21.8.07

Wiki’s em Espanha

Falou-se recentemente de Wikipedia e de Wikiscanner a propósito das revelações de 0 de Conduta sobre modificações da biografia de José Sócrates, feitas a partir de um departamento governamental. Foi assim que se divulgou entre nós a existência do Wikiscanner – um sistema que, de um modo geral, permite chegar à identificação do computador (e, portanto, da organização a que este pertence se não se tratar de um utilizador doméstico), onde um internauta introduz determinada alteração na Wikipedia.

Virgil Griffith foi o seu inventor (foto aqui ao lado). Define-se como mad scientist, disruptive technologist e o seu nome percorre a blogosfera a nível mundial.

O El Pais de hoje, 21/8, revela que, em Espanha, estalou o verniz entre a blogosfera e as televisões porque duas estações – La 2 e Antena 3 – fizeram em directo alterações à enciclopédia para mostrarem aos espectadores como era fácil vandalizá-la. Foram rápidas as reacções que acusaram os jornalistas de irresponsabilidade. Houve quem dissesse que era como exibir alguém a urinar para dentro de um depósito de água para demonstrar como é fácil contaminar a água de uma cidade. Ou ensinar pormenorizadamente a assaltar carros para denunciar os inúmeros roubos de que são alvo.

A discussão ultrapassou fronteiras. As televisões espanholas foram acusadas de proteger a sua coutada contra a influência crescente da net, por temerem que lhes fosse «cortada a relva debaixo dos pés». Entre outros argumentos, surgiu o da fiabilidade da Wikipedia: um estudo recente teria concluído que, em média, ela tem 3,86 erros versus 2,92 da Enciclopédia Britânica (uma pequena diferença, portanto).

Penso que a procissão ainda vai no adro. Mas a Wikipedia, ou algo de semelhante, veio para ficar. Se não for estupidamente destruída por mesquinhez ou por academismos exacerbados – e se não for endeusada e indevidamente instrumentalizada.

Quem nunca a utilizou que lhe atire a primeira pedra.