30.5.10

Falemos então de futebol


Ao ler que João Garcia foi convidado para motivar os jogadores portugueses que se preparam para o Mundial, liderados por Carlos Queiroz, rebobinei vinte anos.

Estava-se em 1990, eu acabara de regressar de La Hulpe, na Bélgica, onde estivera três anos destacada num centro da IBM (em international assignment, como soía dizer-se) e fui convocada para uma reunião de directores.

Vi na agenda que alguém, com nome português mas que nada me dizia, faria uma conferência sobre liderança e treino (leadership & coaching, obviamente). Fez e explicou – brilhantemente, aliás – como se formam equipas, como se mantêm motivadas, o que é fundamental para que sejam vencedoras, a importância do colectivo.

Estranhei, mas rapidamente entranhei, que se tivesse convidado um treinador de futebol. Porque o conferencista se chamava Carlos Queiroz. E porque, poucos meses antes, Portugal vencera o campeonato de sub-20 em Riade.

Vinte anos mais tarde, ele aí está, esperando-se que não esqueça o que João Garcia terá agora ensinado. Porque a África do Sul fica num paralelo muito distante do Everest mas, em termos de dificuldade, não lhe ficará muito atrás quanto a «altitude».
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