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6.12.08

El compañero Fidel












Como não só as palavras mas também as ideias são como as cerejas, hoje estou em dia de Cuba.

Muitos jornais disseram que Fidel está disposto a dialogar com Obama, outros afirmaram que nem por isso, mas foram necessárias várias pesquisas para conseguir chegar à fonte - CubaDebate, «Reflexiones del compañero Fidel: NAVEGAR CONTRA LA MAREA», 4/12/2008.

Muitas citações de discursos de Obama, muitas referências às suas últimas escolhas, para terminar assim:

«No diré ahora que Obama es menos inteligente; por el contrario, está demostrando las facultades que me permitieron ver y comparar su capacidad con las del mediocre adversario John McCain, a quien por pura tradición la sociedad norteamericana estuvo a punto de premiar sus “hazañas”. Sin crisis económica, sin televisión y sin Internet, Obama no ganaba las elecciones venciendo al omnipotente racismo. (...)

Alguien tenía que dar una respuesta serena y sosegada, que debe navegar hoy contra la poderosa marea de las ilusiones que en la opinión pública internacional despertó Obama. (...)»

Estranha sensação de «déjà vu», pelo menos de «déjà lu».

Cuba





A não perder, este excelente
número da Visão - História,
de 4/12/2008.

Canções de amor (2)

A melhor canção de amor de sempre? Mas alguém tem dúvidas?

4.12.08

Ficar louco no século XXI












* Enviar um mail ou usar o Messenger para conversar com a pessoa que trabalha na mesa ao lado;
* Usar o telemóvel na garagem de casa para pedir a alguém que ajude a levar as compras;
* Esquecer o telemóvel em casa, ficar apavorado e voltar para buscá-lo;
* Levantar-se pela manhã e quase que ligar o computador antes de tomar o café;
* Conhecer o significado de tb, qd, cmg, mm, dps, k, ...;
* Não saber o preço de um envelope comum;
* Receber a maioria das piadas por e-mail (e rir sozinho);
* Quando o computador pára de funcionar, parece que foi o coração que parou;
* Ler esta lista, concordar com a cabeça e sorrir;

ONDE É QUE ESTÁ A GRAÇA?

Mário Nogueira, o pio

3.12.08

Imagem da noite


Odete Santos, neste preciso momento, na SIC N.
Com boné à Mao, oiço-a dizer que o marxismo está muito vivo e o capitalismo quase morto. E também que é muito feia.

Estou com alucinações

Canções de amor (1)














Outra cadeia voluntária? Estas não falho.

Não será certamente a melhor canção de amor, mas sempre a achei bem sábia.

Não há Resistência que resista

ADENDA (*)









Fui ontem a Peniche, com cinquenta alunos de uma escola secundária de Lisboa, em visita à respectiva Fortaleza.

Já lá tinha estado em circunstâncias diferentes, mas sem ter visitado aquilo que, escandalosamente, dá pelo nome de «Museu da Resistência». O resultado resume-se em duas palavras: vergonha e indignação.

Nada pode justificar o que é mostrado às dezenas de milhares de pessoas que o frequentam por ano, na sua maioria estudantes como os que eu acompanhei - atentos e activamente interessados. Que ninguém venha falar em falta de dinheiro para justificar o miserabilismo escancarado em vitrinas com documentos mal expostos (alguns interessantíssimos), o pavoroso mau gosto da reconstituição dos parlatórios e de uma cela (aquele preso/manequim da rua dos Fanqueiros sentado à mesa e o fato completo, gravata incluída, pendurado à entrada!...) Além disso, em 2008, o audiovisual ainda não passou por ali: nem um slide, um vídeo, um som.

Com meia dúzia de tostões, tudo era melhorado num ápice, mesmo que provisoriamente e à espera de um futuro melhor. O que se vê mostra que ninguém está interessado e prefiro abster-me quanto a hipóteses sobre as possíveis razões. Qualquer grupo de jovens, como os que estavam comigo, faria melhor. (Aliás, vi há alguns meses, numa outra escola secundária, uma exposição sobre o Estado Novo preparada por alunos do 10º ano, incomparavelmente mais cuidada do que este «Museu».)

Assim vamos deixando passar o tempo e as gerações, queixando-nos do desinteresse dos jovens - que só é real quando o alimentamos ou deixamos que outros o alimentem.

(*) A conversa segue também noutros blogues, porque a João (ou a Shyz, como preferirem) foi comigo ontem a Peniche.

1.12.08

Entre o prazer e o poder















(Originalmente publicado em Caminhos da Memória)

No ano em que se celebra o 40º aniversário da encíclica Humanae Vitae, de triste memória e ainda mais triste vigência, Miguel Oliveira da Silva dá-nos um importante contributo para a compreensão da temática em questão.

Médico obstreta-ginecologista, professor de Ética Médica e Bioética na Faculdade de Medicina de Lisboa e licenciado em Filosofia, o autor pergunta se a Igreja não deve reconhecer os seus erros, «se não há uma outra ética da sexualidade compatível com a fé» e «porque se calam nesta matéria tantos dos bioeticistas, crentes e não crentes».

Começa por recordar a «oportunidade perdida» que o Concílio Vaticano II foi em temas relacionados com a sexualidade e o significado dramático da publicação da Humanae Vitae e das reacções que provocou, para depois abordar a problemática do ponto de vista da Bioética.

Regressa por fim à discussão das posições da Igreja e, num capítulo deliciosamente intitulado Quem influencia o Espírito Santo?, refere-se a Yves Congar que se perguntava «por que estranha razão o Espírito Santo influencia apenas ou sobretudo o Papa e não a Igreja no seu conjunto».

O livro tem um excelente prefácio do padre Anselmo Borges, retomado em parte num artigo de opinião publicado pelo mesmo no Diário de Notícias. O seguinte excerto resume bem uma interpretação possível das raízes do que está de facto em causa:

«O que envenenou a relação da Igreja com a sexualidade foi o choque entre o poder e o prazer, porque o prazer pode abalar o poder.
Concretamente, há a doutrina do pecado original, entendido não como o primeiro de todos os pecados - todos pecam -, mas como um pecado herdado de Adão e transmitido por geração, portanto, no acto sexual.»


Para além de todas as leituras, uma coisa parece certa: mesmo os mais cépticos dificilmente acreditariam, em 1968, dois meses depois do Maio francês, que quarenta anos mais tarde o Vaticano teria ainda o mesmo posicionamento relativamente ao controle da natalidade e ao uso de meios contraceptivos. Mas a realidade aí está para provar o contrário e para justificar o carácter oportuno do livro que Miguel Oliveira da Silva agora publicou.

Miguel Oliveira da Silva, A Sexualidade, a Igreja e a Bioéica. 40 anos de Humanae Vitae, Caminho, Lisboa, 174 p.

1º de Dezembro

- A monarquia é o último reduto do patriotismo?
- O último não. O Partido Comunista também é muito patriótico.

Declaração do nosso potencial rei ao Público de hoje.

30.11.08

Assim se vê

















«Eu quero ser bom, mas não de todo o meu coração», terá dito algures uma criança, hoje citada por Manuel António Pina no Notícias Magazine.

Guardei a frase, porque preservo, e cada vez cultivarei mais em mim, uma certa parcela de maldade:

- Contra todos os fundamentalismos ideológicos.
- Contra os que, em nome de um passado honroso, se consideram, sobranceira e autistamente, detentores de certezas únicas e absolutas.
- Contra todos os conservadores, aqueles cuja principal função na vida é manter e defender teorias e práticas inabaladas e inabaláveis. Sejam eles de esquerda ou de direita, não são mais do que agentes que tentam travar a história.

Este blogue (tal como mais uns seis ou sete) resolveu levar para a brincadeira um acontecimento que é difícil abordar a sério com pouca maldade – e eu não disponho de tanta assim. Estou a falar, evidentemente, do congresso do PC. Fui bastante atacada por «brincar» e passo portanto agora para outro plano.

Tudo quanto dissesse seria pouco para explicar as reacções que fui tendo às muitas imagens que vi e aos vários discursos que ouvi durante estes dois dias, porque incarnam precisamente tudo aquilo que rejeito, tendo-me declarado profundamente «contra».

A «força» deste PC apenas me provoca uma profunda tristeza, porque é pouco mais do que o fruto do atraso do meu país. Da crise actual também, explorada à saciedade, contra tudo e contra todos. Sempre em nome de ontens que jamais cantarão.