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29.1.16

Dica (211)



Que um sangue impuro. (Fernanda Câncio)

«Quando na grandiosa manifestação que em 11 de janeiro de 2015 homenageou os mortos Charlie se cantou A Marselhesa, Cohn-Bendit comentou com estupor o uso da estrofe "que um sangue impuro ensope os nossos campos": "É de quem não percebeu nada." Um ano depois, é a estrofe maldita e xenófoba que nos ri na cara. É ela, da França à Dinamarca que expropria refugiados e a Gales que os marca com pulseiras fluo, o novo rosto dos "valores europeus". Bastou um ano de medo para fazer párias dos nossos bons princípios; quatro meses para que já não queiramos saber o que sucede aos Aylan Kurdi; 71 anos para perdermos a vergonha. Puro ou impuro, o que nos corre nas veias é nada.»
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