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17.1.08

Ainda Beauvoir



O MESMO número do Nouvel Observateur com duas capas:

A primeira, para uso interno, com Simone de Beauvoir nua - o que, aliás, provocou muitas reacções.

A segunda, aparentemente para fora, porque foi a que comprei em Lisboa.
Só fico sem saber se não quiseram exportar a senhora desnudada ou se acharam que não era suficientemente conhecida pelos não-gauleses para «vender» a revista.

9.1.08

«Le Deuxième Sexe»

«On ne naît pas femme, on le devient»

Cartier-Bresson

Continuo com Simone de Beauvoir, no centenário do seu nascimento.

Le Deuxième Sexe foi certamente uma das maiores «pedradas» que levei como leitora, no início da idade adulta. Estudante recém-chegada a Lovaina, no fim da década de 50, com uma mala quase de cartão, ida desta west coast salazaríssima e com dezanove anos – tentem imaginar o cenário. Apanhei então, em cheio, a grande repercussão desta obra na Europa francófona (*).

Le Deuxième Sexe esteve longe de ser um manifesto militante ou um qualquer arauto dos movimentos feministas que, em França, só viriam a surgir quase duas décadas mais tarde. Mas os espíritos não estavam preparados para a problemática da libertação da mulher, tal como Simone de Beauvoir a abordou, nem para a crueza da sua linguagem.

As reacções não se fizeram esperar, tanto à esquerda (onde o problema da mulher estava fora de todas as listas de prioridades), como, naturalmente, à direita. François Mauriac escreveu: «Nous avons littérairement atteint les limites de l’abject», Albert Camus acusou Beauvoir de «déshonorer le mâle français».

Para a compreensão e a consagração da obra foi decisivo o sucesso nos Estados Unidos, onde foi publicada em 1953. O movimento feminista, em que Betty Friedman e Kate Millet eram já referências, estava aí suficientemente avançado para a receber.

Efeito boomerang: Le Deuxième Sexe «regressou» à Europa no fim da década de 50, com um outro estatuto, quase bíblico, e teve a partir de então uma longa época de glória. Tornou-se, de facto, o livro fundador do pensamento feminista.

Paralelamente, iam sendo publicadas outras obras da autora, como a trilogia das Memórias – o que mais apreciei de tudo o que dela li e que não foi pouco (**).

Simone de Beauvoir nunca provocou grandes empatias e foi sempre objecto de discussões sem fim (que duram até hoje) sobre a sua importância relativa quando comparada com a de Sartre.

Mas, goste-se ou não, estava no centro do Olimpo que Paris era então para nós – quando, no Café de Flore, toda a gente vivia envolta em fumo e Juliette Greco cantava «Il n’y a plus d’après».

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(*) Le Deuxième Sexe, Vol. I – Les Faits et le Mythes, Vol. 2 – L’Expérience Vécue, Gallimard, Paris, Juin / Novembre 1949.
(**) Mémoire d’une jeune fille rangée (1958), La force de l’âge (1960), La force des choses (1963).



8.1.08

Simone de Beauvoir – Centenário

Elliot Erwitt

Celebra-se amanhã, dia 9 de Janeiro, o centenário do nascimento de Simone de Beauvoir.

Em França, é grande o número de iniciativas em perspectiva, desde a realização de um Colóquio Internacional, em Paris, nos dias 9 a 11 de Janeiro, até à publicação de vários livros, entre os quais uma biografia («Castor de Guerre») que tem sido largamente publicitada, da autoria de Danièle Sallenave.

O nº 471 de Le Magazine Littéraire inclui um conjunto muito interessante de textos relacionados com a autora e com a sua obra, o mesmo acontecendo com Le Nouvel Observateur de 3 de Janeiro –menos significativo do que o primeiro, na minha opinião, mas com a vantagem de estar disponível na net.

Na 6ª feira, dia 11, às 23:30, a RTP2 transmite o documentário biográfico: «Simone de Beauvoir – Une femme actuelle».

Deixo para já estas informações, mas voltarei ao tema.
Não disponho de informações que me permitam avaliar o impacto directo que a obra de Beauvoir teve em Portugal. Eu apanhei o auge da sua influência nos meios de cultura francesa, enquanto fui estudante em Lovaina. Talvez por isso, tenho andado agora à volta dela.