmica à decisão de um presidente impulsivo e consequentemente à intervenção militar. Este casamento entre software e soberania levanta inevitavelmente questões, como até que ponto pode um país delegar a sua segurança a uma empresa privada? E que implicações tem isso para a geopolítica global?

As instalações de Fordow, Natanz e Isfahan foram atacadas com bombas antibunker e mísseis de cruzeiro. No entanto, as imagens de satélite que se seguiram não revelaram danos visíveis ou colapsos estruturais. Os níveis de radiação mantiveram-se estáveis e não houve sinais sísmicos. O único impacto claro foi político, com o colapso da diplomacia como primeira linha de contenção.

Este cenário levanta-nos a dúvida se estamos a delegar decisões de guerra a máquinas ou a humanos. A IA é apresentada como objetiva e neutra, mas os algoritmos não são independentes, pois refletem os dados e os critérios com que são programados e treinados. O que se define como “risco” ou “ameaça” é uma escolha humana, disfarçada de cálculo matemático.

A Palantir, que fornece as ferramentas Gotham, Foundry e AIP/Mosaic, não é neutra. É uma empresa inserida no ecossistema do complexo militar-industrial, que lucra com a antecipação de ameaças. Quando essa antecipação se torna justificativa para a guerra, a diplomacia é substituída pelo reflexo automático. E o que vimos no Irão pode bem ter sido a primeira guerra desencadeada por premonição digital.

Mais grave é a erosão do escrutínio democrático. Um ataque justificado com “inteligência algorítmica classificada” escapa ao controlo de parlamentos, à verificação jornalística e ao debate público. A opacidade já não é apenas política, é técnica. E, nesse ambiente, os algoritmos transformam-se em escudos de impunidade.

Este ataque não marca apenas a entrada dos EUA no conflito entre Israel e o Irão. Marca o fim simbólico da verificação multilateral e o início de uma geopolítica automatizada. O que antes exigia consenso e inspeção, hoje basta que seja inferido por uma máquina.

No domingo passado, abriu-se uma verdadeira Caixa de Pandora no sistema internacional. As decisões mais perigosas para a paz mundial parecem estar a ser tomadas por máquinas que projetam comportamentos, sem provas concretas, nem validação humana. A confiança cega na tecnologia, vendida como eficiência, revela o seu lado mais sombrio, o de uma guerra gerada por dados mal interpretados.

Se outrora as guerras se venciam com território e armamento, hoje discutem-se em dashboards interativos e algoritmos preditivos. O que começou com uma linha de código pode terminar com uma cadeia de destruição impossível de travar, num mundo onde o juízo humano já não é pré-requisito para a guerra, mas uma variável descartável.»


16.2.25

Munique: quando a História se repete

 


«Sabemos o que aconteceu em Munique, em Setembro de 1938, numa cimeira que reuniu o chanceler alemão e os líderes do Reino Unido, da França e da Itália. O primeiro-ministro britânico e o seu homólogo francês acreditaram que podiam “apaziguar” Adolf Hitler e afastar a sombra da guerra que pairava sobre a Europa, entregando-lhe um pequeno país cujo nome tinham dificuldade em pronunciar. Quando Neville Chamberlain regressou a Londres, anunciou que tinha conseguido “a paz no nosso tempo”. Também sabemos o que Winston Churchill lhe respondeu: “Entre a desonra e a guerra, escolheste a desonra e vais ter a guerra.”

Hitler dizia que a Checoslováquia não existia, era um Estado artificial, “resultado de uma viragem histórica que nunca devia ter acontecido, criada pelos acordos da I Guerra Mundial”, como escreve o historiador Timothy Snyder. Acusava Praga de oprimir a minoria de língua alemã dos Sudetas. Sabemos que a profecia de Churchill se cumpriu menos de um ano depois.»


11.2.25

Olhem para os seis milhões de mortos no Congo

 


«A guerra do leste do Congo é a pior guerra desde a Segunda Guerra Mundial. A pior. Memorizem este facto. Então, porque é que ninguém fala sobre o Congo? Porque é que na Ucrânia, Palestina e em tantas outras guerras – uns mais do que outros, é certo – conseguem ver que lá há seres humanos, e depois, nas profundidades de África, não vêem ser humano nenhum? Se isto não é racismo e xenofobia, é o quê?

Eu conheço relativamente bem a história deste conflito interminável, e invisível ao mundo, mas ficaria contente se memorizassem esta premissa de tomada de consciência: o Congo tem o conflito mais mortífero (estima-se seis milhões de mortos) desde a Segunda Guerra Mundial e “ninguém” sabe nada e “ninguém” quer saber do sofrimento destas pessoas. Depois da tomada de consciência, virá a ação, ou mais ação humanitária. (…)

São racistas? São xenófobos? Então olhem para o mundo, como se fossem os vossos, e comecem pelos que mais sofrem, e desde 1994, ninguém sofre mais do que os congoleses.»


28.9.24

Tristeza e vergonha

 


«Esta semana, em Nova Iorque, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de uma centena de líderes políticos, de outros tantos países, fizeram discursos sobre o futuro para o Mundo com conteúdos que nos apresentam esse mesmo Mundo a desmoronar-se debaixo dos nossos pés. Cava-se o abismo para onde podemos ser empurrados por loucuras belicistas, por crises climáticas e ambientais, por desrespeito pelo Direito Internacional, por desigualdades e injustiças profundas que historicamente espoletam e ampliam guerras, pela recusa em trabalhar agendas comuns necessárias para enfrentar os problemas globais do nosso tempo.

O futuro, em grande medida, é feito de respostas ao presente contínuo. Ora, neste conclave, a maioria dos participantes mais determinantes não apresenta propostas para tratar os problemas de hoje. Admite até que as guerras e genocídios a que estamos a assistir, em Gaza, na Cisjordânia, no Líbano (António Guterres disse “o inferno está à solta no Líbano”), no Sudão, na Ucrânia se agravem, ampliando sofrimento, miséria, pobreza, eliminação de direitos humanos.»


26.9.24

As duas guerras

 


«Faz agora um ano que os líderes de quase todo o mundo “se mudaram” para Nova Iorque para, no âmbito da 78.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, sinalizarem prioridades e debaterem soluções para os problemas centrais do planeta. No topo deles estava ainda a guerra na Ucrânia. Sem Vladimir Putin e sem Xi Jinping (entre outros ausentes), os restantes líderes propunham-se reconstruir a “solidariedade global”. Foi antes de 7 de Outubro.

Em 2024, não só a solidariedade global não foi reconstruída, como a 79.ª reunião magna da ONU, que decorre por estes dias, terá de lidar com um velho conflito com novos contornos: o do Médio Oriente.

A Rússia mantém-se na Ucrânia e a pressão no Médio Oriente continua alta, mas o mundo mudou. No último ano, a Ucrânia estendeu a sua ofensiva (ou melhor, defensiva) a solo russo e teve autorização para o fazer com armas ocidentais; Israel sofreu um ataque inédito do Hamas ao qual reagiu com violência desproporcional (matanças e destruição) sobre o povo de Gaza, incluindo no seu plano de vingança os países vizinhos; e o Irão já veio dizer que o Líbano não pode ficar sozinho contra Israel.

O mundo não tem só duas guerras. Aliás, os dados mais recentes estimam que um quarto da população mundial viva em zonas afectadas por conflitos e que uma em cada cinco crianças esteja no meio de uma guerra ou tenha sido obrigada a deslocar-se por esse motivo. Mas estas duas são suficientemente importantes para que as Nações Unidas ambicionem mais de si próprias.

Se não consegue realmente mediar a paz, promover cessar-fogos ou encontrar outras formas de mitigar a impunidade dos líderes ofensores, agressores e opressores, a ONU precisa, no mínimo, de abrir o debate em torno da suspensão definitiva, por parte dos seus membros (e alguns estão entre os mais importantes), do fornecimento de armas ou da “ajuda” militar a países que invadem outros territórios.

Seria um bom sinal vindo de Nova Iorque, mas implicaria ultrapassar o inultrapassável: a divisão da própria Organização das Nações Unidas em dois blocos.

O Presidente dos EUA, Joe Biden, que entretanto se reunirá com o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, vestiu esta semana o fato de optimista e disse que é “preciso acabar com a guerra”. Não basta dizê-lo. E, mais do que isso, com o país à beira de eleições presidenciais que podem pôr Kamala Harris ou Donald Trump no poder, não é suficiente ser Biden a dizê-lo.»


1.9.24

01.09.1939 - A invasão da Polónia

 


Na manhã de 1 de Setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polónia e, dois dias depois, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha.

Três vídeos muito úteis para aprender ou relembrar:






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18.6.24

De Gaulle e a Resistência francesa

 



Vale a pena ouvir este apelo do general De Gaulle, lido na BBC em 18.06.1940, considerado como símbolo e início da Resistência francesa na II Guerra Mundial.


8.5.24

08-09.05.1945: O Dia da Vitória

 


Foi há 79 anos. Os Aliados tinham decidido que a vitória seria celebrada no dia 9 de Maio de 1945, mas os jornalistas anunciaram a rendição alemã mais cedo do que previsto e precipitaram o início das celebrações para o dia 8 (tendo a União Soviética mantido as mesmas para a data previamente combinada).

Como é sabido, também se festejou em Portugal. Multidões saíram à rua com bandeiras dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e… do Benfica, estas últimas como substitutas das da União Soviética, obviamente proibidas. Como alternativa, vê-se também, nas fotografias da época, paus sem bandeira.

Vídeos neste post do ano passado.
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25.10.23

1.9.23

01.09.1939 - A invasão da Polónia

 


Na manhã de 1 de Setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polónia e, dois dias depois, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha.

Três vídeos muito úteis para aprender ou relembrar:






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25.8.23

1944 – A libertação de Paris

 



Entre 19 e 25 de Agosto de 1944, a libertação de Paris pôs fim a quatro anos de ocupação. Desde 22 de Junho de 1940, a cidade era administrada pela Alemanha.

Charles de Gaulle, chefe do Governo Provisório, fez um discurso à população, que ficou célebre e imortalizado em algumas frases: «Paris outragé! Paris brisé! Paris martyrisé! Mais Paris libéré!».






E há também canções «eternas»:


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17.7.23

17/18.07.1936 – A Guerra Civil Espanhola

 


Na noite de 17 para 18 de Julho de 1936, teve início a terrível Guerra Civil Espanhola que iria durar quase três anos.

Links para muita informação e quatro vídeos AQUI.
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19.4.23

Somos os guardiões desta memória. 80 anos da Insurreição do Gueto de Varsóvia

 


«Em Abril de 1943, na véspera do feriado judeu de Pessach, os alemães que ocupavam a capital polaca cercaram o bairro judeu que tinham criado, o gueto de Varsóvia, preparando-se para a sua liquidação final. A 19 de Abril, a polícia alemã e as forças auxiliares das SS entraram no gueto para concluir o extermínio. Os habitantes do gueto esconderam-se em bunkers e em todo o tipo de esconderijos. Os rebeldes judeus atacaram os alemães com armas de fogo, cocktails Molotov e granadas de mão. Dois veículos alemães foram incendiados com garrafas de gasolina. No início, os alemães surpreendidos não conseguiram quebrar a feroz resistência dos defensores.

Face à forte resistência e às falhas iniciais, os alemães começaram a queimar sistematicamente os edifícios, transformando as ruas do gueto numa armadilha de fogo. Enquanto decorriam os combates no gueto, unidades do exército clandestino polaco entraram em acção contra os alemães. Três secções do Exército Nacional tentaram, sem sucesso, romper as paredes do gueto com explosivos. Os judeus condenados ao extermínio defenderam-se até ao início de Maio. O ato simbólico final da revolta foi a demolição pelos alemães da Grande Sinagoga na Rua Tłomackie, em Varsóvia.

A Insurreição do Gueto de Varsóvia foi a primeira revolta urbana e também a maior rebelião armada da população judaica durante a ocupação alemã. Na noite de 19 de Abril de 1943, na sede da União Militar Judaica (ŻZW) na Praça Muranowski, num gesto simbólico, os militantes colocaram a bandeira vermelha e branca da Polónia e a bandeira azul e branca do ŻZW no telhado do edifício. Esta imagem das duas bandeiras, a bandeira vermelha e branca polaca e a bandeira azul e branca sionista, hasteadas juntas no telhado do edifício acima do gueto em combate, tornou-se um símbolo dos destinos inseparavelmente entrelaçados de polacos e judeus. Vários meses mais tarde, em Agosto de 1944, eclodiu a Insurreição de Varsóvia, a batalha por uma Polónia livre, a maior rebelião armada pela liberdade na história da Segunda Guerra Mundial.

A história, literatura, arte e cultura da Polónia em geral contêm numerosas referências às rebeliões armadas dos insurrectos. As revoltas incutiram esperança, animaram espíritos e confortaram corações, mas na maioria das vezes foram brutalmente reprimidas por invasores e ocupantes. Trágicas, muitas vezes inevitáveis, construíram a identidade da comunidade e normalmente traziam a vitória anos mais tarde. Deixaram uma marca forte na sociedade polaca e na história polaca. Por esta razão, tornaram-se frequentemente um tema recorrente na literatura, pintura e cinema. E embora os artistas as tenham retratado de formas diferentes, raramente criticaram a ideia da própria revolta, e defenderam a luta pela liberdade, elevando-a a pedestais culturais.

Varsóvia, a capital da Polónia, tornou-se durante a Segunda Guerra Mundial a cidade de duas revoltas em que judeus e polacos enfrentaram os criminosos alemães. No final, a cidade acabou por ficar em ruínas, destruída e incendiada. Isto mostra quão forte é o imperativo polaco para a liberdade.

A questão é, porquê Varsóvia? Vale a pena recordar que em 1939, nas vésperas da invasão alemã da Polónia, quase 370.000 judeus viviam em Varsóvia. Representavam cerca de 30% da população total da cidade. Após o início da Segunda Guerra Mundial, quase 100.000 judeus chegaram à capital polaca no ano seguinte, sistematicamente deslocados pelos alemães das terras incorporadas no Reich alemão e dos territórios polacos ocupados. Na Primavera de 1940, os alemães iniciaram a construção de um bairro judeu isolado. Cerca de 400.000 judeus viviam atrás dos muros, numa área de 307 hectares. Em Abril de 1941, os desalojados chegaram em massa ao gueto. A população confinada atrás das muralhas do gueto era de 450.000 habitantes.

Não cito estes números por acaso. O gueto de Varsóvia foi o maior gueto criado pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial na Europa. Em Julho de 1942, teve início a deportação em massa de judeus do gueto para o campo de extermínio de Treblinka. Estima-se que entre 250.000 e 300.000 judeus tenham sido assassinados nessa altura. Cerca de 100.000 pessoas morreram no gueto devido à fome e doenças causadas pelas condições desumanas impostas pelos alemães.

Dizemos "judeus", mas devemos lembrar que estes eram cidadãos da Polónia, da Segunda República polaca multinacional e multicultural. É portanto o nosso dever como comunidade comemorar a Insurreição do Gueto de Varsóvia, a maior insurreição judia durante a Segunda Guerra Mundial e a primeira insurreição urbana na Europa ocupada, e preservar na memória a coragem daqueles que se opuseram aos ocupantes alemães.

Mais de 150 eventos decorrem na Polónia nestes dias para assinalar a comemoração oficial do 80.º aniversário da Insurreição do Gueto de Varsóvia. Estes eventos são organizados ou financiados pelo governo polaco, entre outros, como parte do programa de apoio a actividades de preservação do património e da memória dos judeus polacos, realizado pelo Ministério da Cultura e Património Nacional. Desde que a Direita Unida (Zjednoczona Prawica) está no Governo, temos mais do que triplicado o financiamento para instituições cujas actividades incluem a preservação da memória, cultura e património da nação polaca multicultural, incluindo o património da minoria judaica em território polaco, bem como a comemoração do Holocausto perpetrado pelos alemães no território da Polónia ocupada.

Entre as instituições subsidiadas pelo governo polaco encontram-se os museus estatais dos antigos campos de extermínio alemães: o Museu Auschwitz-Birkenau em Oświęcim; o Museu Majdanek (com as secções: Bełżec e o Museu e Centro Memorial Sobibór); o Museu Stutthof em Sztutowo; o Museu Treblinka; o Museu Gross-Rosen em Rogoźnica; o Museu - Centro Memorial do campo de concentração de Plaszow em Cracóvia. Assim como o Museu do Gueto de Varsóvia, o Museu Família Ulma dos Polacos que Salvaram Judeus durante a Segunda Guerra Mundial em Markowa, o Museu da Memória dos Habitantes da Terra de Oświęcim, o Museu POLIN da História dos Judeus Polacos, e o Instituto Histórico Judaico Emanuel Ringelblum. Estas são tanto as instituições que têm funcionado durante décadas, muitas vezes com financiamento insuficiente no passado, como as instituições criadas nos últimos anos, em nome da memória: o Museu do Gueto de Varsóvia, o Museu Família Ulma dos Polacos que Salvaram Judeus durante a Segunda Guerra Mundial em Markowa, e o Museu para a Memória dos Habitantes da Terra de Oświęcim.

Varsóvia é hoje uma cidade cheia de vida. A Polónia é um país cheio de vida. Recordamos o passado e, com base na experiência histórica, queremos construir um futuro melhor. No entanto, não esquecemos aqueles que morreram ou foram mortos. Transmitida de geração em geração, a memória deve permanecer para sempre. E hoje nós somos os guardiões dela.»

Texto publicado em simultâneo com a revista mensal polaca Wszystko co najważniejsze como parte de um projeto histórico com o Instituto de Memória Nacional e a Fundação Nacional Polaca.

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14.6.22

14.06.1940 - «Les loups sont entrés à Paris»

 


Há 82 anos, o exército alemão entrou em Paris de onde já tinham fugido dois terços da população. Como primeiro acto da ocupação foi retirada a bandeira tricolor do Ministério da Marinha e colocada uma com a cruz gamada no cimo do Arco do Triunfo.




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