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17.11.07

«Les yeux dans la bière»

Continuando o tributo aos belgas (como a Shyznogud), na véspera de uma manifestação para que o país se mantenha unido.

Eles nasceram:


VALÕES

Hénin e Magritte


FLAMENGOS

Horta e Merckx


BRUXELENSES

Brel e Hergé



16.11.07

«No pasarón»?

Sombras de Guerra: a Guerra Civil em Espanha é o nome da primeira de três partes de um jogo vídeo, em que são reconstituídos, com toda a precisão, os elementos históricos da guerra civil espanhola (incluindo uniformes, armas, etc.).

Mas, porque de um jogo se trata, os acontecimentos são deixados em aberto, ou seja, cada batalha – e também a guerra – podem acabar de outra maneira. Franco pode sair derrotado, o No passarón! pode «acontecer».

O projecto custou um milhão de euros e foi parcialmente subsidiado por uma empresa do governo da Andaluzia – o que já abriu a polémica.

Intuitos pedagógicos? Ninguém parece reclamá-los.
Vale tudo na era do «faz-de-conta»? Acho que não. Continuo a pensar que há (algumas) coisas dramáticas com que não se brinca. Ou, citando um dos comentários à notícia publicada ontem no jornal Público (espanhol) e que pode ser lida aqui:

«Se podrá conseguir que Franco no traicione a su gobierno y al pueblo español con el golpe de estado del 36 y haber evitado el sufrimiento y muerte de millones de españoles? Si no se puede no me interesa el juego.»

15.11.07

Horrores da globalização

Japão - Festejos da chegada do Beaujolais 2007

AFP

Memória e Democracia em Espanha (2)


Em Espanha,
«... nos trinta e sete anos entre o final da guerra civil, em 1939, e o do regime franquista, em 1975, mais de 200 000 espanhóis foram mortos e um milhão viu-se privado da liberdade por motivos políticos». (*)

Sublinho: o período considerado NÃO INCLUI os anos da guerra civil.

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(*) Irene Flunser Pimentel, A História da PIDE, Círculo de Leitores / Temas e Debates, 2007, pp. 533-534).

13.11.07

Memória e Democracia em Espanha


Decorre desde ontem este curso (organizado pela Universidade Nova e pela Fundação Mário Soares) em que estou a participar. A descrição detalhada do programa pode ser encontrada aqui.

Hoje, o tema geral foi Transição Pactuada e Memória dos Vencidos em Espanha e as apresentações foram feitas por três historiadores espanhóis: Carme Molinero, Ismael Saz e Julián Casanova. O comentário final e a coordenação do debate estiveram a cargo de Manuel Loff, da Universidade do Porto.

Foi uma sessão não só oportuna como muito interessante e esclarecedora. Na absoluta impossibilidade de a resumir, limito-me a realçar o tema que foi mais detalhadamente exposto e debatido.

Durante o chamado período de transição para a democracia (entre a morte de Franco, em 1975, e a primeira vitória do Partido Socialista, em 1982), homenagear a «memória dos vencidos» ou exaltar os méritos dos activistas antifranquistas não foi – nem podia ter sido – uma prioridade. Por diversos tipos de razões, mas, antes de mais, porque a esmagadora «maioria social» (mesma grande parte da que se tinha movimentado contra a ditadura) queria democracia mas com garantias de estabilidade.

Funcionou, transversalmente, o medo de que quaisquer extremismos pudessem dar origem a uma nova guerra civil. Esta foi certamente uma das principais razões para que não se rompesse o equilíbrio entre os vários tipos de forças e que acabasse por se assistir, muito para além do período de transição, à hegemonia do discurso público do esquecimento. Por outras palavras, aquilo que habitualmente se designou por «Pacto de Silêncio» e que se concretizou, em 1977, numa amnistia recíproca (entre forças franquistas e antifranquistas) teve efeitos de amnésia: funcionou como uma procura de esquecimento.

As questões de verdade, de justiça e de memória ficaram pendentes durante muitos anos.

Tudo mudou, sobretudo na última década, e está-se agora num «Momento Memória» em que a sociedade espanhola tem de ajustar definitivamente as contas com o seu passado antidemocrático. Mas nada está a ser fácil, tantas são as crispações e também as resistências de algumas instituições com grande peso, como é o caso da Igreja católica.

Ancas largas e cintura fina

... se quer ter filhos mais inteligentes.

Será a configuração ideal para a acumulação de gorduras poliinsaturadas nas ancas, cujo ácido é da maior importância para o desenvolvimento do cérebro do feto.

Vem tudo cientificamente explicado aqui.

O que se aprende na net...

12.11.07

A Igreja e os nossos impostos

Ignorava que a Universidade Católica era subsidiada pelo governo para a sua acção social (aparentemente, ajuda alunos carenciados).

Vejo agora que reina a indignação pelo facto de o Orçamento de 2008 não prever qualquer verba para esse efeito (verba que era de 1,5 milhões de euros, ainda não pagos, em 2007).

O cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, terá comentado, em entrevista ao Correio da Manhã , que esta situação «é uma vergonha» para o nosso país e que se a Igreja ainda não sabe de que modo vai actuar para tentar resolver este assunto, uma coisa é certa: «Parada (...) não vai ficar».

O cardeal aproveita a ocasião para condenar «a onda laicista que todos os dias mina a sociedade portuguesa».


Decididamente, a hierarquia católica não aceita, na prática, a separação Igreja / Estado. Assistimos, todas as semanas, a novos episódios. Considera-se com um papel especial na sociedade portuguesa que (já) não tem - nem deve ter - e continua a querer manter privilégios. Veremos até onde vai levar este braço de ferro e estejamos atentos às eventuais cedências por parte dos políticos.

Uma crise sem saída?

A Bélgica, multicolor e multicultural como toda a Europa, celebrou o armistício mas continua incapaz de se entender internamente - sem solução à vista e com as posições mais radicalizadas do que nunca.

Esta história não vai acabar bem para os belgas.




Que lhes sirva de consolação a bela vitória de Justine Hénin no Masters de Madrid.

11.11.07

Borbón e Scolari


Assim que vi as primeiras imagens do incidente entre o rei de Espanha e o presidente venezuelano, lembrei-me da agressão de Scolari a um jogador – ambos defenderam «os seus meninos».

Muito diferente? Certamente, mas perderam os dois as estribeiras quando não deviam.

Acontece que um é de estirpe real e o outro é um simples peão (só o desporto em que se move é que rei). Juan Carlos, aparentemente, não se arrependeu nem pediu desculpas – talvez o tivesse feito se as cimeiras ou a ONU decretassem castigos ou aplicassem multas.

A figura do rei espanhol é muito «mais simpática», indiscutivelmente «mais democrática» do que a de Hugo Chávez. Alguém duvida? Mas o sangue azul não lhe dá o direito de sobranceria, de paternalismo ou de um olhar (ainda) imperialista sobre os seus ex-súbditos.

A discussão vai hoje quente em Espanha. Já li que se Chávez é um ditador (mas eleito), Juan Carlos foi pura e simplesmente nomeado por outro – «rey, por la gracia de Dios y del Caudillo Franco».

E também, com muitas variantes: «Por qué te callaste ante la participación de España en la guerra de Irak?»

Disto e daquilo principalmente daquilo


Há alguns meses, publiquei aqui uma das «Redacções da Guidinha», de Luís Sttau Monteiro.

Há tantos leitores que chegam a este blogue à sua procura (sobretudo, vá lá saber-se porquê, nas últimas semanas), que resolvi divulgar mais uma. Poderá ser uma boa leitura para um Domingo de Novembro...


Disto e daquilo principalmente daquilo

Não não não ele há coisas que não se fazem a uma menina ingénua como eu que ainda nem sequer estudou biologia e organização política e que ainda está na idade de comer gelados e de chupar bombons e de fazer chichi atrás de uma árvore sem os guardas se chatearem sim porque não é só cá na Graça que há velhinhos não senhor também os há noutros sítios e o pior é que um dia fico assim o que peço quando isso acontecer é que não me deixem fazer nada nem abrir o bico porque uma coisa é a gente ser velho porque tem de ser e outra coisa é a gente ser velho e dar vontade de rir como dava o meu Avô que Deus tem se o tiver sim porque não há certeza nenhuma dele estar na tal mão de Deus não senhor porque se havia uma pessoa difícil de apanhar era ele quando se raspava de casa para fazer discursos nas esquinas sobre isto e sobre aquilo principalmente sobre o Benfica que era o clube de que ele gostava muito mas como a gente sabia como ele era dávamos pela falta dele seguíamo-lo porque aqui na Graça o povo ri que é uma coisa doida se calhar não é aqui na Graça se calhar o povo ri em toda a parte porque o povo é muito dado ao riso mas isso é capaz de ser política e eu em política não me meto não senhor para não estragar a vida ao meu Pai lá na repartição de maneira que o melhor é mudar de assunto mas ainda dentro deste assunto quero dizer isso da sardinha deve ser mentira porque a sardinha está cara como burro e o povo já teve de a deixar agora só se ri com o carapau do besugo do peixe-espada e dos jaquinzinhos que estão cada vez mais caros e o preço deles dá cada vez menos vontade de rir ai meu Deus que lá vou eu outra vez a falar de preços assim lá tramo o meu pai na repartição nestas coisas não há como estar calado mas como é que uma pessoa pode estar calada enfim muda de assunto Guidinha que ainda te arrependes ora vamos lá então a mudar de assunto e a falar duma coisa que ninguém mesmo que tenha má vontade possa dizer que é política este ano o Verão está muito bom há muita gente na praia já vi um cão de coleira fazer chichi na areia nas piscinas também há muita gente e nas ruas também e nos parques também cá a Graça está cheia de gente só cá não estão os que foram embora lá porquê não sei só se for por maldade sim porque há muita gente com a maldade entranhada que não sai nem com sabão-macaco outra coisa que se vê muito cá na Graça é o povo a rir de felicidade ri-se que é uma coisa doida principalmente na véspera da partida a Graça é muito estranha não há quem a entenda senão quem a entenda mas o melhor é eu mudar outra vez de assunto porque as pessoas são muito sensíveis e podem pensar que eu estou a falar de coisas de que não estou a falar como por exemplo de elefantes já que falei de elefantes explico que são uns bichos que têm um nariz enorme mas é que mesmo enorme mas no meio daquela cabeçona em que têm o nariz tem muito pouco miolo.

A Mosca, 11 Agosto 1973