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27.5.17

Alojamento Local?



Já que tudo foi dito sobre a visita do papa, a vitória de Salvador e quando estão quase esgotados os palpites sobre a ida, ou não, de Centeno para o Eurogrupo, eis que aí está um novo tema que fará correr – e com razão – muita tinta: a legislação que o PS pretende aplicar ao Alojamento Local (AL).

O tema não é fácil e de uma coisa estou certa: aqui no meu prédio, que tem vinte condóminos, a resposta a um eventual pedido de um deles para usar o seu espaço para AL seria um rotundo «não». E creio não me enganar quando imagino que o mesmo aconteceria numa elevadíssima percentagem dos prédios onde vivem (ainda) pacatas famílias burguesas de Lisboa ou do Porto. Creio que Helena Roseta aborda bem a questão no Público de hoje, ao sublinhar que não é com medidas avulsas que se solucionam problemas complexos como este. Aqui ficam alguns excertos.

«O Alojamento Local (AL) é sem dúvida uma forma de promover o turismo e de permitir a pequenos proprietários um rendimento adicional. Mas a conjunção de factores que levou ao disparar desta modalidade de alojamento está a ter efeitos negativos em zonas históricas de várias cidades, contribuindo para a rarefacção e sobreaquecimento do mercado de alojamento permanente. Há freguesias em que os moradores estão a ser expulsos por mudança de proprietários, cessações de contratos, despejos e transformações de uso, com as novas rendas a atingirem valores inalcançáveis ou mesmo a deixarem de existir. Há quem já só consiga arrendar casas à semana. (…)

Não creio que um fenómeno como este, em que as plataformas de interacção entre oferta e procura também desempenham um papel decisivo, contribuindo para a sua expansão e aceleração, se resolva com leis “cirúrgicas” como a que o PS acaba de propor. Para legislar melhor, temos de conhecer bem os problemas, estudar os seus impactos, sobretudo quando são contraditórios, e ouvir as partes interessadas. Não foi este o caminho agora seguido pelo projecto de lei do PS e é pena.

Mas o debate está aberto. A este projecto de lei irão certamente seguir-se propostas dos outros partidos e será no Parlamento, na discussão entre todas as iniciativas, que poderá chegar-se a uma lei que seja útil e tão justa quanto possível. Para os que acreditam que as leis só atrapalham o mercado, respondo que em muitas cidades da Europa e dos EUA esta matéria está a ser alvo de propostas políticas de intervenção, umas mais radicais que outras, face ao alastramento vertiginoso do AL que faz diminuir perigosamente o mercado de habitação permanente e acessível, pondo em causa a própria sustentabilidade urbana. (…)

É preciso encarar esta temática de forma transversal — a fiscalidade, as políticas sociais, o ordenamento do território e das cidades, o papel do Estado e dos municípios e o acesso a informação de mercado transparente e credível são aspectos que não podemos ignorar. A questão não é apenas de habitação — é de convergência nas políticas e de harmonia nas cidades. Mais do que propor medidas avulsas, temos de identificar o que tem de ser mudado ao mesmo tempo em várias políticas públicas. É este o debate que importa e é cada vez mais urgente.» 
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26.5.17

Transportes «fora da caixa» (5)



O que esta carruagem blindada tem de especial é ter sido usada por Estaline a partir de 1941. Foi nela, por exemplo, que se deslocou à Conferência de Yalta, em 1945. Encontra-se no mesmo recinto em que se situa a casa em que ele nasceu e o Museu Estaline, em Gori. Geórgia (2012).
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Alegrai-vos, fãs de Emmanuel Macron



Le camp Macron en marche vers la majorité absolue aux législatives selon les sondages.

«Selon les projections d'Opinionway qui portent sur 535 circos métropolitaines (au total la France en compte 577), La République En Marche pourrait s'adjuger plus de la moitié de sièges de l'Assemblée en juin prochain (entre 310 et 330) avec moins d'un tiers des suffrages au niveau national. De quoi décrocher facilement la sacro-sainte majorité absolue des 289 sièges qui lui permettrait de régner sans partage.»

(O PSF arrisca-se a não ter mais deputados do que France Insoumisse / PCF – o que me dá um enorme gozo, confesso!)
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Geringonça: quem não arrisca não petisca



Daniel Oliveira no Expresso diário de hoje:

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Quem não anda pelo Facebook…



… não sabe o que perde! 
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À sombra de um Oliveira Costa



«Cerca de oito anos depois já há condenados no caso BPN. Ainda dizem que a Justiça é lenta. Oito anos não dão para um PM tirar um curso. (…)

É bom ver banqueiros atrás das grades mas, desculpem-me a minha insatisfação, parece-me que nestas coisas apanham sempre a arraia miúda. Arranjam um paspalho para ser só ele e o contabilista. Ao Oliveira Costa basta ouvi-lo e vê-lo, e ver como veste, para imaginar que planeou aquilo tudo sozinho... Foi falar com o Dias Loureiro que lhe disse - "isso é demasiado complexo para a minha cabeça". Resultado final, Oliveira Costa catorze anos de prisão, Dias Loureiro quinze dias de férias. (…)

Tenho a teoria que é sempre o que veste pior e está menos bronzeado que vai dentro ou leva a pena maior. É sempre o sucateiro. Se é o Oliveira Costa que leva a maior talhada acredito que no do BES o único condenado vai ser o senhor do bigode, o Amílcar Morais Pires e não um Espírito Santo. No caso do Sócrates, é condenado o Perna e o primo gordo do ex-PM.

É tão curioso ver um indivíduo que pede sandes de Bimbo com queijo levar catorze anos de pena e o Dias Loureiro que ao pequeno almoço faz brincos com lavagantes nem aparecer nos acusados. A esta hora está Aníbal Cavaco Silva a ligar para o Dias Loureiro a dizer: "Sempre pensei que este era um tipo honesto, as pessoas são uma surpresa!". Diz o ex-conselheiro de Estado - "É verdade, quem diria?! Que sorte que tivemos que ainda conseguimos fazer dinheiro com aquilo".

Como dizia um amigo meu - "pelo menos agora podermos parar com alegadamente e chamar-lhes mesmo ladrões" - É verdade, mas na realidade o "alegadamente" é o que lhes tirava o estilo. Ficam só ali a meio: nem eram de confiança nem tinham o charme de um bandido.

Neste momento em que o nosso dinheiro do BPN já ardeu todo, a única coisa que me preocupa é o Oliveira Costa não ter estado presente na leitura da sentença porque fez uma operação cirúrgica e estava em recuperação. O que me preocupa é se foi uma cirurgia plástica e agora chama-se Rute Oliveira e nunca mais lhe pomos a vista em cima.»

João Quadros

Brasil


@Eduardo Sama
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25.5.17

Transportes «fora da caixa» (4)



Ver nascer o dia, num destes balões, por cima dos milhares de templos de Bagan. Birmânia (2009).
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Há 50 anos?




Dizem que «Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band» foi lançado... há 50 anos. Não é possível: foi anteontem!
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Rocky e Ivan Drago vão ao cinema



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:



Na íntegra AQUI.
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José Mário Branco, 75



Nasceu em 25 de Maio de 1942 e pertence tanto às vidas de muitos de nós que não requer apresentações. Mas «exige-nos» que recordemos aquilo que nos deu, que oiçamos, sempre e sempre, algumas das suas canções, que passaram a fazer parte do tempo que por nós passou. Ver aqui post do ano passado. 
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O país dos Ronaldos



«Segundo parece, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, classificou Mário Centeno, como o "Ronaldo do Ecofin".

Quando surgem elogios destes, vindos de quem, em momentos críticos, conseguiu sempre causar problemas a Portugal com as suas declarações fora de circunstância e de tempo, é caso para ficarmos com pele de galinha. (…) Até pode ser que Schäuble ache que Centeno pode ser o goleador que falta ao Ecofin, conclave de onde muitas vezes surgiram das mais tenebrosas ideias para afundar os países da periferia europeia. Este elogio a Centeno pode ser, por isso, um doce envenenado destinado a empanturrar de orgulho o ego nacional. (…)

Não há aqui qualquer teoria da conspiração, mas sabemos que Portugal, apesar dos resultados surpreendentes dos últimos tempos, continua a ser visto como uma ovelha negra pelo sector político que é hegemónico na Europa. Se uma imagem capturasse o espírito do tempo, a política portuguesa era o Capuchinho Vermelho. Mas todas as imagens revelam um engano: a avozinha já foi comida pelo lobo e este prepara-se para trinchar o Capuchinho Vermelho. Não falta vontade à Europa da ideologia da austeridade para cilindrar uma alternativa política que vai contra os cânones reinantes. Por isso, o elogio ao país de Ronaldos soa a falso. Como se fosse uma piada básica. Que, em vez de divertir, arrepia.»

Fernando Sobral

24.5.17

Transportes «fora da caixa» (3)



Uma caranguejola muito útil para percorrer as ruas de Luang Prabang. Laos (2009)
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Dica (553)




«Donald Trump has transformed the United States into a laughing stock and he is a danger to the world. He must be removed from the White House before things get even worse.» 
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Avistamentos de Marcelo e de Madonna

E está o mundo entregue a esta besta!


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Parabéns a você nesta data querida



«Com a sua cara de pau, Dombrovskis lá anunciou que a Comissão propõe que Portugal será retirado do Procedimento por Défice Excessivo, sendo a questão submetida como mandam as regras a quem de direito, na valsa lenta que é a burocracia europeia. (…)

Em Portugal festejou-se. O editorial do PÚBLICO até se espantou por não haver multidão no Marquês de Pombal. Mas olhe que houve multidão, só que é a que anda por aí, caro director: uma massa de dirigentes partidários e institucionais veio distribuir congratulações. O Presidente parabenizou, como agora se diz, tanto Costa como Passos e sobretudo, claro está, os sofridos portugueses e portuguesas. Passos adiantou-se em conferência de imprensa a parabenizar o governo, o tal agente do diabo para o dia seguinte, a si próprio e, claro, os sofridos portugueses e portuguesas. O primeiro-ministro fez depois discurso de Estado para parabenizar todos, lembrou como o governo terçou por esta dama, e, claro, os sofridos portugueses e portuguesas. (…)

Há então razões para festejar? Pois. (…) Podem-se contabilizar algumas despesas úteis fora do défice, mas também entramos imediatamente no procedimento por dívida excessiva, nunca saindo da tutela apertada sobre escolhas que deviam ser absolutamente soberanas, como o investimento em saúde e em segurança social, ou em capacidade produtiva e emprego. Talvez Portugal não vá para o Marquês enquanto estiver preso a estes “procedimentos”.

Mas os “procedimentos” tiveram ainda outros efeitos. Subjugaram a elite portuguesa a um discurso desistente: há mesmo quem chame “socialismo” a este mundo de tratados neoliberais e à supranacionalização da decisão política que esvazia a democracia deliberativa. Como não há quem consiga sustentar que a União Europeia é uma união ou um Estado democrático, a palavra “democracia” é esvaziada e substituída por um cerimonial: aquela a que temos direito é Dombrovskis ou Dijsselbloem a darem-nos lições. Assim, a desistência unificou os partidos do centro e da direita na narrativa do ajustamento estrutural; constitucionalizou a renda pela dívida; banalizou as operações de resgate bancário e a protecção da finança; disciplinou a população à austeridade; atacou os sindicatos e outras formas de expressão popular; reclamou o exclusivo da política para a aceitação das ordens de cima.

Por isso, uma sugestão: não tratem o povo como sofridinhos. Fomos as vítimas de uma política cruel, que sabia o que fazia e que alcançou parte dos seus objectivos de desagregação das políticas sociais. Era mesmo para “empobrecer”, como então clamou o parabenizador Passos Coelho. O país ficou mais pequeno e a democracia só recuperou algo nos últimos dois anos. Portugal merece mais do que parabéns e apagar uma velinha, merece a devolução do que nos tiraram.»

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Os muros de Trump


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23.5.17

Transportes «fora da caixa» (2)



À espera de turistas para um passeio no Bósforo. Istambul, Turquia (2011)
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Dica (552)



Um pouco acima de lixo (Paula Ferreira) 

«Quem olha para a notícia como o fim de todos os males da sociedade portuguesa estará, com toda a certeza, equivocado. Nada de estrutural deverá mudar. Bruxelas continua a impor as regras, tal como ficou claro na comunicação feita por Pierre Moscovici, o comissário europeu da Economia. O aviso foi claro. Se não se portam bem, voltam os castigos. Portanto, bem podem os partidos da Esquerda, apoiantes do Governo, exigir que o alívio seja refletido na vida das pessoas, dos que mais sofreram nos últimos anos e graças a eles, como realçaram várias vozes cá dentro e lá fora, foi possível pôr as contas públicas outra vez no bom caminho.
António Costa, se quiser manter o estatuto de bom aluno, terá pouca margem de manobra para responder de forma positiva. Os que recomendaram a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo foram os mesmos que lembraram ser necessário continuar de cinto bem apertadinho. E o mercado de trabalho estará sempre na mira de Bruxelas, para que não haja veleidades. O aviso está dado: com as medidas previstas, Portugal não cumpre as regras que lhe são exigidas.» 
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