12.8.14

«Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem»



Foi em 12 de Agosto de 1963, duas semanas depois de o Conselho de Segurança ter condenado a política colonial portuguesa, que Salazar fez um importante discurso – «Vamos a ver se nos entendemos» – , na RTP e na Emissora Nacional.

Na biografia que escreveu sobre Salazar, Franco Nogueira dedica-lhe várias páginas e quem tiver em casa o volume V pode dar uma vista de olhos pelas páginas 504 a 509. É todo um tratado para explicar que «também somos, além do mais e a melhor título que outros, uma nação africana» e para atacar «os governos comunistas que pretendem destruir o Ocidente» e de outros que querem captar a simpatia africana, «contra a vontade dos próprios».

Mas seria esta frase que ficaria na lista das citações históricas do ditador: «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem».

Este foi o único registo sonoro que encontrei do excerto em questão:



«Sem hesitações, sem queixumes, naturalmente como quem vive a vida, os homens marcham para climas inóspitos e terras distantes a cumprir o seu dever. Dever que lhes é ditado pelo coração e pelo fim da Fé e do Patriotismo que os ilumina. Diante desta missão, eu entendo mesmo que não se devem chorar os mortos. Melhor: havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem.»

Mas há aqui e aqui mais duas partes do discurso.

Inútil recordar tudo isto? Não é, não é...
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