
Quando a Madeira regressa à boca de cena, em ínvias negociações das quais sei que só entrevejo a ponta do iceberg, e com dramatizações que vão até à ameaça de queda do governo de Sócrates, recorde-se que Almeida Santos terá sentido recentemente a obrigação de
elogiar a obra de Jardim. Só ele saberá porquê, já que se encontrava numa simples actividade do PS Madeira e nem sequer em visita protocolar. Mais:
as suas afirmações provocaram incómodo no seu próprio partido.
Jardim é a tal ponto politicamente repugnante que qualquer louvor que lhe seja dirigido soa a bofetada na decência e na democracia. Ou então estamos no tal «Soialismo honorário» de que fala
Manuel António Pina:
«Como naquele anúncio de um hipermercado, ainda sou do tempo em que o arroz carolino custava um tostão e em que o socialismo tinha como valores estruturantes a liberdade e a igualdade. Para alguns dos por assim dizer notáveis que hoje transportam o inerme facho do socialismo, isso foi chão que deu uvas.
Às alcatifas do seu socialismo "moderno" não chegam já as distantes vozes dos "humilhados e ofendidos" e dos "condenados da terra", e a liberdade que espere sentada na antecâmara dos valores mais altos que entretanto se alevantaram das "infra-estruturas urbanísticas, rodoviárias e turísticas". Daí os elogios do "presidente honorário" do PS, Almeida Santos, à "obra positiva" de Jardim no encerramento do Congresso do... PS-Madeira. Pelo suave milagre das "infra-estruturas", esfumaram-se nas brumas da memória deste neo-socialismo o "défice democrático", o caciquismo, a liberdade vigiada e a miséria e exclusão ocultas atrás do "glamour" dos hotéis de luxo. De fora da gaveta onde Soares o meteu, o PS havia guardado do socialismo algumas palavras "ad usum" eleitoral. Agora, pelos vistos, já nem isso.»
E talvez seja altura
para recordar outra personalidade, outras declarações.
Há mistérios que me ultrapassam.