Páginas

20.10.07

Evro – Porque não?


É só mais um alfabeto.

Depois do rongorongo:




o cirílico:









E, já agora, recorde-se o Mistério das Vozes Búlgaras:


19.10.07

Foi «porreiro, pá!» - Visto, lido e sublinhado (19/10)

Actualizado


Via 0 de conduta

No Portugal Diário:
«"Porreiro pá!" disse José Sócrates a Durão Barroso, no final da conferência de imprensa em que os dois dirigentes anunciaram e comentaram o acordo sobre o novo Tratado europeu alcançado esta sexta-feira na Cimeira europeia de Lisboa.
O microfone ainda estava aberto e a exclamação do primeiro-ministro português ouviu-se na sala da conferência de imprensa.
Visivelmente satisfeitos, o presidente em exercício da UE e o presidente da Comissão Europeia concluíram a conferência de imprensa conjunta com um aperto de mão e um vigoroso abraço.»

AMN em A Arte da Fuga:
«E temos Tratado de Lisboa. Ou deverei dizer, "têm Tratado de Lisboa"?
Sim, eles. Que ao que se sabe, o sentimento de pertença da coisa ainda não saiu dos corredores das instituições comunitárias. Mas lá está, quem somos nós para falar de coisas dessas, se temos uma Constituição a que ninguém liga propriamente pêva?»

JCS em Lobi:
«Tratado de Sacavém? Nunca consegui perceber muito bem os limites no Parque das Nações, mas creio que o Tratado de Lisboa foi assinado em Loures.»

Sócrates, ouvido em directo, na SIC N, ÀS 12:09:
«Lisboa é um porto seguro para a Europa.» Importa-se de explicar?

Gostava de me associar aos festejos, mas não consigo. Penso na Europa vista de fora - da América Latina, de África, da China, da Índia. E não me entusiasma nem me dá esperança. Sorry, Mr. President!


18.10.07

O senhor Mao(u)

Andy Warhol


O meu neto de dois anos e meio viu, em casa de uns amigos, um íman com a cara de Mao Tse-Tung, no meio de muitas outras coisas coladas na porta do frigorífico.

Perguntou quem era e disseram-lhe que era o Mao. Não comentou logo mas, algum tempo depois e já num outro local, disse-me várias vezes, meio intrigado, um tanto amedrontado: «Eu vi um senhor mau». Nem ele sabe quanto - um dia hei-de explicar-lhe.


17.10.07

Memórias de Adriano

Rui Bebiano disse ontem que lhe custa ouvir Adriano Correia de Oliveira porque ele o faz viajar no tempo e recuar «ao país-Portugal, sequestrado e em permanente luto».

Percebo perfeitamente. Mas, em mim, o efeito é exactamente o oposto: ouvir Adriano e José Afonso é recordar um grito que, nesse «permanente luto», nos alimentava a esperança. E que valeu a pena porque acabou por vencer.

É a velha história da garrafa meia cheia ou meia vazia. Ou talvez seja apenas uma questão de idade...


A família do Dalai Lama


Que Bush tenha recebido o Dalai Lama e que o Congresso o condecore, tudo bem.
Que a China se tenha zangado, era óbvio que aconteceria.

Mas daí a ouvir o que o líder tibetano foi dizendo ontem, numa rua de Washington, vai um grande passo e... não havia necessidade:

«Desenvolvemos [D. Lama e Bush] uma espécie de amizade muito estreita (...), é como que uma reunião de família.»

Pode ver aqui o vídeo:

16.10.07

A Acção Católica em Portugal

No passado mês de Julho criei um outro blogue (Entre os textos da memória), extensão deste destinada a textos longos, inadequados para estas «páginas».

Começo a divulgar hoje um estudo sobre a história da Acção Católica Portuguesa, elaborado por Sidónio Paes, nunca publicado mas posto pelo autor à disposição de estudiosos e amigos. Foi o meu caso: serviu-me de base para um dos capítulos do meu livro Entre as Brumas da Memória.

Bem insisti com o Sidónio para que o publicasse, mas, perfeccionista como era, queria revê-lo e refazer determinados capítulos, o que nunca aconteceu – a morte chegou antes dos projectos, em Dezembro de 2006. Sidónio Paes foi um ser humano absolutamente fora de série, com quem tive o privilégio de privar de muito perto. É também em jeito de homenagem que partilho com outros o seu testemunho. Uma curta biografia pode ser lida aqui.

O texto é muito longo. Irei publicá-lo por partes, numa base semanal.

Só interessará a uma percentagem relativamente baixa dos leitores deste blogue: aos protagonistas dos factos e a especialistas ou interessados numa realidade histórica que teve talvez mais importância do que se pensa no século XX português.

Lá chegaremos

Lido e sublinhado (16/10)

Helena Garrido ao Diário Económico:

«Entrámos definitivamente na fase ‘go’ da política orçamental após dois anos de “stop”. Moderam-se as reformas do Estado que poupam despesa, oferecem-se reduções de impostos a alguns segmentos da população e de empresas com efeitos discutíveis, reforçam-se as verbas do investimento público e avança-se com previsões de crescimento arriscadas. Se ninguém soubesse que se aproximam eleições legislativas, conseguia adivinhá-lo, ao confrontar o Orçamento para 2008 com os dois anteriores do Governo de José Sócrates.»

15.10.07

E a globalização avança


O Guardian publicou um interessante artigo com um título sugestivo: India outsources outsourcing.

Não é novidade o ritmo a que este país se tem desenvolvido nem como, primeiro o Reino Unido e depois muitos países ocidentais, para lá exportaram call centres e núcleos de desenvolvimento de software. E há programadores «importados» de empresas indianas um pouco por todo o mundo (em Portugal também, nem sempre em condições ideais, mas adiante que não é disso que quero falar hoje).

Mas entrou-se agora numa nova fase – é a Índia que está a comprar empresas e a instalar-se no estrangeiro, construindo redes importantes de escritórios, onde «enxerta» a sua tecnologia e práticas de gestão – na América Latina, na Europa, na China e mesmo nos Estados Unidos.

Porquê? Primeiro, porque quer – e já pode – estar presente um pouco por todo o lado. Segundo, porque a procura interna de pessoal qualificado é muito grande e os salários dispararam a tal ponto que a Infosys, por exemplo, está a recrutar fora da Índia, este ano, 32 000 empregados. Também porque saem das universidades indianas três milhões de diplomados por ano, mas só 15% são considerados suficientemente preparados para o alto nível que é pretendido.

No horizonte, está a ideia de seguir o exemplo das maiores multinacionais «clássicas», como a IBM e a Accenture, com grandes forças de trabalho espalhadas pelo planeta. Mas é sublinhada uma especificidade: a Índia despertou na era da internet, com um modo de pensar radicalmente diferente.

O país teme mais a concorrência da China do que a das nações «ricas» e prepara-se para a luta. Na opinião de um director da Tata, a maior companhia de software indiana, aquelas nações já não dominam a economia mundial porque não souberam mudar de paradigma para enfrentar a globalização – o futuro estará nos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), sem qualquer espécie de dúvida.

Matéria para reflexão.
Demos mais pela chegada dos chineses que nos invadiram as ruas, abriram as portas das suas lojas, ameaçaram com preços, incomodaram as Nogueiras Pintos deste mundo.

Com a Índia é mais subtil: tudo se passa de modo mais invisível para o comum dos mortais, em torres de negócios e, sobretudo, na virtualidade das redes.
Não que me incomode especialmente que a supremacia americana nestes domínios seja substituída por outra. Mas faz-me sentir que a Europa (e Portugal, de que maneira...) se vai esvaindo cada vez mais, «ensanduichada» entre antigas e novas potências, que não é com Tratados que se resolvem estas questões, nem com show off de distribuições de PC's nas escolas. Não são coloridas as perspectivas para os nossos jovens – se quiserem ficar por cá.

14.10.07

Ainda Fátima

Virgem negrade Chris Ofili

De uma entrevista de D. António Marto, bispo de Fátima ao Público de hoje:

«Em 1917, três crianças afirmaram ter visto Nossa Senhora. Acredita mesmo que Nossa Senhora andou por ali?
Naturalmente, mas não podemos conceber as aparições num registo fotográfico.

Como explica o que aconteceu?
Aconteceu uma manifestação de Nossa Senhora numa forma adaptada àquilo que as crianças tinham na sua mente e na própria imaginação, tal como elas a concebiam. De outra maneira, não poderiam reconhecê-la.»

Este senhor leu demais os filósofos idealistas.

Lido e sublinhado (14/10)

António Barreto no Público (sem link):
«O Tratado é tão diferente da Constituição derrotada como um ovo branco é diferente de um branco ovo. (...)
A elaboração deste Tratado foi feita em círculo fechado. A discussão em segredo. A aprovação será furtiva. Para os dirigentes europeus, a União é mais importante do que a democracia. E a Europa é mais importante do que os povos europeus .»


Pedro Sales em 0 de Conduta:
«Manuela Ferreira Leite entende que o PSD não deve defender a diminuição dos impostos porque, se o fizer, está a “avalizar a política do PS” (...), “se fôssemos para o Governo não teríamos condições para baixar os impostos”. (...)
O PSD está dividido entre populistas eleitoralistas e tacticistas oportunistas à espera de dar a boa nova na véspera das próximas eleições. Não vislumbro grande diferença.»

«Mudar de Vida»?


Alguém sabe dizer-me de quem é exactamente este Mudar de Vida?

Há uns dias recebi vários mails dando conta da sua existência, mas ainda não estava disponível na net. Cheguei a pensar que era spam. Hoje fui lá parar por engano.

Só dei uma vista de olhos. No corpo editorial, reconheci dois nomes: José Mário Branco e Pedro Goulart (ex-PRP).