5.10.22

Viva!

 


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4.10.22

Palácios

 


Palácio de Cristal localizado no Parque do Retiro em Madrid.
Construído em 1887 para a Exposição das Ilhas Filipinas.
Arquitecto: Ricardo Velázquez Bosco.


Daqui.
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Entretanto no Irão

 



Alunas de uma escola em Karaj descobrem as cabeças e atiram garrafas para expulsarem um oficial da escola.
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A igreja é corrupta mas o papa é santo?

 

«Se o próprio Vaticano admite que o sancionou em relação com denúncias de abuso sexual, onde está o reconhecimento das vítimas? Onde está a sua compensação? Onde está - ao menos - um pedido de perdão? Por outro lado, se o Vaticano considera que Ximenes Belo não pode voltar a Timor nem contactar com menores, quem é que sabe disso? Como é que o podem garantir se é suposto ser segredo?

E alguém pode acreditar que um caso com esta gravidade e alto perfil - o de um clérigo Nobel da Paz -, não chegou aos ouvidos do atual papa? Como se justifica que tenha sido preciso um artigo jornalístico denunciar as acusações para que se fale delas? É essa a atenção e justiça que Francisco tem para oferecer às vítimas?»

Ler na íntegra AQUI.
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04.10.2009 - O dia em que Mercedes Sosa partiu

 


Mercedes Sosa nasceu no Noroeste da Argentina, em San Miguel de Tucumán, cidade onde em 1816 foi declarada a independência do país.

Quando a Junta Militar de Jorge Videla subiu ao poder e se foi tornando cada vez mais agressiva, Mercedes, considerada peronista de esquerda, foi detida durante um concerto em La Plata, em 1979, refugiou-se depois em Paris e em Madrid e só regressou a Buenos Aires, e ao magnífico Teatro Colón, em 1982.








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"Um certo Brasil amável morreu"

 


«Por escassos 1,7%, Lula não foi eleito presidente da República do Brasil no domingo, 2 de outubro de 2022. Em princípio, o resultado pode ser considerado normal, pois, das duas vezes anteriores em que ele venceu as eleições presidenciais brasileiras, jamais o conseguiu no primeiro turno. Desta vez, ele teve, inclusive, mais votos do que nas duas disputas em que acabou eleito no segundo turno. Pode, portanto, acabar eleito no próximo dia 30, como todas as contas e todos os principais cenários apontam, embora se preveja uma campanha feroz, no mínimo, ao longo do mês.

Tudo bem, portanto. Tudo bem? Não. Os resultados de anteontem demonstram que o protofascismo, o neofascismo ou simplesmente o fascismo (deixemos o rigor dos conceitos para os politólogos) cresceu imenso no Brasil, o que é preocupante, literalmente, para todo o mundo.

Alguns atribuem isso à força de uma ideologia que já vem do tempo das capitanias hereditárias e que continua a manifestar-se, por exemplo, pelo racismo, por um elitismo bacoco e por um profundo desprezo pelos humildes; outros ao peso dos evangélicos, que já são a maioria dos votantes no Rio de Janeiro e, dentro de oito anos, sê-lo-ão em todo o país; e outros simplesmente ao anti-petismo. O mais certo é ser tudo isso e mais alguma coisa que ainda precisa de ser estudada, incluindo uma certa incapacidade das forças progressistas e democráticas não só de se unirem sem complexos, como também de lidar com os novos fenómenos sociais, como as redes sociais.

Impossível, igualmente, esquecer a corrupção do governo Bolsonaro. Os bolsonaristas fanáticos enchem a boca para falar da "corrupção" de Lula (absolvido em 26 processos de todas as acusações contra ele, o que deveria encerrar toda essa discussão em que boa gente ainda insiste em cair) ou dos governos do PT (idêntica à corrupção de todos os governos desde que há Brasil), mas, além das escandalosas suspeitas de corrupção dele e da sua família, o ainda presidente do país fez aprovar na véspera das eleições um orçamento secreto bilionário para distribuir verbas para os seus correligionários políticos. Os especialistas não têm dúvidas em considerar esse orçamento secreto "o maior escândalo de corrupção da história do Brasil". Ninguém tem dúvidas, em particular, que o mesmo influenciou os resultados das eleições de 2 de outubro de 2022.

Voltemos ao crescimento do "fascismo evangélico brasileiro". O facto não é demonstrado apenas pelo crescimento da votação de Bolsonaro no primeiro turno, ligeiramente superior à que obteve em 2018 e muito acima das previsões de todos os institutos de pesquisa: é confirmado, em especial, pelos resultados das eleições para os demais cargos em disputa nas eleições de domingo (governadores, senadores, deputados federais e estaduais). Aí, o bolsonarismo ganhou praticamente em toda a linha. Destaca-se o caso do Senado, que renovou um terço dos lugares, os quais, com a exceção de meia dúzia de vagas, foram preenchidos por candidatos ligados a Bolsonaro. Entre os novos senadores brasileiros, estão figuras que juram ter visto Cristo em cima de goiabeiras, ex-juízes considerados parciais pela justiça, negacionistas da ciência, criacionistas, milionários dados a fazer "turismo espacial" e que se chamam a si próprios "astronautas". Conhecida a truculência do bolsonarismo, a sua simpatia por ditaduras, a apologia da violência, o seu desprezo pelos pobres, o racismo, a misoginia e o oportunismo religioso que o caracteriza (de que é prova cabal a aliança do seu chefe, um católico de origem, com os evangélicos), um grande poeta brasileiro afirmou, tão logo os resultados do último domingo foram conhecidos: - "Um certo Brasil amável morreu!"

A chapa Lula-Alckmin nada tem de "esquerdista" no sentido pejorativo do termo (no limite, é uma chapa de "centro-esquerda", talvez, inclusive, mais para o centro do que para a esquerda), mas é a única chapa democrática na disputa. Da sua vitória depende a preservação mínima não só da democracia, mas da civilidade no Brasil. Os números do primeiro turno sinalizam que a vitória está perfeitamente ao seu alcance. Repetindo-se o que ocorreu há quatro anos, uma parte dos votos de Ciro Gomes deve migrar para Lula, sem esquecer os de Simone Tebet, o que será suficiente para derrotar Bolsonaro.

Lula pode, pois, derrotar Bolsonaro. Mais do que isso, precisa, a bem do Brasil e do mundo, onde o autoritarismo e a extrema-direita crescem assustadoramente. A luta continua.»

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3.10.22

Mais um copo

 


Um copo para sumos com insectos voadores entre gramíneas finamente esmaltadas, 1885.
Moser.

Daqui.
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A coisa aqui está preta

 


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No Brasil, o mês de todos os perigos

 


«O ódio torna a democracia inviável. Porque a política não pode ser o mata-mata. E Bolsonaro, como os seus pares europeus e Trump, trepou o ódio – ele está sempre disponível para qualquer político que o queira usar, sobretudo quando as crises se abatem sobre as nações –, chegou ao poder e construiu um fosso intransponível entre brasileiros que se espalhou por cada rua, por cada pequena cidade, por cada perfil de cada rede social. Ódio aos "esquerdopatas", ódio ao "ex-presidiário", ódio ao "jornalixo", ódio aos "bandidos", ódio aos artistas, ódio aos ambientalistas, ódio, ódio, ódio. Claro que o recebeu de volta. Para a sua estratégia, era essencial que o recebesse. A figuras como Bolsonaro não chega o ódio aos outros. É preciso que a incomunicabilidade entre as pessoas crie realidades paralelas sem concessões.

As condições para a uma polarização na segunda volta são muito maiores do que se imaginava. Primeiro, porque apesar de Bolsonaro ter ficado a léguas dos 60% que garantia que iria ter se não houvesse fraude, as sondagens não previram esta proximidade de 5,2 pontos percentuais e mais de seis milhões de votos. O resultado de Lula está dentro da margem de erro prevista nas pesquisas. Mas falharam em Bolsonaro. Pensa-se que isso pode resultar da recusa em muitos dos seus eleitores a reponderem às empresas de sondagens, um fenómeno que aconteceu nos Estados Unidos, ou na incapacidade de perceber o que aconteceu, por exemplo, em São Paulo. Seja como for, será fácil desacreditar as sondagens. Já a acusação de fraude, com a forma como decorreram as eleições, será muito mais difícil.

A polarização foi tão extrema que a primeira volta se assemelhou a uma segunda. Os dois candidatos concentraram mais de 90% dos votos (48,4% para Lula, 43,2% para Bolsonaro). Tudo se resume a conquistar menos de um décimo dos eleitores. E, apesar de não haver histórico de uma vitória na primeira volta e derrota na segunda, tudo é mais imprevisível do que se esperava. Será mesmo o tudo ou nada para os dois lados. E a campanha será feita ao milímetro.

Se Bolsonaro se conteve – sim, esta campanha ainda foi Bolsonaro contido – enquanto sabia que a votação de hoje podia ser apenas uma etapa destas eleições e que o excesso de polarização poderia levar mais gente a querer encerrar isto já na primeira volta, com medo do que as coisas se descontrolassem, agora não tem nada a perder. Este será o mês de todos os perigos para o Brasil. Até porque a Lula chega conquistar menos de 2 pontos percentuais dos votos, que estarão algures pousados entre os eleitores de Simone Tebet ou Ciro Gomes. Jair Bolsonario tem de arriscar muito mais. Sobretudo na demonização de Lula e do seu passado. Vai ser essa a sua campanha.

A evidente corrupção no seu mandato – sobretudo dos seus filhos – não teve os mesmos efeitos judiciais do que no tempo do PT porque Bolsonaro conseguiu controlar as investigações policiais e impor regras de sigilo de cem anos em alguns casos polémicos que envolveram o presidente ou os seus filhos. Bolsonaro sabe que se perder tudo isso será revertido. Foi ele que disse, há um ano, que só tinha três alternativas para o futuro: “estar preso, ser morto ou a vitória”. Deixa claro que a alternativa à vitória só pode ser o confronto e a violência. E esse é o perigo que nos espera este mês.

Ao ódio viral, que o Presidente promoveu e protegeu, juntou-se a liberalização da compra de armas. Nunca houve tantas no Brasil – estima-se que, sem a liberalização da venda de armas, se teriam evitadas seis mil mortes por ano. São importadas mais de 1200 armas de fogo por dia, maior volume em 25 anos de contabilização. Em imitando a direta norte-americana, Bolsonaro sempre argumentou que a corrida às armas era a única forma do povo defender a liberdade. Como já se percebeu, tudo o que não seja a sua vitória põe em causa a liberdade do povo. Como com Trump, só que num país com instituições muito mais frágeis.

Este mês, o Brasil caminhará no fio da navalha. Mesmo que chegue ao dia 30 de outubro sem ter caído na violência, mesmo que no fim, depois do que será um mês de brutal desinformação, os bolsonaristas sejam derrotados e aceitem o resultado, as marcas desta campanha prevalecerão, como prevaleceram as da derrota de Trump. Porque este tipo de políticos não passa pelo poder sem deixar a democracia mais fraca. Deixam estragos para sempre.

Se Lula vencer na segunda volta, terá um Congresso, um Senado e os principais governadores do centrão e da direita. Aliás, é evidente uma divisão territorial no apoio a um ou outro lado, com o Nordeste, que vale 27% dos votos e onde Lula esmaga, a ser essencial para a vitória nesta primeira volta. E as figuras próximas de Bolsonaro conseguiram ser eleitas. O bolsonarismo para além de Bolsonaro consolidou-se. Como o trumpismo, veio para ficar. Como o PT, e enquanto o PMDB e PSDB vão perdendo consistência, o bolsonarismo será uma força nacional. Se Lula vencer, terá de contar com esta oposição agressiva.

Como nota quase necrológica, a triste história de um homem que não compreendeu o seu tempo histórico. Ciro Gomes, que já teve sete filiações partidárias, ficou em quarto, teve 3% a nível nacional e teve 7% no seu próprio estado (o Ceará), era o candidato com as melhores propostas e até mais à esquerda do que as de Lula, que as teve de as manter difusas para não assustar ninguém. Mas foi incapaz de perceber, como não percebeu na segunda volta das eleições de 2018, o momento histórico que o Brasil atravessa. O seu ego não deixou. E para ser bom presidente não basta ter boa propostas, é preciso ter um apurado sentido da história. Veremos se não se suicidou definitivamente. O seu futuro político, se existe, depende do derradeiro gesto nesta segunda volta. Também é dele e de Simone Tebet que dependerá se Bolsonaro é derrotado.»

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Brasil

 


- Isto vai ser muito mais complicado do que eu pensava!
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2.10.22

Taças

 


Taças, Viena, Áustria, 1900.
Companhia de vidro J.& L,Lobmeyr.


Daqui.
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José Cardoso Pires

 


Chegaria hoje aos 97. Ler este post de 2020.
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A imagem do dia

 

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Retirar pedras do caminho

 


«A presidente do Banco Central Europeu (BCE), representação máxima europeia do poder financeiro (independente da Democracia) ralhou forte e, sem dó nem piedade, aumentou a taxa de juro e ameaçou outros aumentos. Empenhada na criação de uma recessão económica, ela não tolera governos que, por vontade própria ou para se manterem no poder, procuram responder a problemas prementes com que os cidadãos se deparam. Para ela, os governos devem conduzir os povos à emulação salvífica pelo sacrifício.

Christine Lagarde não quer "medidas transversais de apoio" às pessoas e à economia. Ela combate tal opção evidenciando as carências dos muito pobres como forma de justificar que os menos pobres e as classes intermédias sejam considerados privilegiados e arredados dos seus direitos. É a cartilha neoliberal na sua dicotomia perversa: a caridade transformada numa máquina de criação de pobreza. É claro que os mais pobres merecem redobrada atenção e proteção. Não em forma de esmolas para tempos de aflição, mas sim com medidas de proteção que lhes garantam cidadania. Riqueza para isso existe, e muita. Os estados dispõem dela ou podem ir buscá-la intervindo nos mecanismos de acumulação de riqueza.

A inflação está a depauperar a esmagadora maioria dos cidadãos. Esse depauperamento é a via mais rápida para a recessão. Ora, numa sociedade democrática há direitos universais, com forte impacto social e económico - como são, por exemplo, o salário justo, as pensões de reforma, a proteção da saúde, o direito à habitação - que devem ser garantidos a todos os cidadãos. O Estado social desaparecerá rapidamente se estes compromissos não forem efetivados. Desaparecendo, não existirá mais a Democracia.

A inflação atual - foi anunciado esta sexta-feira que, em Portugal, o valor em setembro é de 9,3%, face aos 8,9% de agosto - não foi causada pelos salários, nem pelo nível de consumo dos portugueses que hoje já cortam forte em despesas essenciais. A sua origem está nas disfunções das cadeias de produção e de distribuição bem evidentes na pandemia, está na crise energética e de matérias-primas e no belicismo. O grande perigo para os povos é querer-se combater a inflação aumentando o desemprego e empobrecendo os trabalhadores.

No plano nacional, o Governo não pode andar a brincar à construção de compromissos assentes em previsões mais que duvidosas, como vem fazendo por estes dias na Concertação Social. Sejamos verdadeiros: se de imediato não houver atualização dos salários no setor privado e na Função Pública e se, por efeitos de "dinâmicas do mercado", os salários dos portugueses crescerem em média, em 2022, entre 3 e 3,5%, como se prevê, e com a inflação a seguir a trajetória atual, no dia 31 de dezembro os salários de quem trabalha em Portugal valerão menos cerca de 5% do que valiam no passado dia 1 de janeiro. Essa perda não será ocasional, mas sim permanente.

Por outro lado, o indispensável crescimento futuro dos salários implica que se tenham em conta a inflação, a produtividade, bem como ganhos para fazer subir a parte do rendimento que vai para o trabalho.

As especificidades complexas dos tempos que vivemos resolvem-se com realismo, responsabilidade e determinação. É possível uma política salarial justa e contributos dos trabalhadores para tornar as empresas mais produtivas e competitivas se houver ação sindical e negociação coletiva intensa, feita a partir das realidades concretas dos setores e das empresas.»

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1.10.22

Farmácias

 


Farmácia Arte Nova, Douvres-La-Delivrande, França, 1901.
Arquitecto: François Rouvray.


Daqui.
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