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8.10.15

Os donos do jogo



«No momento de votar os cidadãos têm a sensação de ser os donos do jogo. Elegem e obliteram os políticos. Mas, passado o calor do momento, dão-se conta que o seu poder se esvaiu. E ficou nas mãos de quem, recolhidos os votos, vence as eleições. Aí, depois da exaltação das promessas, regressa-se à realidade. (...)

Quem perdeu pode dizer que os eleitores não agradecem. É verdade. Neste novo mundo os cidadãos são interessados no que se lhe oferece. PSD e CDS perceberam este novo "trade-off".

A coligação ofereceu mais confiança a quem tinha de decidir. Conhecendo o passado e o presente, os eleitores escolheram aquele que consideram que vai representar melhor os seus interesses no futuro. Mesmo com um Governo sem maioria no Parlamento e que dependerá de um PS que dificilmente se radicalizará por agora. Porque precisa de lamber as feridas e de reencontrar o seu próprio futuro. O problema da dívida mantém-se e por isso a necessidade de compromisso entre os que assinaram o Tratado Orçamental da UE mantém-se. E isso, ninguém duvida, reforça a vitória do PSD/CDS.

Mas, sem maioria absoluta (...), PSD e CDS terão menos espaço de manobra para continuar a sua estratégia de "destruição criativa" e de hegemonia cultural, que tão bons resultados lhe deram até agora. Ou seja, o seu caminho, está agora minado. Venceu, mas pode perder a prazo. Para já PSD e CDS surgem como os donos do jogo. Mas, num Parlamento mais radicalizado, agora não têm todos os trunfos do baralho.»

» Fernando Sobral

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