13.5.15

Chipre vinícola



Nem que estivesse a escrever até amanhã conseguiria resumir o que vi nos dois últimos dias em termos de camadas de ruínas, umas reconstruídas e outras nem por isso, pegadas de todas as gentes que por aqui foram passando, em guerras e impérios, desde muitos séculos antes de Cristo. Basta olhar para a situação do Chipre no mapa e pensar nas histórias do Mediterrâneo para ser fácil imaginar, e andar por aqui uns dias para prever que a movimentação não vai ficar pelo presente estado de coisas. Mas adiante, deixo de lado as «pedras» e os oráculos para falar… de vinho.

Estive hoje em Kolossi, perto de Limassol, um vale extraordinariamente fértil onde outrora foram cultivadas vinhas, cana-de-açúcar, oliveiras, algodão, etc., etc. Tem um belo castelo construído no século XV (para substituir um outro anterior, entretanto destruído), e produz-se ainda hoje, nesta região – a Comandaria – um dos mais antigos vinhos de que há memória. Adocicado, parecido com o que se produz na Madeira, com a particularidade de se datar o início da sua produção em 3.500 anos a.c. Aliás, o lindíssimo recipiente que se vê na imagem, destinado a guardar vinho, vem precisamente dessa época e foram encontrados por aqui muitos exemplares semelhantes. Para grande orgulho dos cipriotas, continua-se a produzir e a exportar Comandaria.

Deixando os vinhos e passado para o açúcar: junto do castelo, vêem-se as ruínas de uma antiga fábrica onde um rego de água fazia girar uma pesada pedra circular que esmagava as canas para obter açúcar – depois exportado por essa Europa fora, enquanto os nossos navegadores descobriam mundos.

Amanhã é outro dia. E o fim da estadia aproxima-se.
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