3.2.15

Portugal e Espanha, guardas pretorianos da austeridade



«[Para Passos Coelho] a austeridade é o princípio e o fim da sua política. E (...) a ideologia única da União Europeia e da Zona Euro. Nesse aspecto Lisboa e Madrid parecem irmãos. Lutam, entre ambas, para ser a Finlândia do Sul. Passos Coelho recusa-se a ir a uma conferência sobre a dívida da Grécia e insulta num estilo agreste o novo governo desse país. O espanhol Luis de Guindos terá sido, no Eurogrupo, um dos mais radicais contra as mudanças de posição sobre a dívida grega. Para eles a sangria é a melhor forma de curar um doente. Passos Coelho tem a experiência da sua farmácia fiscal em Portugal: o país só não pereceu por milagre.

Portugal e Espanha tornaram-se as patrulhas ideológicas da Alemanha. Passos Coelho será condecorado por isso. Esta posição de guarda pretoriano da austeridade tem, no entanto, uma causa: as eleições. Passos Coelho teme que se a Europa ceder algo à Grécia fique demonstrado que toda esta austeridade brutal foi um equívoco que teve a ajuda de mordomos portugueses. E aí a oposição ficará com mais trunfos para o esmagar eleitoralmente. Por isso, Passos Coelho quer livrar-se da sua culpa. Da demente "destruição criativa" que implodiu o contrato social em Portugal.»

Fernando Sobral