15.11.18

A TV avaria no Bruno



(Daqui.)

Brasil: «absoluta ingovernabilidade»




É um texto longo de um filósofo marxista, que merece ser liso na íntegra.

«O prisma para se entender o que ocorreu agora é o renascimento da política. Nós não imaginávamos. Quando eu digo nós, eu estou falando, sobretudo, da esquerda. Nós estávamos completamente anestesiados com um tipo de esquerda que se consagrou com a abertura [pós ditadura] em diante, dos anos 1990 em diante, que é uma esquerda que pensa em governo e não se imagina fora do governo. Uma esquerda para governar. Essa é a grande novidade do petismo e, portanto, gestionária.

De tal maneira nós estávamos impregnados por essa ideia que nós, de certa maneira, tínhamos abandonado a ideia clássica de política como conflito social canalizado em torno de algumas grandes expectativas – e nos aferramos à ideia de gestão, governo e administração. E eu acho que estava subentendido que não haveria mais política. No fundo, era isso: a política tinha se resumido na disputa dos fundos públicos e políticas orçamentárias alternativas.»
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Brasil: agora o novo ministro das Relações Exteriores



As opiniões polémicas do novo chanceler sobre raça, fake news e 8 temas.

Um simples exemplo, mas há que ler o texto todo:

«Sou Ernesto Araújo. Tenho 28 anos de serviço público e sou também escritor. Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anti-cristão. A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornado o homem escravo e Deus irrelevante. O projeto metapolítico significa, essencialmente, abrir-se para a presença de Deus na política e na história.»
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O PS nunca desilude



Igual a si próprio há 45 anos. E a ministra da Cultura? Que se lixe, engula sapos.

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Porque é que a democracia está a vacilar?



«Jair Bolsonaro, vencedor das presidenciais do Brasil, é um hiper-nacionalista da extrema-direita, apaixonado por armas e um fraco adepto da comunicação social. O facto de ele não estar desenquadrado no meio dos líderes globais de hoje - incluindo os líderes de algumas das maiores democracias do mundo - deve preocupar-nos a todos. E isso leva-nos à seguinte questão: porque é que a democracia está a vacilar?

Estamos num ponto de viragem histórico. O rápido progresso tecnológico, particularmente o surgimento da tecnologia digital e da inteligência artificial, está a transformar a forma como as nossas economias e sociedades funcionam. Ainda que essas tecnologias tenham trazido benefícios importantes, também levantaram sérios desafios - e deixaram muitos segmentos da população a sentir-se vulneráveis, ansiosos e zangados.

Uma consequência do recente progresso tecnológico tem sido um declínio na proporção relativa dos salários no PIB. Como um número relativamente pequeno de pessoas reivindicou uma fatia crescente do bolo, na forma de rendas e lucros, a crescente desigualdade de riqueza e rendimentos alimentou a frustração generalizada com os arranjos económicos e políticos existentes.

Já lá vai o tempo em que se podia contar com um emprego fixo nas fábricas para pagar as contas indefinidamente. Com as máquinas a assumirem uma parte importante dos empregos na produção industrial, as empresas estão a procurar cada vez mais trabalhadores com elevada qualificação em áreas que vão da ciência às artes. Essa mudança na procura de competências está a alimentar a frustração. Imagine que, depois uma vida inteira de musculação, lhe dizem que as regras mudaram e que a medalha de ouro não será atribuída ao wrestling, mas sim ao xadrez. Isso será enfurecedor e injusto. O problema é que ninguém faz isso deliberadamente; mudanças deste tipo são o resultado da evolução natural da tecnologia. A natureza é muitas vezes injusta. O ónus de corrigir a injustiça está do nosso lado.

Estes desenvolvimentos contribuíram para as crescentes disparidades ao nível da educação e das oportunidades. Há muito que um contexto de maior riqueza aumenta as oportunidades de uma pessoa receber uma educação superior e, assim, conseguir empregos com salários mais altos. À medida que o valor das habilidades mecânicas no mercado de trabalho diminui e a desigualdade de rendimentos aumenta, essa diferença deverá tornar-se cada vez mais pronunciada. A menos que transformemos os sistemas de educação para garantir um acesso mais equitativo à formação de qualidade, a desigualdade tornar-se-á cada vez mais enraizada.

O crescente sentimento de injustiça que acompanha estes desenvolvimentos penalizou a "legitimidade democrática", como Paulo Tucker discute no seu livro Unelected Power. Na nossa economia globalizada profundamente interconectada, as políticas de um país - como barreiras comerciais, taxas de juro ou expansão monetária - podem ter efeitos colaterais de longo alcance. Os mexicanos, por exemplo, não precisam de se preocupar apenas com quem elegem para presidente; também precisam de se preocupar com quem chega ao poder nos Estados Unidos - um resultado sobre o qual não têm voz. Neste sentido, a globalização leva naturalmente à erosão da democracia.



14.11.18

Estivadores: mais trabalho para mais pessoas




«O impasse entre os estivadores e as empresas não tem solução à vista. A Operestiva terá proposto contratar 30 estivadores do grupo de 90. Um terá assinado, mas a maioria recusa.

Jorge Brito é há sete anos estivador em Setúbal. Frequentemente, é recrutado duas vezes por dia, uma por cada turno de oito horas que faz no porto. É um dos trabalhadores eventuais a quem terá sido oferecido vínculo a prazo e explica que a oferta não responde às reivindicações. Os estivadores assumem que nem todos podem ser contratados, mas querem um contrato coletivo de trabalho que estipule também garantias para os que permanecerão precários. A exigência é que uma parte do grupo - mais dos que os 30 propostos - seja contratada, mas possa prescindir do direito de realizar turnos adicionais a favor dos eventuais que ficarem.

"Basicamente, o que queremos é prescindir do direito às horas extraordinárias em prol de mais trabalho para mais pessoas. E é isso que eles não querem - mesmo essas pessoas continuando trabalhadores precários. A única diferença é que ganhavam o direito a fazerem um turno antes de os efetivos fazerem um turno extraordinário", explica o estivador.»
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Tratado Orçamental?



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Fake news: sites portugueses com mais de dois milhões de seguidores



O Paulo Pena passou para o Diário de Notícias e já se dá por isso. Este é um texto de leitura obrigatória! E o «boneco» ajuda (falta na lista «Bombeiros 24»):

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A atrocidade, o mundo e Portugal



«Ainda estamos longe de um pedido de desculpas ao mais alto nível, que um dia acontecerá. Até lá, devemos perceber melhor o tráfico de escravos do Atlântico e como Portugal e os portugueses se envolveram. Um caminho que nos ajudará a melhor perceber o mundo global de hoje e reconhecer o quanto foi feito à custa da repressão dos mais fracos. Um passado que nos põe de sobreaviso sobre a necessidade de se resolverem problemas actuais, à escala global. O mundo pode e deve ser diferente.

Os dados são claros. Entre 1500 e 1875, foram embarcadas nas costas de África cerca de 12,5 milhões de pessoas escravizadas, tendo chegado ao seu destino, na sua esmagadora maioria às costas das Américas, cerca de 10,7 milhões. No mesmo período, foram embarcadas 5,5 milhões de escravos para o Brasil, onde chegaram 4,9 milhões. Na última década do século XVIII, o pico desse tráfico, foram traficadas cerca de 80 mil pessoas por ano, morrendo 8.500 na viagem. A participação de Portugal e do Brasil, enquanto colónia, nesta gigantesca operação tem de ser entendida.

A descoberta do Atlântico deu lugar a um império que pôs Portugal entre as nações mais abertas ao comércio transoceânico. Um bom indicador desse relevo é o valor do comércio por habitante. Desde 1600, Portugal encontrava-se à frente da Espanha, com ou sem o comércio de prata e ouro e, a partir de 1700, ombreava com a Inglaterra e a Holanda, só sendo significativamente ultrapassada por estas nações em finais do século XVIII.

O tráfico de escravos por navios portugueses de Portugal ou do Brasil era todavia proporcionalmente maior do que o comércio de ouro e de mercadorias. O que explica esse maior envolvimento de Portugal? O facto de ser o colonizador de uma parte significativa da costa ocidental de África e do Brasil é uma explicação necessária mas não suficiente, pois quem colonizava, como a história o demonstra, não estava escrito na pedra.

Para responder cabalmente àquela pergunta, é preciso compreender que o tráfico de escravos se inseria numa complexa rede de comércio que envolvia várias partes do mundo. Não se tratava simplesmente de navios que saiam de Lisboa, aportavam nas costas africanas, viajando depois para o Brasil carregados de escravos, para depois regressarem a Lisboa com açúcar ou ouro. Era mais do que isso e são várias as ideias sobre o assunto.

Uma delas [narrativas] , baseada na investigação sobre negócios efectuados, navios embarcados ou histórias concretas de negociantes, introduz um circuito mais complexo. Fala-nos de navios, saídos de Lisboa, carregados de panos vindos da Índia, usados para pagamento dos escravos na costa africana, depois traficados para o Brasil, onde os negociantes locais os pagavam com prata, adquirida a troco de ouro no Rio da Prata, na actual Argentina, prata essa que era depois remetida para Lisboa, usada para pagar os panos comprados na Índia e assim fechar o círculo. Os capitais deste comércio podiam ser portugueses, brasileiros, indianos, espanhóis, ingleses ou holandeses, seguindo os fluxos financeiros de então, cada vez mais globais. Deve aqui acrescentar-se, para melhor compreensão dessa rede, que a Índia tinha a prata como principal meio monetário.

Nesta história, entram os comerciantes e traficantes de Lisboa e do Brasil, os traficantes africanos, os colonos espanhóis do Rio da Prata, os comerciantes indianos, e os capitalistas de várias origens. Toda uma rede global em que os africanos escravizados se viram envolvidos, enquanto elo mais fraco. Esta visão alargada do tráfico de escravos mostra a complexidade da operação e a multiplicidade das responsabilidades. Mostra também que a globalização, deixada ao mercado livre, com responsabilidades mútuas e repartidas, sem peias, sem política, pode levar e levou a resultados assim. Essa é sem dúvida uma lição da História.

O tráfico de escravos terminou, em meados do século XIX, quando era ainda negócio rentável e por deliberada acção política, guiada pelo iluminismo e pela incipiente opinião pública de então.

Portugal, um dia que decida tomar a sua responsabilidade nesta história, estará em boas condições para recordar que a boa globalização é aquela que é bem supervisionada. E que, hoje como dantes, os dias são sempre de acção e não de contemplação.»

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13.11.18

Regresso


O Rio de Janeiro continua lindo, mas eu não estou lá, já pousei em Lisboa há umas horas.

Dei uma pequena volta por notícias de cá, não estranhei que um senhor de nome Bruno quase tudo domine e que as touradas continuem a gastar teclados. Só não percebo se o dossier Tancos está encerrado, pois já ninguém fala do tema, e parece-me que os afectos e as selfies de Marcelo já tiveram tempos mais espampanantes.

La nave va.
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12.11.18

Rio de Janeiro (2)



Há cidades lindíssimas por esse mundo fora. Com a beleza que a «implantação» do Rio de Janeiro tem, não conheço nenhuma e duvido mesmo que exista. Já tinha subido ao Corcovado e ao Pão de Açúcar, e recordava-me bem da maravilha que entra pelos olhos dentro, mas, ao regressar lá agora, volto a pensar que Deus é mesmo brasileiro e que renunciou ao descanso do sétimo dia para criar esta cidade.

Percorri também muitos bairros por onde nunca tinha passado, mundos variados com vivências e vitalidade próprias. Regresso amanhã à noite a Portugal com a certeza de que os Bolsonaros venceram uma batalha, talvez várias, mas que não ganharão uma guerra que destrua esta gente e este país. Há muita força por aqui e um povo que quer futuro.

11.11.18

Rio de Janeiro



Quando ontem cheguei ao Rio, fui logo almoçar uma bela feijoada no magnífico Café Colombo – uma espécie de Majestic do Porto ou Tortoni de Buenos Aires, em muitíssimo maior. Lindíssimo!

À saída, para ter mesmo consciência da cidade em que estava, assisti a um assalto de esticão. Em certas zonas da cidade, e também aqui em Copacabana, dizem-nos que andemos, se possível, sem nada nas mãos… Mas o ambiente é aparentemente calmíssimo, e festivo como sempre, sobretudo num Sábado sem chuva, que fez os cariocas respirarem de alívio e andarem pelas praias até às tantas da noite.

Vi ou revi uma série de bairros e monumentos, hoje irei a lugares «sagrados».



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9.11.18

Paraty: casas, cachoeiras e alambiques



Hoje foi dia para Paraty. Vai-se percorrendo as muitas e magníficas ruas do Centro Histórico, com as casas de tipo colonial muito bem preservadas, e recorda-se a história desta pequena cidade que já foi o mais importante porto exportador de ouro do Brasil, que viveu também do ferro e da cana-de-açúcar e que foi entreposto privilegiado de escravos, aqui concentrados e depois em parte distribuídos por outras regiões. Foram precisamente esses escravos, que exerciam as tarefas que os nativos recusavam, que permitiram um sucesso relativamente fácil até 1888 quando a escravatura foi abolida. A partir daí, seguiu-se um século XX difícil e relativamente estagnado.

Hoje Paraty vive quase só do turismo (embora não se vejam multidões neste momento…) e um pouco de agricultura. Rodeada por reservas ecológicas, é uma das regiões mais preservadas do Brasil.

E por falar disso, claro que não falhei uma ida às célebres cachoeiras, nem um almoço numa localidade de vegetação de cortar a respiração, como também a corta a ponte suspensa pela qual se acede ao restaurante…

Last but not the least, também fui a uma destilaria, explicaram-se tudo sobre alambiques e cachaças – e deram-mas a provar, obviamente.

Amanhã… o Rio espera-me. 




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De Minas Gerais a Paraty



Foi bem longo o dia de ontem para vir de Tiradentes a Paraty, com uma paragem em Petrópolis. Desta, há que salientar o belo Museu Imperial, onde estão expostos quadros, mobílias, jóias e outros artefactos de realezas que também foram nossas – Pedros, Joões, Carlota Joaquina e muitos mais. Tudo acompanhado de completíssimas árvores genealógicas e descrições, concisas mas claras, das vidas dos intervenientes. Dada a proibição de captar imagens no interior (como é normal), fica apenas a do edifício.

Hoje andarei por Paraty. Falhei descrições de alguns locais importantes de Minas Gerais, mas serão feitas nem que seja já em Lisboa.

Tudo óptimo excepto o clima, por vezes penso que estou na Bélgica e não no Brasil! Céu de chumbo, uns quinze minutos de Sol em quatro dias, chuviscos nos primeiros, chuva ininterrupta ontem. Hoje? Logo se verá… 
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7.11.18

Brasil, Brasil



Deixo para mais tarde descrições turísticas do dia de hoje, porque muitos me pedem impressões no campo político. Antes de mais, que fique claro que três dias em viagem de passeio não chegam para se ter qualquer opinião consolidada. Em todo o caso, aí vão umas pinceladas.

Ontem assisti, na TV, ao último minuto de uma declaração que Moro fez para justificar a aceitação do cargo de ministro da Justiça. Seguiram-se três comentadores, com ar sereno e formal, que resumiram o que Moro dissera, sem qualquer crítica ou distanciamento, frisando aliás que o facto de ele levar para o ministério várias pessoas dos tribunais constitui uma garantia de competência reforçada. Passou-se para a Economia e dois especialistas explicaram (também sem a menor reserva, didaticamente), o que Paulo Guedes vai fazer: usar o dinheiro das privatizações para diminuir a dívida («Não tenham medo, não vai haver nenhuma reestruturação») e reformar a segurança social. A mensagem do conjunto das intervenções era clara: estes dois ministros são a cara de um governo que vai ser competente.

Esta manhã, tomei o pequeno-almoço com duas brasileiras de 30 e tal ou 40 anos, desempoeiradas, funcionárias públicas. Nenhuma votou Bolsonaro «que é um doido», optaram pelo voto nulo. Teriam escolhido sem hesitação Lula, mas não Haddad. Não só porque foi um mau candidato, mas sobretudo pela vice, Manuela d’Ávila, «essa extremista louca». No meio disto tudo, em quem depositam grande esperança: no ministro da Economia. Quando lhe expus as minhas reservas, concordaram plenamente, até por saberem que, como funcionárias públicas, serão «vítimas». Mas se o homem endireitou a economia do Chile sem ser chileno, certamente que salvará a do seu país. Elas foram trabalhar e eu desejei-lhes felicidades…

Em suma: tenho a sensação (provisória…) de que, acabada a guerra da campanha eleitoral, esta gente agarra-se seja ao que for e que isso passa, principalmente, por acreditar na mensagem que está a ser subliminarmente transmitida: vem aí um bom governo, para muitos apesar de Bolsonaro – que, afinal, só teve 1/3 dos votos dos eleitores… 
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6.11.18

De Belo Horizonte a Ouro Preto



Belo Horizonte ficou para trás, com os seus três milhões de habitantes, um centro com edifícios de Nimeyer entre palácios clássicos, nada de muito extraordinário.

Seguiu-se uma longa estrada para Mariana, que passa perto de algumas das célebres minas de ferro e de ouro, tão bem exploradas pelos ingleses e que tão úteis lhes foram em tempos da revolução industrial. (Só se fala de minérios, fui ouvindo uma verdadeira lição sobre variedades e subtis diferenças…)

Mariana é uma verdadeira pérola! Deve o nome a D. Maria Ana, mulher de D. João V, foi a primeira capital de Minas Gerais em 1711, não tem hoje mais do que 60 mil habitantes e vive do turismo e de extracção de minerais. Se tem igrejas magníficas, com destaque para a de S. Francisco, construída entre 1762 e 1794, foram as casas e as pequenas ruas que me encantaram, não só pela indiscutível beleza, como por serem belas pegadas que por lá deixámos!

Imagens, incluindo a de topo:





Por fim, Ouro Preto, onde estou agora e ficarei esta noite. Um pouco maior do que Mariana e tudo em ladeiras com um empedrado diabólico e igrejas espalhadas por tudo quanto é sítio! Muito haveria que contar, mas há uma outra igreja de S. Francisco de Assis, que não pode ser omitida, obra-prima do estilo rococó, com obras do célebre Aleijadinho. E não resisto a contar uma história: num das imagens vêem-se quatro animais, obra do dito Aleijadinho. Encomendaram-lhe quatro estátuas de leões, mas ele não fazia a mínima ideia do que era um leão. Explicaram-lhe que era num bichon grande, forte, e feio. Saíram, de facto, quatro estátuas, mas com cara de macaco – o que de mais parecido Aleijadinho julgava conhecer…

Dele, Aleijadinho, continuarei a ouvir falar amanhã, noutras paragens.



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Belo Horizonte



Já aterrei há algum tempo, deu para ver alguma coisa e deixo aqui estes pelos painéis da igreja de S.Francisco. Projectada por Niemeyer, tem no interior azulejos e pinturas de Portinari e outras preciosidades, que não vi porque está tudo em manutenção. Amanhã há mais e o dia será longo.

E, sim, também já deu para ouvir que Bolsonaro reflectiu muito durante a convalescença da facada, que o discurso amaciou e que isto vai…
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4.11.18

Alô Brasil



Amanhã, quando o Sol nascer, estarei já no meu local de culto em Lisboa, que dá pelo nome de Aeroporto Humberto Delgado, rumo ao Brasil para uns dias de digressões várias, há muito programados. Há quem me diga que não é um bom momento para o fazer, mas penso o contrário: ir já, antes que se faça tarde…

Quando regressar, pode ser que entretanto alguém tenha acabado de escrever o guião da telenovela sobre Tancos. E quem sabe se ela nada tem a ver com unhas, touradas e outras questões transcendentes. Isto deve andar tudo ligado!
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As terríveis migrações na América Latina




Isto é absolutamente impressionante!

«La multitudinaria caravana de migrantes centroamericanos que empezó en Honduras ya atravesó tres fronteras. Solo le queda la estadounidense. Desde que un grupo de cientos de personas salió de la ciudad hondureña de San Pedro Sula el 12 de octubre, la masa humana no ha parado de engordar a medida que avanza. Ahora son miles —4000, dicen los más conservadores; 7000, dicen los menos—, y a plena luz del día atravesaron el estado de Chiapas, uno de los tramos de México más peligrosos para los indocumentados de Centroamérica en la última década. Ahora caminan por Oaxaca.
Entre analistas, académicos, periodistas y debates públicos han circulado ideas acerca de que este impulso de salir en avalancha no es espontáneo, de que se trata de centroamericanos pobres manipulados por intereses políticos ocultos. Algunos sostienen que el origen de la caravana es Donald Trump, para demostrar a México que tiene que aceptar el acuerdo de tercer país seguro, que consiste en que si un centroamericano cruza México sin pedir asilo ya no puede hacerlo en Estados Unidos. Otros dicen que esto salió del presidente nicaragüense, Daniel Ortega, y su necesidad de desviar la atención de la brutal represión en su país. Otros dicen que la oposición política del presidente hondureño, Juan Orlando Hernández, quiere desprestigiarlo. Son teorías sin pruebas. (…)

Los nadies de Centroamérica dejan al desnudo a sus países. Sin la ayuda de sus gobiernos, miles de centroamericanos decidieron buscar una mejor vida para ellos y los suyos o, en muchos de los casos, simplemente buscar vida.»
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Dica (825)




«If mind-stopping cliches of violence and corruption do not correspond with voting patterns or Bolsonaro’s governmental plan why did he win the election? It was not a free or fair process. (…)

International capital and the US government now have exactly what they want in Brazil. All natural resources will be opened to exploitation from foreign capital. The US military will be able to use the Alcantara rocket launching base as a take off point for forays into Venezuela. Brazil’s participation in the BRICS is dead in the water and US Petroleum companies will be swimming in Brazilian oil. Regardless of the level of participation by the US and its institutions, these events fit a pattern of US interventions in Latin America over the past 100 years. If we are truly interested in defeating fascism it is important to move beyond cliches and work to identify the real actors at play, so that their power can be countered. In order to do this, we have to move beyond the idea that Brazil operates in a geopolitical vacuum and that the return to neofascism, which was previously installed with ample US government support from 1964-1985, can be explained by oversimplified generalizations on public opinion.»
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