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24.4.25

Luto nacional

 


Em Espanha, os três dias de luto nacional pela morte do papa foram 21, 22 e 23 de Abril. Em Itália, terão início a 26. Em Portugal: 24, 25-25-25, 26. Porque será?

23.4.25

Não calar o Papa do fim do mundo

 


«Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais o foram buscar quase ao fim do mundo. Eis-me aqui!”

Foi assim que, chegado à varanda da Basílica de São Pedro, Jorge Bergoglio, agora Francisco, se apresentou. Deixo para o texto do semanário o balanço mais profundo sobre o pontificado de um Papa que considero, apesar de não crente, exemplo político e moral. Aqui, quero falar do fim do mundo. Não do lugar de onde veio o primeiro Papa nascido fora da Europa nos últimos mil anos, mas dos lugares onde foi e quase ninguém vai. Talvez as duas coisas estejam ligadas.

Logo dois anos depois de iniciar o seu pontificado, em fevereiro de 2015, Francisco visitou, de surpresa, um bairro nos subúrbios de Roma. Estava a caminho de uma visita a uma paróquia na área operária de Tiburtina quando mudou a rota para conhecer um bairro de lata de que tinha ouvido falar. E assim, livre e próximo, foi rodeado por 150 trabalhadores do Peru e do Equador, os mais precários dos imigrantes.

Ao longo destes 12 anos de pontificado, não se limitou a defender os imigrantes. Foi severo com quem escolhe o ataque aos mais frágeis para subir na política. Criticou, sem meias palavras, a criminalização da imigração e as políticas de deportação. Disse que “quem trabalhar de forma sistemática e com todos os meios para repelir os migrantes”, se o fizer “com consciência e responsabilidade”, cometerá “um pecado grave”. E concluiu: “o Senhor está com os migrantes, não com quem os rejeita”.

Há dois meses, escreveu aos bispos norte-americanos: “o Filho de Deus, ao fazer-se homem, escolheu viver também o drama da imigração”. E, como nunca deixava os valores a pairar no vazio, acrescentou que “o ato de deportar pessoas que, em muitos casos, abandonaram as suas terras por motivos de extrema pobreza, insegurança, exploração, perseguição ou grave deterioração do ambiente fere a dignidade de muitos homens e mulheres e de famílias inteiras, e coloca-os num estado de particular vulnerabilidade”. E recordou uma ideia cada vez mais ignorada pelo seu rebanho: “o amor cristão não é uma expansão concêntrica de interesses que pouco a pouco se estendem a outras pessoas e grupos”, exortando os fiéis e todos os homens e mulheres a “não cederem a narrativas que discriminam e causam sofrimento desnecessário aos nossos irmãos e irmãs migrantes e refugiados”.

Na Eslováquia, foi ao bairro miserável de Luník IX, em Košice, para se encontrar com ciganos e dizer-lhes que "colocar as pessoas num gueto não resolve nada". No seu pontificado, pediu perdão por séculos de discriminação e maus tratos e lamentou a “incompreensão, rejeição e marginalização” de que aquele povo ainda é alvo, comparando-o a Jesus. Disse que eram “filhos e filhas amados de Deus”. Disse ainda que “muitos dos valores que os identificam como povo não são somente evangélicos, mas também proféticos e contraculturais neste momento”.

Há um ano, muitíssimo debilitado, Francisco já não se conseguiu ajoelhar. Mas, sentado na sua cadeira de rodas, não faltou ao dever: lavar, enxugar e beijar os pés de presidiárias, repetindo o momento em que, em 2013, o fez com doze reclusos, incluindo mulheres e muçulmanos. Se alguém era alvo dos cultores do ódio para daí tirar vantagens políticas, ele lá esteve para o defender.

Este Papa não foi uma exceção na Igreja. Foi, aliás, mais uma tentativa de a Igreja se reencontrar com Cristo. Disse-o, numa conversa que tive com José Tolentino de Mendonça para o programa católico 70x7, em 2015, que quando chegamos ao fim do mundo, aos bairros de lata de ciganos, às prisões, aos lugares onde os imigrantes se escondem, podemos encontrar alguns ativistas ou voluntários de ONGs, mas está lá sempre alguém da Igreja. Porque a Igreja é muita coisa. É o salão do poder, o canto onde acontece o abuso, o púlpito onde se julga a diferença e o fim do mundo, onde só a Igreja e Bergoglio vão.

Estes são dias para chorar a memória de um cristão extraordinário. Mas se o exemplo serve para alguma coisa, se não nos limitamos a mais um momento mediático vazio de vida, serve para respeitar a mensagem de quem parte. Este foi o Papa dos ciganos, dos imigrantes, dos presidiários, dos humilhados, dos perseguidos e dos ofendidos. Este foi o Papa que defendeu as vítimas do ódio. E foi nesse fim do mundo, onde elas vivem, que encontrou Cristo. Até eu, que não sou cristão, o vi nos seus atos.

É natural que, por estes dias, se guardem palavras de respeito e admiração. É normal que um católico se junte a este momento, mesmo que discordasse do Papa. Mas há limites para o cinismo. Por estes dias, são demasiados os que fazem um minuto de silêncio na diabolização dos imigrantes ou na cedência cobarde aos que os diabolizam para repetirem, como se fosse um jingle publicitário, “todos, todos, todos”.

Recordar a mensagem do Papa Francisco, que é tão política como religiosa, não é usar a sua morte para constranger os que nunca lhe deram ouvidos. É não permitir que se use a morte do Papa para apagar a sua mensagem radicalmente corajosa e dolorosamente solitária.»


21.4.25

André Ventura e Francisco

 


O que custa é que seja levado a sério porque arrastou mais 49 com ele para um Parlamento. Votos, por muitos que sejam, não apagam canalhice. Até podem alimentá-la.

Francisco

 


«Foi muito mais do que simplicidade e sorriso. Foi coragem. Porque não relativizou o sentido cristão da abertura a todos. Porque recusou veementemente os nacionalismos anti-imigração. Porque sacudiu as consciências de quem fecha as portas aos que não escolheram a sua orientação sexual. Porque recebeu as mães solteiras. Porque ousou denunciar o capitalismo selvagem como agressor do bem comum. Porque afirmou a ecologia e o combate à destruição do Planeta, a nossa “casa comum”, como desígnio de qualquer católico e não-católico. Porque promoveu, na senda de alguns dos seus antecessores, o diálogo inter-religioso como avenida aberta para a paz mundial. Porque combateu o clericalismo como um dos mais sérios cancros da Igreja Católica. Porque não se afundou no ritualismo. Porque abriu as portas a Cardeais de geografias esquecidas. Porque não baixou os braços, nem resignou, quando confrontado com o maior pecado da sua Igreja, a violação de tantos menores. Porque reabilitou alguns dos clérigos que tinham sido rejeitados pela instituição, porque viu o seu valor. Porque não mediu palavras, não teve medo, não falou só para dentro, não nos deixou o conformismo, mas sim a inquietude.»

Daqui.

Morreu um homem bom

 


24.1.23

Dois papas, dois altares, um ovo e um espeto

 


Vem aí a Jornada Mundial da Juventude, só faltam seis meses, e chovem protestos pela diferença de custos na construção de um altar onde Bento XVI celebrou uma missa, no Terreiro do Paço e em 2010 (sem Jornada Mundial da Juventude), e aquele que se prepara para que Francisco faça o mesmo no Parque das Nações.

Digo já, no que me toca, que os jovens podiam ficar nos seus países e fazerem tudo por streaming, com o papa numa janela da Praça de S pedro, bem fardado mas de sandálias, que ninguém veria, porque deve estar então calor em Roma.

Mas não é essa questão. Em 2010, ter-se-á gastado entre 200 e 300 mil euros para a instalação de um palco no Terreiro do Paço, fala-se de 4,2 milhões de euros para a obra de 2023. Mas, pelo que leio, compara-se um ovo com um espeto, uma vez que esta obra é realizada no âmbito da requalificação da totalidade do parque situado junto à foz do rio Trancão. Além disso, a estrutura não será desmontada, mas sujeita apenas a modificações de modo a ser usada em futuros eventos de várias espécies.

Portanto, «camaradas» das redes sociais: se não querem dar razão aos que definem estas como a cloaca da informação (alô Pacheco Pereira, alô Miguel Sousa Tavares), não espalhem atoardas por maldade ou só para serem engraçados, guardem o fel e as graçolas para outras causas. Há tantas com o pão nosso de cada dia!
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4.10.22

A igreja é corrupta mas o papa é santo?

 

«Se o próprio Vaticano admite que o sancionou em relação com denúncias de abuso sexual, onde está o reconhecimento das vítimas? Onde está a sua compensação? Onde está - ao menos - um pedido de perdão? Por outro lado, se o Vaticano considera que Ximenes Belo não pode voltar a Timor nem contactar com menores, quem é que sabe disso? Como é que o podem garantir se é suposto ser segredo?

E alguém pode acreditar que um caso com esta gravidade e alto perfil - o de um clérigo Nobel da Paz -, não chegou aos ouvidos do atual papa? Como se justifica que tenha sido preciso um artigo jornalístico denunciar as acusações para que se fale delas? É essa a atenção e justiça que Francisco tem para oferecer às vítimas?»

Ler na íntegra AQUI.
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20.8.22

Leitura para uma tarde quente de sábado

 



«Malgrado discurso do papa sobre o imperativo de expor a verdade e compensar as vítimas, concordatas assinadas no seu reino impõem que justiça "avise" hierarquia de investigações contra membros do clero, "barricam" arquivos e - caso de Angola -, restringem as responsabilidades civil e criminal "à pessoa física" dos eclesiásticos condenados, para evitar pagar indemnizações.»
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15.6.22

O papa e a Ucrânia

 


São mais que muitos os que hoje se «penduram» no papa Francisco por causa de umas afirmações que ele fez sobre a guerra da Ucrânia numa entrevista a uma revista jesuíta.

Aos crentes, recordo que ele só é infalível em matéria de dogmas. Aos ateus arraigados e outros que tais, lembro que Francisco nunca terá afirmado que «raramente se engana e que nunca tem dúvidas». Para isso, temos cá um dos nossos importantes portugueses, que deu cartas e que continua a querer dar.
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21.10.20

Francisco e os homossexuais

 



“As pessoas homossexuais têm o direito de pertencer a uma família. Eles são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser expulso ou ser miserável por isso”. (…) “O que temos que criar é uma lei da união civil. Dessa forma, eles estarão legalmente abrangidos. Eu defendo isso”, afirma o Papa citado pela Reuters.»
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18.4.20

Grande Francisco!




«De acordo com a imprensa internacional, o grupo ofereceu ao líder máximo da Igreja uma garrafa de uísque, gesto que terá levado Francisco a dizer uma afirmação no mínimo curiosa: que aquela bebida alcoólica é a "verdadeira" água benta.
“Questa e la vera acqua santa. (Esta é a verdadeira água benta)", terá dito, provocando uma gargalhada geral entre os presentes.
Após o sucedido, o vídeo terá sido censurado pelo Vaticano, que cortou a parte onde surge o comentário feito pelo Papa Francisco.»
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29.12.19

Francisco e Marcelo




Este papa está a copiar o nosso Marcelo: fala todos os dias sobre tudo e mais uma ova!

«A Sagrada Família, Jesus, José e Maria, rezava, trabalhava e comunicava entre si.» Como é que ele sabe?
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22.9.18

Bispos à pequinense




Confesso que esta notícia me deixa perplexa sobre um assunto que sempre segui com alguma atenção. O Vaticano reconhece a nomeação de bispos católicos por um Estado, ainda por cima mais que totalitário (o que não acontece, que eu saiba, em mais nenhum país do mundo).

E não estamos a falar apenas de bispos nomeados no passado, já que leio isto: «Apesar de ainda não se conhecerem os pormenores do acordo ou como vai evoluir, o Vaticano deverá passar a ter a última palavra sobre a escolha dos bispos.» A China continuará a ter a primeira? Alguém acredita que o governo chinês venha a aceitar bispos que não lhe «agradem» politicamente?

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29.8.18

O papa no seu labirinto




«Es curioso que la jerarquía conservadora solo haya pedido la renuncia de dos Papas de la era moderna. Lo hicieron los cardenales de la curia con Juan XXIII cuando anunció el Concilio Vaticano II. Quisieron deponerle por loco. Él acabó ganándoles la batalla. Hoy se intenta deponer a Francisco, justamente el más parecido al anciano Roncalli, considerado entonces más como un párroco que como Papa. Le faltaba la pompa hierática de su antecesor, el papa Pacelli.

Necesitará hacerlo con hechos. Ya no le bastarán las condenas verbales. Necesita entender para ello que la fuerza conservadora de la vieja curia puede ser más poderosa que su voluntad de remover los cimientos de la Iglesia. Tiene para ello que empezar a quebrar las piernas a esas estructuras con reformas concretas, empezando por la abolición del celibato obligatorio, la apertura a la mujer al poder de la Iglesia, así como a los laicos. Y hasta de deshacerse del viejo esquema rancio de la curia.»
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13.5.17

O papa falou e…?



Para os que esperavam que Francisco enviasse uma mensagem aberta ao mundo, ela não existiu – de todo. (Estranhamente, até eu o digo…) O texto: do que disse pode ser lido aqui.

Por curiosidade, fui à procura do discurso equvialente de Paulo VI, há 50 anos. Alguma comparação?
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15.5.16

O papa Francisco e a eutanásia



Para reflexão presente e para memória futura.


«Numa mensagem enviada a propósito da marcha, que terminou junto da Assembleia da República com o lançamento de uma petição intitulada "Toda a vida tem dignidade", Francisco salienta a importância de "inspirar indivíduos, famílias e a sociedade portuguesa na busca do bem-comum enraizado na concórdia, na justiça e no respeito pelos direitos da pessoa humana, desde a conceção à sua morte natural".

Segundo a agência católica Ecclesia, a mensagem foi remetida pelo "número dois" da Secretaria de Estado do Vaticano, Angelo Becciu,e o papa considera estar em causa "testemunhar a alegria do dom da vida e a beleza da família".» 
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