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22.9.16

Claro que é de ideologia que se trata!



No DN de hoje, Paulo Baldaia assina um artigo de opinião intitulado «Discutir ideologia», onde coloca a questão no plano certo: o aceso debate sobre Mariana Mortágua e as suas recentes intervenções, que parece longe de ter fim, assenta, explícita ou implicitamente, na acusação de as mesmas demonstrarem que a deputada tem ideologia. «Acusação idiota», escreve PB, «para que serviria a política sem ideologia»? E eu assino por baixo. Estamos a chegar à discussão que interessa.

«Na questão da tributação sobre o património, a primeira certeza que podemos ter de que o debate não está a correr bem é a acusação que fazem a Mariana Mortágua por ter dito o que pensava do que deve ser a política fiscal. Pior, a senhora deputada tem ideologia. A acusação não podia ser mais idiota. Mas então para que serviria a política sem ideologia? Se não podemos ter um conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais e políticos que caracterizem o pensamento de um indivíduo e o grupo a que pertence, como vamos fazer avançar a sociedade a que pertencemos? Com pensamento único? (…)

No papel de deputada que Mariana Mortágua representa, de pouco nos deve importar que ela tenha sido transformada numa estrela com a comissão de inquérito ao BES ou, agora, num cometa por dizer que é preciso "perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro". Vamos discutir ideias, porque são as ideias que nos fazem avançar. O resto é a política do reality show. Não ajuda nada a resolver o problema da maioria dos portugueses, para quem a crise continua bem presente.»
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