Qualquer que venha a ser o resultado da proposta da transformação da Grécia em protectorado, feita (obviamente…) pela Alemanha, toda a indignação possível nunca é demasiada, nem sequer suficiente. Chegou-se, como muitos já escreveram, ao «fim da linha». E onde está «Grécia», leia-se amanhã «Portugal».
Um dia, talvez a Europa acorde gerida por um funcionário de um outro continente. Se não estivéssemos a falar de coisas muito sérias e desgraçadas, apetecia dizer: «Bem feito!».
«A história da decadência da União Europeia entrou num novo estádio e a mais desbragada humilhação está em curso. (…)
A soberania já tinha sido hipotecada a troco do empréstimo externo. Agora a Alemanha espera que lhe seja oferecida de boa-vontade – como se houvesse uma espécie de quinta coluna em todos os países europeus prontos a facilitar a ocupação alemã sem resistência. (…)
O que é espantoso é a naturalidade com que a Alemanha – a quem a Europa perdoou a dívida da Segunda Guerra – acorda agora todos os monstros possíveis sem tremer. (…)
A degenerescência europeia atingiu o seu ponto de não retorno.»
«Os olhos cobiçosos da sra. Merkel não são substancialmente distintos, senão nos processos, dos que uma outra Alemanha deitou há décadas à soberania dos países vizinhos, Grécia incluída. Taxas de juro usurárias e batalhões de burocratas com "certos poderes de decisão" que reforcem "o controlo dos programas e das medidas 'in loco'" são coisa mais discreta mas não menos arrasadora do que "panzers" e exércitos de ocupação. O seu efeito prático é, porém, o mesmo: a sujeição de um país e de um povo.»
Nasceu em 30 de Janeiro de 1922, numa família burguesa, monárquica, católica e afecta ao salazarismo, facto que viria a marcá-lo profundamente na primeira parte da vida.
Arquitecto de mérito reconhecidíssimo, mestre de gerações que com ele colaboraram num quase mítico atelier de Lisboa, publicamente louvado e premiado em sessenta anos de actividade profissional dedicada à «arquitectura e cidadania»; a partir do fim dos anos 50, também militante incansável na oposição à ditadura, preso mais do que uma vez pela PIDE, torturado e libertado de Caxias no dia seguinte à revolução de Abril – é esta a pessoa de Nuno Teotónio Pereira, que importa hoje referir, embora muito resumidamente, sobretudo para os mais novos e para os que não se cruzaram com ele na sua longa vida.
O seu percurso foi muito especial e pouco comum. Com 14 anos, viveu entusiasticamente a criação da Mocidade Portuguesa, nela fez uma carreira fulgurante, envergou orgulhosamente a farda em desfiles na Avenida da Liberdade e não evitou a saudação fascista – faz questão de não o esconder. Nesse mesmo ano de 1936, seguiu apaixonadamente o avanço das tropas franquistas no início da Guerra Civil de Espanha e envolveu-se na organização de uma grande coluna de camiões que levou até Sevilha mantimentos para as mesmas.
A grande viragem sem retorno começou durante a II Guerra Mundial, por influência do pai, profundamente anglófilo, mas viria a concretizar-se, decisivamente, durante a campanha de Humberto Delgado, em 1958. Não só por todo o ambiente criado em torno desta, mas também por uma grande influência de sua mulher Natália e de Francisco Lino Neto, a quem Nuno Teotónio Pereira afirma ter ficado a dever a sua «conversão». E é já com entusiasmo que segue a vitória de Fidel de Castro, em Cuba, em 1959…
A partir de então, e até ao fim da ditadura, foram anos de uma militância intensíssima, sobretudo nos diversos campos de actividade dos que vieram a ser designados como «católicos progressistas». Desde os primeiros anos da década de 60 e até ao 25 de Abril, a oposição dos católicos ao regime político e à guerra colonial, e a revolta crescente que manifestaram em relação às posições oficiais da Igreja portuguesa, deram origem a plataformas de luta que adoptaram estruturas diversas, mais ou menos maleáveis conforme os casos, mas que envolveram, directa ou indirectamente, milhares de pessoas. Nessa teia de iniciativas e instituições, houve quem tivesse um papel especial na dinamização e agilização de contactos e na concretização de acções conjuntas. Vários nomes podiam ser citados, mas, se fosse necessário escolher apenas um, seria sem dúvida o de Nuno Teotónio Pereira. Com a sua simplicidade desconcertante, tenacidade férrea e pragmatismo à prova de fogo, deitava as sementes, estabelecia todas as pontes possíveis e acompanhava detalhadamente as realizações.
Qualquer lista de iniciativas peca por (grande) defeito, mas citem-se, a título de meros exemplos, a criação do primeiro jornal clandestino que difundiu notícias sobre a guerra colonial (Direito à Informação, 1963), a fundação da cooperativa Pragma (1964), o papel preponderante nas vigílias pela paz (igreja de S. Domingos, 1969, e capela do Rato, 1972), os cadernos GEDOC (1969), a participação na Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos (1970), o Boletim Anti-Colonial (1972). E muitas, muitas outras realizações que, sem ele, nunca teriam existido ou ficariam aquém da amplitude que tiveram.
Em finais de 1973, foi preso pela última vez, durissimamente torturado pela PIDE e só o 25 de Abril o restituiu à liberdade. Foi depois um dos fundadores do MES, nele se manteve até à sua extinção e nunca deixou de ter, desde então, uma participação cívica muito activa, nomeadamente a nível da cidade de Lisboa.
Há pouco menos de três anos, a vida deu-lhe um golpe cruel: cegou, mais ou menos repentinamente. Mas continuou preocupado com tudo e com todos.
Há cerca de um ano, a pretexto do lançamento de um livro sobre uma cooperativa lançada no Porto nos anos 60 (a Confronto), um grupo de amigos decidiu prestar-lhe uma espécie de homenagem e foi sem surpresa que viram encher-se um auditório com várias centenas de pessoas. Para todas elas, o Nuno foi – e é – uma referência, um marco de vida e objecto de uma enorme gratidão.
A encerrar a referida sessão afirmou: «Estou velho, estou a chegar aos 90 anos. Há órgãos que me estão a falhar. Um deles é a memória, que se está a desfazer como pó, o que me causa um certo sofrimento. (…) Além da perda da visão. Estou emocionado, mas estou muito contente, porque esta sessão, tendo sido anunciada como de homenagem à minha pessoa e não deixando de o ser, fez também justiça a todos aqueles que eu conheci na luta contra a ditadura, naqueles anos difíceis. (…) Os dias de hoje, e porventura os de amanhã, vão exigir acções múltiplas, fortes, convictas. e por vezes decisivas, para que o mundo seja melhor para todos. (…) Muito obrigado.»
«Lamentamos sinceramente decirles que han vivido por encima de sus posibilidades y van a pasar años de penalidades. Lamentamos sinceramente reconocer que la banca es una de las grandes culpables de esta crisis, pero es intocable porque sin ella todo esto se viene abajo. Lamentamos sinceramente comunicarles que todos los problemas globales se resumen en uno, Europa, y que como las leyes de la economía son despiadadas Europa lo va a pagar caro. La edición de 2012 del Foro Económico Mundial se cierra hoy en Davos con esos tres lamentos a modo de resumen. La Gran Recesión se encamina hacia su quinto año y lo más probable es que ese no sea más que el ecuador de esta amarga travesía, especialmente en el viejo continente: el hombre de Davos, sea lo que sea el hombre de Davos, ve tres riesgos por delante. La santísima trinidad: Europa, el euro y la UE.»
Confesso que apenas sigo de muito longe esta tragédia madrilena, mas ver comparar Mourinho a Franco como objecto de amor e de ódios, e ouvir falar de «mourinhismo» e «antimourinhismo», diverte-me profundamente!...
O Público de hoje edita um vasto dossier subordinado ao tema «De corte em corte, à procura da competitividade, mas em risco de cair numa espiral», tema que também é abordado no Editorial (sem link) . Alguns excertos deste último:
«Se o túnel europeu é longo e sinuoso, o túnel português está às escuras. O optimismo do primeiro-ministro, que esta semana insistiu não precisar “nem de mais tempo nem de mais dinheiro” para tirar o país da crise, esbarra diariamente na realidade.
Do Nobel da Paz Muhammad Yunus em Davos, Mario Monti em Itália, Barack Obama nos EUA ou o círculo de proeminentes cavaquistas em Portugal, aumenta a passos rápidos o clube dos que defendem que a austeridade, sozinha, não é a solução para a crise; que o mundo não pode continuar obcecado com o défice, a cortar e a aplicar severos programas de austeridade; que este caminho vai levar a uma desestruturação da economia e a uma espiral económica negativa de efeitos imprevisíveis; que temos que começar a pensar a sério no crescimento, no investimento e na criação de emprego. Finalmente, este é o tema da próxima cimeira europeia, amanhã em Bruxelas.
Mas de Melgaço a Silves, o túnel está escuro. (…) Portugal está a poupar para ficar mais pobre. (…) Mais do que a desvalorização real do país, o que angustia são os sinais de que o túnel, em vez de ter no fim uma luz, ainda que ténue, tem um muro. (…)
Estamos num ciclo vicioso. O país está em saldos e a época da nova colecção foi adiada. Não sabemos por quantos anos.»
«É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto.Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados.»
As concerned global citizens, we call on you to stand for a free and open Internet and reject the ratification of the Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA), which would destroy it. The Internet is a crucial tool for people around the world to exchange ideas and promote democracy. We urge you to show true global leadership and protect our rights.
Ontem ainda havia quem não quisesse acreditar que a Grécia estava achegar ao «fim da linha». Mas parece que se confirma que este está pelo menos muito mais próximo.
Serão impostas duas condições para que o Eurogupo dê luz verde ao novo pacote de resgate:
«A primeira é que os rendimentos do estado grego dêem total prioridade ao pagamento futuro do serviço da dívida» e que só o que resta possa «ser usado para financiar os gastos primários». Tem-se a noção do que isto implica?
«A segunda que o parlamento grego transfira a soberania sobre o orçamento do país» para o nível europeu, onde um comissário nomeado pelo Eurogrupo terá «poderes para vetar decisões e assegurar que é cumprida a prioridade estabelecida na primeira condição».
Para os especialistas, fica a análise detalhada de todas as implicações. Para nós, a indignação e a reacção possíveis. E a resistência também, porque seremos, mais do que provavelmente, os senhores que se seguem e que já se encontram na fila de espera.
Quando estudei na Bélgica, nos idos de há muito tempo, morava num lar universitário feminino que albergava quatro ou cinco dezenas de estudantes: algumas belgas, outras das mais variadas nacionalidades, sobretudo vindas da Europa mais a Norte.
Cada quarto tinha um lavatório, mas os duches estavam todos concentrados numa cave. Não eram muitos para tanta gente, o que estava longe de constituir um problema: se ouvia água a escorrer quando passava a porta, perguntava sistematicamente «quem está aí?», em português bem vernáculo, porque era mais do que provável que se tratasse de alguma das outras duas portuguesas ou três brasileiras que por lá viviam. Todo o resto da turma descia uma vez por semana, se…
Vem isto a propósito da «crise». Se há décadas que muitos portugueses (e outros povos do Sul…) passaram progressivamente do banho ao Domingo e dias de festa para um rápido duche diário, oiço agora que a necessidade de reduzir gastos de água e de gás está a levar famílias a regressarem a velhos hábitos mais «europeus»: duas ou três vezes por semana e viva o velho…
Além de pobres, mal cheirosos? Não vem no memorando, nem a troika nem Vítor Gaspar tiveram ainda coragem para impor, mas parece que estamos a caminho.
Para já, é certamente mais uma hipótese de poupança que a família Cavaco Silva não menosprezará.
«Un abrazo solidario a mis amigos y compañeros periodistas de RTP. El gobierno portugués atenta contra la dignidad de los trabajadores de RTP, contra la libertad de prensa, contra el derecho de los ciudadanos a estar informados. Con la infame política de recortes, con el pretexto de "recuperar la confianza de los mercados", miserable eufemismo para despedir a todos los periodistas críticos de Portugal. Y que elocuente es que hayan empezado con los periodistas de cultura.
Toda mi solidaridad con los compañeros y compañeras de RTP.»
Quanto ao primeiro objectivo, tenho as maiores dúvidas: a carência de nicotina pode tornar-se muito obsessiva e desviar a atenção de todos os obstáculos.
Quanto à protecção do fumo passivo, já são muitos os que abrem a janela quando acendem o cigarro, escolhendo entre a constipação da criancinha de 5 anos e o remorso de contribuir para um eventual cancro aos 70.
Mas aquilo que não sei, e gostava mesmo de saber, é se aqueles que defendem este proibicionismo à outrance são, ou não, os «liberais» que consideram que os pais têm o direito de tudo decidir (até a escola privada que querem para os filhos e que o governo deveria pagar) e que repudiam a intervenção do Estado em (quase) todas as áreas da sociedade.
Eu bem queria arrumar a questão das desgraças de Cavaco, mas não consigo. Li a alguns amigos pequenos excertos da crónica de Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje, e, a pedido de várias famílias, deixo um parágrafo para abrir o apetite e o texto na íntegra AQUI.
«Muita sorte temos nós. Este tipo de idoso costuma passar das queixas sobre a reforma para outro género de lamúrias. O admirável esforço de contenção de Cavaco, que limitou os lamentos à pensão, e não os estendeu às varizes e ao colestrol, não foi valorizado.»
A decisão de acabar com o programa da Antena 1 "Este Tempo" suscitou generalizadas acusações de censura contra a RTP. O director geral da RTP rebateu estas acusações, alegando que o fim do programa já estava previsto e não constitui, portanto, uma retaliação contra as críticas que aí emitiu o colunista Pedro Rosa Mendes (PRM) sobre o programa "Reencontro" de Fátima Campos Ferreira. PRM retorquiu que nas últimas semanas estava em discussão a alteração do formato jurídico do seu contrato, mas nunca se anunciara a intenção de acabar com o programa. E afirma que a decisão de acabar com o mesmo lhe foi comunicada como reação à sua crónica sobre "Reencontro".
No meio desta polémica, um primeiro ponto pode estabelecer-se como coisa certa: a RTP fez uma triste figura e alimentou, no mínimo, uma suspeição de censura que mesmo o desmentido do director geral não consegue dissipar inteiramente. Supondo que fosse falso tudo o que diz PRM sobre os preparativos para uma renovação dos contratos de "Este Tempo", e que o fim do programa estivesse efectivamente previsto, pergunta-se: e ao dar a machadada final no programa não se percebeu como essa decisão, neste momento e neste contexto, só podia ser vista como censória? E não se percebeu como a acusação de censura lesava a imagem da rádio pública? E não se percebeu como esses estragos na imagem da RDP se tornavam duplamente graves na sequência dos estragos que o programa "Reencontro" tinha deixado no prestígio da televisão pública?
E este é o segundo ponto que pode considerar-se estabelecido para além de qualquer dúvida razoável: ao escamotear a realidade angolana, o programa "Reencontro" deu, afinal, execução e cumprimento às recomendações de um relatório que a abominação pública parecia ter relegado, merecidamente, para o caixote do lixo da História - o relatório Duque. Nesse documento expendia-se a ideia peregrina de que a RTP devia tornar-se uma agência de comunicação do MNE. O programa "Reencontro" veio mostrar que o defunto relatório continua, por trás dos bastidores, bem mais vivo, perigoso e nefasto do que o clamor de repúdio da opinião pública parecia permitir.
Admitindo que sejam certas as explicações dadas pelo director geral da RTP, fica ainda uma outra questão por esclarecer: em que concepção de futuro para a rádio e a televisão públicas se inscreve a decisão de acabar com o programa "Este Tempo"? Damos por suposto que não se tomam nesta casa decisões avulsas e que cada passo pontual corresponde a uma estratégia de maior fôlego - ou seria adiado até existir essa estratégia, com a vantagem adicional de ser dado em momento mais oportuno e sem o estigma desta aparência atentatória da liberdade de expressão. Ora, se existe uma estratégia já delineada, então está-se a proceder a uma reestruturação clandestina, evitando chamá-la pelo seu nome e evitando pôr as cartas na mesa. Talvez por isso, esta CT continua sem ser ouvida sobre o dito processo de reestruturação, como a lei determina.
«Creio que, desde muito pequeno, a minha infelicidade e, ao mesmo tempo, a minha felicidade, foi não aceitar as coisas com facilidade. Não me bastava que explicassem ou afirmassem algo. Para mim, ao contrário, em cada palavra ou objecto começava um itinerário misterioso que às vezes me esclarecia e às vezes chegava a estilhaçar-me.
Em suma, desde pequeno, a minha relação com as palavras, com a escrita, não se diferencia de minha relação com o mundo no geral. Eu pareço ter nascido para não aceitar as coisas tal como me são dadas.»
«"Corajosos" são hoje os que, humilhados e ofendidos, sobrevivem sem ceder à tentação da servidão; os que não traem por um prato de lentilhas ou uma assessoria; e todos aqueles (jornalistas, magistrados, funcionários, cidadãos em geral) que, em tempos de debandada moral, teimam, apesar de tudo, em manter-se inteiros.»
A última crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1, hoje, foi também sobre coragem. A propósito do genocídio no Cambodja e da democracia em Portugal. Muito mal vai um país que (já) cala esta voz.
«Tenho para mim que as escolhas limite se fazem todos os dias, no nosso quotidiano, e duvido muito que quem vive de espinha dobrada em tempo de paz, em tempo feliz como é – já nos esquecemos – o tempo democrático, seja capaz de endireitar a espinha em tempos difíceis.»
«A desobediência é um acto tão difícil de realizar que a História pôs sempre em evidência os indivíduos, célebres ou desconhecidos, que ousaram assumi-la. Os que souberam erguer-se contra os regimes totalitários e os políticos segregacionistas. São todos heróis do mundo moderno.
A desobediência é um acto individual que tira a sua força da capacidade dos homens têm de trabalhar em comum. A desobediência abre a via para a resistência colectiva e, neste sentido, ela é um perigo para todo o poder que abusa da sua autoridade.».
Por causa de uma entrevista feita a François Truffaut em 1962, encontrada mais ou menos por acaso, «regressou» um filme que nunca esqueci – Jules et Jim. E uma canção extraordinária!
Ontem era um boato que corria insistentemente, agora é notícia: «RDP acaba com espaço de opinião que serviu de palco a críticas duras a Angola». «Foi-me dito que a próxima seria a última porque a administração da casa não tinha gostado da última crónica sobre a RTP e Angola», diz Pedro Rosa Mendes.
Vale a pena ouvir a crónica em questão e também a última que Raquel Freire fez hoje no mesmo espaço: «Good Night and Good Luck»
E apertemos os cintos porque a procissão ainda vai no adro e este governo não é manso.
P.S. - A ler, no Abrupto, vários posts de José Pacheco Pereira a propósito deste assunto.
O Jornal de Negóciosanunciou ontem que, num só ano, desapareceram do IRS 111 mil crianças dependentes para efeitos fiscais, o que leva a crer que um elevadíssimo número de famílias incluía filhos inexistentes nas declarações (o que é agora dificultado por ser exigido o número de contribuinte).
Por outro lado, soube-se há algum tempo que os gregos não davam baixa dos seus mortos para continuarem a receber as respectivas pensões de reforma, o que cá não é fácil porque a cadeia de informações está bem oleada.
Mas há uma alternativa possível, a concretizar numa espécie de declaração anti-eutanásica. Como é sabido, muitos avós têm pensões boas ou razoáveis, muito acima das que os filhos algumas vez terão e que os netos nem vão saber que existiram. Que dêem o seu acordo para que os descendentes os congelem quando o fim parecer iminente – «vivos» continuarão e a contribuírem para o bem-estar dos seus. Na maior das legalidades.
Macabro? Olhem que não... A realidade não ultrapassa já o que alguma vez pensámos ficcionar?
A crónica de Clara Ferreira Alves, publicada na Revista do Expresso do último Sábado, é uma delícia e não pode andar por aí perdida.
Fica o primeiro parágrafo, apenas como isco para a leitura na íntegra, que pode ser feita AQUI.
«À atenção benemérita da dra. Cristas
Noutras circunstâncias jamais me dirigiria a Vexa, que na sua tenra idade, e para as gerações do meu tempo, seria o que consideraríamos, com alguma soberba própria dos grandes gerontes, uma estagiária nas primícias. Sendo Vexa um membro de pleno direito e potestade deste Governo de ilustres, apesar da tenra idade, a Vexa me dirijo com alguma humildade e pondo-me ao dispor.»