8.7.15

Quando me despedi do Alberto sem o saber



Alberto Vaz da Silva morreu ontem. Mais um companheiro de várias caminhadas, que desaparece. Dói.

Estive com ele em Dezembro, numa festa em que foi lançado um livro de homenagem a um amigo comum de sempre – o José Manuel Galvão Teles. Ainda estava bem, ou parecia estar. Conversámos, rimos de tudo e de nada. Tanto ele como eu tínhamos escrito textos para o livro em questão. Brincámos com o que tinha dito no seu: 

«Por que me vêm sucessivamente à memória, arco-íris sobre o tempo, a Joana Lopes, a mana Olívia, o Jorge Sá Borges? Lutamos até ao fim da vida com os nossos estranhos corações. 
Atingimos nesses anos 60 e 70 inegáveis picos, alguns perigosos abismos, mas também cumes recobertos por neves eternas, "sempre à espera de estarmos na véspera de vivermos grandes coisas", como sentia Pasolini em New York, em 1966. 
O difícil foi manter a proporção humana, anos tão doces, anos tão bons em que o ar rescendia ao perfume da flor de osmanto, e o podermos, como Cléofas, convidar o desconhecido com quem fazíamos o caminho de Emaús para entrar connosco na estalagem, porque já era tarde e a noite chegava.» 

O Sá Borges já desapareceu há uns anos e há que tempos que nada sei da mana Olívia. La nave va, mas não é fácil. 

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Uma foto dos tempos que o Alberto refere, «sempre à espera de estarmos na véspera de vivermos grandes coisas». 

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