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14.2.19

Dia da Rádio – Argel, «esta é a Voz da Liberdade»



Com 24h de atraso, recordo uma outra rádio, a que ouvíamos, em tempos negros, com a gravação da voz de Manuel Alegre, mais do que provavelmente na emissão do dia em que Salazar morreu: era segunda-feira, nesse 27 de Julho de 1970, um dos dias da semana em que a Rádio emitia.

Dá-se conta também, entre outras notícias, do acidente aéreo em que tinham morrido quatro deputados da ala liberal, dois dias antes.


(Todos os créditos para o meu amigo Alexandre Romeiras que me enviou esta gravação já há alguns anos.)
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27.7.18

Morreu num 27 de Julho, sim




A ler: este texto de Diana Andringa, então presa em Caxias, em que ela descreve como a notícia foi recebida: O velho foi à viola.
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4.9.17

04.09.1970 - A vitória de Allende



Há 47 anos, Salvador Allende ganhou as eleições presidenciais no Chile.

Excertos do discurso:



Texto na íntegra AQUI.


Eduardo Galeano em Los Hijos de los días:


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27.7.17

O velho foi à viola



«Segunda-feira, 27 de Julho de 1970. Um inusitado toque de clarim interrompe a rotina matinal na prisão de Caxias.
Um toque diferente, desconhecido, num tom lamentoso que não lhe conhecíamos.
Numa cadeia, ganham-se mil ouvidos: habituamo-nos aos sons ciciados da chegada de um novo preso, ao esforço de distinguir qual a cela onde o colocam (da parte da frente, com o rio ao longe? Da de trás, tendo como única visão o muro e as pernas do guarda republicano andando nele?), à frase «Prepare-se para ir à António Maria Cardoso», que pode significar, para aquele a quem é dita, uma sessão de tortura, seja a pancada, o sono ou a estátua, o seu regresso («Quantas horas passou em interrogatórios? Quantas noites?»), à tosse que anuncia esse regresso, ao assobio longínquo de um camarada, identificando-se com uma canção comum (no nosso caso, uma coladera), até às crises de asma de alguém que necessita socorro, numa cela próxima. Então, um toque de clarim, a uma hora inabitual, desperta de imediato a atenção e a ansiedade.

Lá em baixo, na guarita, o jovem guarda republicano olha, também ele, o lado de onde o som surgiu. «Que toque é este?», perguntamos-lhe, gritando. Olha-nos e encolhe os ombros. Não como quem não quer responder à pergunta gritada por aqueles que tem o dever de guardar, mas como quem não sabe. E ouvimo-lo repetir a pergunta para a guarita seguinte: «“Que toque é este?» Do outro lado chega uma resposta, para nós inaudível. Mas o jovem ouve-a e repete-a para nós: «“É o toque dos mortos!» Para que, numa cadeia, toque o clarim por alguém que morreu, é que esse alguém é pessoa de importância. E a ansiedade e a curiosidade crescem. Gritamos, de novo, para o guarda: «E quem é que morreu?»
Tal como da primeira vez, ele repete, para a guarita seguinte, a nossa pergunta. E tal como da primeira vez, a resposta escapa-nos. Mas – tal como da primeira vez – o jovem que nos guarda logo no-la repete: «Foi o velho! O velho foi à viola!»

Não houve necessidade de perguntar mais nada. O «velho» com direito a clarim só podia ser um: Salazar. E logo nos abraçámos a rir, enquanto ouvíamos, vindos de outras celas, gritos de regozijo. Que a morte, tantas vezes desejada, do ditador, nos fosse anunciada pelo jovem que devia guardar-nos aumentava a ironia da notícia.
A cadeia explodiu em gritos, risos, murros nas paredes, comunicando de cela em cela, na velha caligrafia prisional – «Um toque é “a”, dois são “b”, três “c” e por aí adiante…» – a morte do antigo Presidente do Conselho.
Os mais lúcidos lembraram que já havia outro, Marcelo Caetano. Mas, nesse dia, a alegria prevaleceu. Mesmo quando a visita foi cancelada, mesmo quando nos cortaram os minutos de música diária, porque «o país está de luto». «De luto?», respondemos nós. «O vosso talvez esteja, o nosso país está em festa!»

E, desafinadas ou não, ergueram-se as vozes dos presos e ouviram-se pela Cadeia, nesses minutos sem música, canções de resistência.»

Diana Andringa


(Publicado no nº 26 da colecção Os anos de Salazar/ O que se contava e o que se ocultava durante o Estado Novo, coordenada por António Simões do Paço.)
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26.6.17

Quando a cantiga era uma arma




«Em 1970, se muitos portugueses partiam do seu país à procura de trabalho ou melhores condições de vida, outros faziam o mesmo por razões políticas. Este é o registo áudio do espetáculo realizado no dia 10 de novembro desse ano, no auditório da Maison de la Mutualité em Paris, um concerto que recebeu a designação de "Chanson de Combat Portugaise". Nele participaram os cantores de intervenção Sérgio Godinho, José Mário Branco, Tino Flores e Luís Cília, na altura todos exilados em França, e ainda José Afonso. Já perto do final, a atuação deste último é interrompida por um grupo de extrema esquerda, acusando o cantor de pactuar com o sistema, permanecendo em Portugal em vez de preferir o exílio.» 
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4.9.16

04.09.1970 – O dia em que Salvador Allende ganhou as eleições



Há 46 anos, Salvador Allende ganhou as eleições presidenciais no Chile.

Excertos do discurso:



Texto na íntegra AQUI.


Eduardo Galeano em Los Hijos de los días:


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