Páginas

27.4.17

Dica (534)



Francia es una abstracción. (Alejandro Nadal) 
.

26.4.17

Cúpulas, muitas cúpulas (4)



Mausoléu do Sultão Sanjar, Merv (Turquemenistão), 2016.

(Construído em 1157, recuperado.)
.

O 25 de Abril continuou no dia seguinte



26/27 de Abril de 1974: a libertação dos presos de Caxias. Ver aqui seis vídeos.
.

Para os juízes implacáveis de Mélenchon




«Dans le texte qui accompagne la consultation proposée aux militants de La France insoumise en vue du second tour de la présidentielle, Jean-Luc Mélenchon précise que "le vote pour la candidate d'extrême droite ne saurait représenter une option". »
.

Papa com tolerância de ponto




Mas, PORQUÊ? Temem-se engarrafamentos em Miranda do Douro e em Loulé? Os funcionários públicos, que irão a Fátima, não podem gastar um dia de férias? É para poderem ver tudo na TV, assim que acordarem, quando o papa só chega a Monte Real pelas 16:00?

Enfim… tudo como dantes.
.

A doce e amarga França



«A função presidencial em França foi feita à medida de Charles De Gaulle. A maioria era formada em função do Presidente. "Eu sou a República", diria mais tarde De Gaulle, talvez ecoando a vertigem de Luís XIV: "O Estado Sou Eu." Nada que tivesse exasperado os franceses, muitas vezes seduzidos pelo sonho do homem providencial. Não admira porque o Estado é tão incontornável em França. Mas os tempos de De Gaulle evaporaram-se: a "Doce França" que cantava Charles Trenet transformou-se num campo minado: uma dívida colossal e um défice excessivo (que a "punitiva" Europa só encontra nos países do Sul mas se esquece de ver em Paris), um desemprego brutal, uma economia anémica, uma classe política exangue e uma sensação de insegurança (derivada da emigração e do terrorismo) que cresce. Há barris de pólvora com menos hipóteses de explodir. A Europa bem comportada pensa, com a provável vitória de Macron, que as sombras do apocalipse foram afastadas. Estão equivocados. Nem Macron já ganhou, porque estamos a sobrevalorizar o sentido da lógica neste mundo cada vez mais extremado, nem Marine Le Pen pereceu em combate. Tudo por uma simples razão: Le Pen tem um projecto mobilizador, Macron tem uma salada russa de ideias feitas à vontade dos fregueses.

A colisão dos titãs na doce França pode ter sido retardada, mas vai acontecer: as forças do nacionalismo e do elitismo centralizado (disfarçado de liberalismo) estão à espera da batalha final. Os adeptos desta Europa mais ou menos unida pelo euro podem achar que uma vitória de Macron será uma trégua definitiva entre as duas visões da sociedade. Não é. O radicalismo poderia ajudar o poder europeu (e a elite que se acolhe atrás de Macron) a regenerar-se, ou seja a reformar as instituições políticas e a actualizar o contrato da sociedade de bem-estar. Não parece que estejam dispostos a isso. Por isso, a tendência para o desastre vai crescer, porque Macron parece representar mais do mesmo, ainda que com artimanhas de marketing. A doce França está cada vez mais amarga.»

25.4.17

Cúpulas, muitas cúpulas (3)



Basílica do Sagrado Coração de Paris, Montmartre, Paris (França), 2009. 
.

25 de Abril em Lisboa




Não só, mas também isto. 
.

25 de Abril – As estórias que a História não conta



Duas organizações - «É Apenas Fumaça» e «Divergente» reuniram quatro pessoas à volta de uma mesa «para conversar sobre o outro lado do 25 de Abril». Fui uma dessas pessoas e convido-vos a reservar algum tempo (a conversa foi longa…) para nos ver e ouvir.



Daqui, onde existe uma versão apenas em som.
.

Está é inevitável



.

Cidade ocupada e radiosa



«A cidade apareceu ocupada e radiosa. Deparámos com colunas militares inundadas de sol; e povo logo a seguir, muito povo, tanto que não cabia nos olhos, levas de gente saída do branco das trevas, de cinquenta anos de morte e de humilhação, correndo sem saber exactamente para onde mas decerto para a LIBERDADE!

Liberdade, Liberdade, gritava-se em todas as bocas, aquilo crescia, espalhava-se num clamor de alegria cega, imparável, quase doloroso, finalmente a Liberdade!, cada pessoa olhando-se aos milhares em plena rua e não se reconhecendo porque era o fim do terror, o medo tinha acabado, ia com certeza acabar neste dia, neste Abril, Abril de facto, nós só agora é que acreditávamos que estávamos em primavera aberta depois de quarenta e sete anos de mentira, de polícia e ditadura. Quarenta e sete anos, dez meses e vinte e quatro dias, só agora.»

José Cardoso Pires, Alexandra Alpha
.

25

24.4.17

Cúpulas, muitas cúpulas (2)



Mausoléu de Gur-e Amir, Samarcanda (Uzbequistão), 2011.
.

Não comento, não comento, não comento



.

Macron / Le Pen



Daniel Oliveira no Expresso diário de hoje:


.

E agora, povo português?



Nunca pensei viver para ver isto:
a liberdade – (e as promessas de liberdade)
restauradas. Não, na verdade, eu não pensava
– no negro desespero sem esperança viva –
que isto acontecesse realmente. Aconteceu.
E agora, meu general?


Tantos morreram de opressão ou de amargura,
tantos se exilaram ou foram exilados,
tantos viveram um dia-a-dia cínico e magoado,
tantos se calaram, tantos deixaram de escrever,
tantos desaprenderam que a liberdade existe –
E agora, povo português?


Essas promessas – há que fazer depressa
que o povo as entenda, creia mais em si mesmo
do que nelas, porque elas só nele se realizam
e por ele. Há que, por todos os meios,
abrir as portas e as janelas cerradas quase cinquenta anos -
E agora, meu general?


E tu povo, em nome de quem sempre se falou,
ouvir-se-á a tua voz firme por sobre os clamores
com que saúdas as promessas de liberdade ?
Tomarás nas tuas mãos, com serenidade e coragem,
aquilo que, numa hora única, te prometem ?
E agora, povo português?


Jorge de Sena, 40 anos de servidão
.

Gostam muito do novo? Aqui têm o novo



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Macron e Le Pen passam à segunda volta com uma diferença mínima, ambos acima dos vinte por cento. Pelo caminho ficam, pesadamente derrotados, os socialistas e os gaulistas. O candidato da esquerda radical teve praticamente os mesmos votos que Fillon, o gaulista. Tudo isto era mais ou menos previsível, mas é no seu conjunto uma mudança importante na política francesa, tanto mais importante quanto vai no sentido de mudanças idênticas noutros países como a Holanda. (…)

Macron, que tudo indica vai ser o próximo presidente da França, é o retrato do medo dos franceses, o candidato que não é carne nem peixe, e por isso mesmo o único obstáculo a Marine Le Pen. Verdade seja que Le Pen deve meter medo, muito medo, mas mesmo perdendo, ganha. O que é preocupante, não é o facto dos candidatos da Frente Nacional, Le Pen, pai e a filha, nunca ganharem na segunda volta das presidenciais, é que reforçam significativamente a sua posição. Hoje a Frente Nacional é o primeiro partido francês, e a sua candidatura presidencial tem um partido por trás, enquanto que a de Macron não tem. (…)

A novidade da actual situação geoestratégica torna por isso as eleições francesas não só relevantes para a Europa, quer a geográfica, quer a institucional, mas também para o mundo. E a situação é tanto mais nova, quanto uma candidata da extrema-direita como Le Pen, vai ao Kremlin, sem temer pela sua reputação anticomunista que, quer se queira quer não, ainda está associada à Rússia e a Putin. E Trump, um Presidente da democracia americana, não tem pejo de apoiar a mais proeminente representante na política europeia do radicalismo de direita que seria pestífera para qualquer outro Presidente americano.

Le Pen é, como Trump, a face da mudança nas actuais eleições presidenciais e tem votos só por isso, pelo cansaço enorme do eleitorado em relação aos partidos tradicionais. Vai ser ela a ter o voto de protesto, que hoje a esquerda europeia parece incapaz de conseguir, pela combinação da decadência dos partidos socialistas, com o acantonamento da esquerda mais radical, embora esta tenha em França um candidato que sobrevive mais do que os socialistas à hecatombe da esquerda.»
.

23.4.17

Cúpulas, muitas cúpulas (1)



Catedral da Assunção, Kremlin, Moscovo (Rússia, 2012)

(Série que já teve alguma vida no «Brumas», agora selecionada e actualizada.)
.

França



,

23.04.1936 – Tarrafal, 81 anos



O «Campo da Morte Lenta» foi criado em 23.04.1936, encerrado em 1954, reactivado em 1961 por portaria assinada por Adriano Moreira, então Ministro do Ultramar, com o nome de «Campo de Trabalho do Chão Bom», para receber prisioneiros da Guerra Colonial. Durou até 1974. 

Ler aqui um post do ano passado. 
.