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23.7.17

Templos budistas e não só (1)




Wat Phra That Doi Suthep, Chiang Mai, Tailândia, 2012.

É um dos templos budistas mais importantes do Norte da Tailândia, que começou a ser construído em 1386 no alto de uma montanha, a pedido do Rei Kuena. Conta a lenda que esse rei tinha uma relíquia de Buda sem saber onde a guardar. Atou-a a um elefante e esperou para ver onde ele a colocava. O elefante subiu a uma montanha, ajoelhou-se e morreu. O rei decidiu então que o templo fosse construído nesse lugar. 






Macron: o gozo que isto me dá!

Notícias de um Verão tórrido



No dia 23 de Julho de 1975, este cartaz foi capa do Diário de Notícias.

Juntamente com a cantiga («Força, força, companheiro Vasco»), deu corpo à campanha da 5.ª Divisão, de apoio a Vasco Gonçalves, iniciada quatro dias antes. Foi sol de pouca dura, como é sabido: o IV Governo Provisório caiu em 8 de Agosto, dia em que teve início o V que viria a durar pouco mais de um mês.


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Dica (591)




«Jaroslaw Kaczynski, the most powerful politician in Poland, is the architect of judicial reforms that have drawn massive criticism across Europe. As the Polish government chips away at checks and balances, is it possible the politician could drive the country out of the EU?» 
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A postos para as autárquicas



«Começam a limpar-se as armas para a grande contenda de Outubro. Não é, como nos tempos bolcheviques, uma tomada de diferentes Palácios de Inverno, mas assemelha-se em termos de lógica de poder.

O poder autárquico foi durante muito tempo o músculo das grandes manobras que decorrem em Lisboa. Mas, nestes tempos de mudança, pululam candidatos não-alinhados, desde figuras que regressam como se nunca se tivessem ido embora a estreantes que driblam o poder dos partidos tradicionais. Afinal nada que já não fosse visível em 1901, quando o perspicaz Mariano de Carvalho escrevia: "Os princípios, conforme vulgarmente se diz, foram à carqueja. Por isso mesmo, porque há muito mais questões de homens e de interesses do que conflitos de ideias, os laços partidários são frouxos." Basta ver o número de candidatos que deixaram os seus partidos porque supõem que são mais importantes do que as estruturas onde evoluíram em candidaturas anteriores.

Vai ser interessante verificar o que vai acontecer em Oeiras, no Porto ou em Cascais. Ou em Loures, depois de surgir um candidato conhecido por aparecer na televisão a dizer coisas inenarráveis para um político que não quer ser confundido com um populista. O problema é que parece que o modelo vai vingar, com cobertura dos dirigentes do partido pelo qual concorre. Sabe-se que, na política, o estado de ânimo é decisivo numa campanha que quer ter sucesso. Os eleitores estão cansados, perplexos e irritados. Veja-se Lisboa. Os moradores estão a ser atirados para fora do centro pela pressão imobiliária. O trânsito é caótico e os transportes públicos, deficientes. Que respostas têm os candidatos para este momento explosivo? É preciso dar esperança aos eleitores. Candidatos tristes não ganham eleições. Porque não lideram, não seduzem nem convencem. As opções em Lisboa são frágeis: entre o candidato da cidade postal ilustrado e do "progresso" imobiliário, e uma candidata que quer construir 20 estações de metro (ao arrepio de tudo o que foi a sua política anti-investimento público quando estava no Governo) e outra que esteve desaparecida em combate antes de dizer que não era para ser a escolhida (ficando-se sem perceber quem, entre os anteriores primeiros-ministros do seu partido, era a primeira escolha), que se pode fazer? Ninguém confia em quem não mostre segurança.

Pensemos um pouco sobre as autárquicas, sobretudo porque os eleitos nas cidades, vilas e aldeias são quem está mais próximo dos eleitores. E estes querem resultados. O voto é um contrato público sobre o bem comum. Numa época em que os políticos eleitos são produtos das elites (veja-se Macron ou Trump), apesar de não serem eleitos por elas, e em que se assiste à substituição dos gestores e especialistas políticos e económicos por milionários, financeiros e empresários, porque estas elites querem governar directamente, que resposta dará o poder autárquico a este mundo em mudança? Nas autárquicas escolhe-se com mais facilidade um "homem providencial", aquele que "mostra obra". Tornaram-se questões de homens carismáticos, algo que diz muito sobre o caminho da política nos nossos dias. Já não são as ideias que vencem: é a sua percepção. Talvez por isso estas autárquicas nos vão dizer tanto sobre o futuro político de Portugal.»

22.7.17

«Expresso» ou «Os Ridículos»?



Que aqui fique, para memória futura, este recorte da capa do Expresso de hoje. O dia em que este jornal, que leio há 44 anos, devia mudar de nome e retomar um título antigo: «OS RIDÍCULOS». 

O único fundamento para o título bombástico, que o próprio jornal confirma, é este: uma pessoa, que foi atropelada e não vítima directa de fogo ou de fumo, não foi incluída na lista oficial das 64 vítimas! Oh, escândalo dos escândalos… As vítimas foram 65, não 64! 
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Maduros para um Trump



Daniel Oliveira no Expresso de 22.07.2017:



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Ñecessidades básicas


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Um virtuoso do racismo



«A propósito das declarações homofóbicas de Gentil Martins, médico, ou das declarações xenófobas de André Ventura, dirigente e candidato do PSD em Loures, houve quem ensaiasse uma fuga indiscreta com um protesto contra o “politicamente correcto”, uma espécie de censura que intimidaria a liberdade de expressão dos coitadinhos. Aceitar essa discussão admitiria que se trate de um simples problema de linguagem, quando é uma questão de atitude social e de discriminação que fere porque pretende ferir. Lastimo esse nevoeiro, tanto mais que se conhece bem como os termos mobilizam os significados: se hoje ninguém usa a sério uma expressão do tipo “fazer judiarias”, é simplesmente porque sabemos o que foi a perseguição a judeus ao longo de séculos e que culminou nos tempos da nossa perigosa civilização.

A linguagem deste caso só é interessante porque o dirigente do PSD, tendo provocado uma tempestade política, veio reafirmar a sua posição, amparado pelo apoio de Passos Coelho e da chefatura laranja. Ou seja, fez questão de manter as suas palavras e de as realçar com mais boçalidades (desejar que o primeiro-ministro vá de férias para sempre, o que é que isso quer dizer?). Ele, doutorado em Direito e professor universitário, quer fazer-se notar por ser boçal. É o estilo que faz a sua candidatura, é aí que joga o seu destino. Ele quer ser conhecido no país pelo modo Trump.

A sua defesa pelo PSD é um risco político. O CDS, que agradece esta possibilidade de se apresentar mais o centro, foge da aliança. Mas até se poderia explicar que, na dúvida, os partidos tendem a defender-se: o autarca socialista de Loures, antes da eleição de Bernardino Soares do PCP, já tinha dado alguns passos no mesmo caminho, e o presidente de junta de Cabeço Gordo, do PCP, impediu o funeral de um cigano na sua terra usando qualquer pretexto (e foi defendido pelo partido).

No entanto, o caso de Ventura é de outra dimensão. Fazer-se amado pela extrema-direita (“é um dos nossos”, diz com orgulho o PNR) é um sinal político, aliás prejudicial do ponto de vista eleitoral, mas acho que há muito mais nesta história.

Ventura é um produto de outra escola: do partido, certamente, admito que até dessas juventudes onde se aprende a matreirice e o carreirismo, mas o que determina a sua pose é a televisão e o comentário desportivo onde iniciou a sua carreira pública. É na pesporrência, na ligeireza, no fanatismo que determina os lugares da normalidade no comentário desportivo (há excepções), que Ventura aprendeu a lançar achas para a fogueira. Como os dirigentes dos clubes, Ventura percebeu que, para ser notícia, é preciso saber ser detestável. O facínora é quem vence na comunicação clubística. E o futebol é um bom caminho para a política (esta semana abri a televisão e vi um debate entre apoiantes dos três maiores clubes, dois deles eram dirigentes do CDS, que sabem por onde vai a sua carreira).

Que a grande maioria dos ciganos trabalhe e não depende de prestações sociais (vd. o gráfico), que importa isso para Ventura? Ele já se colocou no mapa nacional, graças à sua exibição xenófoba. Sairá depressa, é certo, a sua derrota nas eleições em Loures é inexorável, mas ele pensa em outros voos. Para isso, só precisa de ficar agarrado a um clube de futebol numa televisão perto de si e ir proferindo uns dislates ofensivos, para que alguém vá reagindo e se fale dele.»

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21.7.17

Casas «deles» - Foram 12


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Dica (590)

A PIDE não faria melhor


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Última Crónica



Por Alfredo Barroso, no jornal «i» de 21.07.2017:

«Habituei-me desde muito cedo a escrever sem rodeios e sem hipocrisia, quer como jornalista profissional quer como cronista político. Foi também assim que participei activamente na vida pública, desempenhando vários cargos políticos depois do 25 de Abril, ao longo de trinta anos. Não seria agora, com 72 anos, que iria tornar-me um cronista convencional, “mainstream”, preocupado sobretudo em não provocar engulhos e peles de galinha.

Quando Mário Ramires e Ana Sá Lopes me convidaram, há meses, para escrever uma crónica semanal no “i” (sem qualquer remuneração dadas as dificuldades financeiras do jornal), aceitei de bom grado, ingenuamente convencido de que o «i» renovado poderia vir a ocupar o espaço deixado vago pelo “Público” há vários anos, quando José Manuel Fernandes sucedeu a Vicente Jorge Silva como director, fazendo o jornal guinar subitamente para a direita, guinada essa que ainda mais se acentuou sob a direcção de David Dinis (que foi, convém não esquecer, um dos fundadores do diário on-line da direita pura e dura, o “Observador”).

O certo é que, ao passar a ler o “i” com mais atenção todos dias (tanto o noticiário político como as inúmeras crónicas de opinião), percebi que estava a colaborar, salvo poucas excepções, num jornal de direita, perdido no meio de uma floresta de escrevinhadores fanáticos, alguns deles de extrema-direita. Não contesto, obviamente, as opções políticas do “i”. Não será em vão que em democracia se proclama, com ironia ou sem ela, a “liberdade de pensamento” - como há dias o fez, num curioso post-scriptum, o director executivo deste jornal.

É verdade que, em quase todas as sociedades democráticas, há jornais diários de quase todas as tendências políticas. Mas, neste momento, não é esse o caso em Portugal, onde abundam jornais de direita (um ou outro de centro-direita) e nenhum jornal diário de esquerda ou centro-esquerda. O que significa que é cada vez mais difícil, para cronistas politicamente de esquerda, encontrar espaços onde publicar os seus textos regularmente. Daí que aceitem escrever em jornais de direita moderada – que, praticamente, são quase nenhuns.

Infelizmente, o “i” está a tornar-se um jornal bastante reaccionário, tentando manter algumas “pinceladas” de esquerda – e eu tenho sido uma delas. Sempre achei, no entanto, que é muito útil a separação de águas: à direita o que é de direita e à esquerda o que é de esquerda, como sucede com os melhores jornais e revistas de outros países democráticos – embora haja vários exemplos intermédios, de centro-direita e centro-esquerda, onde a convivência e a coexistência pacífica são possíveis. Todavia, perante o actual panorama de jornais diários generalistas em Portugal – e pondo de lado o populista e predatório “Correio da Manhã” –, considero que o “i” é, actualmente, o mais à direita dos outros quatro jornais diários generalistas, ou seja, mais à direita que o “Público”, o “DN” e o “JN” – chegando por vezes a querer competir com o “CM”.

Será fácil perceber o desconforto que sinto em colaborar no “i”, desconforto esse que aumentou exponencialmente nas últimas semanas. Decidi, por isso, pôr termo à minha colaboração neste jornal. Agradeço o convite do Mário Ramires e da Ana Sá Lopes, mas não quero continuar a fazer parte do “ornitorrinco político” em que se transformou o “i”.

Sei bem que não será nada fácil voltar a escrever regularmente num jornal diário, mas desejo ser coerente com o meu ideário de esquerda e estar de bem com a minha consciência, preservando a minha autonomia – sobretudo desde que decidi, há dois anos, abandonar o PS (de que fui um dos fundadores em Abril de 1973). Tenho apoiado, como se sabe, várias políticas defendidas pelo Bloco de Esquerda, por concordar com elas. E também é verdade que me tenho batido, há vários anos, por acordos e convergências possíveis entre o PS e os partidos à sua esquerda. Mas nada disso tem beliscado a minha independência política e identidade própria.

Fui jornalista profissional antes do 25 de Abril (nos jornais “A Capital” e “O Século”) e é curioso recordar que, nessa altura, eram os coronéis da Comissão de Censura que, usando e abusando do “lápis azul”, separavam involuntariamente as águas entre os jornais afectos ao regime e os que não estavam dependentes dele nem o apoiavam. Hoje, já não há “lápis azul” mas também não há jornais de esquerda ou centro-esquerda. O dinheiro é que manda. É lamentável.»
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Um PSD de contrafacção



«Acho que foi Trump que inaugurou oficialmente a época em que ser racista, xenófobo, homofóbico, machista, etc, é fugir ao politicamente correcto. Temos de ser compreensíveis para com quem transborda preconceitos. Uma espécie de "até tenho um amigo que é racista.”

Confesso que sou racista com racistas. Até tenho um amigo que é racista mas... Sabem como eles são. Histéricos com aquilo que é diferente e que sentem que os ameaça. Sempre com aqueles trejeitos de apontar com a mãozinha para as minorias. Sempre preocupados com a cor dos outros. Aquilo não pode ser por escolha, é uma anomalia.

O PSD arranjou um paineleiro desportivo, e não tenho nada contra paineleiros, até tenho um amigo que é, que foi politicamente incorrecto para com a comunidade cigana. Chamar politicamente incorrecto ao que disse um tal de André Ventura é contrafacção de xenofobia. Tal como os dados que André Ventura apresenta parecem ser da Pordaca.

A prova de que estas críticas aos ciganos assentam em estereótipos é que já passaram 72 horas e o André Ventura não levou uma naifada. Perante o discurso do candidato a Loures, o CDS-PP chegou-se à frente e resolveu seguir "um caminho próprio no concelho de Loures nestas eleições autárquicas de 2017". Ou seja, trocando por miúdos, e fugindo ao politicamente correcto, deu um pontapé no rabo ao André Ventura. O PSD fez o mesmo. Não, não fez, estava a tentar enganar o leitor. É mais forte que eu, a minha bisavó era cigana e o meu bisavô banqueiro.

O PSD (as siglas significam Partido Social Democrata, de vez em quando convém lembrar), numa perigosa ultrapassagem ao CDS pela direita, continuou a apoiar o tal Ventura. Com mais uma destas, Nuno Melo não aguenta e muda para o PSD. Passos Coelho escolheu continuar a apoiar o Ventura, pelo menos até ele começar a embirrar com as minorias negras de Massamá... Com personagens como este Ventura, o Hugo Soares, etc, o PSD de Passos Coelho ensaia uma espécie de Trumpismo à portuguesa. Hugo Soares, eleito líder da bancada do PSD, é o exemplo de um direito que devia ser referendado.

Atingimos o ponto mais baixo, a bancada do Partido de Sá Carneiro está entregue a um indivíduo que acha que todos os direitos podem ser referendados. Bem sei que podem dizer: não é o pior momento, já lá esteve o Duarte Lima, e o Hugo Soares até tem ar de estimar velhinhas. Aliás, ele, com um lenço na cabeça e aquele discurso, parece uma senhora de idade mas, olhando para todos estes sinais, chegamos à conclusão de que este PSD é de contrafacção. O original não tem nada a ver com isto. Ver o partido de Sá Carneiro a apoiar um candidato com um discurso racista até impressiona a Comissão de Camarate.»

20.7.17

Casas «deles» (12)



Casa de Nacarello. Colónia do Sacramento, Uruguai (2015).

Nacarello foi o morador mais antigo desta casa do período português, hoje transformada num pequeno museu que mostra como vivia uma família em meados do século XVIII. Nas imagens mais abaixo, o interior do museu e outras casas e ruas tipicamente portuguesas. Estas «pegadas» dos portugueses são muito interessantes.

A Colónia do Santíssimo Sacramento foi fundada em Janeiro de 1680 por Manuel Lobo, governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, a mando da coroa portuguesa, desejosa de estender o seu domínio, através do Brasil, até ao Rio da Prata. Foram depois muitas as lutas e vicissitudes por que passou até à independência do Uruguai em 1828.




Já lá vão cinco anos


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20.07.2017 – A Lua



Pisar a Lua sempre funcionou no imaginário dos homens como um símbolo de que tudo se tornaria de certo modo possível a partir do momento em que isso acontecesse.

Há 48 anos, três astronautas americanos concretizaram esse velho sonho e milhões de pessoas viram Neil Armstrong sair do módulo lunar e andar na superfície lunar. Logo a seguir, com uma pequena máquina fotográfica, mostrou ao mundo o que ia vendo e disse uma frase que viria a ficar célebre: «É um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade».

Nunca pensámos então que, quase 50 anos depois, um louco viesse a governar os EUA: soaria tanto a teoria da conspiração como a daqueles que, ainda hoje, garantem que nada se passou em 20 de Julho de 1969. (Em termos de teorias da conspiração, por cá, em 2017, contentamo-nos com uma versão mais modesta, proporcional à nossa humilde dimensão: terá havido algum roubo em Tancos?)




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Teresa Leal Coelho




Garantem-me que estes cartazes existem mesmo e que não são resultado de montagens, que as fotografias são da candidata e não de uma filha, que só por lapso é que não está escrito «Um@ Senhor@ Lisboa» e que se esperam novos escaparates com referência a bisavós, bisnetos, tios, primos, bichanos e cães de estimação.
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Muitas venturas?



«Na política portuguesa irrompeu agora uma personagem chamada André Ventura que, segundo se diz, é candidato do PSD à Câmara de Loures. Habituado a dizer umas larachas sobre futebol, Ventura aplica o mesmo princípio à política: grita umas tolices para que alguém repare que exista. Como se sabe o direito à tolice é reconhecido constitucionalmente. Mas alguns confundem isso com dever. O caso é patético mas é grave. Mostra, desde logo, que partidos responsáveis se deixaram contaminar pelos mestres da pirotecnia televisiva: o que é importante é que os candidatos apareçam na televisão e não que tenham ideias ou valores morais ou éticos. É uma opção. Mas é mais grave quando, face a um coro de protestos (incluindo a saída do CDS da coligação), Passos Coelho continue a desejar "muitas venturas" a Ventura.

A direcção do PSD entrincheirou-se num castelo medieval. E este é apenas o derradeiro exemplo dessa tentação da idade das trevas. Porque as afirmações de Ventura são reais e perigosas. São ética e moralmente vergonhosas mas, na óptica da liderança do PSD, deixam o problema na decisão eleitoral. Serão os eleitores a validarem ou obliterarem estes dislates. O que levanta um outro problema: as declarações convictas de Ventura são típicas de um populismo radical que pouco tem a ver com a ideologia social-democrata do PSD. Ou seja, Passos Coelho abre a porta ao populismo como mantra do seu novo PSD. Vale tudo para conquistar o poder? Sobretudo fórmulas mágicas como convocar instintos primários que têm a ver com preconceitos étnicos? É assim que um partido sério e responsável fica refém do radicalismo xenófobo. Resta saber o que pensam os social-democratas do PSD.»

Fernando Sobral
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Da série «Grandes Títulos»


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