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16.12.14

Mudança de paradigma



Expresso diário, 16/12/2014, excerto:

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2.12.14

Do Provedor ao Ministro



Vale a pena gastar alguns minutos com a leitura de uma carta, datada de 19 de Novembro, que o Provedor de Justiça enviou ao Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social sobre «Medidas contrato emprego-inserção e contrato emprego-inserção».

Dois excertos, entre muitos possíveis:




Há muito que os Precários vêm a chamar a atenção para este escândalo. Fazem-no agora, uma vez mais, respaldados pela posição do Provedor de Justiça:

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5.9.14

Voluntariado? Em nome de quê?




Num país em que até as duas primeiras figuras do Estado trabalham como voluntários, a vaga deste tipo de pedidos não pára de aumentar. Mas talvez valha a pena lembrar que se está a falar de uma tarefa remunerável e que há muita gente a precisar de emprego (e até para trabalhar em bares se pedem pessoas...).

Há quem defenda que se trata de «cultura», que é habitual noutros países. Ainda assim: por essa lógica, ópera, teatro, etc., etc., deviam funcionar com base em trabalho gratuito deste tipo?

Portugal não está numa fase normal e em tempo de guerra não se limpam armas. «Oferecer» trabalho e dizer que o mesmo não é pago? NÃO, definitivamente.
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26.7.14

O último dia



João Paulo Baltazar foi um dos muitos jornalistas atingidos pelos despedimentos da Controlinveste. Ontem foi o último dia em que esteve na rádio que ajudou a criar. Deixou no Facebook um texto que abaixo transcrevo, precedido por um comentário de Carlos Vaz Marques.

Carlos Vaz Marques:
Hoje é o último dia de trabalho do João Paulo Baltazar na TSF, de que ele foi um dos fundadores. O melhor entre os melhores foi despedido. É o fim de qualquer coisa, com certeza. Ainda não sei exactamente de quê, mas seguramente depois disto nada será como dantes. Quero que saibam que amanhã, sábado, quando me ouvirem a editar os noticiários da manhã, não hei-de estar só triste, estarei envergonhado.

João Paulo Baltazar:
Para acabar de vez com a nostalgia

O matraquear das máquinas escrevinhava o som de oficina – as nossas mãos nas palavras que, cinzeladas, soltavam faíscas. Tac, tac, tac, plim, zzzzzt ... com a cabeça e o coração em cada frase. O magnético cruzamento dos sons, desenrolados das fitas, era parte de uma coreografia que só os melhores dançavam com uma leveza certeira. A rádio era muito física nesses oitenta, derramados nos noventa. Saíamos a correr para a rua, voltávamos com a urgência da notícia (era preciso contá-la melhor, depois do directo), com o desejo de modelar e polir uma história. Tac, tac, tac, plim... zzzt, zzzt, mais um bailado de sons e palavras, com a cabeça e o coração. Gritávamos em uníssono: abaixo o Portugal sentado!!

Antes e depois de cada turno, discutia-se tudo. Era importante criticar, aperfeiçoar, ir um pouco mais longe, vigiar o rigor, desafiar os golpes de asa – amanhã sai melhor! Dávamos os corpos às balas, sim. Por vezes, queimava; depois, sarava. Tudo era muito físico, vibrante, à flor da pele da rádio. Tantos erros, quanta paixão!

Depois (muito depois), o mundo inteiro na ponta dos dedos (ou uma ilusão desse espanto sem fim). Das cassetes e da fita ao quotidiano património imaterial mas sempre com o mesmo apetite de sons, fome de verdade impossível: há que tirar as medidas ao mundo em cada esquina desta aldeia. “Continuamos a discutir isto?” Sim. Vai e volta. Na rede, sem rede. Ligados, sem fios. Tantas voltas. Analógico, digital, cabeça, coração.

Mas, incerto dia, dás-te conta: um pouco mais de silêncio na oficina – tic, tic, tic... Um pouco menos de calor. Gestos um pouco mais em câmara lenta. Até que um dia, perante uma crítica, atiras: “É a tua opinião... cada um por si, topas?”. A economia (a nossa, mais íntima, nos bastidores das notícias) sempre em plano inclinado. Até que um dia te pedem para seres "brand journalist" ou uma merda do género, “ganhas uns trocos extra, não é bom?” E seres... pouco mais, afinal. Até que um dia te dizem que não há outra saída: é preciso organizar mais um "evento" e outro ainda, “fazes nas folgas, ok?”. Até que um dia, o estatuto editorial acorda encolhido numa quase-palavra: EBITDA. Até que um dia nada te dizem, durante semanas, meses, anos a fio. Até que um dia te dizem (ou tu percebes): acabou.

Esta sexta-feira, cumpro o meu último turno na TSF, depois de 26 anos, quatro meses e 25 dias de trabalho nesta rádio.
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25.7.14

Imagine-se o fim-de-semana destas 280 famílias




O Centro de produção da Peugeot Citroën em Mangualde vai despedir cerca de 280 trabalhadores. A decisão está relacionada com a redução de um dos três turnos. Uma medida que entra hoje em vigor.
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9.7.14

Trabalho: valor, direito e dever?



«Em finais de Dezembro de 1935 a revista "Time" dedicou a sua capa a um trabalhador soviético: Alexei Stakhanov. Mineiro, ele extraíra 102 toneladas de carvão num dia, 14 vezes o volume da cota diária de cada trabalhador.

Estaline fez dele um modelo. Até os americanos o veneraram. Nesses tempos o trabalho era um valor moral, um direito e um dever natural.

Adam Smith, que muitos evocam quando querem falar do liberalismo, tinha deixado a sua grande advertência em "A Riqueza das Nações": não se deveria retirar aos pobres a sua única propriedade, o trabalho. A austeridade dos nossos dias destruiu o valor do trabalho e roubou-lhe a sua alma moral e ética. O emprego ou é precário ou é taxado como se fosse um sinal exterior de riqueza. Portugal é o exemplo deste liberalismo estalinista, onde o Estado pilha toda a riqueza conseguida pelo trabalho. (...)

Em Portugal, o trabalho liberta? Não, neste país os portugueses trabalham para cumprir aquilo que se chamam obrigações fiscais. Em contrapartida, o Estado não é obrigado a ser sensato ou poupado.»

Fernando Sobral, no Negócios.
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18.6.14

Despedimentos na Controlinveste


Moção exigindo a suspensão do processo de despedimento colectivo e a negociação de alternativas que preservem os postos de trabalho, aprovada ontem, em vários plenários, pelos jornalistas ao serviço das publicações da Controlinveste e da rádio TSF.



MOÇÃO

Considerando que:

1. Os órgãos de comunicação social detidos pelo Grupo Controlinveste, pelo prestígio, qualidade e profunda ancoragem no território desempenham um papel insubstituível na sociedade e junto das populações, que pode e deve ser reforçado, assim como encerram um importante potencial de energia e criatividade que pode e deve ser aproveitado;

2. Os trabalhadores em geral e os jornalistas em particular têm demonstrado, ao longo da existência dos órgãos em que trabalham e em particular nos últimos anos, uma inigualável dedicação e empenho, estando disponíveis – dentro de limites aceitáveis – para redobrados esforços no sentido do fortalecimento dos projectos editoriais em que trabalham;

3. Não obstante os resultados económicos dos últimos anos – a que os trabalhadores são alheios – se perspectiva uma progressiva recuperação do mercado e o Grupo reforçou recentemente, de forma substancial, os seus recursos financeiros;

4. Um despedimento colectivo, além do mais com o volume anunciado (140 trabalhadores, além de 20 a abranger por rescisões ditas de mútuo acordo), representaria uma redução dramática da força de trabalho, nomeadamente nas redacções, já profundamente exauridas devido a idêntica medida em 2009, que atingiu meia centena de jornalistas, e, desde então, a sucessivas rescisões e encerramento de publicações como o “Tal & Qual”, o “24 Horas”, o “Global Notícias” e a “Notícias de Sábado”;

5. Tal redução, tanto nas redacções-sede como nas redacções secundárias de Lisboa e Porto, bem como em importantíssimas capitais de distrito (Viana do castelo, Braga, Coimbra, Faro e funchal), colocaria seriamente em causa a capacidade operacional dos órgãos de informação abrangidos e comprometeria gravemente o serviço que prestam ao público;

6. O despedimento de 24 jornalistas no “Diário de Notícias”, 20 no “Jornal de Notícias”, sete na TSF, três no “Dinheiro Vivo”, dois em “O Jogo” e dois na “Notícias Magazine”, bem como a redução em metade do corpo de fotojornalistas da Global Imagens compromete fatalmente a sua capacidade de responder em tempo, quantidade e qualidade às necessidades de serviço;

7. Não pode ser aceite nem a substituição de jornalistas profissionais por colaboradores ou mesmo estudantes, nem a precarização ainda maior dos profissionais ao serviço do Grupo;

8. Apesar de apresentado como solução necessária e indispensável para a inversão dos saldos das empresas e do Grupo, embora ainda não se conheçam o projectos de relançamento, o despedimento colectivo pode revelar-se gravemente prejudicial e até fatal,

Os jornalistas ao serviço dos vários órgãos de informação detidos pelo Grupo Controlinveste, reunidos em plenários descentralizados no Porto e em Lisboa, em 13, 16 e 17 de Junho, decidem:

1.º - Exigir a suspensão do processo de despedimento e a abertura da discussão com as organizações representativas dos trabalhadores sobre medidas alternativas, de modo a preservar os postos de trabalho.

2.º - Realizar iniciativas de informação às populações, designadamente através de panfletos a distribuir nas ruas das principais cidades, alertando-as para a grave situação vivida pelos jornalistas e as consequências para o direito à informação.

3.º - Dinamizar um Manifesto público de apoio à luta dos jornalistas e dos trabalhadores, defendendo a manutenção dos postos de trabalho e a manutenção e relançamento dos órgãos de informação do grupo.

4.º - Realizar vigílias simultâneas, em Lisboa e Porto, abertas à participação de organizações sociais, cívicas, culturais, personalidades de amplos sectores e artistas.

5.º - Mandatar o Sindicato dos Jornalistas para convocar uma greve de 24 horas a observar em data a anunciar.

Aditamento discutido e votado no plenário de hoje em Lisboa: 

6.º - Os trabalhadores exigem às direcções editoriais que assumam, consequentemente, a sua quota-parte de responsabilidade neste processo, já que os resultados provam que as dificuldades do grupo não se explicam apenas com razões externas.

OBS: Além do aditamento do ponto 6.º da decisão, a presente versão contém alguns acrescentos nos considerandos números 4, 5, 6 e 8, também aprovados no mesmo plenário. 

(Daqui)

12.6.14

A «esperança» de Cavaco e o desespero de outros



A «vaga de fundo que atingiu Cavaco no passado dia 10 e as polémicas que se seguiram foram tão fortes que desviaram as atenções do inaceitável discurso que fez na sessão solene. O tema foi «esperança», palavra que usou 18 vezes em 14 minutos, as afirmações foram no mínimo ofensivas para os portugueses que continuam sem ter razões para a ter.

No dia seguinte, ontem, a Controlinveste (que abrange DN, JN, TSF e O Jogo, entre outros) fez um despedimento colectivo de 140 colaboradores e anunciou uma rescisão amigável com mais 20.

Proponho um exercício ao presidente da República: convoque estas 160 pessoas, e respectivas famílias, e repita, olhando-as de frente, que «conquistámos o direito a ter esperança» e que será possível, agora, «olhar o futuro com renovada confiança». Porque, o estado de espírito de cada uma dessas 160 pessoas é aquele que Pedro Santos Guerreiro retrata bem, no Expresso diário:

«Hoje. Ao fundo, um homem sai de um gabinete. O gabinete do chefe. Do ex-chefe. Do ex-chefe que ainda é chefe, ex é ele: ex-empregado. Acaba de ser despedido. É um de um rol de muitos, um nome a mais numa lista, uma fila a menos numa folha de cálculo. Sai calado, pelo espaço aberto, outros olhos viram-se primeiro para ele, depois para baixo. Outro nome é chamado, lá vai ele, o mesmo gabinete, o mesmo destino. Hoje a empresa não é uma empresa, é um matadouro. Morrem empregos. Saiu nas notícias e tudo. É um dia na vida.
A vida já continuará, mas hoje não. “Fui eu? Foram eles? O que fiz de errado? O que farei agora? Como vou dizer? Como vou fazer? Quero um abraço. Não quero ver ninguém. Quero viver. Quero morrer. Merda para isto. Respira fundo. Mas para quê? Rosna. Chora. Põe-te de pé! Desaba… Com esta idade? Com esta idade.”»

Hoje, somos todos empregados do DN, do JN, da TSF. Muitos estarão presentes numa manifestação de solidariedade com os despedidos, convocada por colegas jornalistas que se sentem impotentes mas que não querem deixar de estar presentes.

Hoje, lamentamos ter um presidente inapto, não porque desmaia, mas porque é incapaz de interpretar os sentimentos do povo que (infelizmente) o elegeu e se identifica, apenas e totalmente, com as políticas assassinas de quem nos desgoverna. 
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7.4.14

Direito ao trabalho? Onde ele já vai...



«Mario Draghi tem medo. Mais do que do Frankenstein da deflação, dos desempregados que possam vir a percorrer as ruas como fantasmas sem destino. Tem medo daqueles que talvez nunca mais venham a conseguir emprego, os excluídos ou os “falhados” da cultura americana.

Adam Smith, defensor do capitalismo ético, dizia para não se tirar aos pobres a única coisa de valor de que dispunham: o trabalho. É isso que a Europa, dita solidária, ainda mais com esta austeridade cega, está a tirar definitivamente a milhões de pessoas. O problema é que o mundo onde o trabalho era um símbolo ético de existência está a chegar ao fim. (...)

No artigo 58 da Constituição Portuguesa escreve-se: “Todos têm direito ao trabalho”. Erro. Deixaram de o ter. Porque a dinâmica das sociedades de mercado levou a isso. E tal não é analisado nem à direita nem à esquerda. O problema do desemprego só assustará as elites quando for tão amplo que deixe de ser controlável e as sociedades (democráticas ou outras) possam implodir. Esta crise está a funcionar como laboratório de um mundo que ainda não conhecemos como irá funcionar. Mas onde o emprego está a deixar de ser um direito.»

Fernando Sobral, no Negócios.
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6.1.14

«Ganhem Vergonha»



Foi um telefonema de um amigo que me alertou para a publicação, em El País, de um artigo que me tinha escapado – El Robin Hood del becario –, bem revelador do estado de uma parte do mercado de trabalho em Portugal. Vamos dando que falar também «lá fora» e nem sempre pelas melhores razões.

Francisco Ferreira, 30 anos, licenciado em Comunicação e Publicidade, desempregado, como tantos outros treinado no despiste de anúncios de emprego, decidiu criar um blogue – Ganhem Vergonha – onde denuncia anúncios ilegais de trabalho, nomeadamente aqueles que falam de «estágios» para mascarar salários indignos ou mesmo ausência pura e simples de remuneração. Mais: identifica e denuncia as empresas que propõem esse tipo de postos de trabalho, mas afirma que só divulga os casos que pode comprovar. Pede também que lhe sejam enviados testemunhos com experiências semelhantes e tem recebido muitos.

Vale a pena dar uma vista de olhos por esta «Plataforma de denúncia de empregadores sem vergonha» e pela respectiva página do Facebook. Não encontraremos nada que não seja já conhecido, mas é sempre bom sublinhar o esforço de quem se empenha em divulgar, preto no branco, esta triste realidade. 
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28.9.13

Nelson Arraiolos não desiste (ACTUALIZADO)



Foi ontem enviada aos órgãos de comunicação social a seguinte Nota de Imprensa, na qual se anuncia que Nelson Arraiolos dirá também à ministra das Finanças que deixou de pagar impostos e porquê (*). O tema será abordado no Porto Canal, hoje pelas 20:00 e amanhã às 13:00.

«Ao meio-dia desta quarta feira, Nelson Arraiolos irá ao Ministério das Finanças com o intuito de pedir uma audiência a Maria Luis Albuquerque para anunciar que decidiu deixar de pagar impostos. Esta acção é no seguimento de outra no mesmo sentido entregue há duas semanas atrás a Cavaco Silva que, compreensivelmente, anuiu pelo seu silêncio.
O Nelson está desempregado, carece de apoio adequado para a doença degenerativa de que padece e a sua família foi alvo de penhoras ilegais por parte das Finanças que visavam dívidas do próprio.
Agradece-se a todos as senhoras e senhores jornalistas, órgãos de comunicação e cidadãos em geral a divulgação e apoio a este acto de resistência involuntária.
Nelson Arraiolos
926880152»




(*) O texto da carta que foi entregue a Cavaco Silva pode ser lido aqui
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18.9.13

Texto da carta de Nelson Arraiolos ao PR




Aqui fica o texto da carta que ontem referi e que recebi hoje por mail. 


Exmo. Sr. Presidente da República

i. Sou desempregado, sem qualquer rendimento, e portador de Charcot Marie-Tooth, uma doença degenerativa que me destrói progressivamente o sistema muscular. Se sobrevivo é, unicamente, graças à caridade de várias pessoas.

ii. A minha realidade demonstra que não se está a cumprir a Constituição da República Portuguesa, nomeadamente nos artigos:
- Artigo 26.º - Outros direitos pessoais, ponto 2;
- Artigo 58.º - Direito ao trabalho;

iii. É de notar que, até ao momento em que este documento foi redigido, não foi evocado o Artigo 19.º (Suspensão do exercício de direitos) nem por V. Exa. nem pelo presente Governo. De qualquer forma, mesmo que tal tivesse acontecido, seria necessário actuar em conformidade com os vários pontos deste artigo. Deste modo, não existe justificação para o incumprimento que se verifica, por parte do Estado, dos Artigos citados no ponto ii. deste documento.

iv. Permita-me que lhe recorde vários artigos da Constituição da República Portuguesa:
- Artigo 63.º - Segurança social e solidariedade, ponto 3
- Artigo 81.º - Incumbências prioritárias do Estado, alínea a) e alínea b)
- Artigo 104.º - Impostos, ponto 1, ponto 3 e ponto 4.

v. Permita que lhe recorde que:
A Constituição da República Portuguesa é o documento que suporta as leis do país.
A Constituição da República Portuguesa é o documento que, sendo cumprido, dá lugar a todos os cidadãos.
A Constituição da República Portuguesa é o documento que permite a paz e concórdia entre todos os que habitam em Portugal.
A Constituição da República Portuguesa é o documento que todos os cidadãos eleitos juraram cumprir e fazer cumprir.
A Constituição da República Portuguesa é o documento que todos os cidadãos nomeados juraram cumprir e fazer cumprir.
A Constituição da República Portuguesa é o documento que V.Exa. jurou cumprir e fazer cumprir.

vi. Existe uma inegável hierarquia de valores que exige que eu faça o necessário para garantir a minha sobrevivência física.

vii. Sr. Presidente da República Portuguesa: é contra a minha vontade, e ao abrigo do Artigo 21.º (Direito de resistência), que declaro que suspendo o pagamento ao Estado de qualquer imposto ou taxa. Declaro também que manterei esta minha decisão enquanto não tiver um rendimento que me permita sobreviver de forma digna e autónoma.

A partir do momento em que o actual Governo actua na ilegalidade, ao violar os direitos mais básicos dos cidadãos, não lhe reconheço nenhuma legitimidade. Desta forma, recuso-me a cumprir deveres, como o pagamento de taxas, cuja consequência é a minha morte, enquanto o Estado não cumprir também os seus deveres e deixar de violar os meus direitos. Por outras palavras, enquanto não tiver um trabalho digno, direito consagrado na Constituição da República Portuguesa que cabe ao Estado cumprir e fazer cumprir, não pago nenhum imposto ou taxa que me seja exigido. E não o faço por se tratar de uma opção, faço-o precisamente porque não tenho opção.

Nelson Arraiolos
926880152
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17.9.13

Nelson Arraiolos – um caso a acompanhar



A Clara Cuéllar já chamou a atenção para o caso de Nelson Arraiolos, um cidadão que deverá amanhã tentar entregar ao presidente da República uma carta em que explica os motivos pelos quais deixará de pagar qualquer tipo de imposto: está desempregado, sofre de uma doença degenerativa para a qual não tem apoio adequado e a sua família foi alvo de penhoras, por parte das Finanças, por causa de dívidas por ele contraídas.

Mais uma situação que, inevitavelmente, me levou a recordar o caso de Alcides Santos que, há meia dúzia de meses, tomou uma decisão semelhante interpelando o Provedor de Justiça. Por circunstâncias várias, o desfecho foi bom: está empregado, voltou a conseguir «respirar».

Se sou amiga do Alcides e não conheço o Nelson Arraiolos, não fico de todo indiferente e aplaudo e admiro quem não se conforma, nem desiste, mesmo numa situação desesperada, de utilizar as poucas armas de que ainda dispõe: os direitos que a Constituição lhe concede e que vai reclamar junto daquele que tem o dever de ser o seu principal guardião. Como tantos outros portugueses, podia simplesmente deixar de pagar impostos sem mais explicações, mas fez a opção corajosa de sair da sua zona de (des)conforto e de tornar a sua situação oficial e pública. Resistência activa é isto. 

Somos todos nós que somos interpelados também – amanhã, 18 de setembro, às 12:00.

(Quando tiver notícias do que se terá passado em Belém, informo.) 
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3.4.13

O caso Alcides Santos



O Expresso do último Sábado deu a conhecer a história, que entretanto foi noticiada por outros jornais e chegou às televisões.

Trata-se de um informático, no desemprego há dois anos, que entregou ontem, na Provedoria da Justiça, uma carta (que abaixo reproduzo), onde explica por que motivos vai deixar de pagar impostos.

Acontece que eu conheço pessoalmente o Alcides, precisamente há quase dois anos, desde que se iniciaram os trabalhos para o lançamento da IAC (Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida), onde ele é, desde a primeira hora, o devotadíssimo activista que trata de tudo o que a Tecnologias de Informação diz respeito. E como até fui do ofício, faço questão de testemunhar a sua competência e quão chocante é que não consiga um emprego, neste triste país onde ministros aparvalhados recrutam responsáveis de programas do governo porque vêem uns vídeos no Youtube...! É talvez porque o Alcides é velho, sei lá: tem 46 anos...




(Clicar para ler)
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21.2.13

O estranho caso do iraniano desejado em Coimbra



Anda tudo muito escandalizado porque o IEFP, do Ministério da Economia e do Emprego, publica uma oferta de uma empresa de Coimbra, que procura um Técnico de Relações Públicas iraniano, a quem oferece um contrato a termo certo de seis meses (mais subsídio de refeição de 5 euros), por um salário de 485 euros. Cheguei lá através do Dinheiro Vivo mas fui à fonte, para ver e crer. 

(Clicar para ler melhor)

Quando se lê o perfil desejado tudo fica mais ou menos esclarecido. 
A filha do dono da referida empresa foi de férias ao Irão, encantou-se por um nativo, ele veio cá ter, o rapaz anda por aí aos caídos, a família não permite o casamento por motivos religiosos mas quer ver se lhe arranja uma autorização de residência. 
Outras hipótese: a história de Coimbra e do Irão é só para disfarçar e isto é um anúncio da s Tugaleaks que precisa de um informático encartado e poliglota. 
Mais uma: a dita empresa procura um colaborador que dificilmente aprenda a cantar a «Grândola». 

Se não: cabe na cabeça de alguém que, em Coimbra, no ano da graça de 2013, se procure um empregado iraniano, com casa em Teerão e uma lista de qualificações que nunca mais acaba, por 485 euros / mês? Está tudo doido, o mundo anda nervoso, mas nem tanto assim... 
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28.6.12

Os desempregados e os outros



«Muitos são engenheiros, arquitectos, professores, cientistas, que levam na bagagem conhecimento técnico, doutoramentos, mestrados, licenciaturas, e a frustração por terem nascido num país que os enjeita, castigando-os por terem perdido anos a estudar e qualificar-se em vez de, como outros, se arrebanharem numa "jota" a colar cartazes e a aprender as florentinas artes da intriga, do servilismo e da ausência de pensamento próprio. E, por cima de tudo isto, são ainda alguns destes últimos, "emigrados" hoje nos cadeirões da AR ou do Governo e amanhã nos de alguma empresa pública, quem lhes aponta a porta de saída: "Deixem a vossa 'zona de conforto' e ponham-se a andar".»  

Manuel António Pina

22.5.12

O desemprego tem rosto



Novo blogue do Público.

Projecto fotográfico iniciado em 1 de Maio, com duração prevista de 365 dias, e que tem o objectivo de mostrar 365 rostos. «Com dignidade. Uma pessoa por dia.»
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