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5.1.16

Quem sucede a Cavaco?



«Cavaco sai pelo próprio pé, fechando três décadas de cavaquismo que foram minguando até desaparecerem. Não entramos numa era de crise de identidade. Pelo contrário, a política voltou às instituições, depois de anos em que foi substituída pela economia como discurso mínimo. (…)

São uma dezena que agora, todos os dias, se sucede em debates amorfos e sonolentos que apenas despertam cansaço. A liberdade de, em democracia, cada um poder ser candidato a um cargo público relevante transformou agora as eleições para a Presidência da República num quase "reality show". O que torna esta eleição triste. Há candidatos que não se percebe o que ali estão a fazer ou o que, de diferente, propõem.

Edgar Silva e Marisa Matias são emanações dos seus partidos. Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa, com paninhos quentes, querem apenas passar à segunda volta na esperança de federar os votos à esquerda. Paulo Morais esgota-se na corrupção que vê como fantasmas em todo o lado. A Henrique Neto, que poderia ser a voz da lucidez, falta frescura. Marcelo passeia-se, aclamado pela comunicação social. Há sobretudo demasiada mansidão num país domesticado pela austeridade, fustigado pela emigração e cercado pela dívida. Não se pede que qualquer dos candidatos traga uma fórmula mágica para transformar Portugal. Mas os portugueses precisam de ser galvanizados com um sonho. Só que os candidatos, até agora, falam apenas do seu próprio passado. Em forma de bocejo prolongado.»

Fernando Sobral

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