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17.8.16

O dói-dói de Passos




«Pedro Passos Coelho poderia ver os Jogos Olímpicos para se inspirar para os seus discursos. Perceberia que, tal como no judo, o equilíbrio é a lei fundamental que rege a política.

Quando perde o equilíbrio, um político sujeita-se a quedas. Se não souber amortecer o contacto do corpo com o solo, algumas nódoas negras podem ficar como memória. Passos Coelho machucou-se com a austeridade e ficou com um dói-dói quando foi removido de primeiro-ministro após ganhar as eleições. Mas parece que ainda não reencontrou o equilíbrio perfeito que é necessário para ser uma voz credível. Continua a acreditar que a Comissão Europeia com sanções bíblicas ou a frágil economia desalojarão António Costa do poder. Por isso, Passos Coelho assemelha-se a uma versão "dark" da Fada Sininho. Acredita que usando uns pozinhos de perlimpimpim, zás! Passaríamos a ter um país à semelhança da sua "visão", coisa que em 30 minutos de discurso foi incapaz de esclarecer o que era.

Passos vive numa Terra do Nunca assombrado por um Capitão Gancho qualquer. A sua "performance" no Pontal apelou a fantasmas: o que nos acontecerá se Bruxelas ou os investidores estrangeiros ficarem enjoados connosco? Todos sabemos o que poderá acontecer. Mas Passos esqueceu as dores dos que ficaram desempregados para sempre com a sua "visão" de austeridade para o país ou de todo o país que ficou mais pobre e resignado com a sua acção.

Passos só está preocupado com o que pensam lá fora. Esquece o que sofrem os que estão cá dentro. Esse é o mundo de fantasia da Fada Sininho. Não pode ser o de um político que deseja regressar ao poder. Passos tornou-se um Velho do Restelo incapaz de vislumbrar qualquer luz no futuro. Só fala do passado e do presente, vivendo numa Idade das Trevas de onde não consegue sair. O problema é que, assim, nem ele regressará ao poder, nem o PSD conseguirá deixar de bocejar cada vez que Passos repete que a desgraça está a chegar. Nostradamus, convenhamos, tinha melhores argumentos do que ele.»

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