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16.5.16

Tio Patinhas e os impostos



«Numa das múltiplas histórias do Tio Patinhas este consegue salvar uma tribo de um feiticeiro que vendia diamantes sem dividir o lucro com os habitantes.

Feliz, o Tio Patinhas confessa: "O feiticeiro nunca mais voltou para a aldeia e eu dividi… hã… em partes iguais os diamantes da mina com os indígenas. Um para vocês, dois para mim. Dois para vocês, quatro para mim." Em Portugal, com governos mais liberais ou mais socialistas, a ideologia da divisão é a mesma: impostos sempre a aumentar. Tio Patinhas seria em Portugal um excelente ministro das Finanças de qualquer governo. Segundo o INE, a carga fiscal já representa 34,5% do PIB, o valor mais elevado desde há 21 anos. Aumentou em 2015, tal como aumentara nos anos anteriores. Nada muda em Portugal: só os impostos aumentam.

Por isso, neste quadro, face à riqueza disponível do país (e por isso não vale a pena compararmos o nosso fardo com o dos dinamarqueses), as discussões pretensamente morais sobre a liberdade de escolha de ensino (e quem o paga), a descida de um cêntimo nos combustíveis por milagre disponibilizado pelo Ministérios das Finanças ou as ambições de poder de Catarina Martins parecem assuntos laterais. Os impostos são a pastilha elástica da sociedade portuguesa: não a deixam livrar-se dos seus pesadelos. Põem em causa a razão de alguém investir ou trabalhar. Os impostos, aliados à burocracia e à inexistência de justiça, tornam aquilo que poderia ser um pequeno país paradisíaco num gigantesco purgatório. O imposto é a ideologia única. Nem é de esquerda nem de direita em Portugal. A UE ou o FMI, cada vez que decide fazer um teste laboratorial sobre Portugal, pede mais IVA ou IRS. Os portugueses trabalham para colocar o que ganham a mais, ou a menos, nas mãos de um Estado sôfrego. O Brasil, de que tanto se fala agora, ainda recorda que nos tempos da independência ainda pagava um subsídio "voluntário" que era recolhido, desde 1756, pelas câmaras, para ajudar à reconstrução de Lisboa. Nada mudou.»

Fernando Sobral
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