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3.2.17

Trump lovers



«Após os primeiros dez dias de Trump na presidência dos EUA, ainda há quem arranje uma dúzia de razões para justificar, ou defender, Trump. O argumento mais comum é o "ao menos ele cumpre o que prometeu", muitas vezes dito pelas mesmas pessoas que diziam (para justificar o que Trump afirmava durante a campanha): "Está a exagerar. Depois não vai ser assim, é só para ganhar uns votos, vai ser um bom Presidente."

O amor é cego. Por isso, Nuno Rogeiro cegou e veio à SIC Notícias dizer, em jeito de resumo, que nesta primeira semana de Trump o que tinha sido muito mau foi o conjunto de "mentiras contra Trump usadas pelo media". (…) Das duas uma, ou Nuno Rogeiro é intelectualmente desonesto, ou só é possível todo este entusiasmo, simpatia e manipulação de números porque ele e o Trump têm o mesmo cabeleireiro. É uma mistura de taxidermia de esquilos com penteado. Não é por mero por acaso que Nuno Melo também alinha com este discurso. (…)

É ridículo tentar deitar amaciador em Trump, Maduro, Erdogan ou outros líderes com a justificação do "democraticamente eleitos". Ser democraticamente eleito não faz de ti um democrata. A democracia é tão permissível a ponto de permitir a vitória de um ditador. Mas, se for uma saudável democracia, terá anticorpos e uma Constituição que lhe permita voltar a ser o que era.

Em relação a Trump, não pode haver um meio-termo - "eu gosto de umas coisas dele, mas esta última não aprecio muito". Não estamos a falar dos Capitão Fausto. Trump é daquelas pessoas que ou se ama (e recebes uma mesada e levas uns apalpões) ou se odeia, se és uma pessoa. Quem ama que se assuma sem justificações que acabam por trair esse amor.

Os EUA entraram numa fase, prevista no "1984" do George Orwell, onde o governo nos diz para não acreditarmos no que vemos e ouvimos e apenas no que ele nos diz. Eu vou alinhar nessa ideia. Por exemplo, quando Trump diz que é mentira que o busto de Martin Luther King tenha sido retirado da Sala Oval e que foi tudo mentira dos media, acredito nele e imagino que, na realidade, o busto não foi retirado, saiu por vontade própria. Foi a rebolar e pirou-se. Tinha vergonha de estar ali. Ainda aparecia a malta do KKK toda contente por o Presidente dos Estados Unidos ter a cabeça decepada de um negro ao lado da secretária.»