Páginas

3.11.15

O mundo ao contrário



«De tal forma mudou o mundo, que é caso para se dizer que, hoje, até os sociais-democratas (pelo menos os verdadeiros) comem criancinhas ao pequeno-almoço.

Num recente texto, Pacheco Pereira ilustrou bem este paradoxo contemporâneo ao enunciar diversos princípios fundadores do PPD de Francisco Sá Carneiro, que hoje são considerados perigosamente extremados, quer pelas gentes do PSD e do CDS, quer mesmo por algumas facções do PS. (...)

A verdade é que a lógica do mundo mudou desde os anos 60/70. O bloco de Leste ruiu (tirando argumentos a alguma esquerda) e os “senhores do mundo”, com a sua eficiência habitual (no tomada do poder), foram percebendo o que tinham que fazer para contornar a democracia.

Na Europa, este fenómeno foi global, com os diversos partidos socialistas a seguirem as ordens dos “donos do mundo”, criando a “terceira via” que mais não é do que a via neoliberal com cosmética social, de que Tony Balir foi um dos maiores protagonistas. (...)

A única saída para um problema global como este é uma resposta popular global. Se antes se pedia às classes operárias de todo o mundo que se unissem na conquista dos seus direitos, hoje temos que apelar à consciência colectiva das classes médias de todo o mundo para que não permitam que lhes destruam a vida. (...)

“Classes médias de todo o mundo, uni-vos!”, terá, então, que ser o lema deste novo milénio. Essa será a única forma de deixarmos de viver num mundo cada vez mais instável e perigoso, num mundo ao contrário, em que a infelicidade é o único destino.»

Gabriel Leite Mota

1 comments:

Fernanda Queirós disse...

que demagogia é essa?
a da exclusão de outros grupos sociais ainda mais desprotegidos?
claro que já não é proletários unidos, agora são 90% unidos contra o poder financeiro global...