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30.11.15

Diana Andringa: «Operação Angola - Fugir Para Lutar»



Documentário com dois episódios, RTP2, 5 e 6 de Dezembro (depois do Jornal da Noite).


«Enquanto o leão não tiver o seu próprio historiador, 
a glória continuará a ir para o caçador»
(ditado africano citado por Pedro Pires, presidente de Cabo Verde) 


Diana Andringa conseguiu finalmente concretizar um dos seus velhos sonhos: o mais do que louvável projecto de preservar, em filme, a memória de um episódio marcante da resistência anticolonial, muito pouco conhecido em Portugal.

Em Junho de 1961, cerca de 60 estudantes das então colónias portuguesas – entre os quais os ex-presidentes de Cabo Verde e Moçambique, Pedro Pires e Joaquim Chissano, e os ex-primeiros-ministros de Angola e Moçambique, Fernando Van Dunen e Pascoal Mocumbi – fugiram clandestinamente de Portugal, onde se encontravam, para escapar à repressão pela polícia política da ditadura portuguesa, a PIDE, evitar a mobilização militar ou juntar-se aos movimentos de libertação.

A fuga colectiva foi levada a cabo com o apoio do Conselho Mundial das Igrejas e a participação activa de uma organização ecuménica radicada em França, a CIMADE. Foram jovens protestantes norte-americanos que, seguindo directivas da CIMADE, conduziram os fugitivos de Lisboa, Coimbra e Porto para França, atravessando a Espanha franquista, onde chegaram a ser presos. O documentário Operação Angola - nome de código dado à missão – refez essa viagem, com dois desses protestantes norte-americanos – Charles Roy Harper, Chuck, que os conduziu em Portugal e Bill Nottingham, que os conduziu em Espanha – e o angolano Miguel Hurst, actor e filho de um dos casais participantes na fuga - Jorge e Isabel Hurst – introduzindo, ao longo da viagem, descrições feitas por vários outros fugitivos em entrevistas realizadas em 2011, em Cabo Verde.




Em 2011, sob a égide do então Presidente da República de Cabo Verde, Comandante Pedro Pires, realizou-se em Cidade da Praia um encontro de participantes na Fuga de 1961. Estas imagens datam desse 50º aniversário.



A importância da preservação destas memórias é bem resumida num ditado africano citado pelo presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, no encontro realizado em Cabo Verde: «Enquanto o leão não tiver o seu próprio historiador, a glória continuará a ir para o caçador»

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Há alguns anos, Diana Andringa escreveu um texto que se encontra disponível online e que pode servir de «aperitivo» para o documentário: Fugir para lutar.
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